Por Franklin Douglas
Doutor em Políticas Públicas, jornalista e advogado
No Brasil e no Maranhão, nestas
eleições de 2026, temos processos absolutamente inéditos. Mas ainda restam paralelos
possíveis de serem feitos.
1) O “bipartidarismo” foi reconfigurado.
Antes, na Ditadura de 1964-1985, Aliança Renovadora Nacional (ARENA) versus Movimento
Democrático Brasileiro (MDB). Governo versus oposição (consentida). Atualmente,
duas grandes frentes se organizam pela força da polarização imposta pelo brazifascismo:
a Frente Ampla Democrática e a Frente da Extrema Direita;
2) Não se ganha mais eleição com ampla
margem de votos, no país. A margem de independentes praticamente reduziu-se a traço.
A polarização persiste e comprime a vitória de um ou outro campo a menos de 5% de
diferença de votos;
3) No Maranhão, a estrutura oligárquica
passa por uma renovação geracional à margem dessa polarização nacional.
Dito isto:
a. Tudo indica que teremos dois
turnos no país. O definhamento das opções fora das duas frentes, em torno de
Lula e de Flávio Bolsonaro, não parece ficar tão mínima a ponto da margem de
votos do candidato à frente resolva a eleição no primeiro turno. No histórico
desde 1989, só uma frente ampla de direita (com um candidato vindo da esquerda)
venceu em primeiro turno no Brasil: Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e em 1998.
A vida nunca foi fácil para Lula e nem para nós. Preparemo-nos para um duro
segundo turno!
b. Tudo indica que a eleição se
encerra no primeiro turno no Maranhão. O voto BRALULA (Braide + Lula), sem
perder de vista o voto BRAFLÁVIO (Braide + Flávio) foi muito bem operado sob a lógica
do “Partido do Maranhão”, que outrora já reuniu, no mesmo palanque, Aécio Neves
(PSDB) e Dilma Roussef (PT), em 2014, e deu a eleição no primeiro turno a
Flávio Dino (PCdoB) ao governo. Acrescenta-se a isso o fato da campanha do MDB ter
abandonado Lula. Estava legalmente impedida de usar a imagem de Lula, mas não
se fazer campanha declarando seu voto e apoio a Lula. Ao fim, corou essa
estratégia com a distribuição de milhares de colas eleitorais sem indicação de
voto no Lula. Tanto Orleans Brandão quanto Roseana Sarney e os candidatos a
deputados fizeram suas colas sem Lula.
Mas, como dito, esta é uma eleição
incomum, e tudo isso que estou analisando pode estar absolutamente equivocado!
Boa votação a todos no dia de
hoje. Viva a democracia arrancada por nós, a classe trabalhadora deste país. Antes,
decidia-se seus governantes somente entre os acordos de sua classe dominante.
Mesmo com o poder econômico e a compra explícita de votos, continuamos no jogo!
Às urnas, pelo Brasil, pelo
Maranhão!

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