segunda-feira, 5 de outubro de 2026

UMA ELEIÇÃO INCOMUM

 


Por Franklin Douglas

Doutor em Políticas Públicas, jornalista e advogado

 

No Brasil e no Maranhão, nestas eleições de 2026, temos processos absolutamente inéditos. Mas ainda restam paralelos possíveis de serem feitos.

1) O “bipartidarismo” foi reconfigurado. Antes, na Ditadura de 1964-1985, Aliança Renovadora Nacional (ARENA) versus Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Governo versus oposição (consentida). Atualmente, duas grandes frentes se organizam pela força da polarização imposta pelo brazifascismo: a Frente Ampla Democrática e a Frente da Extrema Direita;

2) Não se ganha mais eleição com ampla margem de votos, no país. A margem de independentes praticamente reduziu-se a traço. A polarização persiste e comprime a vitória de um ou outro campo a menos de 5% de diferença de votos;

3) No Maranhão, a estrutura oligárquica passa por uma renovação geracional à margem dessa polarização nacional.

Dito isto:

a. Tudo indica que teremos dois turnos no país. O definhamento das opções fora das duas frentes, em torno de Lula e de Flávio Bolsonaro, não parece ficar tão mínima a ponto da margem de votos do candidato à frente resolva a eleição no primeiro turno. No histórico desde 1989, só uma frente ampla de direita (com um candidato vindo da esquerda) venceu em primeiro turno no Brasil: Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e em 1998. A vida nunca foi fácil para Lula e nem para nós. Preparemo-nos para um duro segundo turno!

b. Tudo indica que a eleição se encerra no primeiro turno no Maranhão. O voto BRALULA (Braide + Lula), sem perder de vista o voto BRAFLÁVIO (Braide + Flávio) foi muito bem operado sob a lógica do “Partido do Maranhão”, que outrora já reuniu, no mesmo palanque, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Roussef (PT), em 2014, e deu a eleição no primeiro turno a Flávio Dino (PCdoB) ao governo. Acrescenta-se a isso o fato da campanha do MDB ter abandonado Lula. Estava legalmente impedida de usar a imagem de Lula, mas não se fazer campanha declarando seu voto e apoio a Lula. Ao fim, corou essa estratégia com a distribuição de milhares de colas eleitorais sem indicação de voto no Lula. Tanto Orleans Brandão quanto Roseana Sarney e os candidatos a deputados fizeram suas colas sem Lula.

Mas, como dito, esta é uma eleição incomum, e tudo isso que estou analisando pode estar absolutamente equivocado!

Boa votação a todos no dia de hoje. Viva a democracia arrancada por nós, a classe trabalhadora deste país. Antes, decidia-se seus governantes somente entre os acordos de sua classe dominante. Mesmo com o poder econômico e a compra explícita de votos, continuamos no jogo!

Às urnas, pelo Brasil, pelo Maranhão!