sexta-feira, 4 de março de 2011

Dez mitos sobre o desfile de carnaval

Teste seus conhecimentos gerais sobre o carnaval  na passarela do samba.

Questionário bem bolado do G1 apresenta 10 mitos sobre os desfiles de carnaval. De quantos será que você tem conhecimento?

São perguntas do tipo:  Musas usam laquê e base para esconder celulite?  Destaques podem ir nuns à avenida? O instrumento mais leve da bateria é a cuíca? Confete, serpentina e lança-perfume são permitidos? Ao todo, são dez mitos.

Clique aqui e siga ao teste. 

No mais, bom carvanal aos foliões. São os votos do Ecos das Lutas.


Do blog do Kenard: notícia de mais uma peripécia do sarnopetismo com o dinheiro público...

 

(Blog do Kenard - 03.03.2011)

Vice-governador do MA usa helicóptero para ir a festa de fundação do PT



"A turma do PT que chegou ao poder costumava criticar os novos sócios, a família Sarney, por conta da visão patrimonialista. Sabe-se agora: tratava-se da velha fábula em que as uvas aparecem verdes.
O vice-governador Washington Luís acaba de dar mais um mote para a ação do Ministério Público (ele existe no Maranhão?).
Washington Luís usou da prerrogativa do cargo para ir a Peri Mirim no helicóptero do governo comemorar a fundação do PT naquela cidade. Estava acompanhado de dois petistas, um assessor de um deputado do PSB e de um ex-assessor de um ex-deputado federal tucano (isso mesmo, no Maranhão não há nada demais em petista ser assessor de tucano)
Dias depois, alguém alertou o vice-governador para o uso indevido do helicóptero. Obteve como resposta que ele, Washington Luís, era o vice-governador e podia usar o helicóptero.
Errado, meu caro. O helicóptero pode ser usado apenas em ações governamentais, de Estado. Em Peri Mirim tratava-se de um evento partidário, a festa de comemoração de fundação do PT. Nada a ver com o governo, como se observa." (leia mais aqui)

Poesia de Quinta - Número 121

Por Deíla Maia

Pessoal, 

Recentemente, ouvi um trecho deste lindo poema de Fernando Pessoa na TV e aí fui buscar a íntegra do texto para compartilhar com vcs. 
Estamos próximos do carnaval, época que podemos aproveitar, também, para pensar, para refletir sobre o passado, futuro, planos...
Esta poesia de Pessoa já é um bom começo. 
Boa folia e bom descanso também para todos.


Beijos,

Deíla


FERNANDO PESSOA
( Álvaro de campos )
Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,
Relembro, velando em modorra incômoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.
O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.
Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso - e foi afinal o melhor de mim - é que nem os Deuses fazem viver ...
Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.
Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.
O que falhei deveras não tem sperança nenhuma
Em sistema metafísico nenhum.
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos, Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca
Como uma verdade de que não partilho,
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim.

quarta-feira, 2 de março de 2011

INCRA em xeque


Em nota tecnicamente muito consistente, organizações da luta no campo tentam influenciar politicamente nos rumos do INCRA maranhense. Enviado antes mesmo da divulgação da Operação Donatários da Polícia Federal, o documento já antecipava a fragilização do órgão, sucateado pela corrupção e sem ações concretas à favor dos trabalhadores rurais.

O texto é um tapa de luvas na propaganda governista e das gestões de Monteiro e Terceiro de que efetivaram a reforma agrária no Maranhão. Ao contrário, MST, CPT, Fetaema, Fefrat, Cimi, SMDH, Cáritas, Fórum Carajás e Tijupá demonstram que muito falta ser feito.

O documento também revela o total desprestígio do interventor nomeado, Luis Alfredo(também sarneyzista), junto aos movimentos de luta pela terra no Maranhão, à medida que chega ao cargo de cima para baixo, sem qualquer diálogo com esses movimentos.

E aí está a questão: sem diálogo com essas organizações, o INCRA maranhense não deixará de ser foco de outras operações da Polícia Federal. Leia o documento abaixo (também disponível aqui):


São Luís 17 de fevereiro de 2011.

Ao excelentíssimo Dr. Antonio Palocci
Ministro Chefe da Casa Civil

Ao excelentíssimo Dr. Afonso Florence
Ministro do Desenvolvimento Agrário

Ao excelentíssimo Dr. Rolf Hackbart
Presidente Nacional do INCRA

Os movimentos sociais e organizações que lutam por reforma agrária no Maranhão vêm posicionar-se sobre a atual situação do INCRA, pois sendo ele o lugar do planejamento e execução das ações de reforma agrária do governo Federal nos preocupa a sua situação atual e perspectiva que se desenha.

Considerando, que a SR (12) do INCRA no Maranhão responde por cerca de 960 assentamentos, e um universo mais de 130 mil famílias;

Considerando, que a capacidade operacional da unidade no Maranhão é infinitamente menor do que o que necessita para atender a demanda dos assentamentos, principalmente em obtenção de terras, infra-estrutura, Assistência técnica, agroindústria, educação do campo,crédito de apoio e consolidação.

Considerando, aumento do número de conflitos pela posse da terra em conseqüência dos processos de grilagem em Cartórios com a conivência e/ou omissão do Estado e garantida por milícias privadas, ainda, o aumento de comunidades camponesas despejadas por força de Ação Judicial, a compra de terras por grupos estrangeiros, a prática recorrente de trabalho análogo ao escravo e outras formas de violação de direitos humanos fundamentais;

Considerando que as comunidades quilombolas têm apresentado uma demanda crescente visando o reconhecimento e titulação de seus territórios cada vez mais ameaçados por grandes projetos (mineração, barragens/hidrelétricas, agronegócios, etc.) e pela ação de grupos de pistoleiros a serviço de latifundiários;

Considerando que O INCRA/MA tem tido pouco zelo quanto aos estudos e critérios acerca da criação de assentamentos incidentes sobre terras tradicionais indígenas, sendo essas terras outrora reivindicadas pelos indígenas, criando conflitos e indefinições acerca de novos locais para assentamentos das famílias, a exemplo das TIs Governador, Bacurizinho, Krikati, Porquinhos, Terra Indígena Awá e outras; a morosidade na regularização fundiária só faz aumentar o desrespeito do governo brasileiro para com os direitos indígenas;

Considerando que a modalidade de assentamento que vem sendo trabalhada pela SR (12) do INCRA no Maranhão não privilegia o uso sustentável da biodiversidade, apesar do Estado possuir grande potencial agroextrativista e de existir modalidades de assentamentos sustentáveis (assentamentos ambientalmente diferenciados: PAE, PDS e PAF) que fazem parte da Política Nacional de Reforma Agrária.

Considerando que a SR (12) do INCRA no Maranhão, para alcançar suas metas de famílias assentadas tem usado da estratégia de aumentar capacidade de assentamentos dos PAs já existentes e não na desapropriação de mais áreas improdutivas no estado, e que, isso tem provocando um processo ainda maior de “minifundização”, baixa produtividade, aumento da insegurança alimentar e degradação ambiental.

Considerando o grande número de famílias que moram e/ou trabalham em áreas de assentamentos e não são assentadas, sendo um processo de discriminação social que gera conflitos e provoca mais pressão sobre o meio físico, ocasionando mais degradação e conseqüente aumento da insegurança alimentar.

Considerando, que a situação política do Maranhão tenta fazer do INCRA moeda de troca para atender os interesses políticos eleitorais, secundarizando a sua função de promover o reordenamento fundiário e implantar uma verdadeira política de reforma agrária;

Considerando, que há necessidade de otimização dos recursos dos programas de implantação e consolidação, primando pela qualidade dos serviços e fortalecimento da reforma agrária e não aos interesses de empreiteiras,

E considerando a importância da participação das organizações de trabalhadores na definição de metas, planos operacionais e definição dos gestores do referido órgão no Maranhão, as entidades que subscrevem esta carta vem denunciar e apresentar as seguintes questões.

1. Readequar a capacidade operacional da SR (12), com novos servidores, com qualificação do seu corpo técnico, com orçamento e com otimização dos mesmos para melhor atender as atuais demandas;

2. Estabelecer metas e parâmetros por região do Estado para o estabelecimento de assentamentos em modalidades sustentáveis, visando o estabelecimentos de processos produtivos baseados no agroextrativismo e na agroecologia;

3. Que seja revisto pelo INCRA todas as áreas de assentamentos com tamanho menor que o módulo de terra estabelecido na legislação, adquirindo mais áreas para regularizar a situação dessas famílias;

4. Que todas as famílias que moram nas áreas de assentamentos e não assentadas tenham suas situações regularizadas, a depender da natureza de cada área (comunidades tradicionais, áreas de ocupação, etc.);

5. Que o INCRA seja um instrumento que puna o latifúndio improdutivo, a grilagem e as formas de violação dos direitos dos trabalhadores, reorientando as suas metas de obtenção, fortalecendo o Instrumento da desapropriação e estabelecendo uma dinâmica de agilidade e eficiência junto a sua Procuradoria;

6. Que a Casa Civil do Governo Dilma, O Ministro do Desenvolvimento Agrário o Sr. Afonso Florence e a presidência Nacional do INCRA, intervenham para que a sucessão da SR (12) seja resultado do diálogo com as organizações de apoio e representação dos trabalhadores rurais no Maranhão.

7. Que seja urgentemente agendada uma reunião de trabalho em São Luis para discutir a atual situação da SR (12) e adequação de suas metas e gestão aos reais interesses dos beneficiários da reforma agrária;
Certo do vosso compromisso e empenho em mudar a situação em que se encontram as ações de reforma agrária no Maranhão, desde já agradecemos,

Atenciosamente,

Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra - MST
Comissão Pastoral da Terra - CPT
Federação dos Trabalhadores na Agricultura – FETAEMA
Federação dos trabalhadores e Trabalhadoras da agricultura familiar no Maranhão– FETAF/MA
Conselho indigenista Missionário - CIMI
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos - SMDH
Fórum Carajás
Cáritas Brasileira Regional Maranhão
Associação Agroecológica Tijupá

terça-feira, 1 de março de 2011

Tuitaço convocado pelo PSTU acontece hoje às 19h

O PSTU Maranhão está convocando um twittaço para este dia 1º de março, terça-feira, em protesto aos escândalos de corrupção envolvendo o Governo Roseana Sarney. O partido está conclamando a todos que não aguentam mais a Oligarquia Sarney no poder a postarem no twitter mensagens com a tag #foraroseanasarney.
A ação na rede social começa às 19h e quer expor na internet os casos de corrupção na FAPEMA e, mais recentemente, no INCRA envolvendo diretamente a governadora Roseana Sarney (PMDB) e o vice Washington Luis (PT). Além disso, está previsto para iniciar neste dia o início da greve dos professores da rede estadual, uma das principais categorias do Estado.
Como participar
Para participar é necessário ter uma conta no twitter, a rede social que permite publicar mensagens de textos de até 144 caracteres. Se você já tem uma conta, às 19h desta terça-feira publique mensagens com a tag (expressão) #foraroseanasarney. Você pode escrever, por exemplo: “O povo egípcio derrubou Mubarak. Aqui também podemos derrubar o poderio dos Sarneys no Maranhão. #foraroseanasarney”. (Fonte: Blog do John Cutrim)
Nossas tuitadas já registradas:
 Franklin Douglas 
Alô internautas,midialivristas,blogueiros e tuiteiros! Hoje tem tuitaço às 19h. É o . Saiba mais:
»
 Franklin Douglas 
Alô conselhos estaduais(CEDCA, CEPOD, CEDH, CEAS, CES, CONSEA etc)! Hoje tem tuitaço, às 19h,contra a oligarquia.Todos ao 
 Franklin Douglas 
Alô mov sind, estudantil, popular, ambiental, juventude, antirracismo, mulheres, GLBT, DH´s. Hoje tem tuitaço às 19h. É o
 Franklin Douglas 
Alô PDT-PTC-PSDB, PCdoB-PSB-PPS, Psol-PCB! Hoje tem tuitaço, às 19h, contra a oligarquia, sob iniciativa do PSTU.Todos ao

Vice-governadoria vira peduricalho de suspeitos


A Vice-governadoria do melhor governo da vida de Roseana Sarney está se consolidando como o espaço do governo estadual destinado a pendurar sarnopetistas sob suspeita.

Com algo em torno de uma dúzia de cargos comissionados (estrutura menor do que a menor Secretaria do governo Jackson Lago, a SEIR - Igualdade Racial), a Vice-Governadoria já possui três assessores acusados de envolvimento em uso indevido de verbas públicas, para usar o eufemismo... São eles: Fernando Magalhães, Paulo Romão e, agora, Raimundo Monteiro.

Fernando Magalhães e Paulo Romão estão enrrolados até o pescoço no escândalo da Fapema. Receberam bolsas de pesquisa sem nunca participarem de pesquisa alguma. E, no caso de Magalhães, sequer possuir qualquer vínculo com instituição de ensino superior. Já Monteiro, presidente estadual do partido, não se vê mais nem o nariz no mar de lama do INCRA. Ele teve sua prisão preventiva solicitada pela Polícia Federal devido ao desvio de R$ 4 milhões de reais dos cofres do INCRA (veja aqui).

Com Romão, Magalhães, Monteiro, e ainda o secretário adjunto Fernando Xetrepa (também enrrolado com os desvios da SEDUC), já somam 04 os dirigentes estaduais do partido acusados de mal versação dos cofres públicos.  Sem contar o secretário do Trabalho José Antonio Heluy, também enrrolado com Gaudêncio da Silva - denunciado na operação Donatários no INCRA, da Polícia Federal.

Nada de "nada consta". Pelo visto, o item obrigatório no currículo de petistas que busquem uma boquinha  junto ao vice-governador Washington Luiz é o carimbo "sob suspeita"... só assim Roseana Sarney nomeia!

Em tempo
Quase que pedindo desculpas pelo que está fazendo,  oito correntes da  ala antissarney fecharam questão em torno do pedido de afastamento de Raimundo Monteiro da presidência do PT. 

A Direção Estadual fingirá de morta. Resta saber o que dirá a Direção Nacional...

Abaixo, a nota das correntes do partido, publicada no blogue de Bruno Rogens:
"Aos membros do Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores (PT):

Prezados companheiros,
  
Como já é do conhecimento público, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU) investigam suspeita de desvios de recursos enviados ao INCRA-MA e destinados a construção e reforma de casas em assentamentos rurais. Entre os suspeitos de possíveis irregularidades na aplicação desses recursos, encontra-se o presidente do Diretório Regional do PT, Raimundo Monteiro, ex-superintende regional do INCRA.
Para garantir uma apuração isenta, transparente e célere dos indícios de irregularidade apresentados pela investigação da PF e da CGU, o presidente do INCRA, Rolf Hackbart, exonerou de suas funções o superintendente regional do INCRA, o ouvidor agrário estadual e o chefe da Divisão de Desenvolvimento de Assentamentos. Outras decisões foram tomadas pelo presidente do INCRA para assegurar as investigações da denúncia.
O Partido dos Trabalhadores do Maranhão não pode ficar indiferente nem às denúncias e nem aos procedimentos adotados, neste caso, pelo Governo Dilma. Por isso e para assegurar que o Diretório Regional do PT possa efetivamente acompanhar com transparência e isenção as investigações em curso no INCRA-MA, solicitamos o imediato afastamento de Raimundo Monteiro da presidência do Partido dos Trabalhadores. Solicitamos, ainda, que sejam garantidas as condições necessárias para que Raimundo Monteiro apresente a sua defesa.

São Luís, 28 de fevereiro de 2011.

Domingos Dutra - Deputado Federal
Bira do Pindaré - Deputado Estadual
Augusto Lobato - Vice-Presidente do PT-Ma
Janete Amorim - Segunda Vice-Presidente do Diretório Estadual
Genilson Alves - Secretário de formação
Raimundo Dutra - Vogal do Diretório Estadual
Maria Nice - Vogal do Diretório Estadual
Márcio Jardim - Vogal do Diretório Estadual
Luis Carlos Cintra – Articulação de Esquerda
Carlito Reis – Tendência Marxista
Vicente Mesquita – Democracia Socialista
Nonato Silva – PT de Aço/Movimento
Marcelo Barros – Mensagem ao Partido
Creusamar de Pinho – Rebuliço
Paulo Oliveira – Luta Solidária"

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ê-Maranhão - número 30

ê-maranh@o

  Boletim Eletrônico do Projeto "Nós de Rede".  Ano II  -  Nº 30  -  28 Fev 2011

Um verdadeiro caso de se ficar de boca aberta. Só comprovadamente pela Polícia Federal são R$ 4 milhões de reais desviados. Na cabeça da quadrilha, segundo a Operação Donatários, o ex-presidente do INCRA e atual presidente estadual do PT, Raimundo Monteiro.
Um escândalo que em país sério levaria à prisão imediata dos envolvidos. O Governo Federal exonerou toda a cúpula do INCRA no estado. O Governo do Maranhão NOMEOU o cabeça da operação para ser Assessor Especial no melhor governo da vida de Roseana Sarney. Como se diz no Maranhão, "agora lascou"!

Confira abaixo a repercussão de mais um escândalo envolvendo petistas maranhenses que decidiram aliar-se ao esquema Sarney:

VIAS DE FATO

Enquanto Habeas Corpus são feitos pelas madrugadas, cresce a suspeita que o vice-governador do estado, também esteja envolvido no esquema de corrupção. O superintendente da Polícia Federal Fernando Segóvia confirmou o envolvimento de Raimundo Monteiro ex-superintendente do INCRA no Maranhão. Monteiro foi Indicado pelo vice-governador, Washington Oliveira, os dois juntos garantiram na marra que Roseana tivesse o apoio do PT na última eleição. A prisão dos envolvidos foi impedida por vazamento de informações em torno da Operação Donatários da Polícia Federal.  (leia mais).



CUNHA SANTOS



TWITTER
Mas será só o Benedito? Descoberto novo caso de desvio de dinheiro no Governo Roseana: 
O Incra colocou, em situação de inadimplência,43 entidades conveniadas com a Superintendência Regional no Maranhão junto Siafi.
Esse episódio envolvendo o Monteiro é profundamente lamentável. Não tem nota que limpe a degeneração constatada pela PF. Um pena, q exige PENA!


E, por fim, seguem abaixo duas listas para ficarem anotadas para o futuro: uma, a dos acusados de desvio de verbas no INCRA; a outra, a de apoiadores de Raimundo Monteiro. Guardem bem essas listas!

Os acusados
1 – Benedito Terceiro – Superintendente
2 – Raimundo Monteiro dos Santos – Ex-superintendente
3 – Antônio Carlos Trinta Abreu – Servidor
4 – Antonio Vicente da Silva – Servidor
5 – Elmo Sousa Araújo – Servidor
6 – José Albino Silva Boueres – Servidor
7 – José Luís Costa Ferreira – Servidor
8 – José Ribamar Silva Costa – Servidor
9 – Leonísio Lopes da Silva Filho – Servidor
10- Raimundo Félix da Sousa Neto – Servidor
11- Reginaldo do Espírito Santo Ferreira – Servidor
12- Rui Alcides dos Santos – Servidor
13- Almerinda Ferreira Costa – Servidora
14- Leila Raquel Lima Pereira – Servidora
15- Maria do Socorro Sousa Buhatem – Servidora
16- Rubem Sérgio dos Santos – Delegado da Polícia Civil
17- Armando Pires Arruda – Servidor do Iterma
18- Walber Carvalho Braga – Servidor do Iterma
19- Josué Ferreira Carvalho – Presidente de Projeto de Assentamento (PA)
20- Mizael Amorim Pereira – Presidente de Projeto de Assentamento (PA)
21- Antonio Diniz Araújo – Empresário
22- Carlos Magno Rates Lobão – Empresário
23- Enivone da Silva Brasil – Empresária
24- Fernando Santana Rosa – Empresário
25- Francisco de Araújo Sales (“Chico Professor”) – Empresário
26- Francisco Matias da Silva (“Nego Chico”) – Empresário
27- João Manoel Gaudêncio da Silva – Empresário
28- José Paulino Rosa – Empresário
29- Luís Otávio Costa Silva – Empresário
30- Naísa Moura Araújo – Empresária
31- Osnir Rodrigues Fonseca (“Giba”) – Empresário
32- Reginaldo Macedo Ferreira – Empresário
33- Rosilene Correia Bezerra – Empresária
34- Carlos Henrique Fernandes Ribeiro – Lobista
35- Hebeth Macedo Ferreira – Lobista
36- Paulo Renato Pereira Pires – Lobista
37- Zenilton Virinal Ferreira – Lobista
38- João Batista Magalhães – Lobista.
A turma pró-Monteiro
Alcides – Diretor do Sinproessema, DM de Chapadinha
Ana Maria Araújo Castro-Secretária de Formação Política do SINDSEP
Angela Maria Sousa-Presidenta do SINDSEP
Antônio Erismar, Vice-Prefeito de Açailândia
Bernardo Sousa – Presidente DM de BrejoCarlos André Costa – DM de Araioses
César Soares – Secretário de Finanças do DM de Pinheiro
César Carneiro, Dirigente estadual do PT, DM de Pedreiras
Cecília Aparecida Amim Castro – Dirigente estadual do PT, DM de São LuísCleinaldo Castro Lopes – Presidente do SINTSEP-MA
Edmilson Carneiro-Secretário de Relações Institucionais do PT-MA, DM de Vargem Grande
Evandro Sousa, Dirigente Estadual, DM de Presidente Dutra
Felipe Sodré – Presidente do DM de Pinheiro
Fernando Magalhães- Secretário Geral do PT-MA, DM de São Luís
Fernando Pereira-Secretário de Finanças do STIU-MA e Dirigente da FNU
Fernando Silva, Presidente do PT de São Luís
Fransuila das Chagas, Vereadora do PT em Balsas
Henrique Sousa, Dirigente do DM de São Luís
Jarliene Mendes, Dirigente estadual do PT, DM de Cândido Mendes
João da Eletrônica, Dirigente estadual do PT, DM de Pedreiras
João Silva, Dirigente Estadual do PT, DM de Balsas
Joãozinho Rios, DM de Caxias
José do Carmo – Presidente do STIU-MA
José Inácio Rodrigues – Secretário de Desenvolvimento Agrário do PT, DM de BequimãoJosélia Maria de Alencar Nogueira-Vice-Presidenta do SINTSEP
Nonato Chocolate – Executiva Estadual
Jucelina Ramos Vale-Diretora Executiva do SINTSEP e da CUT
Mariana Nascimento – Dirigente estadual do PT, DM de São Bernardo
Gilvan Alves – Ex-vereador, DM de São Bernardo
Maria da Graça, Presidenta do DM de Balsas
Luciene Chaves Mendonça Martins-Secretária Geral da CUT
Juvenal Neres – Dirigente Municipal do PT, Secretário-Adjunto de Assistência Social de Chapadinha
Maria Coelho – Dirigente Estadual do PR, Diretora do Sinproessema, DM de Chapadinha
Francisco das Chagas Costa – Presidente DM de Araioses
Jomafre Araújo Braga – Sindicato dos Servidores Públicos, DM de Araioses
José de Anchieta Sobrinho – DM de Araioses
José Carlos Viana Silva – Secretário-Adjunto de Cultura de Brejo, DM de Brejo
Mundico Teixeira, Secretário de Finanças do PT-MA, DM de Caxias
Masinho, Dirigente Estadual do PT-MA, DM de Santa Inês
Ney Jeferson – Presidente do DM de Caxias
Nivaldo Araújo – Presidente da CUT-MA
Normando Araújo dos Santos-Secretário Jurídico do SINDSEP
Paulo Romão – Dirigente Estadual do PT, DM de São Luís
José Ribamar Lima – Presidente do DM de Chapadinha, Secretário Municipal de Trabalho
Luiz Eduardo Braga – Secretário de Assistência Social de Chapadinha
Professor Abel, Dirigente municipal, DM de Sítio Novo
Raimundo Pereira de Souza – Vice-Presidente da CUT
Robert Lobato – Dirigente Estadual, DM de São Luís
Roberto França – Presidente do DM de São João dos Patos
Rodrigo Comerciário, Dirigente Estadual do PT, DM de São Luís
Rogério do PT, Dirigente Municipal, DM de Pedreiras
Socorro Lago, Secretária de Movimentos Sociais e Populares do PT-MA, DM de São Luís
Valter César Dias Figueiredo – Secretário Geral do SINDSEP
Vâner João Almeida – Secretário Geral do STIU-MA
Washington Luiz – Vice-governador
Zé Carlos- Deputado Estadual do PT-MA
Joab Jeremias Pereira de Castro-Secretário de Comunicação do PT-MA
Francimar Melo – Presidente do DM de Dom Pedro
Paulo Andrade – Presidente do DM de Cajapio

sábado, 26 de fevereiro de 2011

(menos dois): Wagner Baldez desfilia-se do PT

Wagner Baldez: 82 anos na luta!
Wagner Baldez: eis um militante social de História, com "H" maiúsculo. Ele é a memória viva das lutas sociais maranhense.

Acompanhou a Greve de 1951. Opinou nas Oposições Coligadas, antecipando em 50 anos o que aconteceria ao se retirar a candidatura de Neiva Moreira para apoiar a candidatura de José Sarney a governador: "Estávamos criando um novo coronel!", lembra dos debates na oposição a Vitorino Freire, nas eleições de 1965.

Resistiu aos tempos da Ditadura Militar (1964-1985), apoiou a Greve de 1979 pela meia-passagem.

 Aluno de Maria Aragão, como costuma se gabar, acompanhou a médica comunista em sua militância pela anistia, pela redemocratização, na Campanha das Diretas Já. Participou do comitê de Defesa da Ilha contrário à implantação da Alcooa em São Luís. Foi militante de primeira hora do movimento Oposição pra Valer (com Haroldo Saboia, Ananias Neto e Aldionor Salgado), que resistia à entrega do MDB a oligarquia Sarney no Maranhão.

Baldez foi às ruas também por Lula em 89 e pelo Fora Collor em 1992. Defendeu a unidade das oposições em torno de Jackson Lago, em 2006, e foi aliado fiel do movimento de resistência da "Balaiada" contra o golpe de judiciário que retirou Jackson Lago do Palácio dos Leões. 

Participou na linha de frente das passeatas da juventude pelo Fora Sarney, quando dos escândalos do Senado Federal.

Nunca engoliu a aliança Lula-Sarney. Por isso, afastou-se de Helena Barros Heluy e Washington Luis - Baldez militava no setor dos aposentados do Sindicato dos Servidores Federais (Sindsep), presidido por Washington - quando eles aderiram à oligarquia. Uma pena ver Helena aliada ao Sarney, lamentava nas plenárias petistas.

Nas últimas eleições internas votou com o campo antissarney no PT. Torceu por Flávio Dino no Encontro Estadual (não era delegado) e participou de sua campanha. Revolta-se com o veto imposto a Dino na composição do governo federal de Dilma, a quem já não votou no segundo turno - anulou o voto.

Também deixa o Partido dos Trabalhadores, saindo junto com  o editor deste blogue. 

Para Wagner Baldez, a luta antioligarquia continua, agora fora do PT maranhense!

Artigo - João de Deus: Egito, Brasil, Maranhão

Não se cansem, não se cansem.
A liberdade ainda não foi alcançada


Os primeiros ventos revolucionários do século XXI sopram do mundo árabe e causam tensão no resto do planeta. Milhões de pessoas vão às ruas e no curto prazo de cerca de 30 dias, na Tunísia e Egito, derrubam ditaduras, governos títeres dos EUA e Israel. Não há dúvidas, é de uma revolução que se trata. Revolução política bem entendido, ou seja, fortes abalos capazes de botar abaixo um tirano, reconfigurar as regras do jogo a partir de baixo e criar uma abertura democrática de participação mais ampla das massas no poder, com sérias repercussões sociais, econômicas e geopolíticas.

Não se trata de uma revolução social. Social em sentido forte, como usado em Lukács na expressão “ontologia do ser social”, que abrange o econômico, o político e o cultural. Não se trata daquele terremoto demolidor do sistema de relações sociais de produção que faz ruir todo o aparato superestrutural – político, jurídico e ideológico –, substituindo-o por um novo modo de produção da existência material de uma sociedade. Pelo menos por enquanto. O povo continua ocupando as ruas, num processo que se amplia a cada dia: Tunísia, Egito, Argélia, Iêmen, Bahrein, Marrocos, Líbia... “Não se cansem, não se cansem. A liberdade ainda não foi alcançada”, é o que grita um militante com um megafone, no meio da praça Tahrir (Liberdade), no centro do Cairo.

Tudo isso após um giro à esquerda que já dura mais de uma década na América Latina, onde governos de esquerda ou centro-esquerda conseguem propiciar mobilidade social dos mais pobres e mais independência frente aos governos dos países centrais.

Os países do centro do capitalismo já sentem a ferrugem lhes roer. A grande crise de 2008/2009 impactou com mais intensidade esse grupo. E, como saída, os governos optaram mais uma vez por preservar o grande capital, os causadores da crise, principalmente o financeiro, em prejuízo do mundo do trabalho e dos serviços públicos. E justamente por essa razão, uma nova crise se aproxima, é só uma questão de tempo. E, como sempre, esse processo não se faz sem atritos. Assim, ao mesmo tempo que a extrema direita recrudesce na Europa, vemos também o crescimento do ativismo social. Greve geral em novembro de 2010, depois de 20 anos sem mobilizações desta envergadura, em Portugal, para resistir à “flexibilização” de leis trabalhistas; forte onda de mobilizações ganha corpo na Inglaterra para impedir cortes nos gastos públicos; sem falar nas jornadas de lutas na Grécia e, mais recentemente, na Itália, pela derrubada de Berlusconi, e até nos Estados Unidos, no estado de Wisconsin, onde estudantes saíram às ruas contra o corte de direitos trabalhistas do funcionalismo público. São fenômenos em íntima conexão.

A grande questão: o que o centro do capitalismo fará para seguir valorizando o capital impunemente, sem a submissão da periferia? Uma possível resposta: intensificará a sangria da sua própria população. Mas: tais contingentes humanos aceitarão calados ao desmoronamento do que resta do estado de bem-estar social levantado em décadas desde o pós-Segunda Guerra? As classes dominantes dos países ricos parecem cair numa espécie, ainda que incipiente, de isolamento, por mais paradoxal que possa parecer, com a exposição das contradições internas daquelas sociedades, viciadas por sua vez em doses sempre crescentes de mais-valia arrancadas da periferia.

O Brasil, país que assistiu nos últimos 8 anos de governo Lula a uma significativa mobilidade social das classes trabalhadoras, vê agora, neste início de governo Dilma, a retomada de medidas de austeridade fiscal que se supunham superadas. Tais são os pontos mais importantes da conjuntura nacional: o aumento de 0,50% na taxa básica de juros; o anúncio de corte (50 bilhões de reais) do orçamento da União; e a imposição pelo governo de um aumento moderado do salário mínimo, para R$545, quase sem ganho real, conseguida com ampla maioria na Câmara. Tudo isso em apenas 50 dias. As centrais sindicais mal tiveram tempo de ensaiar uma reação mais contundente. São medidas claramente vinculadas à agenda conservadora derrotada em outubro de 2010, freando (em vez de aprofundar) o processo de mudanças e ascensão dos de baixo, visando proteger os de cima da grande crise que ronda. A grande mídia, embora também surpreendida, aplaudiu a “vitória do governo”, mesmo em prejuízo de sua expressão política mais legítima, a oposição demo-tucana em frangalhos, revelador do compromisso mais profundo, de classe, dessa mídia com o andar de cima.

Ainda é cedo para definir o que será o governo Dilma, que, apesar dos primeiros movimentos, promete preservar os programas sociais, a educação, a saúde e o PAC, não ficando claro onde exatamente essa quantia fabulosa de 50 bilhões vai incidir. Corte, por isso mesmo, quase impossível de realizar plenamente sem causar paralisia dos serviços públicos. Mas nem por isso devem as classes trabalhadoras esperar (nem muito menos pagar) pra ver. A hora é de levantar as bandeiras e ganhar as ruas, pressionando pela esquerda um governo de coalizão que sinaliza perigosamente para as classes abastadas e o mercado, colocando em risco o legado conquistado nos últimos 8 anos, abrindo caminho para um realinhamento do Brasil com aquele grupo de países que ora caminha para o isolamento e para o fosso de uma nova crise financeira.

E falando em isolamento e crise, tratemos do Maranhão. Esta ilha de miséria cercada de ascensão econômica e social por todos os lados. Afinal, como se explica o fato de um estado cuja natureza exuberante – com tão diversificadas paisagens (o agreste ao leste, chapadas e cachoeiras ao sul, a Amazônia Legal a oeste, dois tipos litorâneos ao norte, um de manguezais e outro com os Lençóis Maranhenses, e uma mata de cocais no meio) e portanto enorme potencial turístico – e cujo grupo político dominante foi aliado de todos os governos centrais até aqui, não consegue alavancar-se econômica e socialmente, isso num contexto em que o nordeste cresce mais que o resto do país?

Em recente discurso na Assembleia Legislativa do MA, o deputado Bira do Pindaré/PT ressaltou com muita propriedade os contrastes que marcam essa realidade: 55,9% da população vivendo na pobreza absoluta (com menos de R$ 272 por mês), sem acesso a serviços básicos de saúde, educação, esgotamento e água potável; a 2ª pior taxa de mortalidade infantil do país; “620 mil pessoas acima de 15 anos não sabem ler, nem escrever”; 26ª colocação no ENEM de 2009; 2ª pior expectativa de vida; 1º em exportação de trabalho escravo, de vítimas do latifúndio que ainda impera numa terra de coronéis; sistema de segurança pública calamitoso etc. Tudo isso ante “300 mil Km² de terras férteis, 13 bacias hidrográficas” e uma posição estrategicamente invejável no globo, com um porto cujas águas são as mais profundas do Brasil, localizado na ilha de São Luís, a curta distância de países da América, Europa e África.

Politicamente, a oligarquia que governa o estado há mais de 40 anos praticamente ininterruptos, comandada por José Sarney, senador pelo AP e novamente presidente do Senado, conseguiu isolar o Maranhão até mesmo dos avanços democráticos duramente conquistados Brasil afora nos últimos 30 anos. Um governador eleito uma única vez pelas oposições foi deposto e o último pleito, de outubro de 2010, foi marcado por fortíssimos indícios de fraude sistemática.

Guardadas sempre as devidas proporções, o local e o global se vinculam desigual e combinadamente em meio a um capitalismo em crise e um mundo convulsionado. Egito e Maranhão se assemelham em dois pontos significativos impressionantes: catástrofe social e governo autoritário e violento, com aparência de estado de direito, eleições fraudadas e parlamento monopolizado. Uma combinação explosiva que produz, lá, a vanguarda da luta social, e cá, a vanguarda do atraso. Isso talvez se explique pela inserção do estado num país e numa região em que, além de abertura democrática, a energia da luta social é canalizada em grande medida para o momento político-eleitoral. Junte-se a isto a expectativa (elemento subjetivo) que o trabalhador pobre do Maranhão guarda no crescimento e mobilidade social de que vem gozando o resto do Brasil, principalmente o sofrido nordeste, e veremos, ao menos tendencialmente, não fortes solavancos revolucionários, mas pequenos abalos que vão minando a estrutura de poder dominante. A oligarquia carcomida vai desmoronando, e tanto mais rápido será seu fim quanto mais profundamente os partidos de esquerda, os movimentos sociais e o povo sentirem (elemento subjetivo) que a aliança de Sarney com o governo federal, ao contrário de funcionar como catalisador de desenvolvimento, constitui-se na verdade em barreira quase intransponível para a entrada até mesmo dos programas sociais criados por Lula e Dilma e minuciosamente instrumentalizados pela política dos coronéis, chegando sempre a conta-gotas às mãos do povo, e ainda sendo alardeados como realizações locais em períodos eleitorais.

O que fará a coligação de direita que sempre governou o estado – PMDB, DEM etc., agora com a participação pífia e cada vez mais restrita do setor do PT ligado ao vice-governador Washington Oliveira – frente às recentes medidas do governo federal, principalmente o citado corte de 50 bi, que afeta justamente aquilo que sempre garantiu a sobrevivência de velhas oligarquias, ou seja, o orçamento público? Ao que tudo indica, “o melhor governo da minha vida” de Roseana Sarney será o pior da vida do povo. E o compromisso da presidenta de erradicar a pobreza do país encontrará um poderoso obstáculo no Maranhão.

O germe da contradição já vem produzindo resultados importantes. A vitória de Roseana no 1º turno (a poucos milímetros do 2º turno) se deu graças a elementos como: o apoio de Lula, Dilma e um setor do próprio PT/MA que capitulou; abuso ostensivo do poder econômico (como sempre); e enfrentamento predominantemente moderado da oposição de esquerda. Contudo, a oposição tradicional representada pelo PDT de Jackson, que contou com a participação de setores oligarquizados (basicamente o PSDB de João Castelo), e que por curto período foi testada no governo do estado, foi substituída por um campo mais à esquerda – PCdoB, PSB, PPS e setores do PT que resistiram ao duro golpe da direção nacional do partido em favor de Sarney, na forma de uma intervenção – liderado por Flávio Dino. Um claro sinal de que o povo busca alternativa.

Assim, o 3º mandato de Roseana, que ela promete ser “o melhor governo de minha vida” (grifo nosso) e que é continuidade de 2 anos arrancados de Jackson, já começa em crise e paralisia: rebeliões nos cárceres, com um saldo de 94 mortos desde 2007, sendo 24 (7 decapitados) só nas duas últimas – uma em novembro do ano passado (na penitenciária de Pedrinhas) e outra há pouco mais de uma semana (em Pinheiro); a queda de Anselmo Raposo da SEEDUC, indicado de Washington; o apagão na UEMA/campus de Imperatriz, por falta de pagamento da conta de luz; e agora os escândalos na FAPEMA (Fundação de Amparo à Pesquisa/MA), envolvendo, dentre muitos outros, sarnopetistas também ligados ao vice-governador!! São fatos que não deixam dúvidas quanto à situação crítica em que se encontra mergulhado este governo.

Do outro lado, os petistas antioligarquia, reunindo quase todas as correntes do partido no MA, bem como lideranças importantes como Sílvio Bembem, Chico Gonçalves, o ex-prefeito de Imperatriz Jomar Fernandes, o dep. federal reeleito Domingos Dutra e o dep. estadual em primeiro mandato Bira do Pindaré, fundam neste início de fevereiro em ato público o campo Resistência Petista, que pretende ser um enclave contra o conservadorismo sarneysta.

Cabe por fim, tentar dar respostas, mesmo que em grandes linhas, à pergunta perene suscitada por Lenin: que fazer? E aqui, ao menos a linha mestra de atuação surge com clareza. Só a luta social e a ação diligente da esquerda podem botar um fim ao reinado da oligarquia Sarney no Maranhão e livrar também o Brasil desta praga. É preciso acumular mais força, o que só é possível com polarização política e na sociedade, sem trégua. Não há conciliação possível entre democracia e regime oligárquico. O povo mais empobrecido e os sujeitos atuantes não querem mais saber do meramente diferente, o que já foi testado com Jackson. Já deram sinais de que preferem, isto sim, o diametralmente oposto, oposição antagônica. Foi o que ficou claro, por exemplo, na reta final da campanha de 2010, quando Flávio Dino, com atraso, abandonou o discurso do bom-mocismo, mostrando que sua candidatura era, não diferente, mas o contrário do que aí está. Cresceu vigorosamente, ultrapassou Jackson e chegou à beira do segundo turno. É quase impossível demover o aparato sarneysta, que envolve os principais meios de comunicação de propriedade familiar, sem mobilização de sujeitos sociais, o que por sua vez só se faz com polarização política. O discurso (e ação) conciliatório, nesta realidade, só produz descrédito e desconfiança no seio do povo e dos movimentos, e coloca em risco tudo o que se conseguiu até aqui. 2012 vem aí e o movimento contraditório da realidade sempre nos brinda com surpresas.

(*) João de Deus Castro é Maranhense, servidor público do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF/SP)