domingo, 31 de dezembro de 2017
quinta-feira, 4 de maio de 2017
terça-feira, 2 de maio de 2017
Deputados de classe... Organização empresarial homenageia deputados à favor da terceirização
PELA TERCEIRIZAÇÃO
Dos deputados ligados ao grupo Sarney: Aluisio Mendes, Cleber Verde, Hildo Rocha, João Marcelo, Júnior Marreca, Juscelino Filho e Victor Mendes
Dos deputados com Flávio Dino: José Reinaldo Tavares e Pedro Fernandes.
sábado, 29 de abril de 2017
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Artigo Haroldo Saboia - (Cena da política maranhense) BRIGA DE GENTE GRANDE
Por Haroldo Saboia - via Facebook
O episódio de Bacabal - em que o ministro
Gilmar Mendes concede liminar assegurando a posse do ruralista José Vieira -,
além de ilustrar intrincadas relações de poder, revela o governador Flávio Dino
absolutamente à vontade no exercício de velhas práticas políticas.
Já não se trata do jovem egresso da
política estudantil de esquerda com uma década de experiência na magistratura.
Nem tampouco do novo e repentino amigo e
aliado do governador José Reinaldo (ainda nos Leões, em ruptura com os Sarneys)
que o elege deputado federal, em 2006, e governador, em 2014, ao comandar uma
poderosa articulação de forças locais em dissidência com a velha oligarquia.
Não! Não! Nem mais uma sombra de qualquer
romantismo de esquerda! Nada! A imagem com que Flávio se apresenta, hoje, aos
maranhenses é de um político inteligente, astuto e ambicioso, cada vez mais
ávido de poder e fama, mesmo que às custas de fatias crescentes do orçamento
público da Comunicação.
O episódio de Bacabal é emblemático pela
frieza com que é apunhalado um adversário até então dócil e cordial.
É briga de gente grande que lembra
disputas florentinas ora refinadas, ora de inusitadas atrocidades!
Envolve diretamente o Senador João Alberto
e o governador Flávio Dino.
Reza a lenda que sua origem está nas
relações do grupo do Senador do PMDB com o Palácio dos Leões.
João Alberto, governista empedernido,
desde o início do governo Dino buscou estabelecer laços franciscanos e pontes
fisiológicas com os novos palacianos. Cedo constituiu o PMDB chapa branca
liderado na Assembleia pelo Deputado Roberto Costa – votando sempre ou quase
sempre as propostas governistas.
Na Assembleia, a oposição ao governo
Flavio Dino, em consequência, ficou restrita ao PMDB autenticamente
oligárquico, integrado por deputados familiares: Andrea Murad, Adriano Sarney,
Edilásio Filho e Sousa Neto.
A pedido do governador, João Alberto teria
levado o PMDB de São Luís a não apoiar qualquer candidatura “competitiva” à
prefeitura, para não ceder, portanto, seu precioso tempo de TV. O PMDB chapa
branca do senador optou por lançar na Capital candidatura própria.
Em Bacabal, em contrapartida, seu
candidato, Roberto Costa, navegou em céu de brigadeiro. Mesmo sem a maioria dos
votos, Costa foi proclamado eleito, pois José Vieira, vitorioso nas urnas,
concorrera sub judice já que sua candidatura houvera sido indeferida pela Lei
de Ficha Limpa.
Eis que, de repente, uma liminar assinada
pelo reconhecidamente insuspeito ministro Gilmar Mendes se abate sobre o pupilo
do senador.
A decisão que impede Roberto Costa de
tomar posse teria sido recebida por João Alberto como um brutal contragolpe, um
verdadeiro rompimento de um pacto, como uma traição a um acordo firmado desde o
início do governo dinista.
É que o Brasil todo conhece as excelentes
relações do ultraliberal e conservador Gilmar Mendes com o presumível comunista
Flávio Dino, do PC do B.
Dino ainda juiz, após ter assessorado
Nelson Jobim no STF, aproximou-se e tornou-se amigo de Gilmar Mendes.
Eleito deputado federal em 2006, e
derrotado ao pleitear o governo do Estado, em 2010, Flavio, sem mandato, no
início de 2011, aceitou convite de Gilmar Mendes para dirigir o seu Instituto
de Direito Público (IDP) - em Brasília.
E lá permaneceu até que o PCdoB
viabilizasse junto a presidente Dilma Rousseff sua ida para a presidência da
EMBRATUR.
Governador, Flávio Dino não esqueceu nem o
Instituto de Direito Público nem o seu amigo ministro Gilmar Mendes.
Já no primeiro ano de sua gestão, contratou
o Instituto de Direito Público (IDP), através da Escola de Governo do Maranhão,
para ministrar o curso “Aperfeiçoamento e Atualização nos Fundamentos e
Procedimentos da Administração”.
Do valor global do contrato, já foram
pagos 1.446.966,40 reais (entre abril e setembro de 2016) do total de
4.793.932,00 reais empenhados desde 2015.
QUASE 5 MILHÕES DE REAIS
DO ORÇAMENTO DE UM ESTADO POBRE por um curso de 102 horas-aula “que utiliza
metodologia online na modalidade Ensino a Distância (EaD)”: dividido em três
módulos com a previsão de serem abertos “por seminários presenciais com renomados
profissionais” (site da Escola de Governo do Maranhão,EGMA,01/03/2016 ).
Diante desse cenário, uma pergunta circula
nos três poderes maranhenses e na Justiça Eleitoral: como será o próximo round
desta contenda João Alberto X Flávio Dino, dessa “briga de gente grande”?!
sábado, 31 de dezembro de 2016
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Artigo de Wagner Baldez: 50 anos... O SUFICIENTE PARA DEIXAR O MARANHÃO DE MULETAS!
Por Wagner Baldez (*)
Um dos momentos mais divertidos que experimentamos, nesses últimos tempos, aconteceu quando, em tom de blague, um amigo enviou-nos um exemplar do jornal O ESTADO DO MARANHÃO, contendo nesse um encarte cujas páginas e respectivos espaços foram reservados - só que de maneira apócrifa - para tecer exacerbada apologia a respeito da trajetória política do ex-senador JOSÉ DE RIBAMAR FERREIRA ARAÚJO COSTA, por cognome JOSÉ SARNEY.
As tais obras, acrescidas de incontáveis projetos enumerados na sua entrevista, se assemelham às pilhérias do Almanaque Capivarol, do que algo jamais acontecido, sobretudo quando afirma haver, como governador, executado em 4 anos o mais profundo programa educacional do Estado: UMA FACULDADE POR ANO; UM GINÁSIO POR MÊS; UMA ESCOLA POR DIA.
Foi nesse exato momento em que fomos acometidos de um surto de risos!
No desejo de prosseguir com a leitura, procuramos controlar tal situação, o que se tornou um tanto complicado; pois não é, para surpresa nossa, que a própria mentira se dispôs a fazer cócegas em nosso corpo, não só por considerar fantasiosa as afirmações contidas na fala do ex-parlamentar, como para ajudar-nos a sustentar as justificadas gargalhadas! A essas alturas tanto ríamos, como ela também.
Os recursos adaptados na entrevista iam além das mentiras, passando a ser uma patacoada, segundo o conceito emitido pela senhora mentira.
Mediante citado comportamento, inferimos que se dela dependesse, recusaria a prestar serviço de tal natureza. E logo para quem?!... Justamente para a pessoa que sempre procurou usá-la em ocasiões que requeresse, necessariamente, a sua ajuda.
Após alguns minutos em que assumira dita tarefa, a senhora mentira retornou ao seu lugar de origem para continuar representando o triste e solitário papel para a qual fora destinada.
O Brasil tem conhecimento da forma como mencionado personagem se revelou na politicagem.
Quatro foram as vertentes para conseguir suas execráveis conquistas: ambição pelo poder e glória (sofre de doxomania); traição; conveniência e cabotinismo; afora outros defeitos possíveis e impossíveis!
Para ele, toda atividade condenável adquire aparência de normalidade. O que interessa não são os meios, mas os fins.
Igualmente consta ter o mesmo a fama de experiente convolador.
Quanto à afirmação de haver sido a geração de jovens poetas os principais elementos a mudar as péssimas condições em que se encontrava o estado, não passa de um despautério ou embuste.
Apenas quatro foram os poetas a participar da luta contra o referido modelo vigente: José Nascimento Morais – aliás, o mais autêntico e combativo; Bandeira Tribuzi, até então comunista; Carlos Cunha e Nauro Machado. O restante, inclusive uma parcela expressiva de intelectuais, vivia pendurado na frauda do senador Vitorino Freire; posição esta assumida para garantir-lhes, exclusivamente, seus interesses pessoais, seguindo o exemplo do jovem Sarney, ao tempo, Deputado Federal.
O entrevistado sequer, por um dever moral, cívico e partidário, faz alusão aos que realmente foram os principais atores desse movimento histórico: La Rocque, Millet, Neiva Moreira e demais próceres!
Também omitiu a decidida contribuição prestada pelos deputados La Rocque e Millet, ao conseguirem que o TSE retirasse das folhas de votação mais de 200 mil votos fraudados, o que concorreu para a vitória do candidato, acidentalmente, apresentado pelas Oposições.
Se dependesse, como ele próprio assegura, da geração de poetas, intelectuais, inclusive reforçado pelas suas palavras messiânicas, jamais em tempo algum seria eleito, já que era estigmatizado por ser egresso do Vitorinismo-Newtismo! Essa é a verdade incontestável!
Portanto, bem diferente das suas intervenções quando entrevistado, cujo texto não passa de enxertos verbais ou retórica de fumaça!
Ele, Sarney, simula desconhecer que há mais de 20 anos vinha o grupo Oposicionista lutando obstinadamente contra o Vitorinismo, a fim de libertar o povo maranhense. Enquanto isso acontecia, Sarney comodamente permanecia aboletado nas poltronas do Palácio dos Leões se aproveitando das benesses que lhe eram proporcionadas.
Perguntem, os leitores, qual a posição por ele assumida na greve de 1951: se do lado do movimento oposicionista, rebelde e paredista ou ao lado de Eugênio de Barros, candidato do senador Vitorino Freire e do governador Newton Belo? E se, também, não fora ele recompensado, inclusive, a história registra, com a nomeação do seu irmão Evandro para a Chefia de Gabinete desse mesmo governo?!
Tampouco trata haver sido Presidente do Partido do militares, e depois de alguns anos de serviços prestados a essas instituições gregárias, passou a ocupar o Palácio do Planalto, oportunidade em que, com sua habitual empáfia e sem o mínimo escrúpulo, se proclamou PALADINO DA DEMOCRACIA!!!
Sobre mencionada particularidade, ele, de forma temerosa, se recusa a tratar do referido assunto, a fim de que não chegue ao conhecimento da NOVA GERAÇÃO...
Outro detalhe que merece destaque: para o entrevistado prestar de forma cabotina suas desastrosas afirmações a respeito das obras executadas pelo seu governo, é desconhecer ou destratar, propositadamente, as realizações concretizadas pelos doutores Paulo Ramos e Jackson Lago quando ocuparam, para orgulho das pessoas de bom senso, a chefia do Executivo maranhense.
De todas as pregações que recolhemos da entrevista, a cena considerada tragicômica, foi sem dúvida a parte dedicada ao reconhecimento da vida pública do mencionado personagem, já que nenhum dos expoentes máximo da política nacional ou mesmo estadual se manifestou para os encômios de praxe: talvez receosos de comprometerem suas imagens perante o público... Ficando essa difícil e ridícula missão ao deputado SARNEY FILHO e ao neto ADRIANO SARNEY; depoimentos que não passam de acintoso vitupério!
Temos renovado em nossos artigos a máxima de nossa autoria: PASSADO COMPROMETEDOR, FUTURO DUVIDOSO!...
“A glória só é um bem quando alguém é digno dela”. Não é o caso do senhor José Sarney!!
(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Direção Estadual do PSOL/MA
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Feliz Ano Novo, de lutas velhas e também novas!

Que em 2016 saibamos ver bem PALAVRAS e ALMAS que
nos cercam.
Que continuemos o piscar da vida (e ainda bem
distante da hipótese!)
Que a gente não dance na luta por nossos SONHOS.
Feliz Ano Novo, de lutas velhas e também novas, aos amigos e amigas do Ecos das Lutas!

domingo, 29 de novembro de 2015
Adeus, Nauro...

Há tempos não
controlo a temática desta coluna. A realidade se impõe velozmente e pauta
minhas modestas reflexões e ideias por aqui traçadas.
Por exemplo, há
bom tempo planejava escrever sobre a manipulação que têm se tornado as
audiências em torno da reforma do Plano Diretor da cidade, assim como sobre a
“pílula do câncer”, a fosfoetanolamina. Mas, então, veio a surpreendente
eleição do advogado Thiago Diaz para a presidência da OAB.
Mais do que
análise da dinâmica da política que impunha uma inesperada derrota ao atual grupo
majoritário na Ordem, iria elaborar como a disputa da OAB trava-se cada vez
mais entre grandes escritórios e, mais ainda, como está em curso uma
transformação no conjunto dessa categoria. Há uma “massa” de advogados que
cresce fora da influência da universidade pública, que se forma nas diversas
faculdades privadas, que não têm mais as referências acadêmicas do campus do
Bacanga. Thiago Diaz será o primeiro advogado a presidir a OAB formado pelo Ceuma,
e não pela UFMA... mas a repercussão do maior desastre ambiental da história do
país, o rompimento das barragens de Mariana, mantinha-se fortemente na
conjuntura.
Pensei em
continuar esse tema, ante a inacreditável informação trazida a público pelo juiz
Frederico Gonçalves, de Mariana, de que a Samarco (Vale/BHP Bilinton), para não
pagar 300 milhões de reais a que fora inicialmente condenada, resolveu “sumir
com o dinheiro de suas contas, embora tivesse em seu caixa mais de dois bilhões
de reais”... Mas veio o repugnante estupro e assassinato da menina Maíse
Moreno, em Urbano Santos, que nos trouxe o choque de realidade de como a
barbárie vem se tornando rotina e a violência se alastrando em nosso estado
desordenadamente. Novamente, voltava minha atenção para um tema quando, de
repente, a realiza trazia outro: a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT),
na mais recente etapa da Operação Lava Jato.
Objetivava
tratar desse novo assunto pelo viés mais ocultado no debate político: de que a
prisão do também banqueiro André Esteves trazia a público uma movimentação
política que o tornava uma espécie de fiador financeiro da política
tucano-petista. Pasmem: o dono do banco BTG Pontual doou seis milhões e meio de
reais à campanha de Dilma, e outros cinco milhões à campanha de Aécio Neves; e
mais: era ele quem bancava os jatinhos das viagens de Lula e de Aécio para as
palestras deles no exterior. Contudo, mais retumbante ainda, a realidade nos
colocaria diante da histórica sessão do Senado que decidiria, em voto aberto,
pela manutenção da prisão do senador petista.
Para além do
debate técnico-jurídico, já partia para escrever sobre como o voto contrário à
manutenção da prisão de Delcídio, dado pelo senador Roberto Rocha, igualava o
condomínio da mudança gerido por Flávio Dino ao comportamento político dos
senadores da oligarquia decadente, João Alberto e Edison Lobão. Dino catapultou
Rocha ao Senado prometendo ao eleitor que os maranhenses teriam um senador para
votar pelo povo, e não pelos interesses das velhas práticas políticas... Já
iniciava por aí minhas reflexões quando, ela de novo, a dinâmica realidade, nos
trazia a notícia da ida de Fernando Sarney a cargo na FIFA. Inacreditável
futebol clube! Seria cômico não fosse trágico!
Tal como no
vídeo viralizado nas redes sociais do “acabou, Jéssica?”, já dava por concluída
a pancadaria da realidade sobre meus sentidos e partia para o artigo sobre
“nosso futebol e seus cartolas”, quando a realidade, mais uma vez, se impunha
trazendo a mais triste e dura das notícias: Nauro Machado morreu... Mas como?
Há menos de uma
semana, tomávamos um café feito à moda italiana, que ele apreciava, e cujos
segredos de seu preparado me ensinava minha eterna professora Arlete Nogueira
da Cruz, a quem admiro desde meus tempos de calouro no curso de Comunicação da
UFMA, quando por ela fui apresentado às ideias de Walter Benjamin. E
comemorávamos a boa notícia da volta de Nauro Machado dos exames de rotina de
acompanhamento do câncer que ele vencera, e que estava perfeitamente superado.
Dizia a ele que,
passado um momento pessoal de sufoco de elaboração de tese de doutoramento, eu
pessoalmente procuraria o Félix Alberto, a quem conheço também desde os tempos
do jornalismo da UFMA, para organizar uma reunião nossa com poetas e amigos da
nova geração maranhense das letras, a fim de conversarmos sobre a poesia, a
literatura do Maranhão, que, lamentávamos, estava cada vez mais escassa na leitura
aligeirada de nossa juventude, induzida tão somente ao formato ENEM, que conduz
ao esquecimento nossos autores e poetas maranhenses... mas a realidade, ela
sempre, veio sem nos dar qualquer tempo.
Fosse um
discurso oral, nada falaria, pediria um minuto de silêncio.
Pensei até em
deixar esta coluna apenas com um título e toda em branco, para demonstrar que
não tinha palavras para expressar a magnitude de Nauro Machado. Mas não sou
poeta, não tenho habilidades para essa arte.
Ah, dura
realidade!! Que encruzilhada! Deixou-me na difícil situação de não saber como
dizer “adeus, Nauro...”
domingo, 6 de setembro de 2015
100 DIAS DE GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS
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| Entre as duas campanhas, qualquer semelhança não é mera coincidência |
Franklin Douglas (*)
A greve nas universidades federais completou, nesta semana que passou, 100 dias de paralisação. Com poucos dias a menos que os técnicos-administrativos em educação, os professores também mantêm o movimento paredista. Na UFRJ, a greve chegou a ser decretada até por estudantes. A greve nas universidades federais evidencia dois fatos: o engodo do lema do governo federal PÁTRIA EDUCADORA; e, no plano local, o fim de uma alardeada capacidade gerencial do reitor Natalino Salgado.
No plano federal, a “presidenta” que ganhou a eleição, em outubro de 2014, não foi a que tomou posse, em janeiro de 2015. O programa trazido ao Planalto não foi o anunciado na campanha; o ministro da Economia, um gerente do capital financeiro, não foi o que se prometeu no pleito; o lema PÁTRIA EDUCADORA não passou de uma peça de marketing para ofuscar outro já inalcançado, PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA. Nem a pobreza acabou, nem a educação tornou-se uma prioridade da Pátria, com Dilma Rousseff.
Eis o motivo da crise nas universidades federais: o governo optou pelo pagamento dos juros da dívida; o governo preferiu aumentar a taxa de juros; o governou optou pelos ricos, em seu segundo mandato!
E na lógica dos ricos, educação de qualidade é para poucos dos seus. Aos demais, basta um curso profissionalizante no PRONATEC! Nada de pensar crítico, de formação cultural sólida. No Brasil, parece que ainda estamos nos tempos da formação do trabalhador à moda do apertar parafusos, como satirizou Charles Chaplin, em seu filme “Tempos Modernos”.
Se a crise no país é econômica e de gestão, na UFMA, a crise é, sobretudo, de gestão. A principal crise na UFMA é da reputação do reitor, de sua imagem como gestor público e seu legado naquela universidade.
Antes de trombetear em toda a mídia a crise da UFMA, Natalino, em 12 dias de campanha, para eleger sua sucessora à reitoria, não falava em crise. Ao contrário, vendia uma UFMA dos sonhos: prometia um Restaurante Universitário em dois andares; Centros de Estudos climatizados, a exemplo dos Centros de Ciências Sociais-CCSo e de Ciências Humanas-CCH (onde há turmas cujo calor das 14 horas, e os mosquitos à noite, torna sofrível qualquer aula); garantia a reforma dos campi do continente; estruturaria os cursos de Medicina, em Pinheiro, e o BCT, em São Luís... tudo conversa fiada! Passada a eleição, a coisa mudou da água para o vinho!
Qualquer semelhança entre a campanha de Lula para Dilma e de Natalino para Nair não é mera coincidência! Foram forjadas num plano fora da realidade.
Lulista até o último fio de cabelo (nos tempos bons do lulo-petismo!), embora com raízes no PSDB, o reitor Salgado não trastejou em cuspir no prato que comeu. Em coletiva com a imprensa, colocou toda a culpa da crise da UFMA na crise do governo federal. Muito fácil!
Expôs os cortes na receita orçamentária, mas não tornou público onde estão suas despesas e a quem deve. A crise da reitoria é a crise de demissão entre os terceirizados? Faltou dizer que boa parte deles é empregada sob o clientelismo, e não por concurso público... Faltou recurso para concluir as obras? Deixou de dizer que, só para o prédio de Odontologia, foi disponibilizado, já após a anunciada crise, um adicional de mais um milhão de reais para terminar um prédio para o qual já recebeu recurso suficiente para ter concluído... Não disse se cortou as verbas de viagens e diárias da administração da UFMA...
Como na fábula recontada por Jean de La Fontaine, “A Cigarra e a Formiga”, ao invés de se preparar para os “tempos difíceis do inverno”, a Cigarra da UFMA preferiu cantar a si própria na mídia local, nos “tempos fáceis do verão”.
Da situação calamitosa da UFMA, resta uma das duas opções ao quase ex-reitor: (1) ou faltou competência para prever a situação econômica de arrocho; (2) ou gastou mal o que não tinha. Em qualquer das hipóteses: foi-se a imagem de bom administrador! Eis a verdadeira crise temida por Salgado.
NEM A “AGENDA BRASIL” DE RENAN-LEVY, NEM A “AGENDA SALGADA” DE SAÍDA DA CRISE INTERESSAM PARA A VERDADEIRA DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA E DA UFMA.
Nesses 100 dias de greve, é para essa situação que técnicos e docentes têm buscado, a todo momento, chamar a atenção da sociedade. Anestesiados pelo marketing eleitoral e pela interdição do debate dentro e fora da UFMA, a comunidade não se apercebeu do que acontecia. Agora, sobressaltados com a realidade, só resta uma saída para que a greve não chegue a 200 dias de paralisação: ampliar o apoio à defesa da universidade pública e aos professores e técnicos, exigindo do governo federal proposta concreta ao movimento e do ainda reitor da UFMA que abra sua planilha de despesas à sociedade. NEGOCIAÇÃO SÉRIA E TRANSPARÊNCIA: LÁ E CÁ!
(*) Franklin Douglas - jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 06/09/2015, opinião.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
domingo, 9 de agosto de 2015
O FIM DO ENGODO
Franklin Douglas (*)
Não vivemos num
sistema parlamentarista. No Brasil, crises agudas econômicas, de popularidade ou
de governabilidade não se resolvem com um voto de desconfiança no Parlamento,
que resulta em convocação de novas eleições. Aqui, sobram três saídas: a exaustão do governo, o impeachment constitucional ou o golpismo.
Em 1964, as
forças conservadoras civis e militares optaram pelo golpe de Estado contra o
trabalhista João Goulart. No fim da década de 1980, quase todas as correntes
políticas esgotaram o governo Sarney até onde puderam. Em 1992, as forças
progressistas impuseram o impeachment ao corrupto Collor de Mello.
Em 2015, o
impasse na escolha de uma dessas três alternativas para dar cabo ao governo
Dilma não está nas ruas. Com 71% de rejeição, segundo a última pesquisa do
Instituto DataFolha, Dilma conseguiu reunir contra si os eleitores de seu
adversário no segundo turno de 2014 e boa parte de seus próprios eleitores, que
se sentem traídos pelas políticas que jurou que não faria, nem que a vaca
tossisse... Perdeu a confiança popular!
O impasse para solucionar o destino do fim
do governo Dilma está na elite política do País. Encontra-se nas incertezas que
pairam sob as duas principais forças políticas: o tucanato e o petismo.
O tucanato
paulista prefere o derretimento político do governo, pois só vê em si a
capacidade de dirigir o país, a partir do que sempre se considerou ser: São
Paulo, a locomotiva do país. Enfraquecer o governo agora para derrotá-lo em
2016 e 2018. O tucanato mineiro aposta no impeachment já, pois crê que o caminho natural dos rios
da insatisfação popular será o mar aecista. Não há 2018 para Aécio Neves frente
à unidade de Alckmin-Serra-FHC por um candidato paulista do PSDB à Presidência
da República.
No petismo, a
dúvida não é o que fazer com José Dirceu, mas o que fazer com Lula. O primeiro,
agora transformado em guerrilheiro da propina, o PT já entregou aos leões da
Lava Jato; já com Lula, a dúvida é: colocá-lo em campanha desde já, assumindo a
Casa Civil ou qualquer outro ministério no governo federal, para tornar-se
articulador político de fato do governo, e também ganhar foro privilegiado para
protegê-lo das denúncias do Petrolão; ou preservá-lo para o embate eleitoral
mais à frente...
Observe, cara leitora,
caro leitor, em qualquer das hipóteses, acabou a autoridade de Dilma como
presidente! Seu único lastro são as forças econômicas que, para lhe manter o
apoio, exigirão cada vez mais e mais o ajuste sob a única neoliberal do
mercado. E, quanto mais ajuste neoliberal, mais crise econômica, e mais crise
política, e mais crise de governabilidade, e... esgotamento de seu governo ou impeachment ou golpe.
Marx em seu “O
18 Brumário de Luis Bonaparte (1852)” ou Gramsci em seus “Cadernos do Cárcere
(1926-1937)” já demostraram que, nos momentos em que as forças antagônicas são
incapazes de expressar a vontade coletiva que emerge na sociedade, forças
marginais ou forças auxiliares a essas principais podem tornar-se efetivas em
razão da debilidade construtiva das forças fundamentais.
Eis por onde podem
entrar em cena o PMDB de Renan, Cunha, Temer, Sarney... ou movimentos do tipo
Brasil Livre, NasRuas, etc... Ou as mobilizações convocadas por movimentos
sociais como MST, sindicatos e suas centrais sindicais, etc.
A resultante
desse embate real pode ser reacionária ou progressista: o processo está em
aberto. E pode, até, resultar em golpe, não exatamente com baionetas e tanques
de guerra nas ruas, não necessariamente inconstitucional: lembremo-nos de um
passado recente no Maranhão, o golpe judiciário no mandato do governador
Jackson Lago. Foi feito por dentro do ordenamento jurídico. De artimanhas políticas,
o Maranhão é cheio de exemplos!
O petismo está
tão perdido nesse cenário, que o início de um esboço de reação, de fazer a
Dilma percorrer o país inaugurando obras, começa por uma vinda dela ao
Maranhão! Chegará num estado onde as ideias parecem estar fora do lugar.
Aqui, o
governador comunista, que tem como vice um tucano, lhe promete defesa de um
mandato presidencial para o qual não fez campanha no segundo turno de 2014...
Aqui, um
ex-tucano, que chama a esquerda socialista de maluca, ocupa o partido...
socialista! E é um dos mais próximos à turma que quer apear a “socialista”
Dilma do poder...
Aqui, o dono do
PDT é o mesmo que falava nos quatro cantos do Maranhão que jamais votaria no PT
porque onde o Sarney estivesse, ele estaria do outro lado, mas, ganha a eleição
pelos petistas, foi o primeiro a apresentar-se como um dos líderes do governo
ao qual seu partido, esta semana, decidiu declarar independência, sem entregar
o ministério que ocupa...
Aqui, é o estado
onde, a qualquer pretexto, a visita de Dilma ao governo ao qual o PMDB local faz
oposição sistemática, o sarneismo pode utilizar-se para deixar de ser o fiador
do que resta de apoio ao governo no PMDB nacional e jogar a pá de cal no
mandato de Rousseff... Está ou não está perdida a “presidenta” Dilma?
Às forças que desejam uma saída progressista
para a crise, caberia construir um arco de aliança em torno de uma nova agenda
econômica e por direitos (até mesmo o direito de cada eleitor revogar o mandato
de político que, após eleito, abandona o programa e as propostas que prometeu
cumprir, por que não?), mas isto o petismo majoritário e domesticado, envolto
aos escândalos de corrupção, tem medo e se comporta apenas como aquele que,
como dizia Gramsci, vê a crise como a expressão de uma situação na qual o velho morre e
o novo não pode nascer.
Ocorre que,
frente ao envelhecimento precoce do petismo, o que pode estar para nascer não é
nada novo, mas algo ainda mais velho e em restauração aos tempos anteriores ao
lulo-petismo!
Eis o que parece
ser o fim dessa política do
PT. Não há mais como sustentar o engodo!
(*) Franklin Douglas - jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 09/08/2015, opinião.
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