domingo, 9 de fevereiro de 2014

CASA ARRUMADA, de Lena Gino



The Room of Flowers

Frederick Childe Hassam - 1894 
Por Lena Gino - Mundo Paralelo

Casa arrumada  é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

BRASIL, HORA DE MUDAR!


Congresso dos professores que pode decretar greve nas universidade federais começa dia 10/2, em São Luís


O 33º Congresso do ANDES, o sindicato nacional dos professores das universidade federais inicia na segunda-feira (10/02), em São Luís. Além da análise sobre a situação do país, dos problemas da educação, eleição da nova direção e o plano de lutas da entidade, o Congresso deve apreciar a possibilidade de decretar greve nas universidades federais, dada a falta de retorno do governo federal à pauta de reivindicações dos docentes.

O Congresso, realizado pelo ANDES e pela APRUMA, tem solenidade de abertura programada para às 10 horas do dia 10 de fevereiro, no auditório Paulo Freire, da UFMA.


Igor Lago: Quem ficará com o papel de traidor ou de traído?






DIVÃ MARANHENSE 9 (Fevereiro de 2014)
 


O imbróglio continua, continua(!), continua(?), …

O sarneismo e os seus dissidentes, os reinaldo-dinistas, parecem continuar mergulhados na incerteza.

Estão ansiosos. Falam e fazem a mesma política, sob o mesmo paradigma e seguindo a mesma lógica.

Elaboram os seus passos na busca pelo poder baseados na conquista do apoio do poder central.

Foi assim com Benedito Leite, Urbano Santos, Vitorino Freire e, nos últimos 48 anos, com José Sarney.

(É o dilema da influência do poder central sobre os destinos de um estado periférico dependente).

Acham que a realpolitik é a norma. É a política decidida nos gabinetes com os conchavos e compromissos nem sempre divulgados.

Enquanto não tivermos a decisão petista, que poderá acontecer formalmente ou não, resta aos dois segmentos "politicar" pelo tão cobiçado apoio de quem, em 2010, obteve 70% e 79% dos votos, respectivamente, nos primeiro e segundo turnos.

Vale lembrar que o Bolsa Família estava presente em 53% das famílias maranhenses. Hoje, esse número é bem maior.

Recentemente, o pré-candidato ao governo dos dissidentes afirmou que "Lula e Dilma querem a saída do clã Sarney do governo do Maranhão"; "que o Sarney só apoiou o Lula quando a vitória já estava sacramentada", "que o Sarney não foi sequer um aliado de primeira hora".

O sarneismo, com os seus longos anos de realpolitik, nada respondeu. Está quieto conforme o momento exige. Sabe do apreço (e que apreço!) do Lula pelo senhor incomum, da sua amizade com as principais figuras da era petista cuja governabilidade é devida a ele e ninguém mais.

O divã permanece e o poder central poderá formalizar algo que nenhuma das duas forças poderão se distanciar.

2014 poderá ser mais uma edição de 2010, quando estas duas forças mantiveram-se, lado a lado, no apoio federal.

E como ficarão os acertos com os outros palanques presidenciais oposicionistas?

Talvez nem Freud poderá explicar. Quem ficará com o papel de traidor ou de traído?
Cabe aos que se encontram fora dos dois campos fazer crescer as candidaturas alternativas já postas, a da deputada estadual Eliziane Gama (PPS) e a do advogado Luis Pedrosa (PSOL).

Assim, poderemos fazer com que o divã não nos submeta ao sono profundo da mesmice.

Igor Lago, 05/02/2014.

Wagner Baldez: "Sistema Mirante é vezeiro em sepultar a verdade e em exaltar a mentira"

Comentário de Wagner Baldez à postagem A voz da experiência, no Blogue do Marco D´Eça, em 11/01/2014 - aqui.


"Caro jornalista Marco Aurélio D´Eça,

Registro que, mais do que acompanhar, participei da passeata do movimento Acorda Maranhão que, em meu entendimento, não foi um movimento com finalidades partidárias e eleitoreiras, como o jornalista rotulou.
Como tenho feito, ao longo dos últimos 65 anos, participo de todos os movimentos de massa e de luta pela emancipação do povo brasileiro e maranhense.
E o faço sem qualquer pretensão eleitoral ou de capricho pessoal ou, ainda, com o intuito de achincalhar a militância de outrem ou sua incoerência política.
Foi nesse sentido que me pronunciei na referida manifestação.
E que, pelo que percebo, com o intuito de manipular minha fala, procurou me entrevistar a equipe de seu blogue, na referida manifestação. Não considero a passeata do movimento Acorda Maranhão eleitoreira, reitero. Tampouco critiquei aos jovens. Ao contrário, incentivo-os sempre à participação política.
E registro: se tivéssemos conhecimento que a pessoa que me entrevistou pertencia aos quadros do Sistema Mirante, nós jamais teríamos concedido tal entrevista, isto por considerar que o grupo do jornalista desse sistema é vezeiro em sepultar a verdade e em exaltar a mentira! 
Essa é a verdade por inteiro, sem qualquer raciocínio pela metade. "

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

MARANHÃO DE (IN)VERDADE

Eles têm mais semelhanças do que diferenças
 
Franklin Douglas (*) 

Duas faces da mesma moeda, assim são oligarquia e oposição consentida no Maranhão. Dividem o mesmo condomínio do poder, o lulo-PMDB-petismo; defendem a mesma política neodesenvolvimentista; fazem campanha da mesma maneira, para vencer de qualquer jeito.
Como bem sintetizou o advogado Luís Antonio Pedrosa, "eles têm mais semelhanças do que diferenças". Veja bem: não é que sejam completamente iguais, são análogos em seus projetos, estratégia e táticas. A residual diferença encontra-se tão somente nos aliados que reúnem na busca pela liderança do bloco no poder.
Sob o lulismo, oligarquia e oposição consentida disputam quem mais representa esse projeto de poder no Maranhão. Não há divergências de fundo na concepção de políticas públicas, no enfrentamento à concentração de renda e ao sistema político vigente e sua forma de financiamento. Partilham da mesma plutocracia, na qual só os economicamente fortes têm presença na arena política. O movimento social de luta emancipatória, que inexiste à oligarquia, torna-se apenas uma foto na campanha da oposição consentida - uma cereja no bolo.
Na política neodesenvolvimentista, oligarquia e oposição consentida só veem refinarias, termoelétricas, hidrelétricas, agronegócio de commodities, como estratégia de crescimento para o estado. Não divergem quanto desenvolvimento desigual, combinado e dependente que os grandes projetos do capital reservaram ao Maranhão. Disputam palmo a palmo o financiamento das grandes empresas siderúrgicas, mineradoras e do capital financeiro.
Em consequência a essa opção neodesenvolvimentista, as políticas públicas de efetivo impacto na realidade social maranhense se desmancham no ar assim que se encerra o processo eleitoral. Basta lembrar dos "72 hospitais" ou do "Hospital Dr. Jackson Lago", da "Avenida do Quarto Centenário" ou do "Bilhete Único e do GPS nos ônibus", do "Viva Educação" ou da "Escola em Tempo Integral", etc. O que sobra da partilha do Orçamento Público entre os donos e amigos dos donos do poder, vira perfumaria na política de "pão e circo" para manter o povo sob controle.
E, assim, se não divergem no atacado, diferenciam-se pouco no varejo.
A disputa eleitoral, então, é mais um round na luta do vale-tudo para representar esse projeto no Maranhão. Nesse contexto, o blefe e os factoides, a blogosfera arregimentada e a cooptação de aliados são uma constante. De um lado, a manipulação oligárquica com o "Eu amo o Maranhão"; do outro, a campanha pelo impeachment a ser feito no campo de batalha dos mais fortemente controlado pelo governo, a Assembleia Legislativa; de ambos, o silêncio e a perplexidade do povo nas manifestações de rua.
Na crise do sistema carcerário, a mesma solução - um comitê gestor sem participação das organizações de luta pelos direitos humanos; se de um lado a política de segurança pública se personifica no aliado Aluísio Mendes, do outro, no neocomunista Raimundo Cutrim... Percebe diferenças, caro leitor?
De tão iguais que estão ficando, a oposição consentida parece já transformar-se majoritariamente numa dissidência, numa "oposição" por dentro da oligarquia! O Maranhão já viu isso em 1965, na "Frente de Libertação do Maranhão" com José Sarney contra Vitorino Freire.
Já estão tão parecidos que até assinam, na Folha de São Paulo, artigos com o mesmo título ("Maranhão de Verdade" - Roseana Sarney, edição de 12/01/2014; "Maranhão de Verdade" - Flávio Dino, edição de 19/01/2014). Ambos, a seu modo, contando meias verdades sobre a barbárie maranhense. Percebe semelhanças, cara leitora?
Nesse "Maranhão de verdade", sem antagonismo real entre os grupos que se enfrentam, no meio do caminho fica o povo... Nesse emaranhado de meias verdades, ambos só acertam quando um critica ao outro.
Eis, assim, as bases da verdade que os dois lados não querem que prevaleça: eles tem mais semelhanças do que diferenças!


(*) Franklin Douglas -  jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 26/01/2014, p. 12.