domingo, 8 de novembro de 2009

DE VOLTA AO CHICOTE

Por Haroldo Saboia

Em vários artigos deste espaço semanal do JP, tenho tentado demonstrar o caráter verdadeiramente obsessivo de José Sarney em distorcer a história, falseá-la sempre na tentativa de fixar sua imagem como a de um político moderno, tolerante, magnânimo e, ao longo de sua vida, comprometido com os ideais democráticos.

Sarney tem plena consciência de sua mediocridade como poeta e literato. Sabe perfeitamente das vicissitudes e da verdadeira dimensão de sua carreira política. Aparentemente vitoriosa, sua trajetória não revela uma liderança popular, um líder carismático, um profissional liberal ou intelectual elevado à condição de homem público.

Não! Os momentos relevantes de seu percurso expõem as marcas da trapaça, da esperteza, dos golpes, das traições, do absoluto descompromisso com a História e a coisa pública. Vejamos:

- a fraude eleitoral da famosa 41ª. zona (“esta é do Zé, meu filho”) que lhe assegurou uma suplência de deputado federal;

- a mudança do PSD para a UDN que lhe permitiu em 1960 transitar livremente pelos setores mais conservadores da política nacional que apoiavam Jânio Quadros (com Carlos Lacerda, forte no Rio de Janeiro, Magalhães Pinto em Minas, e o próprio Jânio, majoritário em São Paulo) sem romper com o poder estadual vitorinista. Explico: Sarney em 1960 apoiou dois pólos partidários: no Maranhão, o PSD, com os vitorinistas e seu candidato ao Governo Newton Bello, franco favorito; nacionalmente, o outro lado, a UDN, que elegeu Jânio Quadros e abriu o caminho ao golpe militar de l964;

- Sarney foi, assim, um político de TRÊS VIAS: do poder local vitorinista e pessedista; do populismo conservador de Jânio Quadros e da UDN golpista, com suas vivandeiras que estimularam e deram sustentação civil ao golpe militar;

- político por natureza governista e fisiológico, Sarney nas TRÊS VIAS que circulava ia empregando parentes, amigos, aderentes e correligionários. Sempre com um olho nos quartéis, outro nos tribunais... ;

- em l965, enfim veio a coroação da tática das TRÊS VIAS: o general João Batista Figueiredo, chefe da Casa Militar do ditador-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, proibiu expressamente, em audiência pessoal com o governador Newton de Barros Bello, que o PSD apoiasse o candidato, até então favorito, Renato Archer Bayma da Silva, deputado federal contrário ao golpe militar. (Por favor, não relacione, o fato que acabo de narrar, com a vinda recente de José Dirceu a São Luis, os tempos e o regime são outros e as práticas, bem... discutiremos depois);

- Newton Belo cedeu e o velho PSD lançou o ex-prefeito nomeado de São Luis Costa Rodrigues. Com dois candidatos, Costa Rodrigues e Renato Archer, a estrutura de poder local se dividiu e Sarney, traindo suas origens, graças ao apoio dos militares do Planalto e toda sorte de pressão, ameaças, chantagens, fraudes de todo o tipo, consegue ser eleito governador: nascia a nova oligarquia;

- as lentes de Glauber Rocha (que enigmáticas, ainda estão, penso, à espera de várias e várias análises e interpretações) fixaram o início desse ciclo oligárquico que germinou no nascedouro do regime militar. Lembro, a propósito, dois importantes estudos que fazem referências à presença do cineasta em terras maranhenses, naquele momento. O primeiro, ”Formação Social do Maranhão: o presente de uma arqueologia”, - trabalho de mestrado de Rossini Correa, defendido em 1982 na Universidade Federal de Pernambuco, (em especial, o capítulo oitavo); e, o importante “Sob o signo da morte: o poder oligárquico de Victorino a Sarney”, dissertação de Mestrado obtido na Universidade de Campinas (Unicamp), em 2001, pelo professor Wagner Cabral da Costa.

Aqui estão elencadas passagens do início da construção oligárquica. Sequer abordamos (nem o espaço possibilitaria) seu desenvolvimento posterior até sua consolidação com a ascensão bacteriana do personagem à Presidência da República.

Só, assim, poderemos entender, minimamente, as cenas de terror orquestradas pelo atual presidente do Senado da República na tentativa de impedir o lançamento do livro “Honoráveis Bandidos: um retrato do Brasil na era Sarney”.

Entendi ser necessário recuar no tempo e pesquisar o ovo da serpente, as origens da barbárie tão viva e presente no auto-proclamado Oligarca da Liberdade.


Sim, o próprio José Sarney teve a audácia de publicar, em seu jornal “O Estado do Maranhão”, um artigo de página inteira, com o pseudônimo Gilberto Meneses, com o título “O OLIGARCA DA LIBERDADE”.

Sabem em que data? Curiosa e cruel coincidência: 4 de novembro de 1990. Após exatos 19 anos, o atentado no Sindicato dos Bancários!


Um pseudônimo como biombo, Sarney solta o verbo:

“Por uma disposição inexcedível de sua índole tolerante e perseverante na indulgência, Sarney nunca soube usar da crueldade na apreciação dessa matéria complexa, plena de ambivalências, sujeita a mutações tão imprevisíveis, que é a natureza humana.”

E prossegue Sarney em seu auto-elogio:

“Com a virtuosidade de todo verdadeira artista da política, Sarney prosseguiu em sua rota, sem se deixar abater pelas misérias e fraquezas dos homens, convicto de que na vida pública a mais ruinosa e nefasta das posturas é ser pequeno”.

Só alguém que tem a coragem de proclamar-se “oligarca da liberdade”, tolerante, perseverante na indulgência, incapaz de usar da crueldade... pode ter o refinamento, a meticulosidade de agir com a sutileza e a complexidade de Sarney ao construir tramas como a de Reis Pacheco, do processo-trapaça que cassou Jackson e, sua mais recente obra, o atentado à Palmério Dória e seus leitores.


“Com a virtuosidade de todo verdadeiro artista da política”, Sarney (que como Hitler pinta telas) armou o abortado ato terrorista da noite de autógrafos no Sindicato dos Bancários, utilizando jovens remunerados (pelo menos um deles comissionado pela cumplicidade do Prefeito Luis Fernando, de Ribamar). E muito provavelmente com a cobertura (os indícios são fortíssimos) de membros do Serviço Velado da Policia Militar, presentes no ato em manifesta postura de coordenadores.

O DNA de Sarney é visível na edição de quinta- feira de seu jornal O Estado do Maranhão e em comentários veiculados pelos blogues de dois repórteres de política de sua empresa.


Enquanto o jornal ignora o episódio, o blogue de um afirma que “na realidade o lançamento dos Honoráveis Bandidos em São Luis não passa de uma provocação”, enquanto outro acusa textualmente um Secretário de Estado do Governo Roseana Sarney de patrocinar e coordenar o atentado.

Coisas do Sarney! Para confundir, ora silencia (1), ora faz a defesa da “ação” (2), ora aponta um responsável como bode expiatório (3).

Em outras palavras: silenciosamente, atira a pedra e tenta esconder a mão!

Vale lembrar que no episódio da invasão pela Policia Federal do escritório da empresa Lunnus de propriedade de Roseana e Jorge Murad, Sarney também recorreu à violência e ao terrorismo.

Determinou que aliados seus tentassem dissolver com pedras e pauladas ato público na Praça Deodoro, no início de maio 2001, em que manifestantes exigiam rigorosa apuração do caso Lunnus. Verdadeiras hordas de vândalos, transportados por ônibus fretados, promoviam a baderna e a intimidação comandadas pessoalmente pelos deputados Max Barros e Telma Pinheiro, e ainda pelo falecido vereador Sebastião do Coroado.

Max, Telma e Sebastião juntos em um verdadeiro sincretismo de terror e violência ao sabor dos caprichos do velho oligarca Sarney, o poeta do chicote.

sábado, 7 de novembro de 2009

Vias de Fato e o (faro)Oeste maranhense

Já nas bancas a segunda edição do jornal Vias de Fato, sob coordenação editorial dos jornalistas César Teixeira e Emílio Azevedo e coordenação de Alice Pires e Altemar Moraes.

O periódico busca ser um canal de expressão das demandas sociais do movimento social maranhense. Nesta segunda tiragem, a matéria de capa é dedicada à situação das terras indígenas da região do Alto Turi. Assinado por César Teixeira, o texto é um excelente ponto de apoio para o debate sobre o que anda acontecendo no (faro)Oeste maranhense.

O Vias de Fato também está acessível na internet. Confira
aqui.



Até quando os invasores vão continuar ocupando a Terra Indígena Awá-Guajá?

Contrariando decisão da Justiça Federal no Maranhão, o TRF da 1ª Região (DF) suspendeu a retirada dos invasores que ocupam a Terra Indígena Awá-Guajá, no Oeste do Estado, e especialmente das instalações da Agropecuária Alto Turiaçu, empresa do grupo paulista Schahin. Entretanto, os recursos ainda vão ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal, podendo a sentença original ser mantida, se não houver nenhuma ingerência política, conforme observação do juiz federal José Carlos Madeira.

Por César Teixeira

O presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Jirair Aram Meguerian suspendeu a decisão judicial emitida pelo do juiz José Carlos Madeira, da 5ª Vara Cível da Justiça Federal no Maranhão, que obriga a empresa Agropecuária Alto Turiaçu Ltda, do Grupo Schahin – assim como todos os ocupantes não-índios –, a retirar-se da Terra Indígena Awá-Guajá.

A suspensão, ocorrida em 23 de outubro, atendeu pedido da Prefeitura Municipal de Zé Doca, alegando que a retirada iria prejudicar economicamente a região. Porém, o caso não termina assim, pois o Supremo Tribunal Federal ainda vai julgar os recursos sobre a decisão da Justiça Federal, e a partir daí os invasores terão um prazo de seis meses para sair da área.

Para Madeira, dificilmente o STF invalidará a sentença. “Diante das evidências apresentadas nos autos e do contundente laudo antropológico, não acredito que o Supremo irá se pronunciar voltando atrás na nossa decisão”, ressalta o juiz maranhense.

A Sentença - Em 30 de junho deste ano, o juiz federal José Carlos Madeira, acolhendo pedido formulado pelo Ministério Público, emitiu sentença judicial contra a União e outros, condenando os réus a demarcarem a Área Indígena Awá-Guajá, seguindo-se os atos de homologação e registro imobiliário. Também declarou extintos, “não produzindo efeitos jurídicos” (CF 231 § 6º), os atos que possibilitaram a ocupação, o domínio ou a posse de terras na área, “inclusive aqueles praticados pela empresa Agropecuária Alto do Turiaçu Ltda”.

O juiz impôs, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, depois de exaurido o prazo de 180 dias, a remoção de posseiros, madeireiros e outros do interior da Área Indígena; o desfazimento de cercas, estradas ou quaisquer obras incompatíveis com o modo de uso das terras pelos Guajá; a colocação de placas em todo o perímetro da área, que indiquem com clareza ter sido demarcada por determinação da Justiça Federal no Maranhão e proibindo o ingresso no local sem autorização da FUNAI, além da divulgação dos trabalhos de demarcação.

Entre os réus na sentença judicial (Processo nº. 2002.37.00.003918-2), além da União e da empresa Agropecuária Alto Turiaçu Ltda, figura a própria Fundação Nacional do Índio – FUNAI.
Grupo Schahin - A Terra Indígena Awá-Guajá, no Oeste do Maranhão, desde a década de 50 era invadida por posseiros, fazendeiros e madeireiras – época da construção da BR-322. Depois chegariam grupos empresariais ligados a interesses econômicos escusos. Foi o caso da Agropecuária Alto Turiaçu Ltda, pertencente ao Grupo Schahin, que se instalou na região em 1985, apossando-se de 37.980 hectares das terras indígenas.

Na verdade, o Grupo Schahin Cury (que mudou de nome com a saída da família Cury da sociedade) veio para o Maranhão em 1978, a partir da criação da Schahin Corretora de Valores Mobiliários, para investir nos setores agropecuário e madeireiro. Fundado em 1966, o grupo atua nos segmentos financeiro, engenharia, construção civil, incorporações imobiliárias, telecomunicações, concessões de linhas de transmissão de energia, petróleo e gás.

Sua chegada no território Awá-Guajá fomentou o surgimento de milícias armadas, o desmatamento, as carvoarias, a construção de estradas clandestinas, a extração ilegal de madeira e o progressivo extermínio do povo indígena nômade, cuja área, originalmente, deveria possuir 232 mil hectares, incrustados nos municípios de São João do Caru, Zé Doca e Newton Belo, adentrando a Reserva Biológica do Gurupi.

A Agropecuária alega ter adquirido a área em 1982 do Instituto de Terras do Maranhão (Iterma), embora fosse reconhecida desde 1961 como reserva florestal e, em 1985, identificada pela FUNAI como território Awá-Guajá. Quem administrava então a empresa, sediada em Zé Doca, era o ex-presidente da Associação dos Criadores de Gado do Maranhão, Cláudio Donisete Azevedo.

Ligado ao grupo político do senador José Sarney, que controla o Ministério de Minas e Energia, Cláudio Azevedo é presidente do Sindicato da Indústria de Ferro do Maranhão e, em junho deste ano, foi empossado na presidência da Associação das Siderúrgicas do Brasil (Asibras), entidade que representa as indústrias de ferro nos estados do Maranhão, Pará, Minas Gerais e Espírito Santo.

Coincidência ou não, no mesmo ano de 1985 a Companhia Vale do Rio Doce iniciou a construção da ferrovia Carajás, para o transporte de ferro e manganês da serra dos Carajás (PA) até São Luís (MA), atravessando territórios indígenas dos dois estados. Pelo termo de financiamento da obra, a empresa deveria bancar o processo de demarcação, o que não ocorreu no caso dos Awá-Guajá.

“Pouco foi feito para ordenar social e geograficamente a região, mesmo com os vultosos recursos recebidos: cerca de 900 milhões de dólares do Banco Mundial e da Comunidade Européia para a implantação do Projeto Carajás”, registra Rosana de Jesus Diniz, coordenadora regional do Conselho Indígena Missionário - CIMI/MA (Porantim, nº. 317 - ago. 2009).

Cobiça pela terra - Em 1999, a violência recrudesce quando o Grupo Schahin, é “escolhido” para as obras de construção civil e infra-estrutura do Projeto SIVAM (Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia), a cargo da Schahin Engenharia Ltda. O grupo paulista, controlado pelos irmãos Milton e Salim Taufic Schahin, passou a encabeçar as demandas de ações judiciais contra a demarcação da área indígena.

Pressões sobre a delimitação da TI Awá-Guajá ocorriam desde 1985, quando foi identificada com 232 mil hectares. Em setembro de 1988, a área indígena diminuiu para 65.700 ha, com a portaria interministerial nº 158, revogando a anterior (nº 76), que declarava posse permanente dos indígenas 147.500 ha. Finalmente, em 27/07/1992, a portaria nº 373, do ministro Celio Borja, estabeleceu 118.000 hectares.

Em outubro de 1992, a Agropecuária Alto Turiaçu obteve liminar favorável em Mandado de Segurança impetrado contra a Portaria nº 373, permanecendo na área. Quando foi iniciada a demarcação, em fins de 1994, com base na mesma portaria, a equipe técnica foi impedida por moradores da região de continuar o trabalho, suspenso por falta de segurança.

O juiz federal José Carlos Madeira, em agosto de 2002, determinou que os trabalhos de demarcação da Terra Indígena fossem reiniciados pela FUNAI, alvo desde 1992 de uma ação cautelar movida pela Agropecuária Alto Turiaçu, que reivindicava a posse de 37 980 hectares situados na terra Awá-Guajá, sem obter êxito.

Seguiram-se várias batalhas nos tribunais e reações da sociedade civil e do Ministério Público, enquanto durou a ocupação das terras pelo grupo paulista, até a Terra Indígena Awá-Guajá ser finalmente homologada pelo Presidente da República em 2005, com 116.582 hectares.

Ou seja, durante todos os processos judicial e administrativo, mais de 115 mil hectares foram subtraídos do território original do povo nômade Awá-Guajá.

Mobilização - Antes de emitir a atual sentença, o juiz federal visitou a Terra Indígena Awá-Guajá e saiu convencido de que a terra estava sendo esquartejada e os índios eram massacrados sob os olhos do Estado. “Trata-se de um verdadeiro genocídio”, ressalta o juiz, que considera este caso mais emblemático do que o de Raposa-Serra do Sol, em Roraima.

Madeira chegou a receber mais de dez mil mensagens por e-mail do Brasil e do exterior com congratulações pela sua atuação no litígio, que acumula ao todo 15 processos (veja quadro). Não obstante a legalização da Terra Indígena, diante da omissão do Estado brasileiro o meio ambiente na região continua ameaçado e o povo Awá-Guajá na mira dos invasores, correndo um sério risco de extinção.

Rosana Diniz enfatiza: “Está anunciado o extermínio de uma região impregnada com a vida e com a diversidade dos povos indígenas, fauna e flora, por meio das carvoarias, pastagens, roubo da madeira e abertura de mais estradas clandestinas. Tudo regado a sangue e morte”.

Mesmo acreditando que a suspensão do TRF/DF não vingará por muito tempo, e diante de uma possível decisão do Supremo favorável aos indígenas, o juiz José Carlos Madeira faz um alerta para que a sociedade civil se mobilize para evitar surpresas, se houver ingerência política em favor dos réus. “Já fiz a minha parte. Agora é a parte política, o povo tem que ir para as ruas”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Stédile politiza CPI do MST

Confira no vídeo abaixo a estratégia do MST para enfrentar a CPI instalada no Congresso Nacional contra o Movimento.

Poesia de Quinta - Número 48

Por Deíla Maia (originalmente em 10.09.2009)

Pessoal,

A Poesia de Quinta de hoje eu li na minha Revista Vida Simples, de setembro/2009, e traz o trabalho de um maranhense criado no Rio, RONALDO COSTA FERNANDES.

O autor nasceu em 1952, é doutor em literatura pela Universidade de Brasília (UnB) e é autor de diversos livros, dentre eles o seu mais recente: A Máquina das Mãos (Editora 7 Letras), de onde foi extraída esta poesia.

Ofereço a Poesia de Quinta de hoje para a minha querida Grace (ela bem sabe os motivos!!!).

Beijos descansados!!!!

Deíla


FÉRIAS
Ronaldo Costa Fernandes


Aqui, quieto em meu canto,
sem mexer-me, olhando a luz higiênica do sol,
penso na inutilidade cansativa de malas e hotéis
para divertir-me nas férias estrangeiras.
Não, só preciso da vontade,
nem sempre firme,
um vento estradeiro,
um alarde distante de pássaros
e nada além do meu corpo.

Em São Paulo, Brasília, Maranhão e no You Tube repercute o quebra-quebra em lançamento de Honoráveis Bandidos

Aos poucos, os quatro cantos do País vão tomando conhecimento da pancadaria ocorrida em São Luís. O tema é notícia em São Paulo, Brasília, nas ruas de São Luís e no mais acessado saite de vídeos da internet, o You Tube.

O jornal O Estado de São Paulo de hoje publica matéria onde aborda o quebra-quebra no lançamento do livro de Palmério Dória, em São Luís. Anuncia o jornal paulista: "Pancadaria no lançamento de livro em São Luís"(leia aqui).

O maior saite de notícias do país, o Universo On Line (UOL), também destaca o tema: "Acaba em pancadaria lançamento de 'Hornoráveis bandidos' em São Luís"(confira aqui).

Dutra na Câmara
No plenário da Câmara dos Deputados, o deputado Domingos Dutra abre o verbo: "Sarney faz terrorismo para tentar intimidar adversários no Maranhão". (aqui o discurso na íntegra).

José Reinaldo no JP
O ex-governador José Reinaldo Tavares também aborda o ato de vandalismo praticado pelos jovens sarneyzistas no Sindicato dos Bancários. E registra:

"Além da proibição para que as livrarias o vendessem, sob pena de perseguição fiscal, as empresas de publicidade que trabalham com outdoors, depois de serem contratadas e exibirem as peças que divulgavam o lançamento do livro, foram ameaçadas e preferiram romper os contratos, sumindo com a publicidade do título. Foram ameaçadas de perder o trabalho. Cederam com medo" (leia aqui o artigo).

Na internet, já está disponível a filmagem da pancadaria. Assista abaixo.


Alterado às 12h27 para acrescentar link das imagens na internet.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Maranhão não é prioridade para PMDB aliar-se a PT

O Estado de São Paulo de hoje revela detalhes da reunião acontecida entre a comissão de 10 lideranças do PMDB e 10 lideranças do PT para alinhavar a aliança nacional pró-Dilma para 2010.

A cúpula peemedebista jogou as cartas na mesa: só entrega o peixe vendido (aliança PT-PMDB), se houver a solução de pelo menos dois dos cinco estados que efetivamente pesam na convenção do partido: Rio de Janeiro (controla 78 convencionais), Minas Gerais (66 convencionais), Ceará (64), Pará (58) e Mato Grosso do Sul (52).

O Maranhão nem entrou na conversa. Sarney tem pífios 04 votos do PMDB do Amapá e algo em torno de uma dúzia do PMDB maranhense.

Ou seja, não há margem de intervenção, por conta de qualquer pressão motivada no acordo nacional PT-PMDB, no PT maranhense.

A questão é o PT. O problema, então, é interna corporis. Aí, são outros quinhentos...

Por essas e outras, prefiro CHICO a Caetano...

Caetano Veloso, n´O Estado de São Paulo de hoje, perdeu uma boa oportunidade de ficar calado.

Disse o cantor, declarando seu voto para 2010: "Marina não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro".

Não é destilando preconceituosos venenos, típicos da elite conservadora do País, que faremos a crítica correta ao que eu chamaria de "República da real politic" da era Lula.

Ao não fazer a reforma agrária, não enfrentar o monopólio das comunicações, ter uma tímida política ambiental, repactuar com antigos coronéis da política brasileira (Sarney, Collor, Renan, Jader etc), Lula opta por um bloco de poder em que ele não avança nessas políticas para conciliar com agronegócio, a Rede Globo, as grandes empreiteiras e o "centrão" da política brasileira.

Isso nada tem de analfabetismo. Se a elite continuar tão burra quanto procura, nestes termos, expressá-la Caetano, o processo democrático brasileiro em nada avançará. Por conta de um lado e do outro!

Se elaborasse por aí sua crítica, seria menos "grosseira, cafona" a fala de Caetano.

Desespero dos Sarneys: "honoráveis" baderneiros aprontam quebra-quebra em lançamento de livro de Palmério Dória



A tentativa de quebra-quebra realizada pela juventude do PMDB, no lançamento do livro "Honoráveis Bandidos", de Palmério Dória, foi frustrante aos sarneyzistas e só fez aumentar o sentimento de unidade das oposições.




Ao tentar acertar ovos no autor do livro e estragar a festa de lançamento, os jovens sarneizistas atiraram no próprio pé... mesmo com os danos causados à sede do Sindicato dos Bancários, a noite de autógrafos prosseguiu com sucesso, como reporta o jornalista Manoel Santos Neto (aqui).

A autoria da baderna não é acusação leviana dos oposicionistas, é atestada pelo blogueiro Marco D´Eça, do sistema Imirante (veja aqui), no post "As idiotices de Roberto Costa".



É a volta dos dos caceteiros, como lembra o professor Francisco Gonçalves:

"Nos velhos tempos da política brasileira e maranhense, os caceteiros, como define o senador José Sarney em artigo publicado na primeira página do jornal O Estado do Maranhão, em 9.10.94, 'eram aqueles que iam para as eleições convencer os eleitores na paulada'.
Na noite de 4.11.09, na sede do Sindicato dos Bancários, os caceteiros voltaram espetacularmente à cena política do Estado do Maranhão, tentando impedir com pedras e ovos o lançamento do livro “Honoráveis bandidos”, do jornalista Palmério Dória.
No artigo de 94, Sarney advogava a idéia que caceteiro e boqueiro eram a mesma coisa e que 'para termos uma democracia moderna, respeitável, não poderia ter boca-de-urna'.
Ocorre que o boqueiro procura convencer com as palavras e o caceteiro intimidar o outro na base da paulada e da pedrada.
Caceteiros são paus-mandado daqueles que menosprezam o livre debate e não hesitam em lançar de qualquer recurso, inclusive da força física, para manter privilégios e ocultar maracutaias.
Para os novos caceteiros, reunidos na UMES ou em qualquer outra organização sindical e política, a democracia é apenas o outro nome de Geni: 'joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni' (Chico Buarque)."

Como alerta o professor Wagner Cabral, a bomba suja explodiu:

"(...)explode mais uma vez a violência política em meio à crise intra-oligárquica.
Em pleno lançamento do livro do jornalista Palmério Doria (Honoráveis bandidos), com ácidas criticas à oligarquia Sarney, cerca de 15 "estudantes" arregimentados pela UMES, na verdade uma tropa de choque do sarneísmo, quiseram impedir a LIBERDADE DE EXPRESSÃO com ovos, tortas e pedras, provocando tumulto, pancadaria e confusão.
A sede do Sindicato dos Bancários foi depredada, a porta de vidro quebrada, cadeiras do auditório também... vandalismo político: bomba suja .
Pessoas saíram feridas, com as agressões iniciadas pelos "estudantes" (leia-se tropa de choque), gerando pancadaria e medo.
Como usual na estratégia da velha oligarquia Sarney, depois da confusão, os "estudantes" quiseram se passar por "vítimas"... coitadinhos...
Um blog da Mirante, inclusive, repercutiu a estória cerca de 30 minutos depois dos acontecimentos... os estudantes teriam sido agredidos .
Mais, expressão literal do blog: "No entanto, não deixa de ser uma provocação o lançamento do livro em São Luís".
Ter opinião e expressá-la, ou seja, a LIBERDADE DE EXPRESSÃO, se transformou em PROVOCAÇÃO na baixa linguagem do sarneísmo...
Eis em sua crueza límpida, a bomba suja, a violência política, tanto física quanto simbólica, da oligarquia Sarney
E a pergunta fica no ar? os "estudantes" agiram por conta própria? ou autorizados e açulados? por quem?
AÇULAR, em sentido literal, incitar (cão) para que morda, ataque ou se porte agressivamente (contra)...
Todos a postos! Os “cães de guerra” do sarneísmo foram soltos... muito mais virá...
"




Pode vir, mas a oposição não se intimidará... a noite de autógrafos levantou o moral do que defendem um Maranhão livre, justo e democrático. Como discursou Palmério Dória, "eles são burros, estão é morrendo de medo".


Com certeza, o auditório lotado, a cultura de resistência levantada na voz de César Teixeira e no teatro popular dos movimentos autenticamente de juventude "Xô, Rosengana" e "Fora Sarney" apenas preparam a reação não pela violência, mas pelo voto popular que os maranhenses vão dar em 2010 na velha oligarquia. Quem viver, verá!!


Confira mais a repercussão do lançamento:

Blog do Rovai - Grupo Sarney invade sindicato em lançamento de livro;

Jornal Pequeno -
Baderna criminosa no lançamento do livro Hororáveis Bandidos;

Central de Notícias -
Baderneiros promovem quebra-quebra durante lançamento de Honoráveis Bandidos;

Blog do Jonh Cutrim -
Assessora do prefeito Luis Fernando promove quebra-quebra durante lançamento do livro Honoráveis Bandidos;

Blog do Garrone -
Estudantes ligados a Roberto Costa invadem Sindicato dos Bancários e promovem confusão durante lançamento de Honoráveis Bandidos;

Blog do Robert Lobato -
Militantes da juventude do PMDB tentam agredir Jackson Lago durante lançamento de best-seller

Blog do Eri - As idiotices do grupo Sarney ou o tiro no pé .

As fotos são de Felipe Klamt.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Com ou sem música?

Coloquei uma lista de músicas de rock in roll no Ecos: Legião Urbana, Capital Inicial, Titãs, Rappa, Oaisis, Coldplay, R.E.M, Rolling Stones, Bob Dylan e Elves Presley.

A ideia é a cada período deixar uma lista de músicas por estilo. O que acha?

Você prefere o Ecos das Lutas com música ou sem música?

Poesia de Quinta - Número 47

Por Deíla Maia (originalmente em 03.09.2009)

Pessoal,

A Poesia de Quinta de hoje vai com uma reflexão bem humorada sobre ecologia, a sobrevivência do nosso planeta.

Esta poesia foi feita por Nayhara Costa, de Vila Velha no Espírito Santo, e pode ser adquirida também na forma de camiseta, no site www.redbug.com.br, onde também constam várias outras camisetas divertidas.

A poesia de hoje vai especialmente dedicada ao meu querido afilhado Ian, que representa esta futura geração que irá ter que gerenciar a atual situação do meio ambiente e inovar em busca de soluções criativas para que consigamos viver em um planeta melhor.


Beijos.

Deíla


PLANETA TERRA
Nayhara Costa


Perdido no espaço, como um pêndulo brilhoso
La vai nosso planetinha, tão vivo, tão cheio...
Abarrotado de gente e bicho e planta por todos os lados...
Não deveria estar indo para um caminho tão ruim.
Esta mesma gente que bebe a água, que usa a terra, que respira o ar
Tem negligenciado a vida por ganância e dinheiro,
Algo tão passageiro...
Teremos que ficar sem água pra descobrir a importância de preservar?
Esperaremos que tudo se acabe, sem planta, sem bicho, sem ar?
Repensaremos nossas atitudes agora ou só quando tudo acabar?
Resta ainda alguma esperança que não nos obrigue a
Abandonar....?

4 de novembro: 40 anos COM Marighella


Marighella é um exemplo de vida. Sua luta foi por um Brasil socialista, sem desigualdades, justo e soberano. Soube guiar-se pela medida certa da relação entre institucionalidade e movimento popular. Foi um dos mais bem votados deputados federais do PCB. Empurrado para a luta armada pela Ditadura, manteve-se firme até ser brutalmente assassinado.


Como li, não recordo bem onde, ninguém fala dos 40 anos de um ou outro milico que liderou a Ditadura Militar no País. Mas muitos relembram de Carlos Marighella. Eis a diferença do que fica para a História.


Na entrevista abaixo, da historiada Denise Rollemberg (no IHU on line), conheça mais essa figura histórica de nosso país que, neste 4 de novembro, saiu da vida e entrou para a História popular brasileira.


MARIGHELLA - 40 ANOS DEPOIS

“Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil”. Assim, a pesquisadora e historiadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Denise Rollemberg, define Carlos Marighella, político guerrilheiro brasileiro e um dos principais defensores da criação de um estado socialista no Brasil. Em entrevista concedida, por telefone, à IHU On-line, Denise apresenta o histórico de Marighella, apontando suas principais contribuições à história da luta armada no país. O cenário da ditadura militar e o isolamento da prática da luta armada, também foram temas abordados por Denise. “É importante perceber que a ditadura não foi militar, mas civil e militar. Isto deve ser pensado para compreender porque a luta armada ficou tão isolada. Foi porque a sociedade foi muito participante da ditadura”, revela.

Denise Rollemberg possui graduação, mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense, pós-doutorado em História pela Universidade de Paris X e em Sociologia pela Universidade de Campinas/Unicamp. Atualmente, é professora da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora do Núcleo de Estudos Contemporâneos/NEC-UFF.Confira a entrevista.


IHU On-Line – Quem foi Carlos Marighella e por que se transformou em um mito?
Denise Rollemberg – Carlos Marighella é uma figura antiga do Partido Comunista que tem todo um percurso que acompanha a própria história do PCB, e o que é interessante nele, assim como outros militantes do partido, é que ele radicalizou esse percurso. E mais ainda: ele fez uma ruptura. Ele foi um sujeito que entrou no partido muito cedo, com 17 anos, e, a partir de 1964, começou a questionar o papel desarticulado, pois a política do PCB é associada aos trabalhistas e teria então desmobilizado os movimentos sociais, no sentido de uma possibilidade de resistência ao golpe. A ruptura dele se dá mais adiante, mas ele ficou, a partir dali, pensando como outros segmentos das esquerdas na época, o que teria sido um papel nefasto do Partido Comunista, nesse momento.

Outras figuras do partido também fizeram um percurso semelhante, como Jacob Gorender e Mario Alves. O que ele vai radicalizar é o caminho que tomou em 1967. A radicalização dele tem a ver exatamente com o fato de ter organizado a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização de luta armada que foi uma das mais importantes do Brasil. Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil.

IHU On-Line – Dentre os grupos de esquerda organizada e que optaram pela luta armada nos anos 1960 pode-se dizer que Marighella desfrutava de reconhecimento e liderança?
Denise Rollemberg –
Sim. Havia muita disputa entre as organizações, embora elas tenham fragmentado bastante. Foram dezenas de organizações que disputaram a liderança na luta armada. Sem dúvida, Marighella é a figura mais expressiva, junto com Carlos Lamarca, dessa opção revolucionária da ação armada. São duas trajetórias muito diferentes, mas que se encontram em algum momento.

(...)
On-Line – Contextualizando historicamente a luta armada, quais foram os acertos e erros de Marighella?
Denise Rollemberg –
Acho que o grande acerto, se formos pensar dentro desta linha do que acertou e do que errou, foi lutar pela revolução, pela transformação da sociedade, contra um conformismo, contra a ditadura. Não só resistir à ditadura, mas ir além desta luta. Poderíamos dizer até mesmo que, antes mesmo de 1964, ele estava lutando contra o capitalismo, pelo socialismo. Esse inconformismo com o status quo, seja ele dentro de um regime democrático como era no regime pré-1964, ele lutava pela transformação do Brasil. Acho que se pensarmos dentro desta perspectiva, que não é a óptica do historiador, de acerto e erro, a grande importância é isso. Quem faz erra e acerta, quem não luta erra sempre. (leia mais aqui)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

NESTA QUARTA, "HONORÁVEIS BANDIDOS" DE PALMÉRIO DÓRIA SERÁ LANÇADO NO SINDICATO DOS BANCÁRIOS, A PARTIR DAS 19H

Márlon Reis na luta contra a corrupção eleitoral


Taí um juiz que não tem entre seus objetivos ficar rico com a magistratura, Márlon Reis.

Tive o prazer de militar no movimento estudantil junto com Márlon. É de fato uma pessoa que tem idéias e ideais, e o seu combate à corrupção eleitoral não é bandeira demagógica.

Nesta primeira postagem de retorno do Ecos das Lutas, a faço em homenagem ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, destaque em matéria de Ricardo Brandt, n´O Estado de São Paulo de hoje.

Também é sobre a bandeira levantada pelo MCCE o tema da enquete do blogue. Vote ao lado. Abaixo, confira a matéria.

ONGs anticorrupção se mobilizam para renovar 60% do Congresso
Objetivo da ofensiva é barrar eleição de candidatos com ficha suja e elevar qualidade da representação parlamentar

A meta é ambiciosa: conseguir a renovação de 60% dos deputados e senadores do Congresso Nacional nas eleições de 2010. A um ano do pleito, as principais entidades civis de combate à corrupção do País começaram a trabalhar para barrar o maior número de candidatos com problemas na vida pregressa e tentar coibir fraudes e desvios na campanha.

Entidades como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Transparência Brasil, Contas Abertas, Voto Consciente, Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo), entre outras, se organizam para entrar nas eleições de 2010 com uma campanha massiva na internet para elevar a qualidade da representação parlamentar do País. Os trabalhos vão desde a seleção dos nomes dos candidatos com ficha suja, que já está sendo preparada, aos relatórios de desempenho da atividade legislativa dos que já ocupam cargos no Congresso, tabelas de gastos com verba indenizatória, quadro de doadores de campanha, emendas apresentadas ao Orçamento entre outras.

Considerada pelas organizações não-governamentais a principal ferramenta para a conquista de uma renovação recorde no Congresso, a campanha da ficha limpa - que prega a rejeição de voto para os políticos com processos na Justiça - será usada pela primeira vez para a escolha dos 513 deputados e 54 dos 81 senadores no próximo ano. Nas últimas eleições, o índice de novos parlamentares eleitos do Congresso foi de 45% (em 2006) e de 41% (em 2002). Só em 1990 foi registrada renovação de 62%, mas apenas na Câmara.

A ideia é que, mesmo que não vire lei, a ficha suja sirva como filtro para escolha dos eleitos. "As pessoas acompanham tantos escândalos na política e às vezes ainda não sabem separar os bons dos ruins. Não achamos que todo político é desonesto. Mas sabemos que existe uma classe desqualificada e desonesta, e que as pessoas não querem mais votar nela. Há uma tendência de se votar em novos nomes", afirma Rosângela Giembinsky, uma das coordenadoras do Voto Consciente, uma ONG que, desde 1987, monitora e avalia o trabalhos dos parlamentares da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de São Paulo.

Atualmente, levantamento feito pelo projeto Excelências da Transparência Brasil mostra que, dos 513 deputados, 208 têm problemas com a Justiça ou com os tribunais de contas - 41%. No Senado, dos 81 parlamentares, são 29 - 36%.

"A grande novidade das eleições de 2010 vai ser uma sociedade desatrelada de partidos políticos e com os olhos voltados para a vida pregressa dos candidatos, para os casos de corrupção e compra de votos", diz o juiz eleitoral Marlon Reis, um dos fundadores do MCCE e presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais. (leia mais aqui)

Retorno do Ecos

Dando uma passada por aqui no Ecos (o que não fazia desde agosto), supreendi-me com frequência contínua de internautas ao blogue, mesmo nesse longo período sem atualização alguma. Animei-me a postar alguns textos, sem contudo dar a garantia de uma efetiva periodicidade.

Da parte dos nossos colaboradores - Deíla Maia e Haroldo Saboia - posso dar essa garantia. Não pararam de produzir nenhuma semana nesse período que estive ausente. Aos poucos vou atualizando o que eles foram me enviando em suas colaborações.

Explico aos amigos(as) que fiquei fora do ar por conta de uma enfermidade que me acometeu desde agosto. Na verdade, só após 40 dias de febre diária, sempre às 17h, e depois de passar por vários exames e especialistas, cheguei ao dignóstico de um Linfoma. Desde setembro estou em São Paulo, em tratamento. Daí que, nesse período, não tive condições de manter o Ecos das Lutas atualizado. Mas retornamos aos poucos, a partir de agora.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A NOVELA DA OLIGARQUIA E O NOVELO DAS OPOSIÇÕES

Por Haroldo Saboia

Após a retomada do Palácio dos Leões pelo julgamento não de um recurso, mas de verdadeira trapaça (ainda sujeita a apreciação pelo Supremo Tribunal Federal) e a atabalhoada ascensão de Sarney à Presidência do Senado, os donos do poder no Maranhão revelam sinais de manifesta incapacidade em ocupar e dominar os territórios reconquistados.

Parecem atores de uma estranha novela da qual desconhecem o roteiro e o local das filmagens. Ou melhor, lembram os personagens de O Anjo Exterminador, do cineasta espanhol Luis Buñuel, em que os participantes de uma fausta ceia, depois de regiamente servidos, não conseguem deixar o recinto e, dia após dia, perdem cada vez mais as boas maneiras, as máscaras de civilização e urbanidade, adquirindo o comportamento de verdadeiros animais.

Outra não estaria sendo a postura dos convidados de Roseana Sarney Murad ao rega-bofe do governo tomado no tapetão, sem qualquer legitimidade.

Os ricardo-murads versus os joão-albertos da vida aqui, os gastões-dias contra os césares-pires ali, o maridão contra o indiciado-primeiro-irmão-fernando acolá. Dizem que é um Deus nos acuda sem fim.

Tudo sob a regência da biônica governadora com seus propalados impropérios...

No Senado, em Brasília, a mesma novela. O velho coronel Sarney já não é mais capaz de circular nos espaços de poder da Presidência do Senado com a mesma desenvoltura dos idos tempos. Encurralado em investigações de familiares pela Polícia Federal, em atos secretos, nepotismos, empréstimos consignados, apartamentos de empreiteiras, mansões não declaradas ao fisco e à Justiça Eleitoral, e não sei quantas outras ilicitudes, Sarney conseguiu a proeza de transformar a crise resultante da sua eleição à presidência da Casa em uma das maiores crises da República.

Crise na Receita Federal, crise no PT, crise na bancada petista que perdeu dois de seus senadores, crise na candidatura da ministra Dilma Roussef com a entrada na disputa de Marina da Silva e a reafirmação da postulação de Ciro Gomes. Breve, crise por toda parte. Todas com a marca do senador Sarney, caríssimo aliado do Presidente Lula!!!

Enfim, Roseana e seu pai, ou se preferirem Sarney e sua filha não conseguem administrar nem a crise de lá nem a de cá. A rigor, as crises correspondem a uma só novela de tristes e perigosos personagens.

Enquanto isso, fica o Senado paralisado e o Maranhão sem governo.

O que fazer?

Face à crise do Senado, somar a nossa indignação à de toda a Nação, hoje mais que nunca, conhecedora do caráter, dos métodos e do agir de José Sarney.

E aqui se trata de desfiar o novelo que representa para as oposições maranhenses as eleições de 2010.

É ilusão pensar que poderemos reconstruir uma ampla aliança nos moldes de Frente de Libertação do Maranhão que elegeu o Dr.Jackson Lago, sem analisar os acertos e os inúmeros e gravíssimos erros de sua administração.

Como parece até mesmo infantil pensar que sem fazer a mais tímida oposição à Oligarquia Sarney, às suas figuras e ao seu (des) governo, alguma corrente política pode vir a liderar as lutas do conjunto das oposições maranhenses.

Qual a melhor tática para as oposições?

Lançar um, dois ou três candidatos, no primeiro turno, para o Governo do Estado?

E como proceder em relação ao Senado, para o qual teremos duas vagas em um único turno?

São questões difíceis, que exigem discussões aprofundadas e amadurecidas.

Acima de tudo, temos que ter clareza e coragem no enfrentamento do poder oligárquico que fará tudo para confundir, dividir, cooptar e enfraquecer as oposições.

Não podemos esquecer que, pela primeira vez em quarenta anos de mando e desmandos, a Oligarquia conseguiu cooptar e levar para o seu governo, como Secretário de Estado, um representante (bastante minoritário, é verdade) de um partido de esquerda, o Partido dos Trabalhadores.

E, ainda, temos que ter consciência que nesse embate o Presidente Lula dará as costas aos seus aliados históricos e ao povo do Maranhão, para jogar água nos moinhos da Oligarquia Sarney, como fez em 2006.

O que é lamentável, sim. Mas, de maneira alguma, vai nos tirar a vitória, se formos capazes de retomar em nossas mãos a esperança no futuro, reconquistando a confiança em nossa própria libertação!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Poesia de Quinta - Número 46

Por Deíla Maia

Pessoal

Como a maioria das pessoas que me conhecem já deve saber, não gosto de datas comerciais, destas criadas para nos estimular (às vezes até "obrigar") a comprar presentes, ir a restaurantes etc. etc.

Gosto das datas especiais, criadas por nós mesmos, ou mais ainda, dos dias comuns que a gente torna especial por algum motivo (ou até sem motivo). Assim, as quintas-feiras são sempre um dia especial para mim, devido à Poesia de Quinta.

E aproveitando este meu momento de bom humor, e como agosto é o mês do Dia dos Pais, e eu gosto de ser diferente, rsrsrsrs, resolvi homenagear às mulheres... E por isso escolhi a poetisa (ou poeta, como queiram!!!) ADÉLIA PRADO. Até porque, com este poema, ela parafraseia um conhecido poema de Carlos Drummond de Andrade, que é o Poema de Sete Faces, em que ele começa assim: "Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida! ..."

O Poesia de Quinta de hoje vai especialmente dedicado a uma mulher batalhadora e guerreira, que curte muito estes nossos momentinhos poéticos, minha querida e eterna profa. Oriana Gomes. E a todas as outras mulheres que se desdobram para cumprir seus múltiplos papéis.

Beijos.
Deíla


COM LICENÇA POÉTICA
Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E VOCÊ, PARA QUEM DARIA UM CARTÃO VERMELHO?

Enquete livre: e você, para quem daria um cartão vermelho?
Deixe sua resposta nos comentários abaixo.

CARTÃO VERMELHO PARA O SARNEY

Parabéns ao Suplicy. Mostrou que não se verga aos 80% de popularidade de Lula, que comete uma falta técnica (como se diz no futebol: quando um jogador prejudica outro do mesmo time) contra o PT, ao empurrar goela abaixo o podre senador-coroné.

O que o senador Eduardo Suplicy (PT/SP) cobrou e Sarney não consegue explicar. Confira abaixo:

"- Venho a esta tribuna reiterar que não vejo como o Senador José Sarney continue na Presidência do Senado Federal, enquanto S. Exª não explicar satisfatoriamente todas as questões relativas aos fatos contidos nas representações apresentadas perante o Conselho de Ética.
- Em discurso disse que, como homens públicos todas as irregularidades ou desvios de que somos acusados devem ser investigados com mais rigor do que aquele que é dispensado à população em geral. Por que digo isso?
- Pelo fato de sermos tomados como paradigmas, como exemplos a serem seguidos. O País não suporta mais tantas denúncias sem respostas à altura. Precisamos apurar a verdade das acusações que pesam sobre os ombros de todos os Senadores e de funcionários desta Casa.
- No início deste mês de agosto, o Senador José Sarney ocupou a tribuna e, durante aproximadamente uma hora, apresentou sua defesa para as denúncias representadas contra ele no Conselho de Ética. Entretanto, várias dúvidas persistem, ainda não foram suficientemente esclarecidas.
- Apesar dos apelos, inclusive pessoal meu, da Bancada do Partido dos Trabalhadores, do Líder do PT, Senador Aloizio Mercadante, o Senador Sarney não se dispôs a comparecer ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, e esclarecer inúmeras questões. Senão vejamos:

- Naquele pronunciamento de 05 de agosto, o Senador Sarney afirmou: “...Vera Portela Macieira Borges. Realmente, é sobrinha por afinidade minha. Eu requisitei do Ministério da Agricultura para a Presidência e pedi ao Senador Delcídio que a colocasse no Gabinete em Mato Grosso, porque ela tinha se casado, e assim ela continuava trabalhando, não me julgando que nisso houvesse qualquer falha ou qualquer um dos Srs Senadores aqui nunca deixou na vida de cumprir ou de ajudar as pessoas que lhes pediram que legalmente tomassem providências”.
- Será que pode ser considerado ético, o Presidente requisitar uma sobrinha que mora em outro estado para trabalhar seu gabinete, no caso da Presidência, e depois pedir par a um outro Senador que a coloque a disposição de seu gabinete?
No meu entender, o Senador José Sarney colocou em situação difícil o meu colega de bancada, o Senador Delcídio Amaral. Alguns podem considerar normal, mas eu gostaria aqui de expressar: não recomendaria que isso fosse feito a mim próprio e ao próprio Senador José Sarney.

- Ainda em seu pronunciamento o Senador Sarney disse: “Isabella Murad Cabral Alves dos Santos também não é minha parenta. Foi nomeada pelo Senador Cafeteira, que, segundo me afirmou, foi a pedido do Sr. Eduardo Lago, que é primo do Governador do Maranhão, que era meu adversário, e não por mim”.

- Ora, nesta passagem, o Senador Sarney deixou de dizer que Isabella Murad é sobrinha de seu genro, Jorge Murad. O Senador também apontou o parentesco do empresário Eduardo Lago com adversários seus na política maranhense, mas não mencionou que Lago está sendo investigado pela Polícia Federal por ter feito, às vésperas da campanha eleitoral de 2006, diversos depósitos em contas controladas pelo seu filho [Fernando Sarney].

- Outro ponto: o Senador Sarney afirma não conhecer Luiz Cantuária. Como acreditar em tal afirmação tendo em vista ser esse senhor um político ligado a seu grupo político do Amapá, tendo sido nomeado pelo próprio Senador Sarney para vaga no Conselho Editorial do Senado, cujo Presidente também é o Senador José Sarney?

- Em outro trecho, o Senador afirma: “outra denúncia que fizeram é que meu neto tinha sido privilegiado com agenciamento de créditos consignados de uma forma fraudulenta. Meu neto nunca teve nenhuma relação com o Senado”. Entretanto, o Senador Sarney deixou de dizer que, de acordo com as representações apresentadas, foi após a contratação da empresa de seu neto pelos Bancos HSBC, Caixa Econômica Federal, Fibra e Daycoval que essas instituições ampliaram o volume de empréstimos consignados para funcionários do Senado.

- Não estou dizendo que existam irregularidades nessas relações comerciais. Estou afirmando que aqui cabe uma investigação, no mínimo, para que não pairem dúvidas acerca da lisura de tais operações.

- Com relação à fundação que leva seu nome, o Senador José Sarney disse: “Tratou-se também da Fundação Sarney, acusando-me de nela ter funções administrativas e ter negado isso desta tribuna”. Mais uma vez, o Presidente José Sarney não disse tudo. Ele é presidente vitalício da fundação e, pelo seu estatuto, ele tem responsabilidades. Também não lembrou de dizer que foi graças a um expediente seu, dirigido ao Ministério da Cultura, que a fundação conseguiu autorização para captação de recursos através da Lei Rouanet e de ter sido amplamente divulgado pela imprensa foto em que o Senador Sarney aparece juntamente com o Presidente da Petrobras na assinatura do contrato de patrocínio para a liberação de R$1,3 milhão. Da mesma forma, é importante ressaltar que o Ministério Público Estadual do Maranhão reprovou as contas apresentadas pela fundação entre 2004 e 2007 e decidiu intervir na entidade.

- Relatório de auditores do Ministério Público apontou que R$ 500mil, de um patrocínio repassado à entidade, foram parar em contas de firmas fantasmas, em nome de aliados políticos da família Sarney e em outras empresas da família.

- Pois bem, Presidente Sarney que, possivelmente, de seu gabinete... Gostaria que estivesse aqui; mas, quem sabe, ele esteja me ouvindo. Em uma entidade que, pelo seu estatuto, prevê que, em caso de extinção, todos os seus bens serão incorporados ao patrimônio da família de seu instituidor e onde, apesar da insistência do Ministério Público, a direção se nega a alterar esse item, o mínimo que se pode esperar é que S. Exª, além de não trabalhar pela captação de recursos para ela, também batalhasse pela correção de suas contas e já tivesse alterado suas normas para desvinculá-la de sua família. Me parece que é uma questão de bom senso. O que dizer de tal situação?

- Mais uma denúncia que diz respeito ao Senador. É o caso da filha de um de seus ajudantes de ordem, o Sr. Aluísio Guimarães Mendes Filho. A estudante Gabriela Aragão Guimarães Mendes, 25 anos, foi nomeada em 5 de janeiro de 2007 como assessora parlamentar do gabinete de S. Exª. Até hoje está na folha de pagamento do Senado, mas, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo, trabalha como estagiária na Caixa Econômica Federal. É mais um caso que ainda não foi devidamente explicado.

- Em outra matéria do jornal O Estado de S.Paulo, de 22 de julho do corrente, são transcritos trechos de uma conversa telefônica de S. Exª e seu filho, Fernando Sarney, que teria ocorrido em 2 de abril de 2008. Nela, Fernando solicita a sua interferência no sentido de contratar o então namorado de sua neta, filha de Fernando, Henrique Dias Bernardes, para o cargo em comissão de assistente parlamentar, AP3, na vaga antes ocupada pelo irmão de sua neta, Bernardo Brandão Cavalcanti Gomes. S. Exª disse que vai falar com o então Diretor-Geral, Agaciel Maia. O Henrique foi nomeado. Não vi sua negativa a respeito dessa interferência, que me parece indevida. A impressão que ficou é que os cargos comissionados do Senado são preenchidos não por competência, mas por ligações familiares.

- Nós estamos em 25 de agosto e, ainda que tenhamos hoje aprovado algumas proposições, acordos internacionais, requerimentos e proposições, nenhum deles requereu uma atenção profunda de todos nós, como o Senado e o país precisam. Inclusive, na reunião dos líderes hoje os Líderes da Oposição não compareceram, porque avaliam que a Casa não voltou ainda à sua normalidade. As grandes questões nacionais não estão sendo suficientemente discutidas, inclusive e sobretudo com respeito aos projetos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

FORA SARNEY constrange Waldir Maranhão em Jornada Internacional de Políticas Públicas

O secretário de Ciência e Tecnologia, Waldir Maranhão (PP), teve que mudar o rumo de seu discurso quando foi surpreendido pelos gritos de FORA SARNEY vindos da platéia presente à abertura da IV Jornada Internacional de Políticas Públicas, iniciada hoje no centro de Convenções do SEBRAE (Cohafuma). A reação foi imediata quando o deputado-secretário afirmava representar o governo da "nossa governadora Roseana Sarney"... pra quê! Ainda tentaram salvá-lo com uma palmas, mas ai as vaias foram em maior número.

Waldir Maranhão podia ficar sem essa.

TERÁ MAIS
O movimento de juventude pelo Fora Sarney, promete mais na Jornada de Políticas Públicas, que reúne 600 pesquisadores de quase todos os estados brasileiros e de países como Colômbia, França, Argentina, dentre outros.

No dia do show organizado pela apresentadora Paulinha Lobão, próxima quinta-feira, promete uma ação também de peso. Paulinha Lobão apelou ao senador Lobão para viabilizar a realização de seu show no mesmo espaço onde se realizada a Jornada e já, previamente, agendada para a UFMA e para outro congresso, o Regional Nordeste de Ciências Contábeis. O show deve abafar a programação científica dos dois eventos.

A ação de Paulinha, tornada pública a partir da coluna do Dr Peta de domingo no Jornal Pequeno, tem causado o maior alvoroço no campus do Bacanga. Indignação é o termo mais recorrente. Não tendo o direito de agenda sobre o local, apela para a pressão política de familiares-senadores para obrigar o reitor Natalino Salgado a impor à organização aceitar o evento sertanejo dos Lobões. Coisas do Maranhão!

Eleições no PT: 06 candidatos a presidente, 07 chapas à direção estadual. BIRA SAI NA FRENTE


Mais que o cumprimento de uma mera formalidade, os procedimentos de inscrição dos candidatos a presidente e das chapas à nova direção do PT é um termômetro de como andam a mobilização, a organização e o apoio político das bases aos postulantes.

A partir desses critérios, pode-se dizer: Bira do Pindaré e a chapa Unidade Petista largaram na frente nas eleições do PT.

É o que mostram os dados preliminares das incrições para o PED, o Processo de Eleições Diretas do PT. Ontem (segunda-feira, 25/8), às 20h, encerrou-se o prazo para a incrição de candidatos a presidente e das chapas à Direção Estadual do Partido dos Trabalhadores.

Seis candidatos a presidente se inscreveram. Sete chapas se apresentaram para disputar as 49 vagas do diretório estadual - presidente e líder da bancada na Assembléia Legislativa, contam em separado para completar os 51 membros no total.

Um dos critérios para inscrever os candidatos a presidente é a apresentação de um abaixo-assinado de pelo menos 0,1% do total dos filiados no estado. O Maranhão tem 26 mil filiados, segundo lista de aptos a votar. Então, cada candidato precisaria ser subcrito por pelo menos 27 filiados. Dos seis inscritos, Bira foi o com maior respaldo, foi apresentado por 327 filiados.

Atrás de Bira, com 327 apoios, vieram:
Rodrigo Comerciário, com 110 filiados subscrevendo sua candidatura;
em terceiro, Raimundo Monteiro, com 92 filiados;
em quarto, Augusto Lobato, com 60 filiados;
em quinto, Edmilson Carneiro, com 36 filiados;
em sexto, Fransuíla Farias, com 32 filiados.

Assim ficam,então, demarcadas as posições internas em relação à presidência do PT

Bira do Pindaré, reunindo as tendências Luta Solidária, Democracia Socialista, Tendência Marxista e os apoios de Manoel da Conceição e dos dirigentes da Executiva Estadual do PT Silvio Bembem, Márcio Jardim, Franklin Douglas e Silvana Brito;

Rodrigo Comerciário, abrindo uma dissidência no campo da CNB;

Raimundo Monteiro, candidato da maioria da CNB e com o apoio do deputado federal Washington Luiz e dos dirigentes da Executiva Estadual do PT Rose Frazão e José Inácio;

Augusto Lobato, reunindo a Democracia Radical, PT de Aço e Articulação de Esquerda e dos dirigentes da Executiva Estadual do PT Domingos Dutra, Ricardo Ferro e Terezinha Fernandes;

Edmilson Carneiro, abrindo uma dissidência na CNB e com o apoio do secretário do governo Roseana Sarney, José Antonio Heluy;

Fransuíla Farias, vereadora de Balsas e também em dissidência na CNB e com apoio do dirigente da Executiva Estadual do PT Mundico Teixeira.

Na disputa para a direção estadual, a novidade é a chapa sem cabeça do deputado Domingos Dutra. Ele lidera a chapa "Em defesa da nossa história", diferenciando-se da chapa apresentada por Augusto e Jomar. Pelo critério de quantidade de municípios e capacidade de preencher a quantidade de vagas em disputa, a chapa de Dutra é a terceira mais forte, com 93 candidatos à Direção Estadual e espalhada em quase 70 municípios. Fica atrás de "Unidade Petista"- com 124 candidatos e mais de 60 municipios e "Josué Pedro-Construindo um novo Maranhão", com 96 candidatos e mais de 50 municipios

Foram sete as chapas registradas para as 49 vagas a Direção Estadual, 08 vagas ao Conselho de Ética e 08 vagas ao Conselho Fiscal (que podem ser acrescidas de 1/3 de suplentes e no mínimo 30% de cotas às mulheres). Há ainda a lista de inscritos para delegados/as ao Congressso Estadual do Partido.

Unidade Petista (com Bira-presidente) - 124 candidatos;
Josué Pedro-Construindo um Novo Maranhão (com Monteiro-presidente) - 96 candidatos;
Em Defesa de nossa história (sem cabeça pra presidente) - com 93 candidatos;
Amanhecer na luta (com Augusto-presidente) - 81 candidatos;
A força vem da base (com Edmilson-presidente) - 68 candidatos;
Renovar é preciso (com Rodrigo Comerciário-presidente) - 46 candidatos;
Construindo a mudança no Maranhão (com Fransuíla-presidente) - 25 candidatos

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