segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Dica do Zema Ribeiro: hoje tem MARIGHELLA na 7ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul


No Blog do Zema, a programação completa de hoje. Confira lá.


Nesta segunda (26/11) 19h: Mariguella

Marighella (Isa Grinspum Ferraz, Brasil, 100 min., 2012, documentário) Maior nome da militância de esquerda no Brasil dos anos 1960, Carlos Marighella participou dos principais acontecimentos políticos do país entre 1930 e 1969. 
Dirigido por sua sobrinha, o documentário é uma construção histórica e afetiva sobre este homem que era considerado o maior inimigo da ditadura militar e foi líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor de Manual do Guerrilheiro Urbano, publicado mundialmente em diversos idiomas. | Combate à Tortura | Direito à Memória e à Verdade.
Classificação indicativa: 10 anos.


JOÃO FRANCISCO, MAS PODE CHAMAR DE JOAQUIM BARBOSA, ABDIAS, COSME, ZUMBI...



           Franklin Douglas (*) 


Na semana em que trouxemos à memória o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), tivemos muito o que refletir, lamentar e comemorar em torno da questão racial em nosso País e no Maranhão.
Ao contrário dos Estados Unidos, por nossas terras o racismo sempre foi camuflado, mascarado. Para enfrentá-lo, muitas lutas foram travadas, mesmo após 1888, quando o País decretou oficialmente o fim da escravidão. Por sinal, o Brasil foi a última nação do mundo a livrar-se do trabalho escravo!
Temos a maior população negra do globo terrestre, fora da África. De lá, em quatro séculos, foram trazidos mais de três milhões de negros e negras.
Enquanto no Haiti a luta popular transformou aquele país na primeira República negra do continente (revolta dos escravos de 1794), sendo o primeiro país do mundo a abolir a escravidão, segundo país das Américas a decretar sua independência, próspera economia regional ao erradicar o analfabetismo, fazer a reforma agrária e promover outras políticas públicas de cunho transformador, "sofremos" com o "fantasma haitiano" até que ele fosse aniquilado. O que, mesmo numa população de 133 mil escravos para 66 mil pessoas livres, fez com que os anos 1800 do Brasil fossem de muitas revoltas e mobilizações dos povos negros, sempre duramente reprimidas.
Mas, desde antes, sob liderança e inspiração de Zumbi dos Palmares, a vida foi de muita luta aos povos negros por sua liberdade, por sua dignidade, por seus direitos. Subverter a sociedade escravocrata em sua existência real e, posteriormente, em sua continuidade imaterial (de valores e cultura racista), foi... é... e, sob a lógica do sistema do capital, continuará sendo uma luta permanente.
Essa pseudo-democracia racial, que os "donos do poder" tentam ideologicamente fazer prevalecer, não se sustenta diante de dados como, por exemplo, o da violência no Brasil. Para se ter ideia, de 1979 a 2003, 550 mil brasileiros foram mortos por armas de fogo: 74,5% deles eram negros.
A luta contra a escravidão, pela liberdade, pela igualdade, se foi inicialmente uma bandeira trazida da difícil realidade vivida pelos povos negros, hoje é uma luta de todas e todos que acreditam ser possível construir um outro País, um outro Maranhão.
Foi este sonho que nutriu a trajetória de vida de João Francisco. Engajado na luta pela terra, nas Ligas Camponesas, exilado em Moscou quando perdeu sua liberdade política no período da Ditadura Militar, lutador da democracia na volta do exílio, fundador do Centro de Cultura Negra (CCN) e de seu único partido, o PDT de Brizola, Neiva Moreira e Jackson Lago, primeiro Secretário de Estado de Igualdade Racial (governo Jackson Lago, 2007 a 2009), João Francisco deixou esta vida - exatamente no dia 20 de novembro! - para se transformar em mais um ícone da luta popular maranhense.
De origem humilde, pobre, a liderança engajada, comprometida com seu povo, João Francisco junta-se aos exemplos deixados por Negro Cosme e sua balaiada, João Cândido e sua luta contra a chibata, Abdias Nascimento e Milton Santos no pensamento crítico de combate ao racismo, à postura revolucionária de Maria Aragão, à militância combativa de Magno Cruz.
Nestes tempos de ilusória ascensão social de uma dita "nova classe média", onde nos últimos 10 anos a renda do negro cresceu 123% (cinco vezes mais do que o restante da população) e 40 milhões de pessoas ascenderam socialmente, das quais 75% são negros, ficam os exemplos de todos esses que lutaram em vida por uma sociedade sem desigualdades, onde não basta a ascensão econômica para subverter o racismo. Vai além disso!
O exemplo de Joaquim Barbosa, empossado, no dia 23 de novembro, como primeiro negro a presidir a mais alta corte do País, o STF (Supremo Tribunal Federal), é isso: para além do estudo, da ascensão econômica, da ocupação de espaços públicos por seus méritos próprios, fica o tapa de luvas de seu discurso na lógica de nossas elites, tão acostumadas ao tratamento privilegiado: "Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração (...) Há um grande déficit de Justiça entre nós".
Déficit de justiça esse que só se supera pela luta dos oprimidos, negros e brancos, homens e mulheres, por seus direitos, pela construção de um Brasil e um Maranhão justos, democráticos, sem trabalho escravo, sem racismos.
De Zumbi a João Francisco, passando por Joaquim, eis a mensagem deixada a todos nós neste histórico e fortemente simbólico Dia da Consciência Negra do ano de 2012! 


Em tempo: nesta segunda-feira (26/11/12), às 18h30, na Igreja do Carmo (Praça João Lisboa), ocorre a Missa de 7º Dia de João Francisco dos Santos.


(*) Franklin Douglas - jornalista e professor

Artigo Wagner Baldez - UMA SUGESTÃO COMO FORMA DE CONTRIBUIÇÃO


Wagner Baldez (*)



É de causar profunda tristeza e justificada revolta, assistirmos ao desprezo reservado pela Municipalidade à questão da arborização de nossa Capital; sobretudo se levarmos em consideração o privilégio de pertencermos à região Pré-Amazônica, condição geográfica que não comporta seja um empreendimento de tal natureza relegado ao esquecimento, como vem acontecendo, quando é reconhecida a sua importância para o embelezamento de seu parque urbano.

Se compararmos aos demais Estados do Nordeste, localizados no Polígono da seca, aí é que a ocorrência assume conotações decepcionantes. Basta que, nessa particularidade, citemos o “Estado da Paraíba”, cuja capital, João Pessoa, é classificada como uma das mais bem arborizadas das cidades brasileiras.

Então qual o motivo dos gestores municipais não dispensarem o trato merecido a tão admirável obra?! Exclusivamente pela falta de interesse.

As espécies vegetais que compõem o nosso acervo arbóreo, visto nas praças, avenidas, inclusive no Parque do Bom Menino, além de escassas são inadequadas ao nosso meio, a começar pela sua estrutura ou formação do seu corpo orgânico reconhecidamente frágil, muitas delas não resistindo às intempéries, como aos ataques das pragas e às fortes pressões causadas pelas correntes de ventos marítimos que sopram em direção ao amplo espaço aberto que a ilha oferece.

Devemos empregar nesse sistema plantas que, além de possuírem as características requeridas, apresentem qualidades ornamentais, em condições de embelezar o ambiente com o colorido fascinante de suas flores, a exemplo dos Paus D’ arcos (Ipês) amarelo, roxo e branco. Já imaginaram a transformação panorâmica dos nossos logradouros públicos?!

Porém, o melhor seria despertar o sentimento da população para a importância de se ter uma cidade arborizada e, consequentemente, mais humanizada. Em vista do que vem acontecendo, cabe aos ecologistas encabeçarem essa campanha, tendo em vista que são os principais defensores de tudo que se relaciona à natureza.


(*) Funcionário Público Aposentado, membro da Executiva do PSOL/MA

domingo, 25 de novembro de 2012

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DO H.U



           Franklin Douglas (*) 


Abro espaço aqui para repercutir o artigo da médica Marizélia Ribeiro acerca das conseqüências da privatização do Hospital Universitário da UFMA (H.U/UFMA) – hospitais Presidente Dutra e Materno Infantil.
Alerta-nos a professora de Pediatria da UFMA:
“Sob o pretexto de haver ‘limitações impostas pelo regime jurídico de direito público próprio da administração direta e das autarquias, especialmente no que se refere à contratação e à gestão da força de trabalho’ que estariam comprometendo a qualidade da assistência à saúde da população e o ensino e a pesquisa nos Hospitais Universitários Federais, o Governo Brasileiro dos presidentes Lula e Dilma deu início à privatização desses hospitais públicos, através da implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
No estado do Maranhão, os Hospitais Universitários Presidente Dutra (serviços de Clínica Médica e Cirurgia) e Materno-Infantil (serviços de Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria), que são considerados os principais centros de formação de recursos humanos, tanto em graduações como em pós-graduações na área da Saúde, e de referência para doenças de difícil diagnóstico e tratamento de alta complexidade, se administrados por uma empresa subsidiária da EBSERH, irão passar por mudanças ameaçadoras ao caráter público, gratuito e de qualidade (...)” (grifo nosso).
Além disso, continua a professora-doutora em Políticas Públicas pela UFMA:
“A implantação da EBSERH afrontará o princípio da equidade do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual significa ‘igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie’.
Embora se declare empresa pública dotada de personalidade jurídica de direito privado (e organizada sob a forma de sociedade anônima), a EBSERH irá contratar uma empresa subsidiária para administrar o complexo HUUFMA, a qual poderá oferecer até 49% do seu capital social para empresas privadas. Se uma delas for um Plano de Saúde, por exemplo, os contratantes desse plano poderão ter mais fácil acesso aos serviços desses hospitais que outros usuários do SUS(grifo nosso).
A EBSERH será uma empresa financiada com recursos públicos, mas sob gestão privada. Uma das conseqüências desse modelo de gestão, esclarece a secretária-geral da Associação dos Professores da UFMA (APRUMA), será o fim de concursos públicos federais para esses hospitais.
Por fim, arremata a professora Marizélia Ribeiro:

“A população do estado do Maranhão precisa conhecer a EBSERH, a sua proposta de privatização para o HUUFMA e se unir aos profissionais de saúde, sindicatos e movimentos sociais para impedir a assinatura do convênio entre essa empresa e a Universidade Federal do Maranhão”.

Isso mesmo. Para que a privatização do H.U se concretize é necessário que o reitor da UFMA, Natalino Salgado, seja autorizado pelo Conselho Universitário (CONSUN) a assinar convênio com a EBSERH.
Somente a mobilização da comunidade universitária, técnicos-administrativos,  estudantes e docentes junto aos membros que compõem o Conselho Universitário pode evitar esse terrível dano à saúde pública maranhense.
Abaixo-assinados nos cursos, debate nas assembléias departamentais e Conselhos de Centro para orientar o voto dos representantes dessas unidades no CONSUN, mobilização nas praças e ruas para esclarecer usuários do hospital e a população em geral, envolvimento dos sindicatos e Conselhos das categorias dos servidores do H.U (SINTSPREV/MA, SINDSEP/MA, SINTEMA, APRUMA, SINPEEES/MA, CRESS, CRM, COREN etc), calouradas temáticas sobre a defesa do SUS (e não só nos cursos da área de saúde), dentre outras ações, são necessárias para dar o grito de alerta. Somente a mobilização da cidadania maranhense poderá evitar a privatização do H.U.
Em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Não à privatização dos Hospitais Universitários Presidente Dutra e Materno-Infantil. Uma tarefa de todos nós!

Em tempo: Eleito sob o compromisso da mudança, o prefeito eleito Edivaldo Holanda Júnior (PTC) tem a chance de dar um grande exemplo. Após sua campanha denunciar que o prefeito João Castelo (PSDB) possuía um astronômico salário de R$ 25 mil, o segundo maior de todos os prefeitos do País, bem que Holanda Júnior poderia propor a diminuição da própria remuneração e de seu vice. A Câmara de Vereadores tem até o fim desta legislatura para fixar os salários dos próximos mandatários. Feito sem demagogia, seria um ato simbólico de que na Prefeitura de São Luís não sai Chico para entrar Francisco.



(*) Franklin Douglas - jornalista e professor, escreve para o Jornal Pequeno aos domingos,  quinzenalmente. Artigo publicado no Jornal Pequeno (edição 11/11/2012, página 16)

GRAVÍSSIMO: Essa manobra daria até "impeachement" de Sarney da Presidência do Senado!


Servidor preso pela PF foi aprovado no Senado graças a pressão de Lula e manobra de Sarney


Do Blog do Josias


Senado aprovou o preso Paulo Vieira em votação viciada
Preso pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, Paulo Rodrigues Vieira, diretor de Hidrologia da ANA (Agênca Nacional de Águas), foi guindado ao cargo graças a uma forte pressão de Lula e a uma manobra patrocinada por José Sarney (PMDB-AP). Como ocorre com todos os indicados para diretorias de agências reguladoras, o nome de Paulo Vieira teve de passar pelo Senado. Uma pesquisa nos anais do Legislativo revela que, neste caso, a aprovação foi tumultuada, atípica e violou as regras regimentais.
Assinada por Lula, a mensagem presidencial que indicou Paulo Vieira para uma poltrona da agência de águas teve tramitação relâmpago. Em sabatina precária, o indicado foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado em 16 de dezembro de 2009. No mesmo dia, o nome seguiu para o plenário. Ali, realizaram-se duas votações. Numa, houve empate. Noutra, o nome de Paulo Vieira foi rejeitado por diferença miúda: 26 votos contra, 25 a favor e uma abstenção.
Como manda o regimento, o Senado enviou ao Planalto ofício comunicando a Lula que seu escolhido não passara pelo crivo dos senadores. Não restava ao presidente senão sugerir outro nome. Passaram-se quatro meses. E nada. De repente, quando se imaginava que o jogo estivesse jogado, Sarney valeu-se de sua autoridade de presidente do Senado para reinserir na pauta de votações o nome de Paulo Vieira.
Na tarde do dia 14 de abril de 2010, uma quarta-feira, a indicação de Paulo Veira foi votada pela terceira vez. O nome foi, então, aprovado por 28 votos a 15. Houve uma abstenção (a foto lá do alto exibe o resultado no painel). A votação foi atípica porque o Senado não poderia ter aprovado o nome que rejeitara. Foi antiregimental porque a decisão anterior jamais foi revogada. Foi tumultuada porque um parecer da Comissão de Justiça tachara a ‘revotação’ de ilegal.
Descobre-se agora que aquilo que começou errado terminou em desastre. Na operação deflagrada nesta sexta (23), a Polícia Federal indiciou 18 pessoas e prendeu seis. Entre os presos estão Paulo Vieira e um irmão dele, o diretor de Infraestrutura da Agência Nacional de Aviação Civil Rubens Carlos Vieira (também indicado por Lula e aprovado pelo Senado e 7 de julho de 2010, sem manobras). Entre os indiciados está Rosemary Novoa de Noronha, a Rose, chefe de gabinete do escritório regional da Presidência da República em São Paulo.
Descobriu-se que foi Rose, uma servidora nomeada por Lula e mantida por Dilma Rousseff, quem patrocinou as indicações dos irmãos Vieira. Mais: os três participavam de um esquemade venda de pareceres de interesse de empresas nas agências reguladoras e em outros órgãos públicos. Pior: suspeita de corrupção, tráfico de influência e falsidade ideologica, Rose é investigada por ter supostamente exigido e recebido por intermédio dos Vieira vantagens monetárias e favores que vão do custeio de uma cirurgia plástica a viagens.
Além dos indiciamentos e das prisões, a PF realizou batidas de busca e apreensão de documentos e computadores em Brasília e São Paulo. para constrangimento do governo, varejaram-se inclusive os gabinetes de Rose, de Rubens Vieira e de Paulo Vieira. No caso deste último, o diretor que o Senado aprovou na marra, sua sala na ANA foi varejada por quatro horas e 15 minutos –das 6h30 às 10h45. Depois de coletar papéis e computador, a PF lacrou o recinto.
De passagem pela Índia, Lula foi informado pelo telefone sobre a encrenca que engolfou sua ex-assessora Rose e os dois diretores que ela indicou e ele patrocinou no Senado. Os arquivos do Senado revelam que Lula empenhou-se pelos Vieira com um interesse revelador do prestígio de Rose, a quem conhecera na década de 90. Por 12 anos, ela assessora José Dirceu na máquina partidária do PT. Eleito, Lula fez de Rose, em 2003, assessora especial da Presidência em São Paulo. Em 2005, promoveu-a a chefe de gabinete.
Em toda a história do Senado, só havia dois casos de autoridades que, tendo sido rejeitadas pelo plenário, foram aprovadas em votações posteriores. Num dos casos, a segunda votação fora precedida de decisão da Mesa diretora do Senado. Noutro, fora referendada pela unanimidade dos líderes partidários. No episódio de Paulo Vieira, Sarney decidiu sozinho pela realizaçã de uma terceira votação.
Líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) recebera ordens do Planalto para reverter a rejeição ao nome de Paulo Vieira. O senador alegara que obtivera o assentimento dos líderes. Foi com base nesse suposto entendimento que Sarney devolveu o nome ao plenário. Os desdobramentos revelariam que Jucá mentira. Em 15 de abril de 2010, um dia depois da violação das regras, o PSDB e o DEM entregaram a Sarney um pedido de anulação da pantomima. Assinaram a peça os líderes do DEM, José Agripino Maia; e do PSDB, Arthur Virgílio, hoje prefeito de Manaus. Ficou entendido que o alegado acordo de lideranças era lorota.
“Não havia nenhuma justificativa para que essa matéria voltasse ao Plenário”, disse Agripino, conforme os registros da sessão. “Para surpresa de todos, a proposição rejeitada foi arbitrariamente colocada novamente em votação na sessão deliberativa de ontem. Trata-se de uma ilegalidade jamais vista na história desta Casa Legislativa”, ecoou Virgílio, segundo registram as notas taquigráficas.
Decorridos cinco dias, Sarney enviou o recurso de Agripino e Virgílio à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Nessa época, presidia a comissão um ainda respeitado Demóstenes Torres. Em 27 de abril de 2010, esse Demóstenes pré-Cachoeira emitiu seu parecer. Considerou que não era atribuição da Comissão de Justiça dirimir a querela. Por quê? A presidência do Senado só poderia acionar a comissão em casos que envolvessem interpretações do texto constitucional.
Demóstenes anotou: “Evidentemente que a questão de ordem ora analisada não diz respeito à interpretação de qualquer dispositivo constitucional. Questiona-se o atendimento, ou não, a preceito regimental. Portanto, incabível a apreciação dessa matéria pela CCJ”. No mesmo documento, Demóstenes apontou “falhas gritantes” no processo que levou à aprovação da indicação de Paulo Vieira. Recordou que a Comissão de Justiça já havia se manifestado sobre a matéria.
Lembrou que, na sequência da rejeição do indicado de Lula, o senador Magno Malta recorrera à Mesa presidida por Sarney. Um recurso não previsto no regimento do Senado. Foi “por absoluta falta de previsão legal”, escreveu Demóstenes, que a Comissão de Justiça rejeitara esse primeiro recurso, assinado por Malta. Evocando os dois únicos precedentes disponíveis nos anais do Senado, Demóstenes aventou a hipótese de o plenario deliberar sobre a conveniência de realizar ou não uma nova votação no plenário. Porém…
Demóstenes realçou que seria preciso que a Mesa ou os líderes aprovassem a realização da nova votação. “Embora […] o senador romero Jucá tenha afirmado que a matéria legislativa já havia sido objeto de ‘entendimento entre os líderes’, quer me parecer que tal entendimento não ocorreu. Sustento-me na iniciativa dos líderes Agripino e Virgílio, que subscreveram essa questão de ordem”, anotou Demóstenes. “Não concebo que precedente tão grave, que atropela o regimento interno, possa ser adotado sem o acordo de todos os líderes partidários.”
De resto, Demóstenes enfatizou que a aprovação de Paulo Viera ocorrera sem que a rejeição ao nome dele tivesse sido anulada. “Uma decisão do plenário [a rejeição da indicação de Paulo Vieira] estava em pleno vigor, inclusive dela já estava informada a Presidência da República, e sobre ela outra foi tomada, sem sequer se discutir as razões pelas quais aquela deveria ser anulada. Nem é o caso de se dizer que a segunda votação revogou tacitamente a primeira.”
Em sessão realizada no dia 4 de maio de 2010, já munido do parecer do Demóstenes pré-clube Nextel, Sarney deu por encerrada a querela. Rejeitou o pedido de Agripino e Virgílio e deu por válida a aprovação do agora encrencado Paulo Viera. Alegou que não tinha poderes para se subrepor à decisão do colegiado. “Não aceito a questão de ordem por não ter competência para agir em nome do plenário”, disse.
Sarney comprometeu-se a editar um ato regulamentando a votação de autoridades. Algo que evitasse a repetição das anomalias. Virgílio foi ao microfone: “Devemos tomar isso como lição para adotar medidas de responsabilidade. A Mesa deve impedir que fatos semelhantes ocorram daqui pra frente.” Agripino ecoou-o: “O episódio foi lamentável. Temos que ter a devida instrução da Mesa. Que permaneça a cautela em episódios futuros, para que não seja repetido esse fato.” E a coisa ficou nisso. Passados dois anos e meio, a Polícia Federal entra em cena.



terça-feira, 20 de novembro de 2012

No Dia da Consciência Negra, parte João Francisco (1936-2012)



Na luta desde sempre (nas ligas camponesas,
no exílio em Moscou, fundador do CCN, do PDT,
João Francisco junta-se a Jackson Lago e Neiva Moreira,
agora lá de cima, na torcida pela libertação do Maranhão

Na SEIR, João Francisco foi voz do povo negro
por políticas públicas


Em 2007, uma das atividades em que estive
ao lado de João Francisco,
na Semana 13 de maio - governo Jackson.
VALEU JOÃO FRANCISCO!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Artigo - Marizélia Ribeiro: NÃO À PRIVATIZAÇÃO DO H.U

Privatização do SUS = EBSERH  = privatização do H.U/UFMA

A POPULAÇÃO MARANHENSE PRECISA SE MOBILIZAR CONTRA A PRIVATIZAÇÃO/TERCEIRIZAÇÃO DOS HOSPITAIS DUTRA E MATERNO-INFANTIL

Por Marizélia Ribeiro (*)

Sob o pretexto de haver “[...] limitações impostas pelo regime jurídico de direito público próprio da administração direta e das autarquias, especialmente no que se refere à contratação e à gestão da força de trabalho [...]” que estariam comprometendo a qualidade da assistência à saúde da população e o ensino e a pesquisa nos Hospitais Universitários Federais (http://www.huufma.br/site/noticias/mostra_noticia.php?id=941), o Governo Brasileiro dos presidentes Lula e Dilma deu início à privatização desses hospitais públicos, através da implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

No estado do Maranhão, os Hospitais Universitários Presidente Dutra (serviços de Clínica Médica e Cirurgia) e Materno-Infantil (serviços de Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria), que são considerados os principais centros de formação de recursos humanos, tanto em graduações como em pós-graduações na área da Saúde, e de referência para doenças de difícil diagnóstico e tratamento de alta complexidade, se administrados por uma empresa subsidiária da EBSERH, irão passar por mudanças ameaçadoras ao caráter público, gratuito e de qualidade dos Hospitais Universitários da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA).

A implantação da EBSERH afrontará o princípio da equidade do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual significa “igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie” (http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/lei8080.pdf). Embora se declare empresa pública dotada de personalidade jurídica de direito privado (e organizada sob a forma de sociedade anônima), a EBSERH irá contratar uma empresa subsidiária para administrar o complexo HUUFMA, a qual poderá oferecer até 49% do seu capital social para empresas privadas. Se uma delas for um Plano de Saúde, por exemplo, os contratantes desse plano poderão ter mais fácil acesso aos serviços desses hospitais que outros usuários do SUS.

EBSERH: financiamento público, gestão privada

Todavia, os recursos financeiros continuarão a vir da União, mas serão administrados pela subsidiária, sob a lógica do mercado (certamente priorizando procedimentos mais lucrativos). E os HUUFMA ficarão autorizados a ceder à EBSERH, bens e direitos no âmbito e durante a vigência do contrato que será firmado, e deverão se submeter a objetivos e metas para as suas atividades de ensino e pesquisa, o que fere a autonomia universitária.

O Estatuto Social da EBSERH afirma que essa empresa ou subsidiária irá “[...] sujeitar-se-á ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos, obrigações civis, comerciais, trabalhista e tributários”. Ou seja, será o fim dos concursos públicos federais para esses hospitais. Nessa perspectiva, é preciso vigilância para evitar a ocorrência de nepotismo, clientelismo, demissão sem justa causa e precarização do trabalho.

Só mobilização da comunidade universitária, profissionais de saúde e população impedirá que o reitor NATALINO SALGADO assine convênio com a EBSERH
que PRIVATIZARÁ O H.U: MOBILIZE-SE JÁ!

Nessa perspectiva, a população do estado do Maranhão precisa conhecer a EBSERH, a sua proposta de privatização para o HUUFMA e se unir aos profissionais de saúde, sindicatos e movimentos sociais para impedir a assinatura do convênio entre essa empresa e a Universidade Federal do Maranhão.



(*)  Marizélia Rodrigues Costa Ribeiro – médica, professora de pediatria da UFMA, doutora em Políticas Públicas e secretária-geral do Sindicato dos Professores da UFMA