Por Franklin Douglas(*)
Vivemos na UFMA
um dos mais atrasados processos de escolha para reitor. Do outro lado, mesmo
com engessadas regras e meteórica dinâmica de campanha, nunca a mudança esteve
tão próxima da vitória na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
A UFMA está a
poucos dias de repetir o exemplo da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), onde as forças da mudança impuseram uma derrota ao projeto conservador
de universidade, elegendo Roberto Leher –reitor e Denise Nascimento –
vice-reitora.
É verdade que lá
a eleição deu-se em dois turnos; o voto foi paritário (cada segmento pesando
1/3 na consulta); e houve um grande tempo de campanha e debates em todos os
centros de estudos.
É certo que,
aqui, temos uma das poucas instituições federais de ensino superior que mantém
essa fórmula cujo peso do voto do professor equivale a 70%, o dos técnicos-administrativos,
15%, e o do estudante, 15%; também trata-se de um só turno para o sufrágio; e
de APENAS 12 DIAS ÚTEIS DE CAMPANHA.
Quem tem medo do
debate turma a turma com os estudantes? Quem teme a discussão com os
professores nas reuniões dos cursos? Quem tem medo dos debates organizados nos
Centros?
Eis o fio
condutor da derrota das candidaturas da atual administração: não sustentam o
debate sobre a situação a UFMA atualmente.
Não explicam as
normas de progressão docente pelas quais é praticamente impossível um professor
pesquisador ascender em sua carreira acadêmica na instituição fora da
burocracia administrativa.
Não conseguem
convencer os alunos sobre os “avanços” de uma fila de uma hora a uma hora e
meia no Restaurante Universitário, quando bastaria descentralizar as unidades
do R.U. Sobre a falta de segurança que reina no campus. A falta de política
para assistência estudantil aos alunos que vêm das demais cidades. Não
justificam porque a UFMA cresceu com o REUNI sem ter se desenvolvido. Prédios,
prédios e mais prédios, inacabados, incompletos, mal feitos... basta o tempo de
chuvas para ver tudo alagar.

Não seduzem,
para além do assédio moral, os técnicos administrativos em educação e os
funcionários do Hospital Universitário. Não explicam por que não implementaram as
30 horas de jornada de trabalho dos técnicos, nos últimos oito anos de gestão.
Em cada campi do continente (Bacabal, Balsas, Codó, Chapadinha, Grajaú, Imperatriz, Pinheiro, São Bernardo), suas promessas de mais “avanço”
retomam as mesmas feitas quatro anos atrás e há oito anos e não que se
concretizaram. Campi cuja realidade é de uma expansão
precarizada. A que trouxe pobres, negros e indígenas para a universidade, mas
não deu a eles as condições para concluir seus cursos.
É este o debate
que toma conta da UFMA e da comunidade universitária.
Para aflição da
Administração e suas candidaturas, o tempo exíguo de campanha tem sido
utilizado com maestria pelos candidatos de fora de seu arco de apoio.
Eis a justificativa para o mais virulento ataque a uma das candidaturas, por meio de um texto
apócrifo, distribuído nas redes sociais a partir perfis falsos.
Eis o porquê de, em dois de dias, uma meia dúzia de mentiras desferidas contra as candidaturas do MUDe: que vai fechar os cursos de Medicina, em Pinheiro, e BCT, em São Luís; que é contra o Reuni; que vai perseguir os técnicos do Hospital Universitário, se vencer; que a candidatura é da APRUMA e de partidos. O desespero é tamanho que fizeram uso ilegal da máquina administrativa em prol de sua candidata, utilizando o banco de dados da UFMA (o sistema SIGAA) para enviar carta de apoio do reitor a sua candidata. Mesmo banco de dados que foi negado às demais candidaturas...
Enfim, os mesmos
métodos do sarneismo que foram utilizados contra as oposições no ano passado, e
que não deram certo, agora usados na UFMA.

A mesma candidata que acusa o MUDe de partidário apresenta-se com o apoio de petistas como Raimundo Monteiro (defenestrado da chapa majoritária ao Senado por determinação da justiça por ser ficha suja), de comunistas do PCdoB e do petecista Edivaldo Holanda. Querem fazer na UFMA o mesmo "avanço" que o prefeito Holanda Júnior tem feito na cidade de São Luís... Qual é a candidatura amarrada a partidos, cara pálida??
O desespero está grande!
TODAS AS CANDIDATURAS FORA DO AUTORITARISMO
CRESCEM NA CAMPANHA NA UFMA! Daí o temor da derrota.
E a candidatura
que mais cresce é justamente aquela que vai ao fundo da questão: ou prevalece a
Democracia na UFMA ou se mantém o autoritarismo na instituição.
Por isso o
PARTIDO DA DEMOCRACIA NA UFMA, o MUDe, incomoda tanto o PSAL, o Partido do
Salgado.
O MUDe
constituiu em torno de Antonio Gonçalves e Marise Marçalina a mais ampla
unidade das distintas correntes teórico-ideológicas presentes na UFMA porque
soube colocar em primeiro plano a luta democrática na instituição.
O que une um
ex-reitor, Fernando Ramos, três candidatos à reitoria em eleições passadas,
como Francisco Gonçalves, Sirleane Paiva e Cláudia Durans, professores com
engajamentos políticos distintos na sociedade, mas perfilados pela alternância
de poder na UFMA, como Berenice Gomes, Mary Ferreira, Ilse Gomes, Arlete Borges, Wagner
Cabral, Flávio Reis, Horácio Antunes, Saulo Pinto, Paula Francinete, e tantos e tantos docentes,
técnicos e estudantes?
Aqui a resposta: A LUTA PELA
DEMOCRACIA NA UFMA. A CONVICÇÃO QUE
É POSSÍVEL REPETIR NA UFMA O EXEMPLO ROBERTO LEHR DA UFRJ!
No dia 27 de maio, comunidade universitária, às urnas, na certeza de que O SONHO DE QUE “UMA
OUTRA UFMA É POSSÍVEL”!!
(*) Franklin Douglas - jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas pela UFMA.
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