quarta-feira, 31 de outubro de 2012

TODOS IGUAIS


           Franklin Douglas (*) 


No apagar das luzes deste segundo turno fica clara a posição da oligarquia Sarney em São Luís: dividir para depois somar.
Isso mesmo, caro leitor, cara leitora. Foi quase simétrica a divisão da base oligárquica entre os candidatos de Flávio Dino (Edivaldo – 36) e de José Reinaldo Tavares (Castelo – 45). Fruto, também, da sinalização de ambos os candidatos em seus programas eleitorais na TV:
- Edivaldo Holanda Júnior: “Quero propor um pacto por São Luís. Vamos acabar com as brigas do passado” (como disse o Holanda pai ao oligarca-mor: meu filho não pode ser candidato de seu grupo, mas não será contra o senhor).
- João Castelo: “Quero encerrar com chave de ouro minha carreira política, com este segundo mandato para a Prefeitura de São Luís” (deixando claro que não será incômodo em 2014... como já não foi em 2010).
Dos 14 partidos que apoiaram o sarnopetista Washington Luís, os dois principais (PMDB e PT) anunciaram neutralidade, mas para onde foram suas lideranças?
A começar pela esposa do ex-candidato a vice, Afonso Manoel (PMDB), a vereadora eleita Helena Duailibe (PMDB) aderiu a Edivaldo Holanda Júnior. Tal como o deputado estadual Roberto Costa (PMDB) e seu padrinho político, o senador João Alberto (PMDB). O sarnoPT foi de malas e cuias para o 36: à frente, Henrique Sousa (PT), ex-tesoureiro do PT/MA, o deputado estadual Zé Carlos da Caixa (PT) e a dupla Eri Castro e Dimas Salustiano, todos do núcleo íntimo da articulação pró-Washington nas prévias petistas. Edivaldo conseguiu a proeza de unir o PT de Washington e o PT de Dutra e de Bira em torno de si...
No mesmo PMDB, contudo, a oligarquia enviou seu principal “bate-estaca” para a campanha de Castelo: Ricardo Murad e, junto com ele, o vereador eleito Fábio Câmara (PMDB). Para compensar o PT, a oligarquia liberou o PRB do deputado federal Cleber Verde e o PV de Sarney Filho para o 45. Castelo alcançou a façanha de unir novamente sarneyzistas e José Reinaldo na mesma candidatura...
Entre seus satélites, a oligarquia acendeu mais velas para os Holandas: deixando o PTB de Pedro Fernandes, o PSC de Albino Soeiro, o PMN dos vereadores Astro de Ogum e Bárbara Soeiro, o PSD de Raimundo Cutrim e o DEM dos Fecurys e do vereador Sebastião Albuquerque, além da maior parte do PP e do PR, com Edivaldo; mas não deixou as velas de Castelo apagarem: permitindo o PSL dos vereadores Francisco Carvalho e Pereirinha, o PTdoB do deputado federal Lourival Mendes e dos três vereadores eleitos (Marlon Garcia, Manoel Rego e Luciana Mendes) e PSDC dos vereadores Armando Costa e Josué Pinheiro marcharem com o tucano.
Com Edivaldo Holanda Júnior a oligarquia apostou suas maiores fichas, mas não a ponto de sufocar a candidatura João Castelo. Com isso, dividiu agora para, em 2014, somar forças para si, mantendo aliados nos dois pólos da oposição consentida: no bloco mais conservador (com PSDB, João Castelo e José Reinaldo à frente); e no bloco da pseudo-renovação (com PCdoB, Flávio Dino e Roberto Rocha como líderes).
Essa atitude do grupo dominante em São Luís em 2012 foi a mesma em 2008. Entre Castelo e Flávio Dino, dividiu os apoios para colher seus frutos em 2010. Embora seu candidato, o deputado Gastão Vieira (PMDB), já nos primeiros dias tivesse declarado apoio a Dino, Roseana Sarney só tornou pública sua opção por Flávio na hora do voto. Ganhou Castelo, que, em 2010, cruzaria os braços para a campanha de Jackson Lago (PDT) ao Governo do Estado, mesmo Jackson tendo apoiado o tucano para a Prefeitura no pleito de 2008 (traição nada nova para o pedetista, depois de ter eleito Conceição Andrade prefeita, em 1992, e vê-la apoiar Cafeteira ao governo, em 1994, e Tadeu Palácio, em 2000, e vê-lo sabotar sua campanha em 2006).
Repito: dividem-se agora para, minando ambos os campos políticos construídos em torno do PCdoB e do PSDB, ter pontes e infiltrados para colaborar com sua vitória em 2014 ao Governo do Estado.
Em resumo, nesse cenário da opção do seis por meia dúzia do segundo turno de São Luís, “todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”, como satirizou George Orwell nos sete mandamentos da Quinta dos Bichos, no livro “A revolução dos bichos” (de 1945).

Em tempo: já respondendo à pergunta do(a) amigo(a) leitor(a): neste segundo turno, nem neutralidade, e fazer como Pilatos – lavar as mãos; nem voto branco, onde registraria que tanto um como outro servem para a cidade; muito menos voto crítico, abrindo concessão para repetir os mesmos erros que levaram ao naufrágio da Frente de Libertação em 2009. Já que ambos são iguais, nem um, nem outro, por isso voto nulo. Inútil é não aprender com a História.


(*) Franklin Douglas - jornalista e professor, escreve para o Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Artigo publicado no Jornal Pequeno (edição 28/10/2012, página 06)


2 comentários:

Anônimo disse...

P q tu achas que Haroldo não consegue se eleger nem mesmo a vereador ? Tu achas que é um bom caminho a seguir ?

coletivo da redação disse...

Seguimos propósitos, idéias, sonhos de transformação da sociedade. Esse é um bom caminho a seguir, sim: ora personificado no Haroldo, ora em outros companheiros de caminhada, seja no parlamento, seja como cidadão. O caminho da esquerda é íngreme! Se fosse fácil...