terça-feira, 25 de junho de 2019

O CAMALEÃO DA UFMA

Franklin Douglas (*)

Neste dia 26 de junho, a comunidade universitária da UFMA responderá a uma consulta sobre quem deverá exercer a Reitoria e a Vice-Reitoria da Universidade Federal do Maranhão. Dos diversos postulantes a reitor e a vice-reitor, especialmente um chama a atenção por sua semelhança com o camaleão, aquele réptil conhecido por mudar de cor, olhar em 360 graus e até em duas direções ao mesmo tempo.
Esse camaleão já foi sarneyzista, quando Roseana Sarney (PMDB) foi governadora; já foi castelista e é, quando convém, um dinista daqueles muy amigo, que ora ajuda a eleger – como em 2006, a deputado federal –; ora ajuda a derrotar – como em 2008, para prefeito de São Luís (quando João Castelo saiu vitorioso); ora se reaproxima, como em 2014, para se arrogar partícipe da vitória de Flávio Dino (PCdoB) ao Governo do Estado, ambicionando integrar o secretariado do governo dinista.
“Lulista”, já sonhou em ser candidato a prefeito de São Luís pelo PT.
“Dilmista”, assinou, no apagar das luzes, manifesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.
“Esquerdista”, fez questão de distribuir, no primeiro turno das eleições de 2018, foto ao lado do candidato do PT à Presidência da República e do candidato do PSOL ao Senado Federal. Foi tão próximo do ex-ministro da Educação que abençoou projeto de pesquisa com a esposa deste, professora da USP, em parceria com próximos seus na UFMA para, em seguida, fazer vista grossa quando denunciado pelo bolsonarismo local como escândalo envolvendo o PT com a administração da UFMA. Mirando longe, submergiu e sumiu do mapa, no segundo turno de 2018, quando Jair Bolsonaro consolidou sua perspectiva de vitória eleitoral.
E, assim como José Sarney, o camaleão-mor, que se dizia amigo do Lula e foi ao jantar de posse de Bolsonaro – a fim de galgar cargos federais na União e no Maranhão –, o camaleão da UFMA agora anda serelepe dizendo-se maior aliado do senador Roberto Rocha (PSDB) e do deputado federal Aluísio Mendes (Podemos), o sarneyzista melhor situado nas indicações de cargos federais no governo Bolsonaro no Maranhão. Com o apoio de ambos, já se dá por reitor empossado.
Falta combinar com a comunidade universitária... com o Conselho Universitário... com o Ministério da Educação... com o presidente da República e seu filho mais barulhento no Twitter, que não perdoa um aliado do velho ou do neoPT. Ao avistar o CAMALEÃO DA UFMA na lista tríplice enviada a Brasília, será ele o primeiro a bradar: NELE NÃO!!!
Eis o contexto das “eleições” na universidade. No Maranhão, já se derrotou essa espécie de animal político. Falta fazer igual na UFMA.

(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas. E-mail: franklin.artigos@gmail.com

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Ciência na praça: SEGUNDO DIA NACIONAL EM DEFESA DA EDUCAÇÃO



Ciência na rua: pesquisadores com seus posteres apresentando trabalhos de pesquisa e livros lançados que resultaram de suas investigações, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Barracas e bancas com estudantes e professores de Economia da UFMA calculando com a população que passar pela praça Deodoro o tempo que levarão para se aposentar com as novas regras da "reforma"/privatização da previdência pretendida pelo governo Bolsonaro.



Rádio Livre "Tome Ciência", o dia todo na praça, entrevistando pesquisadores, população, estudantes, ativistas sociais e dirigentes das organizações do II DIA NACIONAL EM DEFESA DA EDUCAÇÃO.



Tudo isso, nesta quarta-feira (30/5), na praça Deodoro, a partir das 9 horas.

Caminhada saindo às 15 horas.

Ato-show, na praça Nauro Machado, encerrando o dia de mobilização.



Às ruas, redes e praças em defesa da educação!
30M VAI SER MAIOR!!!




terça-feira, 14 de maio de 2019

Boulos em São Luís, nesta terça-feira (14/5): rumo ao Dia Nacional pela Educação




Boulos na UFMA, nesta terça-feira (14/5), às 17h, na área de vivência

🚩 Em defesa da Universidade pública
     Contra o corte de verbas

🚩 Em defesa da aposentadoria
     Contra a reforma da previdência

🚩 Em defesa da soberania nacional
     Contra o acordo Bolsonaro-EUA que entrega o Centro de Lançamento de Alcântara aos americano

Um esquenta rumo ao Dia Nacional de Luta da Educação 15M


terça-feira, 2 de abril de 2019

PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA. PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA - Abril de muitos debates sobre a Ditadura Militar






Neste vídeo do Diretório Municipal do PSOL de São Luís, Sônia Guajarara, Wagner Baldez (87 anos, alfabetizado por Maria Aragão) e ativistas sociais reforçam o nosso grito para este 31 de Março de 2019: DITADURA NUNCA MAIS!

Vamos repudiar o golpe civil-militar que colocou o Brasil em 21 anos de Ditadura. Em memória dos que tombaram nos porões da tortura e em homenagem aos que resistiram pela construção da Democracia brasileira, às ruas e redes, praças e caminhadas, debates e panfletagens, companheiras e companheiros!

DOM | 31M às 10h
Tribuna Livre Marielle, na praça Benedito Leite, na Feirinha da Cidade, com adesivaço e caminhada do silêncio.
📍Ponto de Encontro: em frente à Igreja da Sé | Às 10 horas

Um minuto de silêncio e vários gritos de DITADURA NUNCA MAIS,
praça Benedito Leite (no domingo, 31/3)

DOM | 31M às 15h
Debate-depoimentos "O que sobrou da ditadura e os novos autoritarismo", com Joãozinho Ribeiro, Helena Heluy, Arleth Borges e Joisiane Gamba.
📍Onde: praça do Letrado (Vinhais) | Às 15 horas



 QUA | 3Abr às 17h30
Mesa-redonsa "Ditadura nunca mais", com Josefa Batista Lopes, Arleth Borges, Wagner Cabral e Francisco Gonçalves, sob promoção da APRUMA.
📍Onde: auditório setorial do CCH (UFMA) | Às 17h30min




 QUA | 4Abr às 9horas
Mesa-redonsa "Censura às artes na ditadura militar no Maranhão e na atualidade", com Alexandre de Albuquerque (artista, ex-pesquisador da Comissão Nacional da Verdade) e Murilo Santos (cineasta, ex-perseguido político), sob promoção do C.A de Artes Visuais.
📍Onde: Hall do CCH (UFMA) | Às 9h





 TER | 12Abr às 17h
Exibição do filme "Batismo de Sangue", seguido de debate com Marcus Baccega (Depto. História/UFMA) e Joana Coutinho (Depto. Sociologias/UFMA).
📍Onde: auditório Ribamar Caldeira do CCH (UFMA) | Às 17horas



segunda-feira, 1 de abril de 2019

TORTURA NUNCA MAIS!



Franklin Douglas (*)

Cara leitora, caro leitor, permito-lhe pular a leitura dos três próximos parágrafos deste artigo: são realmente desumanos os casos relatados... Trata-se de registros cruéis do que foi a prática da tortura no tempo da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), no seu período mais duro. São registros feitos no livro “Brasil Nunca Mais” (da Arquidiocese de São Paulo), coletados pela Comissão Nacional da Verdade e depoimentos levados ao ar, ao final de cada capítulo da novela “Amor e Revolução”, no ano de 2011. Dos quais, destaco estes:


Exemplo 1 de tortura pela Ditadura, uma atrocidade – Depoimento de Jarbas Marques na televisão, ao final da novela citada: ele foi torturado nu, com cobra e um jacaré de 1m20cm. Foi usado como cobaia em aula de tortura. Viu uma barata ser colocada na vagina de uma mulher, que estava sendo torturada no pau de arara. Viu um preso enlouquecer com as torturas tendo desvio de coprofagia (comia as próprias fezes). Sofreu tortura sexual e teve éter introduzido no ânus: “
A sensação do éter no ânus é que eu ia ter um edema de glote, por que minha língua inchou que parecia a língua de um boi...Antes de qualquer reação, pense, caro/a leitor/a: esse torturado poderia ter sido seu pai!





Exemplo 2 de tortura pela Ditadura, uma monstruosidade – Depoimento de Maria Amélia Teles: torturada por Brilhante Ustra (aquele militar, exaltado pelo presidente Bolsonaro), ela foi à chamada “cadeira de dragão”, uma cadeira de ferro, onde se amarrava a pessoa por braços e pernas e se aplicava eletrochoques de 220 volts, com eletrodos e fios elétricos nos órgãos genitais, orelhas, nariz. Ela sofreu tortura física, sexual e psicológica: “Trouxeram meus filhos para me ver. E um deles, de cinco anos, perguntou por que eu estava com a cor azul... eu, na verdade, estava toda roxa, após uma noite toda de tortura, com choque elétrico no ânus, na vagina, na boca... estava cheia de hematomas...Antes de qualquer reação, pense, caro/a leitor/a: essa torturada poderia ter sido sua mãe!





Exemplo 3 de tortura pela Ditadura, uma barbaridade – Depoimento de Derlei Catarina de Luca - PRESA POR ENGANO! Foi torturada, dias e noites, no pau de arara, com choques elétricos, porque achavam que ela seria uma procurada pelo regime, a agitadora Maria Aparecida Costa. Danrlei não era “terrorista”, não era filiada a partido, não militava contra o regime... Apenas foi confundida com outra pessoa... “
Recebi muitos choques... só parou quando desconfiaram que eu não seria a pessoa que procuravam e decidiram averiguar a minha documentação com as minhas impressões digitais... só aí concluíram que tinham se enganado...Antes de qualquer reação, pense, caro/a leitor/a: essa torturada poderia ter sido sua filha, sua irmã!







Fico nesses três brutais exemplos, apenas para tentar chamar a atenção dos que não leram, ouviram falar ou não têm qualquer conhecimento desse período ocorrido no Brasil e ficam a propagar sem noção um “viva à Ditadura Militar!”

Nesse período, de 30 a 50 mil pessoas foram presas ilicitamente e torturadas (o instrumento do
habeas corpus foi extinto nesse período); 4.841 pessoas punidas com a perda de direitos políticos, aposentados, demitidos do trabalho; 3.783 funcionários públicos foram perseguidos e demitidos ou compulsoriamente aposentados, dos quais 72 professores e 61 pesquisadores de nossas universidades.

De tais números e diversos casos, um dele foi reconhecido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que concluiu pela condenação do Estado brasileiro pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do DOI/CODI, centro de tortura em São Paulo.

Por tudo isso e muito mais, o 31 de março de 1964, na verdade, o golpe militar de 1º de abril de 1964, o Dia da Mentira (mas ficaria uma piada pronta, no primeiro de abril se aplicar um golpe militar sob o argumento de que se estava salvando a democracia no País!!), não pode ser exaltado, comemorado ou rememorado sob a ótica defendida pelo presidente da República Jair Bolsonaro. Seria um escárnio com a vida desses milhares de torturados e perseguidos pela Ditadura Militar.

Três vivas, sim: à Defensoria Pública da União! À juíza federal Ivani Silva da Luz!! Às 19 seções estaduais do Ministério Público Federal que repudiaram essa tentativa de comemoração do golpe contra nosso Estado Democrático de Direito. A primeira entrou com ação civil pública contestando a moralidade e legalidade do ato presidencial. A segunda deu razão e deferiu favoravelmente o pedido da DPU. A nota dos 19 MPF´s nos estados (entre os quais está o do Maranhão e, vejam, não está o do Paraná, da operação Lavajato...), a convicção de que há vozes contrárias às ações que desconstruam nosso pacto democrático e nossa Constituição de 1988.

Ações relevantes, por estamos num tempo em que é preciso, para que não se esqueça de e para que nunca mais aconteça, dizer bem alto: DITADURA NUNCA MAIS!!!





(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas.
E-mail: franklin.artigos@gmail.com

sexta-feira, 15 de março de 2019

MARIELLE VIVE!





Franklin Douglas (*)

Três perguntas não calam, desde o dia 14 de março de 2018:

Primeira – quem matou Marielle?

Segunda – quem mandou matar Marielle?

Terceira – quem acoberta os que mandaram matar Marielle?

Marielle era a síntese das classes subalternas que ousam não se calar.

Era negra, tal qual cerca de 17 milhões da população brasileira que assim se autodeclararam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2017, divulgada pelo IBGE (PNAD Contínua 2017-IBGE) – precisos 8,6% dos brasileiros.

Era mulher, como a maioria da população do país, 51,6% (PNAD Contínua 2017-IBGE) – quase 107 milhões de mulheres.

Era da periferia, assim como significativa parte da população que reside em domicílios que têm dificuldades de acesso à água diariamente, de ligação com esgotamento sanitário, de coleta de lixo. Território onde juventudes estão sob a ameaça da violência, do tráfico de drogas, de milícias, da falta de escola e postos de saúde.

Por isso a vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, em apenas um ano e meio de mandato, projetou-se como símbolo da luta antirracista, antimachista, por direitos de LGBTI´s, de jovens e da população da periferia. Foi, como diz o samba-enredo da vitoriosa Mangueira no carnaval deste 2019, a vez em que o Brasil passou a ouvir “Marias, Marielles e Malês”, pois trazia consigo “a história que a história não conta”.

Marielle ousou enfrentar os poderosos que se entranham no Estado e tratam a coisa pública como privada. Ousou ser uma voz de muitas e de muitos. Sua dureza na denúncia das mazelas sociais não se sobrepunha a sua ternura na forma de ver e encarar a vida.

Calar Marielle, assassinando-a, foi premeditadamente um crime para intimidar lutadores sociais, amedrontar os que vêm debaixo e exigem participar da cena pública como sujeitos de seu destino.

Os que a mataram, os que mandaram matá-la e os que acobertam os que mandaram matar Marielle falharam!

Foi-se a Marielle Franco no dia 14 de março de 2018, emergiram milhares de Marielles no dia seguinte! Vozes que gritam bem alto e exigem respostas para as três perguntas que continuarão sendo ecoadas enquanto o crime não for por completo elucidado: quem matou, quem mandou matar e quem acoberta quem mandou matar?

Uma CPI das Milícias, no Congresso Nacional, é urgente para buscar essas respostas. Todas as investigações, um ano depois, não avançam para jogar luz sobre os vínculos das milícias cariocas com o assassinato de Marielle. Só uma avalanche de assinaturas e mensagens junto aos parlamentares federais poderá garantir que essa CPI seja criada. Essa é uma movimentação a ser feita por aqueles e por aquelas que não deixam a voz de Marielle calar: exigir uma CPI das Milícias, já!

Tentaram calar uma voz, mas acordaram milhares! Não vamos deixar. MARIELE VIVE!!



(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas. E-mail: franklin.artigos@gmail.com

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Esperança para manter a resistência!




Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Com Mario Quintana, lhes desejo um 2019 de esperança!

Feliz ano novo aos amigos e amigas do Ecos das Lutas, porque o importante é ser feliz!

Franklin Douglas


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2018: SETE ERROS E UM DESTINO



ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2018:
SETE ERROS E UM DESTINO
            Por Franklin Douglas (*)              

Nestas eleições à Presidência da República, o campo progressista precisa ter muito cuidado em sua luta política em defesa da Democracia. Do contrário, pode cometer erros fatais, especialmente na tentativa de derrotar o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. São sete erros na disputa eleitoral que podem conduzir, ineditamente, pelo voto popular, o bolsonarismo ao Palácio do Planalto. São eles:
1. Tentar tirar votos do Bolsonaro xingando o eleitor e a eleitora do Bolsonaro;
2. Tratar o eleitor e a eleitora do Bolsonaro como um incapaz de pensar, refletir e raciocinar sobre o próprio voto;
3. Argumentar de forma mal humorada ou mal educada com o eleitor e a eleitora dele;
4. Dizer que o eleitor e a eleitora de Bolsonaro são iguais a ele, rotulando a opção desse eleitorado como um voto homofóbico, misógino, racista;
5. Argumentar a partir de dados de pesquisas de opinião;
6. Combater o voto em Bolsonaro pelo seu viés mais forte, a ideologia conservadora de viés fascista;
7. Tratar esta eleição como um plebiscito entre PT e antipetismo.
TEMOS QUE COBRAR DO ELEITOR E DA ELEITORA DO BOLSONARO A LEITURA DO PROGRAMA DE GOVERNO E DAS PROPOSTAS DELE!!! Se sabem quais são as propostas concretas do candidato para gerar empregos e tirar o Brasil da atual crise econômica.
Devemos travar com esse eleitorado um diálogo paciente, educativo, respeitoso e compreensivo, mas firme, frente à gritante situação social na qual o país se encontra. Um cenário que possibilita diversas pessoas em desesperadora situação social, de forma muito fácil, a aderir a opções e soluções imediatas e sem necessidade de grandes elaborações complexas.
E isso se faz por duas formas:
(i) expondo o eleitor e a eleitora de Bolsonaro a própria incoerência quando diante de propostas do candidato com as quais esse eleitorado não concorda e;
(ii) explorando a discordância do eleitor e da eleitora com propostas que não sabiam que Bolsonaro defende em seu programa de governo.
E mais: num país onde vices importam (e muito!), questionar o eleitor e a eleitora se eles conhecem o vice de Bolsonaro, o general que, estando o candidato esfaqueado na mesa de cirurgia, já conspirava para tomar o lugar do titular nos debates e atividades de campanha.
Lembremos: pela direita, o Brasil já teve as experiências de Jânio Quadros, nos anos 1960, e Collor de Mello, nos anos 1990. Mas, pela primeira vez, nos anos 2000, a extrema direita tem um líder tão popular e eleitoralmente forte, impondo sua pauta política, inclusive, aos setores de centro-direita no país. Jair Bolsonaro cresceu graças a um cenário de ampla frustração social e econômica das classes trabalhadoras. Incorpora o voto de protesto contra tudo que está aí, com uma pauta retrógrada.
Para não cometer esses erros capitais e não sofrer uma derrota para Bolsonaro e sua agenda de ódio, é preciso paciência e habilidade. Evidente, esse esforço é destinado ao eleitorado que, sinceramente, busca uma saída (imediata) para a crise do país, e está seduzido por ele.
Para o eleitor e a eleitora ideológica e politicamente engajados, pouco ou nada adiantará todo esse trabalho e cuidado, pois já saíram do âmbito da racionalidade sobre o próprio voto para o nível de torcida. E, nesse caso, é como religião e futebol, não adianta nada argumentar!
A isto tudo, acrescente-se: devemos fazer amplas mobilizações em defesa do projeto humanista e de civilização que se contraponha à barbárie, do amor versus a política do ódio. Cidadãos e cidadãs, mulheres, educadores, intelectuais e artistas, cristãos autênticos, gente do povo e de paz, estão todas e todos desafiados a não ficar parados e se movimentarem à favor de um Brasil sem ódio.
Como já dizia Apparício Torelly (1895-1971), o “Barão de Itararé”: “Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.” Não fosse difícil desmontar Bolsonaro e seu discurso, tudo seria fácil nestas eleições de 2018!



(*) Prof. Franklin Douglas – jornalista e advogado, tem doutorado em Políticas Públicas.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

Deputados de classe... Organização empresarial homenageia deputados à favor da terceirização



PELA TERCEIRIZAÇÃO

Dos deputados ligados ao grupo Sarney: Aluisio Mendes, Cleber Verde, Hildo Rocha, João Marcelo, Júnior Marreca, Juscelino Filho e Victor Mendes

Dos deputados com Flávio Dino: José Reinaldo Tavares e Pedro Fernandes.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Artigo Haroldo Saboia - (Cena da política maranhense) BRIGA DE GENTE GRANDE


Por Haroldo Saboia - via Facebook


O episódio de Bacabal - em que o ministro Gilmar Mendes concede liminar assegurando a posse do ruralista José Vieira -, além de ilustrar intrincadas relações de poder, revela o governador Flávio Dino absolutamente à vontade no exercício de velhas práticas políticas.
Já não se trata do jovem egresso da política estudantil de esquerda com uma década de experiência na magistratura.

Nem tampouco do novo e repentino amigo e aliado do governador José Reinaldo (ainda nos Leões, em ruptura com os Sarneys) que o elege deputado federal, em 2006, e governador, em 2014, ao comandar uma poderosa articulação de forças locais em dissidência com a velha oligarquia.

Não! Não! Nem mais uma sombra de qualquer romantismo de esquerda! Nada! A imagem com que Flávio se apresenta, hoje, aos maranhenses é de um político inteligente, astuto e ambicioso, cada vez mais ávido de poder e fama, mesmo que às custas de fatias crescentes do orçamento público da Comunicação.

O episódio de Bacabal é emblemático pela frieza com que é apunhalado um adversário até então dócil e cordial. 

É briga de gente grande que lembra disputas florentinas ora refinadas, ora de inusitadas atrocidades!

Envolve diretamente o Senador João Alberto e o governador Flávio Dino.
Reza a lenda que sua origem está nas relações do grupo do Senador do PMDB com o Palácio dos Leões.


João Alberto, governista empedernido, desde o início do governo Dino buscou estabelecer laços franciscanos e pontes fisiológicas com os novos palacianos. Cedo constituiu o PMDB chapa branca liderado na Assembleia pelo Deputado Roberto Costa – votando sempre ou quase sempre as propostas governistas.





Na Assembleia, a oposição ao governo Flavio Dino, em consequência, ficou restrita ao PMDB autenticamente oligárquico, integrado por deputados familiares: Andrea Murad, Adriano Sarney, Edilásio Filho e Sousa Neto.

A pedido do governador, João Alberto teria levado o PMDB de São Luís a não apoiar qualquer candidatura “competitiva” à prefeitura, para não ceder, portanto, seu precioso tempo de TV. O PMDB chapa branca do senador optou por lançar na Capital candidatura própria.

Em Bacabal, em contrapartida, seu candidato, Roberto Costa, navegou em céu de brigadeiro. Mesmo sem a maioria dos votos, Costa foi proclamado eleito, pois José Vieira, vitorioso nas urnas, concorrera sub judice já que sua candidatura houvera sido indeferida pela Lei de Ficha Limpa.

Eis que, de repente, uma liminar assinada pelo reconhecidamente insuspeito ministro Gilmar Mendes se abate sobre o pupilo do senador.






A decisão que impede Roberto Costa de tomar posse teria sido recebida por João Alberto como um brutal contragolpe, um verdadeiro rompimento de um pacto, como uma traição a um acordo firmado desde o início do governo dinista.

É que o Brasil todo conhece as excelentes relações do ultraliberal e conservador Gilmar Mendes com o presumível comunista Flávio Dino, do PC do B.

Dino ainda juiz, após ter assessorado Nelson Jobim no STF, aproximou-se e tornou-se amigo de Gilmar Mendes.

Eleito deputado federal em 2006, e derrotado ao pleitear o governo do Estado, em 2010, Flavio, sem mandato, no início de 2011, aceitou convite de Gilmar Mendes para dirigir o seu Instituto de Direito Público (IDP) - em Brasília.

E lá permaneceu até que o PCdoB viabilizasse junto a presidente Dilma Rousseff sua ida para a presidência da EMBRATUR.

Governador, Flávio Dino não esqueceu nem o Instituto de Direito Público nem o seu amigo ministro Gilmar Mendes.


Já no primeiro ano de sua gestão, contratou o Instituto de Direito Público (IDP), através da Escola de Governo do Maranhão, para ministrar o curso “Aperfeiçoamento e Atualização nos Fundamentos e Procedimentos da Administração”.




Do valor global do contrato, já foram pagos 1.446.966,40 reais (entre abril e setembro de 2016) do total de 4.793.932,00 reais empenhados desde 2015.

QUASE 5 MILHÕES DE REAIS DO ORÇAMENTO DE UM ESTADO POBRE por um curso de 102 horas-aula “que utiliza metodologia online na modalidade Ensino a Distância (EaD)”: dividido em três módulos com a previsão de serem abertos “por seminários presenciais com renomados profissionais” (site da Escola de Governo do Maranhão,EGMA,01/03/2016 ).

Diante desse cenário, uma pergunta circula nos três poderes maranhenses e na Justiça Eleitoral: como será o próximo round desta contenda João Alberto X Flávio Dino, dessa “briga de gente grande”?!