segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

DE VOLTA PARA O FUTURO


           Franklin Douglas (*) 

Anos 70 – Coelho Neto, Juarez Medeiros, Agenor Gomes.
Anos 80 – Jomar Fernandes, Luís Carlos Cintra, Heloísa Pacheco, Zé Medeiros, Carmem Silvia, Arleth Borges, Márcio Jerry, Flávio Dino, Laurinda Carvalho.
Anos 90 – Mário Macieira, Wagner Cabral, Marlon Botão, Franklin Douglas, Jorge Moreno, Getúlio Bessa, Zilda Carvalho, Itevaldo Júnior, Salvio Dino Júnior, Cristiane Guida, Pedro Celestino, Arnaldo Gomes, Jean Magno.
Ao bom entender, e universitário da UFMA de alguma dessas décadas, já deu para perceber que, neste artigo, refiro-me às gerações do movimento estudantil (M.E), simbolizada em seus presidentes e coordenadores gerais, que comandaram o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMA.
A geração universitária de 70 que ousou organizar-se mesmo sob os duros tempos da Ditadura Militar instalada no País. Carregou nos braços a mais significativa movimentação da juventude daquele período, a Greve de 79 pela Meia-Passagem. A partir dela ergueu-se o MDB autêntico. Sua veia cultural deslanchou o cinema e a chamada MPM (música popular "maranhense").
A geração estudantil de 80 sonhou em fazer a revolução, sobretudo encantada pelo socialismo cubano e por aquele sindicalista barbudo que vinha das greves sindicais do ABC paulista. Embora uns no PCdoB (Partido Comunista do Brasil), outros no PCB (Partido Comunista Brasileiro) de Maria Aragão, outros tantos no PSB (Partido Socialista Brasileiro) e PLP (Partido da Libertação Proletária), a maioria foi ao encontro dos camponeses em luta pela terra para organizar o PT (Partido dos Trabalhadores).
Seu principal legado foi a luta democrática pelas Diretas Já, pelas emendas populares na Constituinte de 1988, a organização das oposições sindicais cutistas e a campanha "Sem medo de ser feliz" do Lula-lá, em 1989. A verve dessa juventude elevou a poesia, o teatro, a música, a cultura popular do Maranhão.
A geração 90 foi marcada pelas consequências da queda do muro de Berlim e a avassaladora onda neoliberal no Brasil, ainda que um desastre econômico, mas de uma avassaladora vitória ideológica, como resumiu Perry Anderson.
Em sua primeira metade, foi uma espécie de geração de transição. Trocou o sonho da revolução pela luta pela formação profissional de qualidade, sob a resistência à privatização da Universidade pelo "Caçador de Marajás". A primeira metade dessa geração ainda manteve o sonho das lides partidárias de esquerda: PT, majoritariamente, mas também PCdoB, PDT, ainda que alguns anarquistas. Entrou para a história como a geração Cara-Pintada, do Fora Collor de 1992. Descobriu o reggae do "Espaço Aberto", ao mesmo tempo que ainda herdou as influências rock metal, a poesia de Paulo Leminski e o "Sem tesão não há solução" de Roberto Freire, o anarquista e escritor.
A segunda metade dessa geração resistiu o quanto pôde, mas o individualismo, o lugar no mercado de trabalho, a perda da referência da luta de classes emergiu tão forte quanto o neoliberalismo tucano dos anos FHC e a criação das primeiras faculdades privadas em São Luís. Os hits da indústria cultural balançaram suas calouradas, regadas a muito axé, lambada e quase nenhuma poesia. Outras opções partidárias em construção, como o PV, não foi mais que um sopro oportunista contra o que ainda se tinha de PT. Parecia antever que o pior ainda estava por vir!
Eis a geração universitária da UFMA sob a primeira década dos anos 2000 –  José Carlos, Nonato "Chocolate", Luis Noleto, João de Deus, Laurinete Delgado, Diogo Rogério, Thiago Gonçalves, Pollyana Câmara, Talita Martins, Gustavo Barbosa, Diego Emir...
A juventude petista anti-oligárquica e o PSTU são expressões da rebeldia da juventude que teima em existir/resistir no habitat da universidade pública, contudo não mais do que por duas ou três gestões à frente do DCE.
O pragmatismo do PCdoB e do PDT, oriundo da experiência de atuação numa entidade secundarista referenciada somente em suas carteirinha$ (e não nas lutas), traz à universidade uma geração sem sonhos, só de pragmatismos, submissa aos governos federal, estadual, municipal e à reitoria.
A política do PT que sucumbiu ao sarneismo, após chegar ao Planalto, fez desaparecer a juventude petista aguerrida da universidade. O PCdoB nutre sua juventude universitária, a UJS, da Administração Superior da UFMA e do lulismo adesista da UNE. Surge a juventude tucana... a juventude do PMDB dos Sarneys chega ao DCE da UFMA. Inacreditável!
Os dois primeiros anos da segunda década dos anos 2000 como que viriam confirmar esse quadro de profunda angústia e desespero existencial que nem o pintor norueguês Edvard  Munch saberia expressar em seu famoso quadro "O Grito"... parecia, não fosse aquela velha lei de Newton: "toda ação provoca uma reação de igual intensidade e sentido contrário"!
Em pleno 2012 de pragmatismos governistas e oposicionistas que aderiram à regras do jogo, e suas juventudes na UFMA, ressurge o grito pela herança poética de César Teixeira, como que fazendo o elo de ligação entra a juventude sonhadora do socialismo com a juventude que ainda persevera com um futuro onde um outro mundo seja possível.
A força simbólica da "Oração Latina" unida à resistência ao autoritarismo em curso na universidade e ao projeto social-liberal do lulo-sarney-petismo fez renascer uma juventude de esquerda, seja referenciada no PSTU, no PSOL ou em partido algum, na ANEL, independente ou apenas na crença de que os lírios não nascem das leis... olha a poesia aí de volta ao movimento estudantil!
Salve Drummond, César Teixeira e a vitória da Chapa 1 ao DCE/UFMA, com o seu o grito bem forte e alto: NINGUÉM PODE NOS CALAR!


(*) Franklin Douglas - jornalista, professor e doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve para o Jornal Pequeno aos domingos,  quinzenalmente. Artigo publicado no Jornal Pequeno (edição 16/12/2012, página 16)

3 comentários:

JOSIVALDO CORRÊA disse...

Excelente analise Camarada Franklin,
Somente quem viveu intensamente essas lutas, travadas no centro das questões sociais e na busca pela qualidade da educação universitária. Sabe o quanto foi difíceis e ao mesmo tempo gratificantes os avanços.... Constituinte universitária, (tardia e antidemocrática) e as diversas melhorias pedagógicas e estruturais, liberdades, direitos de expressão, as diversas questões difusas da universidade. Suas entranhas do poder universitário, o ponto central da discussão políticas educacionais no neoliberalismo, terceirização dos serviços interno da UFMA, as nossas mudanças ideológicas dos reitores, o financiamento precários e melhoria da qualificação do quadro de docentes, melhorias constante do R.U, das rubricas por melhorias no ensino , na extensão e na pesquisa... Sonhos possíveis. NINGUÉM PODE NOS CALAR!
Hoje a UFMA é um canteiro de obras e as mesmas necessidades e humanização. Um novo inicio, novas lutas e grandes batalhas.
Josivaldo Corrêa.

Um "cadinho" de mim: RITA LUNA MORAES disse...

Integrante do ME do Curso de Serviço Social e da chapa "Guarnicê" ao DCE, na década de 80, acompanho com elevado interesse os rumos desse movimento. Que a nova Direção do DCE/UFMA 2013 possa honrar os verdadeiros anseios da estudantada, na luta pela qualidade e democratização da educação e pela transformação social. Parabéns pelo resgate dessa história. Abraços.

Anônimo disse...

Mr. Douglas,
Sobre seu Artigo com A maiúsculo , eu diria : Primoroso!Obrigado pelo brinde!

Nonato Chocolate.
(DCE/UFMA-2000/2001)