domingo, 20 de outubro de 2013

DILMA TAL E QUAL FHC


Franklin Douglas (*) 




Fernando Henrique Cardoso (FHC) governou o país de 1995 a 2002. Sua principal marca no plano econômico, nesse período, foi a privatização do patrimônio público. O maior destaque dessa sua política neoliberal foi a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a Vale.
Para garantir a qualquer custo que a privatização fosse a cabo, o governo FHC mobilizou fundos de pensão, articulou com empresas transnacionais, bancos e o grande capital. Vendeu a Vale no dia 06 de maio de 1997 por pouco mais de 3 bilhões e 300 milhões de reais, 19% de ágio em relação ao preço inicialmente colocado pelo governo para a venda. A Vale foi adquirida pelo consórcio liderado pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), sob presidência de Benjamin Steinbruch.
O crime de lesa-pátria cometido por FHC comprovou-se em menos de dois anos: em 1999, a Vale deu um lucro de R$ 1,251 bilhão, o maior de sua história até então. De 1997 a 2010, o ferro aumentou sua valorização em quase 600%. Em 2010, a Vale fechou o ano com um lucro líquido de 30 bilhões de reais. Lucro extraído das riquezas naturais de nosso país direto para o bolso dos grandes capitalistas mundiais, aquele 1% que controla a riqueza gerada no mundo pelos 99% que vivem somente da venda de sua força de trabalho, ficando sem educação, saúde e transporte de qualidade, por exemplo.
Para garantir que o leilão fosse realizado, o tucano acionou Exército, Polícia Militar e toda a força do Estado contra as mobilizações convocadas pela CUT, UNE, petroleiros, movimentos sociais. À época, PT, PCdoB, PSB, Lula e até o PMDB de Sarney condenaram a venda: "O governo não podia fazer isso. Foi um erro histórico. O governo não podia fazer isso com o patrimônio do nosso povo", choramingou José Sarney na Folha de São Paulo, em 07 de maio de 1997 (p. 16, Caderno Brasil).
A venda da Vale foi um golpe do tucanato neoliberal contra o país!
Pois eis que, 16 anos depois, a história se repete de forma trágica, coroando o adesismo do PT ao neoliberalismo tucano que tanto combateu. O governo Dilma privatizará nesta segunda-feira (21/10/2013) o campo petrolífero de Libra. O campo de Libra trata-se de nossa maior reserva de petróleo, estimada em 12 bilhões de barris, equivalente a 80% de todas as reservas de petróleo descobertas pela Petrobras. É o famoso petróleo da camada de pré-sal, estimado em US$ 1,5 trilhão!
Repito, cara leitora, caro leitor: um trilhão e meio de dólares. Dinheiro que daria suficientemente para suprir todas as demandas por saúde, educação, transporte e as demais bandeiras que levaram milhares de brasileiros às ruas nas Jornadas de Junho.
Para vender o nosso petróleo ao grande capital estrangeiro, Dilma acionou fundos de pensão, capital financeiro e... Exército, Polícia Militar e toda a força do Estado contra as mobilizações convocadas pela CSP Conlutas, ANEL, petroleiros e até mesmo a CUT, sempre disposta, nos tempos atuais, a aliviar com o governo petista.
Dilma não foi eleita para continuar a política de privatizações do governo tucano. Ao contrário, em sua propaganda para ganhar o voto do povo, em 2010, ela perguntava:
"É justo alguém pensar em privatizar a Petrobrás e o Pré-Sal?"
Respondia a candidata Dilma Roussef:
"Desde já eu afirmo a minha posição. É um crime privatizar a Petrobras e o pré-sal. Falo isso porque, há poucos dias, o principal assessor do candidato Serra para a área de energia e ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo durante o governo FHC, defendeu a privatização do pré-sal. Isso seria um crime para o Brasil, pois o pré-sal é o nosso grande passaporte para o futuro! [...] Essa é a grande diferença entre nosso projeto de governo e o projeto da turma do contra: eles só pensam em vender o nosso patrimônio!" (Dilma Roussef, propaganda eleitoral em setembro de 2010).
E agora, "Presidenta" Dilma?
A venda do petróleo do pré-sal é um golpe do lulo-petismo neoliberal contra o país!
Em 1997, não se calaram contra o crime de lesa-pátria que foi a privatização da Vale nem PT, nem PCdoB, nem PSB, nem Lula, tampouco Sarney...
Contra a privatização do petróleo do pré-sal silenciam todos eles no plano nacional e seus aliados nos estados. Que têm a dizer sobre a privatização de nossas riquezas do pré-sal Luís Fernando, Roseana Sarney e seu PMDB? Washington Luís e seu PT? Flávio Dino e o seu PCdoB? O ex-tucano Roberto Rocha, no PSB?
Nada!
Dilma e seus aliados são tal e qual FHC e os seus. É como aquele famoso bordão da propaganda da vodca Orloff: eu sou você, amanhã!


(*) Franklin Douglas - jornalista, professor e doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve para o Jornal Pequeno aos domingos,  quinzenalmente. Artigo publicado no Jornal Pequeno (edição de 20/10/2013, p.12)

Um comentário:

Victor de Oliveira Abreu Sodré disse...

Acho que é relevante comentar que em 97 o valor do minério de ferro era US$13.04 e em 99 US$11.93, uma diferença de aproximadamente -9%. Mesmo com o minério mais barato o lucro foi o maior da companhia. Aqui tem a curva de preço do minério no mercado mundial desde 1988: http://www.indexmundi.com/commodities/?commodity=iron-ore&months=300.