terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

UNS E OUTROS NO AUMENTO DAS PASSAGENS DE SÃO LUÍS (em 2020)




Franklin Douglas (*)

Uns poucos querem o AUMENTO DAS PASSAGENS (e silenciam).
Outros muitos querem que a Prefeitura TORNE PÚBLICA A PLANILHA DOS CUSTOS do sistema de transportes da cidade.
Uns poucos querem o AUMENTO DAS PASSAGENS (e nada comentam em suas redes sociais).
Outros muitos querem a melhoria na qualidade dos ônibus: CHEGA DE LATAS VELHAS!
Uns poucos querem o AUMENTO DAS PASSAGENS (e calam no rádio).
Outros muitos querem o aumento, mas é da frota, querem ÔNIBUS NOVOS!
Uns poucos querem o AUMENTO DAS PASSAGENS (e nada dizem na TV)
Outros muitos querem é segurança nos ônibus!
Uns poucos querem o AUMENTO DAS PASSAGENS (e, de preferência, decidido só entre eles)
Outros muitos querem o CONSELHO MUNICIPAL DE TRANSPORTES!
Uns poucos querem o AUMENTO DAS PASSAGENS (e nenhum artigo no jornal)
Outros muitos querem TERMINAIS E PARADAS DECENTES, que não caiam sobre a cabeça dos usuários de transporte, que proteja de fato das chuvas e do sol!
Uns poucos querem o AUMENTO DAS PASSAGENS.
Outros muitos querem o cumprimento da promessa do BILHETE ÚNICO, do CORREDOR DE TRANSPORTES e do VLT redimensionado.
Uns poucos só veem o AUMENTO DAS PASSAGENS.
Outros muitos visualizam no horizonte o PASSE LIVRE, as CICLOVIAS, a TARIFA ZERO, um sistema de transporte justo e moderno, não voltado para o lucro.
Uns poucos, que não são nem 1% da população de São Luís, mas contam muito nos gabinetes dos (podres) poderes, só pensam no AUMENTO DAS PASSAGENS.
Os outros muitos fazem parte daqueles 99% que só contam quando GRITAM e GRITAM BEM ALTO: NÃO AO AUMENTO DE PASSAGENS!
A CIDADE CANSOU: QUER POLÍTICAS DE TRANSPORTES POR INTEIRO, NÃO PELA METADE.
Parte da população até aceitaria pagar mais caro se houvesse um sistema de transportes de qualidade. Como ele inexiste, a reivindicação de todos os usuários é justa contra mais esse aumento de passagens.
Enfim, uns poucos querem o aumento das passagens, mas fingem discordar dele (agora, por conta das eleições de outubro!)
Outros muitos, escrevem artigos, falam no rádio e na TV, publicam em suas redes sociais, conversam na sala de aula e gritam bem alto a quem quiser ouvir – e não é só agora, por causa de eleição: BASTA DE AUMENTO DE PASSAGEM, QUE SE TENHA TRANSPORTE DE QUALIDADE EM NOSSA CIDADE!


Em tempo: Atualizado para 2020, este artigo foi originalmente publicado na edição do Jornal Pequeno de 05/04/2015. Não mudou quase nada, porque não mudaram nem a política de transporte público da Prefeitura, nem o secretário...

(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas. E-mail: franklin.artigos@gmail.com

Artigo publicano no Jornal Pequeno (18/02/2020, p. 02 - segundo caderno)


Em Tempo (2)No Twitter, o debate mal iniciou, e já tem pré-candidato perdendo a compostura; revelou-se, assim, o primeiro dos candidatos do prefeito defendendo o aumento das passagens. Faltam 04... De minha parte, sigo mantendo alto o nível debate.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

AMOR, COM AMOR SE PAGA (MARIA ARAGÃO: 110 ANOS)


Wagner Baldez, Jarson Vasconcelos e Franklin Douglas,
em visita ao Memorial Maria Argão (10 fev. 2020)

Franklin Douglas (*)

Há 110 anos nascia Maria José de Camargo Aragão: no dia 10 de fevereiro de 1910, em Engenho Central – atual município de Pindaré Mirim (MA).

A moçada dos dias de hoje, os novos médicos, a juventude antifa da atualidade, os coletivos e grupos de meninas feministas e negras talvez pouco conheçam da história dessa maranhense, salvo que ela empresta seu nome a uma praça que fica na Beira-Mar, no Centro de São Luís.

Maria esteve à frente de seu tempo. Por isso, sua mensagem ecoa até os dias de hoje. Tornou-se símbolo síntese de muitas lutas, por suas opções e pelo que a vida lhe reservou.

Era negra, tal qual cerca de 74% da população do estado: mais de 5 milhões de maranhenses, conforme estimativa do IBGE (2019). Era mulher, como mais da metade de população maranhense, mais de 3 milhões de mulheres. O que não lhe garantiu vida fácil. Ao contrário, sofreu todo tipo de adversidade e preconceitos. Maria seria dessas que Euclides da Cunha muito bem poderia chamar de uma sertaneja forte.

A força para enfrentar a vida veio de seu pai, descendente de africanos, e de sua mãe que, mesmo analfabeta, fez questão de enviar os sete filhos para a capital para estudar. Maria era a terceira, dentre os sete.

Mulher... estudar... em plena década de 1930... era muita coisa para uma jovem negra do interior do Maranhão. Mas Maria era do tamanho de suas utopias. Pobre, sem livros – por exemplo, estudava Geografia no horário do recreio, no atlas fixado na parede da sala – realizou o desejo de sua mãe, de vê-la “doutora”, formada no curso Normal (o que lhe propiciaria ser professora), mas Maria sonhava ser outro tipo de doutora. Maria queria ser médica. Muita ousadia! E fez também um supletivo para o curso ginasial, para poder prestar vestibular. Em 1934, aos 24 anos, Maria passou para o vestibular para Medicina, no Rio de Janeiro. Era uma de cinco mulheres da turma. Uma de três maranhenses, junto com Antônio Dino e Carneiro Belfort.

Maria fez medicina não para enriquecer, mas para ajudar ao próximo. Sobreviveu de seu consultório até os 60 anos, quando, só então, obteve seu primeiro emprego público no Maranhão, como médica. Dizia: “Falo mal do governo [José Sarney, 1966-1969], critico o governo, boto no jornal o que ele é e depois vou lá pedir emprego? [...] Não tenho cara para isso!” (Antonio Francisco, “Maria Aragão: a razão de uma vida”, 1992, p. 196). Fora nomeada por Antonio Dino, que assumira o governo, como vice, quando José Sarney se afastou do cargo de governador para concorrer à eleição de Senador, em 1970.

Ela orgulhava-se de dizer: “Minha clientela era constituída pelos desesperados dos bairros, que não tinham condições de pagar uma consulta. [...] Foi tratando de gente pobre, sem nada na vida, que fiz meu nome como médica, e como boa médica” (idem p. 171).

No Rio de Janeiro, em 1945, Maria tomou conhecimento de Luís Carlos Prestes pela primeira vez, no Comício dos 100 mil. Viu alguém que se dizia comunista, algo que Maria não sabia o que significava: “Que diabo é ser comunista?  [...] só pode ser coisa muito séria, porque ele [Prestes] só falou [...] nos problemas do povo. E quem fala em povo, fala em miséria, fala em fome, fala em todas essas coisas que eu sempre soube. Decidi: vou entrar para o partido desse homem” (ibidem, p. 80).

Não foi Prestes que tornou Maria comunista. A dureza da vida, as desigualdades pelas quais passou, o enfrentamento ao preconceito, a condição feminina/negra e a personalidade destemida forjaram Maria José Camargo Aragão como lutadora pela sociedade justa, igualitária, pela emancipação humana.

Maria é símbolo da resistência de seu tempo. Exemplo para vários outros tempos, sobretudo para o atual, que também requer muita resistência, e no qual devemos reafirmar o exemplo de Maria Aragão, pois a razão da vida dela não era individualista, mas coletiva: “[...] sempre fiz o que quis, sem ninguém me apontar o dedo para dizer “vai!” [...] Quando eu era jovem, não havia movimento organizado, mas eu achava que as mulheres tinham de ser como eu era, dona de minha vida”.

Maria foi dona de si e de todos nós, gerações passadas, atual e futuras, porque nos amou como seres humanos.

“Um dia me perguntaram por que, sendo comunista as pessoas gostavam de mim, eu dizia [inspirada no livro escrito por um escritor tcheco enquanto aguardava a execução pelos nazistas]: amor, com amor se paga, eu amo as pessoas!” (p. 221).


(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas. E-mail: franklin.artigos@gmail.com

Artigo publicano no Jornal Pequeno (11/02/2020, p. 02 - segundo caderno)

Em Tempono vídeo abaixo, Wagner Baldez (que foi aluno de Maria), Jarson Vasconcelos e eu (que a conheci nos meus 7 anos), no Memorial Maria Aragão, prestamos nossa homenagem e, ao mesmo tempo, lamentamos pelo descuido em que se encontram o memorial, o local do busto e a praça. Maria merece mais! 




terça-feira, 25 de junho de 2019

O CAMALEÃO DA UFMA

Franklin Douglas (*)

Neste dia 26 de junho, a comunidade universitária da UFMA responderá a uma consulta sobre quem deverá exercer a Reitoria e a Vice-Reitoria da Universidade Federal do Maranhão. Dos diversos postulantes a reitor e a vice-reitor, especialmente um chama a atenção por sua semelhança com o camaleão, aquele réptil conhecido por mudar de cor, olhar em 360 graus e até em duas direções ao mesmo tempo.
Esse camaleão já foi sarneyzista, quando Roseana Sarney (PMDB) foi governadora; já foi castelista e é, quando convém, um dinista daqueles muy amigo, que ora ajuda a eleger – como em 2006, a deputado federal –; ora ajuda a derrotar – como em 2008, para prefeito de São Luís (quando João Castelo saiu vitorioso); ora se reaproxima, como em 2014, para se arrogar partícipe da vitória de Flávio Dino (PCdoB) ao Governo do Estado, ambicionando integrar o secretariado do governo dinista.
“Lulista”, já sonhou em ser candidato a prefeito de São Luís pelo PT.
“Dilmista”, assinou, no apagar das luzes, manifesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.
“Esquerdista”, fez questão de distribuir, no primeiro turno das eleições de 2018, foto ao lado do candidato do PT à Presidência da República e do candidato do PSOL ao Senado Federal. Foi tão próximo do ex-ministro da Educação que abençoou projeto de pesquisa com a esposa deste, professora da USP, em parceria com próximos seus na UFMA para, em seguida, fazer vista grossa quando denunciado pelo bolsonarismo local como escândalo envolvendo o PT com a administração da UFMA. Mirando longe, submergiu e sumiu do mapa, no segundo turno de 2018, quando Jair Bolsonaro consolidou sua perspectiva de vitória eleitoral.
E, assim como José Sarney, o camaleão-mor, que se dizia amigo do Lula e foi ao jantar de posse de Bolsonaro – a fim de galgar cargos federais na União e no Maranhão –, o camaleão da UFMA agora anda serelepe dizendo-se maior aliado do senador Roberto Rocha (PSDB) e do deputado federal Aluísio Mendes (Podemos), o sarneyzista melhor situado nas indicações de cargos federais no governo Bolsonaro no Maranhão. Com o apoio de ambos, já se dá por reitor empossado.
Falta combinar com a comunidade universitária... com o Conselho Universitário... com o Ministério da Educação... com o presidente da República e seu filho mais barulhento no Twitter, que não perdoa um aliado do velho ou do neoPT. Ao avistar o CAMALEÃO DA UFMA na lista tríplice enviada a Brasília, será ele o primeiro a bradar: NELE NÃO!!!
Eis o contexto das “eleições” na universidade. No Maranhão, já se derrotou essa espécie de animal político. Falta fazer igual na UFMA.

(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas. E-mail: franklin.artigos@gmail.com

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Ciência na praça: SEGUNDO DIA NACIONAL EM DEFESA DA EDUCAÇÃO



Ciência na rua: pesquisadores com seus posteres apresentando trabalhos de pesquisa e livros lançados que resultaram de suas investigações, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Barracas e bancas com estudantes e professores de Economia da UFMA calculando com a população que passar pela praça Deodoro o tempo que levarão para se aposentar com as novas regras da "reforma"/privatização da previdência pretendida pelo governo Bolsonaro.



Rádio Livre "Tome Ciência", o dia todo na praça, entrevistando pesquisadores, população, estudantes, ativistas sociais e dirigentes das organizações do II DIA NACIONAL EM DEFESA DA EDUCAÇÃO.



Tudo isso, nesta quarta-feira (30/5), na praça Deodoro, a partir das 9 horas.

Caminhada saindo às 15 horas.

Ato-show, na praça Nauro Machado, encerrando o dia de mobilização.



Às ruas, redes e praças em defesa da educação!
30M VAI SER MAIOR!!!




terça-feira, 14 de maio de 2019

Boulos em São Luís, nesta terça-feira (14/5): rumo ao Dia Nacional pela Educação




Boulos na UFMA, nesta terça-feira (14/5), às 17h, na área de vivência

🚩 Em defesa da Universidade pública
     Contra o corte de verbas

🚩 Em defesa da aposentadoria
     Contra a reforma da previdência

🚩 Em defesa da soberania nacional
     Contra o acordo Bolsonaro-EUA que entrega o Centro de Lançamento de Alcântara aos americano

Um esquenta rumo ao Dia Nacional de Luta da Educação 15M


terça-feira, 2 de abril de 2019

PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA. PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA - Abril de muitos debates sobre a Ditadura Militar






Neste vídeo do Diretório Municipal do PSOL de São Luís, Sônia Guajarara, Wagner Baldez (87 anos, alfabetizado por Maria Aragão) e ativistas sociais reforçam o nosso grito para este 31 de Março de 2019: DITADURA NUNCA MAIS!

Vamos repudiar o golpe civil-militar que colocou o Brasil em 21 anos de Ditadura. Em memória dos que tombaram nos porões da tortura e em homenagem aos que resistiram pela construção da Democracia brasileira, às ruas e redes, praças e caminhadas, debates e panfletagens, companheiras e companheiros!

DOM | 31M às 10h
Tribuna Livre Marielle, na praça Benedito Leite, na Feirinha da Cidade, com adesivaço e caminhada do silêncio.
📍Ponto de Encontro: em frente à Igreja da Sé | Às 10 horas

Um minuto de silêncio e vários gritos de DITADURA NUNCA MAIS,
praça Benedito Leite (no domingo, 31/3)

DOM | 31M às 15h
Debate-depoimentos "O que sobrou da ditadura e os novos autoritarismo", com Joãozinho Ribeiro, Helena Heluy, Arleth Borges e Joisiane Gamba.
📍Onde: praça do Letrado (Vinhais) | Às 15 horas



 QUA | 3Abr às 17h30
Mesa-redonsa "Ditadura nunca mais", com Josefa Batista Lopes, Arleth Borges, Wagner Cabral e Francisco Gonçalves, sob promoção da APRUMA.
📍Onde: auditório setorial do CCH (UFMA) | Às 17h30min




 QUA | 4Abr às 9horas
Mesa-redonsa "Censura às artes na ditadura militar no Maranhão e na atualidade", com Alexandre de Albuquerque (artista, ex-pesquisador da Comissão Nacional da Verdade) e Murilo Santos (cineasta, ex-perseguido político), sob promoção do C.A de Artes Visuais.
📍Onde: Hall do CCH (UFMA) | Às 9h





 TER | 12Abr às 17h
Exibição do filme "Batismo de Sangue", seguido de debate com Marcus Baccega (Depto. História/UFMA) e Joana Coutinho (Depto. Sociologias/UFMA).
📍Onde: auditório Ribamar Caldeira do CCH (UFMA) | Às 17horas



segunda-feira, 1 de abril de 2019

TORTURA NUNCA MAIS!



Franklin Douglas (*)

Cara leitora, caro leitor, permito-lhe pular a leitura dos três próximos parágrafos deste artigo: são realmente desumanos os casos relatados... Trata-se de registros cruéis do que foi a prática da tortura no tempo da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), no seu período mais duro. São registros feitos no livro “Brasil Nunca Mais” (da Arquidiocese de São Paulo), coletados pela Comissão Nacional da Verdade e depoimentos levados ao ar, ao final de cada capítulo da novela “Amor e Revolução”, no ano de 2011. Dos quais, destaco estes:


Exemplo 1 de tortura pela Ditadura, uma atrocidade – Depoimento de Jarbas Marques na televisão, ao final da novela citada: ele foi torturado nu, com cobra e um jacaré de 1m20cm. Foi usado como cobaia em aula de tortura. Viu uma barata ser colocada na vagina de uma mulher, que estava sendo torturada no pau de arara. Viu um preso enlouquecer com as torturas tendo desvio de coprofagia (comia as próprias fezes). Sofreu tortura sexual e teve éter introduzido no ânus: “
A sensação do éter no ânus é que eu ia ter um edema de glote, por que minha língua inchou que parecia a língua de um boi...Antes de qualquer reação, pense, caro/a leitor/a: esse torturado poderia ter sido seu pai!





Exemplo 2 de tortura pela Ditadura, uma monstruosidade – Depoimento de Maria Amélia Teles: torturada por Brilhante Ustra (aquele militar, exaltado pelo presidente Bolsonaro), ela foi à chamada “cadeira de dragão”, uma cadeira de ferro, onde se amarrava a pessoa por braços e pernas e se aplicava eletrochoques de 220 volts, com eletrodos e fios elétricos nos órgãos genitais, orelhas, nariz. Ela sofreu tortura física, sexual e psicológica: “Trouxeram meus filhos para me ver. E um deles, de cinco anos, perguntou por que eu estava com a cor azul... eu, na verdade, estava toda roxa, após uma noite toda de tortura, com choque elétrico no ânus, na vagina, na boca... estava cheia de hematomas...Antes de qualquer reação, pense, caro/a leitor/a: essa torturada poderia ter sido sua mãe!





Exemplo 3 de tortura pela Ditadura, uma barbaridade – Depoimento de Derlei Catarina de Luca - PRESA POR ENGANO! Foi torturada, dias e noites, no pau de arara, com choques elétricos, porque achavam que ela seria uma procurada pelo regime, a agitadora Maria Aparecida Costa. Danrlei não era “terrorista”, não era filiada a partido, não militava contra o regime... Apenas foi confundida com outra pessoa... “
Recebi muitos choques... só parou quando desconfiaram que eu não seria a pessoa que procuravam e decidiram averiguar a minha documentação com as minhas impressões digitais... só aí concluíram que tinham se enganado...Antes de qualquer reação, pense, caro/a leitor/a: essa torturada poderia ter sido sua filha, sua irmã!







Fico nesses três brutais exemplos, apenas para tentar chamar a atenção dos que não leram, ouviram falar ou não têm qualquer conhecimento desse período ocorrido no Brasil e ficam a propagar sem noção um “viva à Ditadura Militar!”

Nesse período, de 30 a 50 mil pessoas foram presas ilicitamente e torturadas (o instrumento do
habeas corpus foi extinto nesse período); 4.841 pessoas punidas com a perda de direitos políticos, aposentados, demitidos do trabalho; 3.783 funcionários públicos foram perseguidos e demitidos ou compulsoriamente aposentados, dos quais 72 professores e 61 pesquisadores de nossas universidades.

De tais números e diversos casos, um dele foi reconhecido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que concluiu pela condenação do Estado brasileiro pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do DOI/CODI, centro de tortura em São Paulo.

Por tudo isso e muito mais, o 31 de março de 1964, na verdade, o golpe militar de 1º de abril de 1964, o Dia da Mentira (mas ficaria uma piada pronta, no primeiro de abril se aplicar um golpe militar sob o argumento de que se estava salvando a democracia no País!!), não pode ser exaltado, comemorado ou rememorado sob a ótica defendida pelo presidente da República Jair Bolsonaro. Seria um escárnio com a vida desses milhares de torturados e perseguidos pela Ditadura Militar.

Três vivas, sim: à Defensoria Pública da União! À juíza federal Ivani Silva da Luz!! Às 19 seções estaduais do Ministério Público Federal que repudiaram essa tentativa de comemoração do golpe contra nosso Estado Democrático de Direito. A primeira entrou com ação civil pública contestando a moralidade e legalidade do ato presidencial. A segunda deu razão e deferiu favoravelmente o pedido da DPU. A nota dos 19 MPF´s nos estados (entre os quais está o do Maranhão e, vejam, não está o do Paraná, da operação Lavajato...), a convicção de que há vozes contrárias às ações que desconstruam nosso pacto democrático e nossa Constituição de 1988.

Ações relevantes, por estamos num tempo em que é preciso, para que não se esqueça de e para que nunca mais aconteça, dizer bem alto: DITADURA NUNCA MAIS!!!





(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas.
E-mail: franklin.artigos@gmail.com

sexta-feira, 15 de março de 2019

MARIELLE VIVE!





Franklin Douglas (*)

Três perguntas não calam, desde o dia 14 de março de 2018:

Primeira – quem matou Marielle?

Segunda – quem mandou matar Marielle?

Terceira – quem acoberta os que mandaram matar Marielle?

Marielle era a síntese das classes subalternas que ousam não se calar.

Era negra, tal qual cerca de 17 milhões da população brasileira que assim se autodeclararam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2017, divulgada pelo IBGE (PNAD Contínua 2017-IBGE) – precisos 8,6% dos brasileiros.

Era mulher, como a maioria da população do país, 51,6% (PNAD Contínua 2017-IBGE) – quase 107 milhões de mulheres.

Era da periferia, assim como significativa parte da população que reside em domicílios que têm dificuldades de acesso à água diariamente, de ligação com esgotamento sanitário, de coleta de lixo. Território onde juventudes estão sob a ameaça da violência, do tráfico de drogas, de milícias, da falta de escola e postos de saúde.

Por isso a vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, em apenas um ano e meio de mandato, projetou-se como símbolo da luta antirracista, antimachista, por direitos de LGBTI´s, de jovens e da população da periferia. Foi, como diz o samba-enredo da vitoriosa Mangueira no carnaval deste 2019, a vez em que o Brasil passou a ouvir “Marias, Marielles e Malês”, pois trazia consigo “a história que a história não conta”.

Marielle ousou enfrentar os poderosos que se entranham no Estado e tratam a coisa pública como privada. Ousou ser uma voz de muitas e de muitos. Sua dureza na denúncia das mazelas sociais não se sobrepunha a sua ternura na forma de ver e encarar a vida.

Calar Marielle, assassinando-a, foi premeditadamente um crime para intimidar lutadores sociais, amedrontar os que vêm debaixo e exigem participar da cena pública como sujeitos de seu destino.

Os que a mataram, os que mandaram matá-la e os que acobertam os que mandaram matar Marielle falharam!

Foi-se a Marielle Franco no dia 14 de março de 2018, emergiram milhares de Marielles no dia seguinte! Vozes que gritam bem alto e exigem respostas para as três perguntas que continuarão sendo ecoadas enquanto o crime não for por completo elucidado: quem matou, quem mandou matar e quem acoberta quem mandou matar?

Uma CPI das Milícias, no Congresso Nacional, é urgente para buscar essas respostas. Todas as investigações, um ano depois, não avançam para jogar luz sobre os vínculos das milícias cariocas com o assassinato de Marielle. Só uma avalanche de assinaturas e mensagens junto aos parlamentares federais poderá garantir que essa CPI seja criada. Essa é uma movimentação a ser feita por aqueles e por aquelas que não deixam a voz de Marielle calar: exigir uma CPI das Milícias, já!

Tentaram calar uma voz, mas acordaram milhares! Não vamos deixar. MARIELE VIVE!!



(*) Franklin Douglas – professor e doutor em Políticas Públicas. E-mail: franklin.artigos@gmail.com

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Esperança para manter a resistência!




Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Com Mario Quintana, lhes desejo um 2019 de esperança!

Feliz ano novo aos amigos e amigas do Ecos das Lutas, porque o importante é ser feliz!

Franklin Douglas


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2018: SETE ERROS E UM DESTINO



ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2018:
SETE ERROS E UM DESTINO
            Por Franklin Douglas (*)              

Nestas eleições à Presidência da República, o campo progressista precisa ter muito cuidado em sua luta política em defesa da Democracia. Do contrário, pode cometer erros fatais, especialmente na tentativa de derrotar o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. São sete erros na disputa eleitoral que podem conduzir, ineditamente, pelo voto popular, o bolsonarismo ao Palácio do Planalto. São eles:
1. Tentar tirar votos do Bolsonaro xingando o eleitor e a eleitora do Bolsonaro;
2. Tratar o eleitor e a eleitora do Bolsonaro como um incapaz de pensar, refletir e raciocinar sobre o próprio voto;
3. Argumentar de forma mal humorada ou mal educada com o eleitor e a eleitora dele;
4. Dizer que o eleitor e a eleitora de Bolsonaro são iguais a ele, rotulando a opção desse eleitorado como um voto homofóbico, misógino, racista;
5. Argumentar a partir de dados de pesquisas de opinião;
6. Combater o voto em Bolsonaro pelo seu viés mais forte, a ideologia conservadora de viés fascista;
7. Tratar esta eleição como um plebiscito entre PT e antipetismo.
TEMOS QUE COBRAR DO ELEITOR E DA ELEITORA DO BOLSONARO A LEITURA DO PROGRAMA DE GOVERNO E DAS PROPOSTAS DELE!!! Se sabem quais são as propostas concretas do candidato para gerar empregos e tirar o Brasil da atual crise econômica.
Devemos travar com esse eleitorado um diálogo paciente, educativo, respeitoso e compreensivo, mas firme, frente à gritante situação social na qual o país se encontra. Um cenário que possibilita diversas pessoas em desesperadora situação social, de forma muito fácil, a aderir a opções e soluções imediatas e sem necessidade de grandes elaborações complexas.
E isso se faz por duas formas:
(i) expondo o eleitor e a eleitora de Bolsonaro a própria incoerência quando diante de propostas do candidato com as quais esse eleitorado não concorda e;
(ii) explorando a discordância do eleitor e da eleitora com propostas que não sabiam que Bolsonaro defende em seu programa de governo.
E mais: num país onde vices importam (e muito!), questionar o eleitor e a eleitora se eles conhecem o vice de Bolsonaro, o general que, estando o candidato esfaqueado na mesa de cirurgia, já conspirava para tomar o lugar do titular nos debates e atividades de campanha.
Lembremos: pela direita, o Brasil já teve as experiências de Jânio Quadros, nos anos 1960, e Collor de Mello, nos anos 1990. Mas, pela primeira vez, nos anos 2000, a extrema direita tem um líder tão popular e eleitoralmente forte, impondo sua pauta política, inclusive, aos setores de centro-direita no país. Jair Bolsonaro cresceu graças a um cenário de ampla frustração social e econômica das classes trabalhadoras. Incorpora o voto de protesto contra tudo que está aí, com uma pauta retrógrada.
Para não cometer esses erros capitais e não sofrer uma derrota para Bolsonaro e sua agenda de ódio, é preciso paciência e habilidade. Evidente, esse esforço é destinado ao eleitorado que, sinceramente, busca uma saída (imediata) para a crise do país, e está seduzido por ele.
Para o eleitor e a eleitora ideológica e politicamente engajados, pouco ou nada adiantará todo esse trabalho e cuidado, pois já saíram do âmbito da racionalidade sobre o próprio voto para o nível de torcida. E, nesse caso, é como religião e futebol, não adianta nada argumentar!
A isto tudo, acrescente-se: devemos fazer amplas mobilizações em defesa do projeto humanista e de civilização que se contraponha à barbárie, do amor versus a política do ódio. Cidadãos e cidadãs, mulheres, educadores, intelectuais e artistas, cristãos autênticos, gente do povo e de paz, estão todas e todos desafiados a não ficar parados e se movimentarem à favor de um Brasil sem ódio.
Como já dizia Apparício Torelly (1895-1971), o “Barão de Itararé”: “Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.” Não fosse difícil desmontar Bolsonaro e seu discurso, tudo seria fácil nestas eleições de 2018!



(*) Prof. Franklin Douglas – jornalista e advogado, tem doutorado em Políticas Públicas.