quinta-feira, 18 de junho de 2009

POESIA DE QUINTA

Poesia de Quinta - Número 37
Por Deíla Maia


Este processo de escolha das poesias tem um quê de inconsciente... Do momento em que estou vivendo também, enfim...

Escolhi hoje esta poesia de Mário Quintana. Ela é linda e profunda... Como o mar.
É uma poesia que pode provocar profundas e diletantes reflexões... Esperem que gostem.
A poesia de hoje vai especialmente dedicada a minha amiga Babi, que não gosta de ser chamada de Bárbara!!!

Beijos


DEIXA-ME SEGUIR PARA O MAR
Mário Quintana

Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...


Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...


Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar.
as imagens perdendo ao caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...


toda a tristeza dos rios
é não poderem parar!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

DISCURSO DE SARNEY NÃO CONVENCE OPINIÃO PÚBLICA (II)

Sônia Hipólito - CBN:
SUA EXCELÊNCIA NÃO CONVENCEU


"Muito nervoso, maltratando a língua portuguesa, o presidente do Senado, senador José Sarney, foi à tribuna para se defender das críticas, segundo ele, muito injustas, que não respeitam sua biografia. Não convenceu.

Listou vários fatos de sua biografia. Falou dos 50 anos de vida pública, misturou fatos ocorridos durante a ditadura com ações suas na presidência da República.

Eximiu-se de toda e qualquer responsabilidade pela desmoralização completa por que passa o Senado da República. Repetiu inúmeras vezes que a crise não é dele, é do Senado.
Lamento, mas o senador José Sarney é o maior responsável pela crise."
leia mais aqui


Alexandre Garcia - Rede Globo
DISCURSO DE SARNEY DÁ SOBREVIDA À CRISE


"Quando era presidente da república, Sarney assinou papéis na Sudene e depois decretou: “com a assinatura desses atos, está resolvida a seca no Nordeste”. Continua a pensar que palavras substituem atos ou corrigem o malfeito.

Afirma que não conhece o que seja ato secreto, não soube do neto e acha justificável a nomeação da sobrinha, assim como nem sabia que lhe creditavam no contracheque R$ 3,8 mil por mês em auxílio-moradia.

Como nos filmes de ficção, é preciso acreditar que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Usou um argumento que já ouvimos em bate-boca no Supremo: “me respeite”, que é empregado, quando se esgota o poder de convencer.."
veja aqui

terça-feira, 16 de junho de 2009

DISCURSO DE SARNEY NÃO CONVENCE OPINIÃO PÚBLICA

Presidente secreto!

O discurso de José Sarney na tribuna do Senado não convenceu. Essa é a opinião dos principais analistas políticos mas, sobretudo, da opinião pública brasileira.

Sarney não anunciou qualquer medida concreta. Negou a existência dos atos secretos. Esqueceu que Agaciel Macial foi nomeação sua. Não lembrou que já foi por duas vezes de gestões passadas, portanto, tem vínculo direto com todas as bandalheiras que estão acontecendo no Senado.

Faltou uma Heloísa Helena para quebrar o corporativismo da casa e colocar Sarney na berlinda. A crise não é responsabilidade de todos do Senado, mas do grupo político de Sarney-Renan que transformou o Senado Federal numa Câmara de Vereadores da cidade de Sucupira, de Odorico Paraguaçu.
Acompanhe abaixo a repercussão junto aos internautas de O Globo e da UOL. No primeiro, são quase 1.600 comentários. No segundo, xxx. Ganha um doce quem adivinhar a quem os internautas atribuem a crise do senado... E você, o que acha?

N´O Globo, quase 1.600 comentários:

ValCosta - 17/06/2009 - 12h 08m
Concordo que a crise é de todo o Senado, mas quem é o seu Presidente? A quem cabe averiguar os atos obscuros que ocorrem na Casa? Quem é o responsável-mor? Então, fica clara a incompetência para ocupar o cargo quando diz que "não sabia de nada"...

Cristovão José Corrêa Barbosa17/06/2009 - 12h 06m
É uma vergonha, um representante institucional de uma organização dizer que o problema não é dele... Como assim? Foi eleito pelo voto popular para ser senador, é Presidente da instituição, e o problema não é dele??? FALA SÉRIO!!!

Anti-crápula 17/06/2009 - 11h 01m
Realmente Sarney não fez nada de errado,apensa colocou Agaciel Maia executar suas ordens (...)

Roberto Todor17/06/2009 - 10h 52m
Estou com receio do síndico do meu prédio gostar desta...O PROBLEMA É DO PRÉDIO NÃO É MEU!!!Pra quem gosta de futebol pode imaginar o Cuca dizendo...O PROBLEMA É DO TIME NÃO É MEU!!!Faltou o Sarney dizer que passou a vida trabalhando pro povo maranhense e brasileiro.Pra família dele eu tenho certeza que ele trabalhou.... e muito bem!

CENTURIONRJ 17/06/2009 - 10h 37m
Esse Sarney é um cara de pau....a crise é do senado, uma instituição completamente desmoralizada, mas essa crise é principalmente do Sarney, uma vez que vários aparinhados seus, são os beneficiários dos tais atos secretos. Se o Sarney fosse um homem dígno, não se submeteria a essa baixeza em nome de interesses menores... é um coronel maranhense à moda antiga

Papaduo 17/06/2009 - 10h 26m
Enquanto isso, no Arraiá do Senado...-Tem quadrilha? -tem sim senhor! -tem marmelada? -tem sim senhor!-E o brasileiro? -Dançando o tempo todoTodo dinheiro arrecadado será doado a entidades beneficentes.O Sarney já inscreveu toda a família neste programa.

MatroxHelm 17/06/2009 - 10h 21m
Êta CARA DE PAU!A família Sarney é MILIONÁRIA! Não precisa do dinheiro público para empregar parentes, colocar seguranças nas mansões de São Luis, se apropriar de prédio público para a "Fundação Sarney", receber auxílio-moradia e tantas outras "beneces" pagas por nós!

ByeByeBrasil 16/06/2009 - 16h 41m
Agora que espatifou o prato quer uma ideia de como colar os caquinhos ??? Por favor! Sai Sarney.

No UOL, cerca de 850 cometários:


[Antonio Sessa] [São Paulo SP Brasil ]
O Sr.Sarney foi patético e evazivo...retratou perfeitamente o perfíl de conduta dos nossos políticos.... uma vergonha

[Gustavo Almeida] [Salvador, Bahia, Brasil]
A desfaçatez com que o Sr. José Sarney se conduz ante as denúncias, comprovadas, do descalabro em que se transformou o Congresso Nacional é mais do que suficiente para o seu imediato afastamento e início do processo de cassação. Isso se o povo fosse realmente respeitado. Mas vivemos, lamentavelmente, em uma literal "república de bananas". Triste sina a do povo brasileiro.
[Angelo Prates] [Campinas, sp]
A fala de Sarney apenas vem a comprovar que esse sr. não tem condição alguma de ocupar o cargo de presidente do Senado! Se estivéssemos em um país verdadeiramente sério esse sr. renunciaria a esse cargo imediatamente....mas enfim estamos no Brasil.
[Armando de Salles oliveira] [S. Paulo, SP,Brasil]
Falar o que! Tres vezes presidente do senado e não sabe de nada!!!

[washington pessoa diniz] [campina grande paraíba brasil]
É uma vergonha e muita cara de pau do senhor senador ir a tribuna do senador para tentar iludir o povo brasileiro. A melhor forma dele mostar que é um cidadão do Brasil seria a renúncia. Com certeza um bom exemplo. Entretanto, nós brasileiros deveríamos ir para rua pedir a sua renúncia. O mais interessante no seu pronunciamento é ele tentar culpar a imprensa nacional. É um absurdo!

[mauro voss] [Ananindeua, Pará]
Igual ao Maranhão, a miséria e o anlfabetismo tambem não problema dele, estado que é proprietário a mais de 50 anos.

Colunista de O Estado do Maranhão também critica Sarney...



Calma, gente. Não se trata de nenhum colunista maranhense d´O Estado do Maranhão (EMA)!

Ecos refere-se a Mírian Leitão, mais conhecida na esquerda por Mirian "Porcão", por seus comentários sempre neoliberais e conservadores. Não é por outras que ela é uma das principais colunistas do EMA. Ou era... depois desta deve tomar o mesmo rumo que o Elio Gaspari. Domingo passado o colunista foi expurgado das páginas do EMA, que o censurou por conta do texto "Fernando Sarney desafia Charles Darwin".



Já para Mirian, comentarista da Rede Globo e do jornal O Globo, Sarney é um homem rico; ele tem uma casa em Brasília; é dono de uma ilha, a de Curupu; é dono de um sítio valiosíssimo em Brasília, Pericumã, que é tão grande que ele quer vender para explorar imobiliariamente; tem mansão de frente para o mar em São Luís, dentre outras coisas... aí ele recebe auxílio-moradia! Pra que isso? pergunta-se Mirian Leitão.


Ela mesma responde: isso é patrimonialismo! E arremata que, com Sarney, só acontece de corrigir erros quando a imprensa descobre.


Depois desse comentário, Mirian Leitão deve ser a próxima colunista a ser retirada do EMA. Daqui a pouco o jornal do esquema Sarney não terá mais colunas nacionais!


Assista ao vídeo aqui.



Abaixo, artigo de Hélio Fernandes, do Tribuna da Imprensa (Rio).






Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa
Sarney é inocente há 44 anos

Sarney é inocente há 44 anos: como governador, senador e presidente sem voto. Jamais pensou (?) em ser presidente da República. Começou na Frente Parlamentar Nacionalista, foi diplomado na ditadura (também concorda que foi “ditabranda”), reapareceu como grande líder enriquecido, perdão, encanecido, está no limiar dos 80 anos.


Não respondeu às denúncias documentadas de compra de propriedades pagas com dinheiro desviado de paraísos fiscais, por que contestaria a nomeação do neto?

Em Sarney, nada é secreto, nem a paixão como avô.


Condenam o Senado por este fato: “Fizeram 300 atos administrativos secretos, com decisões estapafúrdias e iconoclastas”, que palavras. Se eram secretas, como podiam ser publicadas no Diário Oficial?


Outro absurdo é a exigência de devolverem o dinheiro. Ora, se recebiam secretamente, como devolver publicamente? “Parece” perseguição?


Sarney foi sempre desprendido, destemido, jamais deprimido. Desinteressado de bens materiais, chegou a ser obrigado a manter 4 (quatro, isso mesmo) residências.


No Rio, onde morava desde 1952. Em Brasília, a capital mudou, era lá que exercia o mandato de deputado (Inicialmente). Tinha também uma bela casa em São Paulo, era sócio de Abreu Sodré, depois “governador” entre aspas e paetês. Bom amigo, logo que foi presidente (que surpresa) fez de Abreu Sodré chanceler. E casa no Maranhão, a residência modesta teve que se transformar num palacete, com direito a “ilha paradisíaca”, que expressão, como fugir a ela?


Ia esquecendo: a exigência constitucional de ter que se candidatar a senador por outro domicílio que não no Maranhão (a filha era governadora) fê-lo (ah, Jânio Quadros, muito amigo enquanto estava no Poder) ter uma outra residência. Pois a prova do domicílio “é o fato de morar”. Escolhido o Amapá, cumpriu integralmente “a obrigação a que estava obrigado”.Redundância? Tudo na vida de Sarney “redunda” em benefício.


PS - A existência de Sarney é uma permanente demonstração de heroísmo, lançou-se na vida pública para acabar a “dinastia” Vitorino, que durava 40 anos.


PS2 - Acreditando que o povo não pode viver com “dinastia” (naturalmente opressora) fundou a sua. Em nome do povo, pelo povo, para o povo. Mesmo que a morte os separe.

Presidência do Senado coloca Sarney no olho o furacão (IX)

É cada vez mais delicada a situação de Sarney, apesar de anunciar nas últimas horas uma certa "reação".

Abaixo, confira como os principais colunistas analisam a questão do escândalo dos atos secretos, agora estimados em quase 1.000 (falava-se em 300...).



Bom Dia Brasil - Rede Globo
"O Ministério Público quer que o dinheiro pago indevidamente seja devolvido aos cofres públicos. Já um grupo pequeno de senadores, um grupo suprapartidário, quer que a Polícia Federal e o Ministério Público investiguem os atos secretos que podem passar de mil.

Depois de horas de reunião do presidente do Senado com diretores da casa, silêncio. A pergunta continua sem resposta: quem mandou pagar horas extras, contratar e demitir funcionários na surdina? Quem deve ser o alvo das investigações? "


Veja a reportagem do Bom Dia Brasil aqui.


Lúcia Hipólito - CBN
"Primeiro passo para começar a recuperar a credibilidade do Senado é a renúncia do senador Sarney!"


Ouça a opinião de Lúcia Hipólita, na CBN, aqui.


Fernando Rodrigues - TV UOL/Folha
No centro do novo escândalo, José Sarney (...) Há, entre esses nomeados pelo atos secretos, um neto de José Sarney, uma sobrinha de José Sarney, a mãe de um neto de José Sarney e até a filha de um amigo de José Sarney, uma menina que é aspirante a modelo e foi colocada no conselho editoria do Senado (...). Tudo isso coloca em xeque a capacidade de Sarney em liderar um processo para resgatar da credibilidade do Senado









Blog do Luís Nassif
O forrobodó do Senado

Por Edmar Melo


Nassif, meu trivial de hoje vai para os Atos Administrativos secretos não publicados pelo o Senado Federal. E vai no verso:

O SEGREDO DO SENADO

Já vi político esconder
Castelo e bela mansão
Já vi escondendo dólar
Na cueca e no calção
Já vi político negando
E sob pressão jurando
Que nunca andou de avião

Já vi político cassado
Por causa do mensalão
Já vi outro se explicando
Como pagava a pensão
Já vi senador flagrado
Com um jatinho alugado
Com dinheiro do povão

Pensava ter visto tudo
Do nosso velho Congresso
Que já pagou hora extra
Nada obstante em recesso
E agora vejo o Senado
Contratando apaniguado
Sem publicar o acesso

Pra liberar hora extra
E aumentar o salário
O Senado Federal
Fez o povo de otário
Quinhentos atos secretos
Foram agora descobertos
Nesse conto do vigário

O ato de gestão pública
No Estado de Direito
Exige publicidade
Pra não nascer com defeito
Eficácia e transparência
Dão aos atos a essência
Pra produzir seus efeitos

Com esses atos secretos
Ilegais e indecentes
Senadores criam cargos
Pra nomear seus parentes
Já descobriram um neto
Sobrinha e parentes perto
Dos últimos três presidentes.


Blog do Josias de Souza -Folha de São Paulo
De todos os nus, o mais espatoso é o do presidente José Sarney (PMDB-AP). O senador foi pendurado nas manchetes em posições constrangedoras.

Além do neto, vem à luz a sobrinha secreta de Sarney

A principal serventia dos atos administrativos secretos do Senado é a de evitar que as ofensas à moralidade cheguem ao conhecimento da opinião pública.

O segredo livra os senadores do constrangimento de frequentar o noticiário como protagonistas da pilhagem.

Hoje, já se sabe que as malfeitorias oceânicas do Senado incluem a edição de pelo menos cinco centenas de decisões sigilosas.

A descoberta do trambique produziu em Brasília um fenômeno semelhante ao que infelicitou os bancos e investidores que nadavam desprotegidos em meio à crise mundial.

Deve-se ao bilionário Warren Buffett a melhor definição da encrenca: "Quando a maré baixa é que você vê quem estava nadando nu".

De todos os nus, o mais espatoso é o do presidente José Sarney (PMDB-AP). O senador foi pendurado nas manchetes em posições constrangedoras.

Primeiro, descobrira-se que um neto de Sarney, Fernando Michels Gonçalves Sarney, empregara-se no gabinete do aliado Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Ali permanecera, recebendo R$ 7,2 mil mensais à sombra, até que o STF decidiu dar um basta no flagelo do nepotismo.

Para evitar o escândalo, Fernando Sarney foi retirado da folha do Senado de fininho, por meio de um ato secreto.

Para que não houvesse dano à renda familiar, no lugar do neto entrou a mãe dele, Rosângela Terezinha Michels.

Trata-se de uma ex-candidata a miss Brasília, com quem Fernando Sarney, o filho do presidente, mantivera um namoro.

Instado a manifestar-se, Sarney disse que nada tinha a ver com o malfeito. Alegara que nem mesmo sabia que o Senado convivia com decisões secretas.

Descobre-se agora que, além do neto e da nora torta, também uma sobrinha de Sarney, Vera Portela Macieira Borges, ganhou contracheque da Viúva. Coisa de R$ 4,6 mil por mês.

Vera é filha de José Carlos de Pádua Macieira, irmão de Marly Sarney, mulher do presidente. Foi nomeada secretamente.

Oficialmente, está lotada na presidência do Senado. Dali, foi deslocada para o gabinete de Delcídio Amaral (PT-MS). Diz-se que dá expediente no Mato Grosso do Sul.

Os funcionários do escritório estadual de Delcídio afirmam que não conhecem Vera. O senador informa que deu emprego à sobrinha a pedido do tio ilustre.

A assessoria de Sarney atribui a nomeação por baixo da mesa a “um erro técnico”. Informa que a sobrinha é funcionária de carreira do Ministério da Agricultura.

Cedida à presidência do Senado sob Sarney, mudou-se para Campo Grande. Daí o arranjo com Delcídio, que, agora, diz que vai dispensar a sobrinha secreta.

Se havia nepotismo no caso do neto, não é diferente com a filha do irmão.

O STF proibira a nomeação de "parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau".

Acha pouco? Pois tem mais: nomeou-se secretamente no Senado também a filha de um velho amigo de Sarney, o ex-ministro Silas Rondeou.

A moça se chama Nathalie Rondeau. Tem 23 anos. “Trabalha” à sombra, desde 2005, no Conselho Editorial do Senado. Quem comanda a repartição?

Ora, Sarney, é claro! Desde 2002. Não é demasiado recordar que Rondeau foi arrancado da pasta das Minas e Energia pela lâmina da Operação Navalha.

A despeito das suspeitas de envolvimento pouco republicano com a construtora Gautama, de Zuleido Veras, o amigo de Sarney foi mantido por Lula numa cadeira do conselho de administração da Petrobras.

Cabe a pergunta: depois de ser flagrado nadando nu, com que autoridade Sarney poderá sustentar o discurso da moralidade?

No Senado, tudo leva a crer que nem toda nudez será castigada.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

JUSTIÇA FEDERAL ANULA DOAÇÃO DE CONVENTO DAS MERCÊS À FUNDAÇÃO JOSÉ SARNEY


Justiça invalidou a legislação estadual que regulamentou o registro da propriedade e decidiu que o imóvel fosse reincorporado ao patrimônio público do estado

A pedido do Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA), a Justiça Federal anulou a doação do Convento das Mercês à Fundação José Sarney, tornando inválida a legislação estadual que regulamentou o registro da propriedade. Pela decisão o imóvel será reincorporado ao patrimônio público do estado.

O episódio da doação aconteceu em 1990, quando o governo editou uma lei que autorizava a incorporação do convento aos bens da fundação, conhecida à época por Fundação da Memória Republicana. Três anos depois, a Assembleia Legislativa do Maranhão aprovaria uma lei ratificando a doação.

Em agosto de 2004, o MPF entrou com ação contestando a doação do Convento das Mercês à Fundação José Sarney e pedindo a reintegração do bem ao patrimônio do estado do Maranhão com base em um decreto-lei, assinado em 1937 - o decreto impede que bens tombados pela União sejam doados a qualquer entidade de direito privado.

Notificada, a fundação alegou que é uma entidade pública federal e que, por isso, seria válida a doação. No entanto, entre os objetivos da entidade, registrados em cartório, está o de “organizar e perpetuar a memória dos presidentes da República tendo por base o acervo privado do presidente José Sarney”, o que deixa evidente seu caráter de pessoa jurídica de direito privado.

Para a Justiça, é clara a incompatibilidade das leis sobre as quais aconteceu a doação do imóvel. “A Lei estadual 5.007, de abril de 1990, ratificada pela Lei 5.765, em 1993, pela Assembleia Legislativa, autoriza a doação tratada. Mas está em completa discordância com a lei federal vigente (Decreto-lei 25/37) que proíbe a doação de bens tombados a entidades privadas”, afirmou o juiz Nelson Loureiro dos Santos.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a área do convento passou a pertencer ao estado do Maranhão em 1905. Em 1974 ela foi tombada pelo Patrimônio Histórico da União. O Convento da Mercês, que tem mais de cinco mil metros quadrados de área construída e outros sete mil de área livre, é um dos principais pontos turísticos do Centro Histórico de São Luís. Para o MPF, a anulação da doação significa respeitar e resguardar o patrimônio público e social.

(Fonte: Assessoria de Comunicação do MPF/MA - acesse aqui)

Quem deve pedir a cassação de Sarney?

A última enquete do Ecos perguntou aos leitores e leitoras: como a oposição maranhense deve se referir à governadora Roseana Sarney?

Pois, bem. Para 42%, devemos rotular Roseana Sarney como "Governadora biônica". Então, aqui no Ecos, assim será: Governadora biônica!

As demais opções ficaram assim votadas: Governadora de proveta, 20%; Governadora Sarney, 18%; e Governadora pif-paf, 17%.

NOVA ENQUETE
Em nossa nova enquete, Ecos das Lutas quer sua opinião sobre a nova maracutaia de Sarney que pode lhe tirar da presidência do Senado. Responda à enquete e contribua para dar luz às oposições maranhense neste momento.

Avalie e vote.

Desrespeito ao artigo 37 da Constituição. Nepotismo. Improbidade administrativa. Na sua opinião, com base nestes argumentos, quem deve pedir a cassação do mandato de Sarney no Senado?

A OAB-Maranhão?
Os movimentos sociais?
A oposição maranhense através de seus partidos com representação no Senado (PSDB, PDT, PT, PSB, PCdoB, PSOL)?
Os deputados federais de oposição à oligarquia?

Até Noblat: "SAI SARNEY!"

Até Ricardo Noblat acredita que a única saída para Sarney é sua renúncia à Presidência do Senado. Por que até Noblat?

Porque Noblat é, digamos assim, um dos jornalistas da grande imprensa admiradores do velho oligarca (por aqui também tem uns "independentes" que nutrem o sarneismo).

É de Noblat o "Sarney é bom com ph...", escrito quando o senado amapo-maranhense foi à disputa do Senado, em 2 de janeiro de 2009:

"Acordou, Sarney?

Pelo que lhe conheço você não deve ter dormido direito. Eu também não. Fui deitar depois das 4h e aqui estou a aborrecê-lo.

Imagino você, que tenta ser presidente do Senado pela terceira vez dos anos 90 para cá.

Vai, levanta da cama, pede o café e os jornais.

(...) Hoje será seu grande dia, Sarney - para o bem ou para o mal.
Não basta vencer.

No caso de uma vitória apertada, seus desafetos dirão que você será incapaz de comandar o Senado com pulso firme, que todos os seus atos serão contestados, que sua saúde fraquejará, etc e tal...

É bobagem, eu sei, mas eles dirão isso. Começaram a dizer.
Se vencer com uma razoável margem de votos, aí, sim, terá mais é que sair para o abraço, abrir as portas da casa para receber os amigos, agradecer a Deus antes de ir dormir e se permitir dizer baixinho antes de cair no sono para só você escutar: "Eu sou bom mesmo". Bom com ph.

Passará os próximos dois anos pontificando do alto da cadeira que acomodou nádegas ilustres ainda na época do Império.

Se quiser, ainda terá a chance de renovar o mandato por mais dois anos.
Estará na foto oficial da posse do futuro presidente da República seja ele quem for. E o coitado ainda será forçado a comer direitinho em sua mão."

A postagem de hoje às 8h no Blog do Noblat, durante o período da manhã, recebeu quase 170 comentários!

É... a coisa tá ficando feia para o lado do senador José de Ribamar Costa!


Sai, Sarney!
Por Ricardo Noblat - 15/6/2009

Vez por outra lemos a respeito de político japonês que se matou depois de ter sido acusado de corrupção.

O mais recente foi Toshikatsu Matsuoka, ministro da Agricultura, em maio de 2007. Ele aceitou suborno de um empresário e pediu reembolso de despesas que sempre foram cobertas por seu gabinete.

A ser processado e talvez preso, preferiu se enforcar. O próximo domingo será um dia tristemente histórico para a Inglaterra. Pela segunda vez, um presidente da Câmara dos Comuns, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados, renunciará ao cargo, acusado de má conduta. O primeiro a renunciar foi Sir John Trevor em 1695. Seu crime? Ter embolsado grana de um comerciante em troca do apoio à aprovação de uma lei.

Michael Martin, 63 anos, presidente da Câmara dos Comuns há quase dez, não se vendeu a ninguém nem tirou vantagens ilícitas do cargo. Mas foi conivente com os colegas que tiraram.

Deputados com direito a verba para bancar moradia em Londres conseguiram reembolso por gastos para consertar quadras de tênis, limpar fossas, comprar cadeiras de massagem e aparelhos de televisão de tela plana. Os mais ousados cobraram até pelo aluguel de filmes pornográficos.

O cordato Martin avalizou os desmandos. Uma vez que eles foram descobertos pela imprensa, tentou encobri-los. Como a tarefa se revelou impossível, pediu ajuda à polícia para identificar as fontes de informações dos jornalistas. A polícia nem se mexeu.

Por fim, Martin se rendeu. Seguirá o exemplo dado por Trevor há 314 anos.
Aqui já assistimos a renúncia de presidentes da Câmara e do Senado enrolados em denúncias de quebra de decoro. Foi o caso de Severino Cavalcanti, presidente da Câmara. E de Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros, presidentes do Senado.

Diferentemente de Trevor no passado, e agora de Martin, eles não abandonaram os cargos premidos pelo sentimento de vergonha. Renunciaram para não ser cassados. Foi um ato sem vergonha. Assim puderam preservar os direitos políticos e voltar ao Congresso reeleitos.

José Sarney está no olho do furacão que varre o Senado desde que ele foi eleito em fevereiro último para presidi-lo pela terceira vez. A primeira foi em 1995.

O que existe de podre no Senado não é obra exclusiva dele. Um presidente do Senado não pode tudo, muito menos sozinho.

Mas é um escárnio Sarney continuar fingindo que nada tem a ver com a crise mais grave da história do Senado. Não apenas tem a ver: Sarney é o principal responsável por ela. A semente da crise foi plantada no primeiro mandato dele como presidente do Senado.

“Eu só tenho a agradecer ao Dr. Agaciel Maia pelos relevantes serviços que ele prestou”, disse Sarney ao se despedir do ex-diretor-geral do Senado, defenestrado da função devido à crise.

Agaciel foi nomeado por Sarney. Ao longo de 14 anos, acumulou poderes e cometeu toda a sorte de abusos com a concordância explícita ou velada de Sarney e dos que o sucederam no comando do Senado.

Na semana passada, ao som da música do filme “O Poderoso Chefão”, Agaciel casou a filha Mayanna sob as bênçãos de Sarney, Renan Calheiros e de dois outros ex-presidentes do Senado – Garibaldi Alves e Edison Lobão.

Para lá do inchaço do quadro de funcionários do Senado, do pagamento de horas extras não trabalhadas, da criação de diretorias fantasmas, da homologação de licitações suspeitas e da assinatura de decretos secretos, há fatos que dizem respeito diretamente a Sarney e que o deixam mal na foto.

Dono de imóvel em Brasília e inquilino da mansão destinada ao presidente do Senado, Sarney recebeu durante mais de um ano auxílio-moradia de R$ 3.800,00 mensais reservada a senadores sem teto.

Flagrado, primeiro negou que recebesse. Depois se apropriou do mote de Lula e disse que não sabia.

Um neto de 22 anos de Sarney assessorou durante mais de um ano o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Foi a maneira que Cafeteira encontrou, segundo admitiu, de agradecer ao pai do rapaz por tê-lo reaproximado de Sarney.

Há uma sobrinha de Sarney lotada no ex-gabinete da filha dele no Senado, Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão. E há outra empregada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MTS) em Campo Grande. Essa ganha sem trabalhar.

É possível acreditar que o pai da crise esteja de fato empenhado em resolvê-la? Ou que reúna condições para tal? E quem disse que seus pares estão interessados em refundar o Senado?

A essa altura, uma só coisa depende de fato de Sarney: a renúncia à presidência do Senado para atenuar as nódoas recentes de sua biografia.

No Senado é assim...

No Senado Federal, sob comando do velho oligarca, é assim...

... Pra ser secretário parlamentar, tem que ser neto ou mãe de neto de Sarney;
... Pra ser assistente parlamentar, tem que ser sobrinha de Sarney;
... E, agora, com mais um ato secreto descoberto, sabe-se que para ser do Conselho Editorial do Senado tem que ser filha de
muy amigo de Sarney, Silas "Operação Navalha" Rondeau!

O que ainda virá??

O Estado de São Paulo - 15/6/2009

Ato secreto garante emprego no Senado a filha de aliado de Sarney
Ex-ministro Silas Rondeau é o pai de Nathalie, de 23 anos, aspirante a modelo nomeada para Conselho Editorial

Leandro Colon, Rosa Costa e Rodrigo Rangel, BRASÍLIA

Aspirante a modelo, a jovem Nathalie Rondeau foi nomeada em 26 de agosto de 2005, por meio de um ato secreto, para trabalhar no Conselho Editorial do Senado. Nathalie, 23 anos, é filha de Silas Rondeau, ex-ministro de Minas Energia, afilhado político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Com 13 livros publicados, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Sarney preside o Conselho Editorial desde 2002. Nesse período, como revelam cópias de atos secretos obtidos pelo Estado, Sarney conseguiu empregar pessoas de sua ligação, aumentar salários e multiplicar o número de cargos existentes no órgão.

Quando Nathalie ganhou o emprego - com salário de R$ 2,5 mil -, o senador já comandava o órgão. A jovem entrou no Senado um mês e meio depois de Silas Rondeau ser indicado pelo próprio Sarney para assumir o Ministério de Minas e Energia. A assessoria de Sarney afirmou que a publicação referente à nomeação da jovem não foi publicada de forma transparente em 2005 "por erro técnico".

Rondeau, no entanto, deixou o cargo em maio de 2007 após a acusação, sempre negada, de que recebera R$ 100 mil de propina da construtora Gautama, alvo da Operação Navalha da Polícia Federal. Nathalie, porém, permanece na folha de pagamento do Senado, segundo a assessoria de Sarney. A assessoria garantiu que ela cumpre expediente.

Nos últimos anos, a jovem, cujo perfil no Orkut registra a participação em 352 comunidades de interesse, das quais nenhuma é dedicada à literatura, tem se destacado em desfiles de moda em Brasília, como o Capital Fashion Week. A nomeação sigilosa da filha de Rondeau no Conselho Editorial soma-se a outras designações, também secretas, que beneficiaram parentes, aliados ou conhecidos do presidente do Senado.

Conforme o Estado revelou na semana passada, um boletim sigiloso serviu para nomear uma sobrinha de Sarney para um cargo em Campo Grande (MS), a 1.079 quilômetros de Brasília. Outro ato, desta vez público, serviu para dar emprego no gabinete do aliado Epitácio Cafeteira (PTB-MA) à ex-miss Brasília Rosângela Michels Gonçalves, mãe do neto do presidente do Senado.

VAGAS
Pelo menos 20 movimentações secretas - entre nomeações e exonerações - envolveram o Conselho Editorial. Há decisões sigilosas também referentes à sua estrutura. Um ato secreto, assinado na véspera do Natal de 2004, quando Sarney presidia o Senado pela segunda vez, deu ao órgão um orçamento maior para contratar funcionários de confiança. O conselho então passou a ter o privilégio de dispor de seis vagas com a maior remuneração: R$ 10 mil. Assim, pode dividir, segundo regras do Senado, cada uma dessas vagas maiores por até oito cargos de R$ 1,2 mil, permitindo, no total, 48 nomeações.

Outra decisão daquele mesmo mês de 2004, também mantida à sombra na ocasião, autorizou a contratação de funcionários de confiança para três vagas de comando do Conselho Editorial que deveriam ser preenchidas por servidores efetivos. As outras duas cadeiras já estão reservadas para comissionados.

Na quarta-feira, o Estado revelou que o órgão serviu também para abrigar políticos do Amapá, Estado que Sarney representa. É o caso de Luiz Cantuária Barreto, conhecido como Lucas Barreto (PTB), ex-presidente da Assembleia do Amapá. Ele recebeu, por meio de ato secreto, R$ 7 mil mensais entre 2007 e 2008 do Senado. O Conselho Editorial foi usado ainda para nomear, sigilosamente, o dentista Ricardo Araújo Zoghbi, filho do ex-diretor João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos) a partir de fevereiro de 2006.

Sarney foi o mentor da criação do Conselho Editorial do Senado em 1997. Cabe a esse grupo de pessoas dar o aval para a gráfica da Casa produzir biografias de parlamentares, estudos jurídicos, técnicos e grandes coleções - como a história da Constituição brasileira. Na página oficial do conselho, a missão do órgão é assim descrita: "Editar obras de valor histórico e cultural e de importância relevante para a compreensão da história política, econômica e social do Brasil e reflexão sobre os destinos do País." A gráfica gasta R$ 30 milhões por ano com essas publicações, muitas vendidas em feiras de livros pelo País.

Foi na gráfica que o ex-diretor-geral Agaciel Maia deu os primeiros passos funcionais para se tornar o homem mais poderoso da administração do Senado nos últimos 15 anos. Ele entrou ali como datilógrafo em 1977. Virou diretor executivo da gráfica anos depois. Em 1995, foi alçado a diretor-geral por Sarney. Deixou o cargo em março, após a suspeita de ter ocultado a propriedade da casa em que mora em Brasília, avaliada em R$ 5 milhões.

A reportagem procurou Nathalie Rondeau na sexta-feira e no sábado em sua casa, onde mora com o pai, Silas Rondeau. Um recado foi deixado na portaria do prédio, mas nenhuma resposta foi dada até o fechamento desta edição.

Folha On Line - 15/6/2009
Mais uma sobrinha de Sarney tem vaga criada por ato secreto

ADRIANO CEOLIN
Da Folha de S.Paulo, em Brasília


Prima da governadora Roseana Sarney (MA), Maria do Carmo de Castro Macieira foi nomeada no Senado por meio de ato secreto. O documento determina o ingresso dela num cargo no gabinete ocupado pela própria Roseana, então senadora pelo PMDB do Maranhão.
O gabinete era chefiado pela servidora Doris Marize Romariz Peixoto, a atual presidente da comissão de sindicância que investiga o uso de atos secretos no Senado desde 1995. Os outros integrantes são o diretor de Recursos Humanos, Ralph Campos, e o consultor-geral de Orçamento, Fábio Gondim.

O ato de nomeação da prima de Roseana foi assinado pelo então diretor-geral da Casa, Agaciel da Silva Maia, que deixou o cargo em março por ter ocultado da Justiça casa avaliada em R$ 5 milhões.

Maria do Carmo Macieira é prima de Roseana por parte da mãe, Marly, mulher do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O ato de sua nomeação consta do Boletim Administrativo do Pessoal Suplementar número 3264-S.

O boletim foi editado em 29 de junho de 2005. Porém, só foi publicado na intranet da Casa por um arquivo de 14 de maio deste ano. Do boletim consta a nomeação de José Raimundo Ferreira Verde Filho também para o gabinete de Roseana.

O ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi era o responsável pela edição dos boletins administrativos de pessoal. Ele também deixou o cargo em março deste ano, após a denúncia de que emprestou um apartamento funcional do Senado para os filhos.

Doris afirmou que a responsabilidade da indicação é dos congressistas. "O gabinete apenas encaminha os ofícios para o protocolo", disse. Ela afirmou não lembrar se o ato de nomeação de Maria do Carmo foi publicado na data correta. Sobre seu trabalho na comissão, apenas disse não se ver impedida.

A prima de Roseana recebeu aumento neste ano. Seu salário subiu para R$ 2.794,18. Com data de 17 de março, o ato que determinou o aumento foi público, assinado pelo atual diretor-geral, Alexandre Gazineo.

Em 2008, o Supremo editou uma súmula que estabeleceu as normas para casos de nepotismo. Pela decisão, primos podem ser nomeados por primos. Como Maria do Carmo é sobrinha de Marly Sarney, mulher do presidente do Senado, pode ser configurado nepotismo.
Roseana, que se recupera de cirurgia, não foi localizada ontem para falar sobre o caso.
A outra sobrinha de Sarney nomeada por ato secreto também o é por parte de Marly. Foi contratada para servir ao senador Delcídio Amaral (PT-MS) em Campo Grande. Sarney teve também um neto nomeado assim no gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA).
Depois que deixou de ser chefe de gabinete de Roseana neste ano, Doris Marize foi nomeada por Sarney diretora-geral-adjunta da Casa.

Em 29 de maio, ela foi nomeada pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) presidente da comissão que investiga os boletins administrativos feitos desde 1995 --quando Agaciel chegou à diretoria.

Segundo a Folha apurou, Ralph Campos, diretor de Recursos Humanos que também faz parte da comissão, foi indicado para o cargo por Zoghbi. Na semana passada, ele contou que decidiu "colocar no ar" os atos secretos que encontrou. Contudo, isso foi feito sem que os documentos fossem identificados como secretos. Na sexta, Sarney anunciou que determinará que os atos secretos sejam colocados na intranet do Senado com identificação.


Veja - Blog Reinaldo Azevedo
Juristas prevêem processos por improbidade e atropelos à Constituição
Por Guilherme Scarance, no Estadão

O fato de o Senado ter criado cargos e efetuado nomeações por meio de atos secretos fere diretamente a Constituição e acarreta a devolução dos valores pagos e, eventualmente, ações por improbidade administrativa contra funcionários e parlamentares. A opinião foi unânime entre especialistas consultados pelo Estado.

Na avaliação da professora de direito constitucional do Mackenzie e da USP Monica Hermann Salem Caggiano, o Senado praticou “uma irregularidade muito grave”. Ela cita o artigo 37 da Constituição, que estabelece os princípios básicos a serem obedecidos em todos os atos dos três Poderes - um deles é a transparência. “Todo ato de autoridade, para ter valor, precisa ser publicado. Se não for, não tem efeito jurídico.”

Segundo Monica, todos os atos secretos “têm de ser revistos e declarados nulos”. E completa: “Quem recebeu tem de devolver o dinheiro. Se trabalhou efetivamente, pode entrar com ação e pedir indenização.”

Para a jurista, devem responder pelas irregularidades tanto quem assinou as decisões como quem ordenou o pagamento. A punição interna vai até a demissão e, no âmbito legal, Mônica prevê ações por peculato e improbidade administrativa.

“É ilegal”, confirma o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, que também vê violação à Carta de 1988. “Existem duas repercussões: devolução ao erário, se foi de boa-fé, ou devolução cumulada com improbidade, se ganhou sem trabalhar.” Aqui

domingo, 14 de junho de 2009

Presidência do Senado coloca Sarney no olho o furacão (VIII)

É claro que Gaspari, uma vez mais, foi censurado no jornal da oligarquia. Nada aos leitores(as) d' O Estado do Maranhão sobre a crítica do jornalista ao "novo" escândalo em torno do Senado, o dos atos secretos e nomeações de Sarney.

O fundo do poço que o Senado se meteu com Sarney na presidência é destaque n' O Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo, na Veja, no CQC de Marcelo Taz.


Iniciamos, abaixo, com o comentário de um leitor anônimo da matéria no Estadão. Noutras, Sarney é alvo de 45 comentários sobre a nova estripulia...



Ingenuidade e desinformação
Dom, 14/06/09 20:25 , Anônimo
"Desculpem-me os autores da matéria e os comentaristas. Analisar Sarney por essses fatos, dá uma sensação de ingenuidade ou de desinformação proposital,consciente,buscando uma formação de opinião e consolidação.Quem conhece política, alem das saulas de aulas infestadas de militância , sabe muito bem que o poder que Sarney incorpora passa muito alem desses "pequenos" fatos.Vejamos:Sarney tem um tentáculo em cada ponto do poder, quer seja no executivo, legislativo ou judiciário(perguntem a Saulo Ramos.Lula e o PT tem "rabo preso" com Sarney.Que tem um tentáculo no PSDB(Aécio,Tarso);no PV(Gabeira);no PC DO B(Flávio Dino); e muito mais.É muito infantil julgar e acreditar que Sarney está morto.Sarney é discípulo de Vitorino Freire, cacique da política maranhense do século passado. Mas Sarney é um "intelectual" e aplica na prática tudo que Maquiavel teorizou.Para quem acompanha o dia-a-dia da politica brasileira sabe que Sarney é corrupto e todos que estão junto com ele tambem.Portant é ingenuidade ou desinformação."


Elio Gaspari (Colunista da Folha de São Paulo)
FERNANDO SARNEY DESAFIA CHARLES DARWIN

O senador maranhense Epitácio Cafeteira foi categórico numa conversa com o repórter Rodrigo Rangel: "Eu contrato quem eu quero e não sabia que tinha que pedir autorização a vocês da imprensa".

O problema não é de autorização, mas de compostura. Há 22 anos, o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente e dono de eletrizante fortuna, procriou fora do casamento com uma ex-candidata a Miss Brasília. Cafeteira colocou o moço na bolsa da Viúva dando-lhe um emprego de R$ 7,6 mil mensais em seu gabinete. Pressionado pelas restrições ao nepotismo, demitiu-o e, para equilibrar o orçamento desse ramo da família de Fernando Sarney, contratou a mãe. Tudo com a discrição dissimulada das casas-grandes.

O filho do ex-presidente tem patrimônio e renda suficientes para pagar R$ 7,6 mil mensais com dinheiro do seu bolso. Para o padrão de consumo do andar onde circula, essa quantia equivale a duas caixas de bom vinho, ao custo de um jantar para 15 pessoas ou ao hotel na Europa num feriadão. Fernando Sarney não precisava passar a conta de seu filho para a Viúva. O episódio não assombra pelo aspecto corrupto nem mesmo pela avareza. O que ele traz de pior é a exposição da decadência.Nas palavras de Cafeteira: "Eu devia favores ao Fernando. Ele me ajudou na campanha". Fica faltando o senador dizer que favores e quanto valeram. No ano do bicentenário de Charles Darwin, Fernando Sarney tornou-se uma peça para o estudo da regressão das espécies.



Na solidão do poder, Sarney vive seu outono do patriarca
Presidente do Senado mostra desgaste, em meio a sucessão de escândalos.

O Estado de São Paulo (14.06.2009)
João Bosco Rabello e Christiane Samarco - BRASÍLIA

Com passos curtos e seguros, vestindo um sobretudo de lã preta, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, 79 anos, entrou na noite de segunda-feira na residência oficial do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Na área externa da casa, em volta do presidente Lula, grupos de políticos e jornalistas conversavam animadamente e esperavam o jantar em homenagem aos participantes da 4ª Conferência Legislativa de Liberdade de Imprensa. Feitos os cumprimentos protocolares, um José silencioso, que não denunciava a biografia com mais de meio século de poder político, fugiu do burburinho e ficou parado no primeiro dos três degraus que separam o salão da casa do jardim virado para o Lago Paranoá.

Apartado da descontração em torno de Lula e recolhido do frio das noites candangas de junho, o ex-presidente da República, ex-governador de Estado, presidente do Congresso, ex-deputado federal e senador José Sarney ouviu de um jornalista a pergunta: "Presidente, o Senado já está mais ameno?" E Sarney, expondo os indícios do fardo em que se transformou o cargo, respondeu: "Meu filho, aquilo não ameniza nunca.

"Era o início da semana em que, depois de todos os escândalos - da hora extra sem limites à profusão de diretores -, a reportagem do Estado revelaria o caso dos atos secretos que fizeram da direção-geral do Senado um guichê de distribuição de empregos e salários entre amigos, na última década e meia.

A noite na casa de Temer expôs um Sarney que fez história, mergulhou no vício solitário do poder e vive o autêntico outono do patriarca. A ideia de disputar pela segunda vez a presidência do Poder Legislativo já foi um arroubo extemporâneo. Como revelam alguns dos amigos mais íntimos, a real motivação para essa disputa foi a conquista de um cargo político poderoso para enfrentar a investigação que a Polícia Federal fazia nas empresas da família, a Operação Boi Barrica.

A PF chegou a pedir ao juiz da 1ª Vara Criminal de São Luís a prisão preventiva de um filho de Sarney, Fernando, e da nora, Teresa Murad Sarney. O presidente do Congresso temia que a espetacularização que caracterizava as operações da PF naqueles dias acabasse por levar até a prisão da neta, filha de Fernando e Teresa. Em conversa com amigos, chegou a desabafar: "Para protegê-la mandei que só dormisse com a avó" - a família temia uma operação de busca, apreensão e prisão na residência de São Luís.

O OCASO
Quem acompanha há mais tempo - e de perto - a trajetória do senador identifica dois atores políticos distintos: o "Sarney do Maranhão", que virou senador pelo Amapá, e o "Sarney nacional". O do Amapá, que garantiu a manutenção da sua vaga no Congresso, passa despercebido. O do Maranhão ganhou oxigênio político com a volta da filha Roseana ao governo estadual. Mas o Sarney "nacional" hoje é politicamente mais frágil que o de novembro do ano passado, antes da disputa renhida com o PT pelo comando do Congresso. A briga com o senador Tião Viana (PT-AC) estendeu-se após a eleição e deixou sequelas que não amenizam.

Na avaliação de um dirigente do PT, Sarney continua "muito forte" com o lulismo, mas desgastou-se com o petismo. O PT absorve no limite estritamente necessário sua aliança com o Planalto, mas sempre que pode deixa clara a incompatibilidade dos DNAs políticos. A soma desses fatores expõe um Sarney frágil e compõe a fotografia de uma liderança histórica em declínio, em que pese a reconquista do poder regional, por meio da filha, Roseana, que o TSE devolveu ao governo do Maranhão.

A volta da senadora ao Palácio dos Leões dá gás ao chamado grupo sarneysista, que vinha perdendo espaço no Estado. Com a retomada da máquina do governo, a tendência é recuperar a base perdida para Jackson Lago (PDT), cassado por abuso de poder econômico. Prova disso é que, quando assumiu o governo em 17 de abril, Roseana e seu grupo eram minoria na Assembleia. O placar em favor de Lago e seus aliados era de 42 a 16. Menos de dois meses depois, Roseana já contabiliza o apoio de 30 deputados estaduais, mas a repercussão disso na liderança nacional de Sarney é praticamente nula.

O ocaso da liderança do patriarca Sarney se dá por fatores múltiplos, em que o cronológico é o de menor relevância. Aos 79 anos de idade, com boa saúde e aparência, Sarney se vê distante da geração dos políticos locais. Lá se vão 30 anos desde a última vez em que disputou uma eleição no Maranhão, onde a maioria dos atuais prefeitos não o conhece pessoalmente. Só um projeto nacional em torno de Roseana teria poder de reverter a curva descendente em que ele se encontra, como ocorreu nas eleições de 1994 e 1998, mas principalmente depois da morte do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), quando ela passou a ser alternativa das correntes mais conservadoras à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Veio o caso Lunus - operação da PF que apreendeu mais de R$ 1 milhão em espécie em empresa da família durante a campanha eleitoral -, que alijou Roseana da disputa e jogou Sarney nos braços do PT (ele atribuiu a operação a uma conspiração do hoje governador José Serra, então candidato do PSDB ao Planalto).

ACM
Tal cenário gera efeitos semelhantes ao experimentado pelo ex-senador Antônio Carlos Magalhães - assim como Sarney, uma liderança nacional consolidada a partir de um império político regional. A longevidade da cultura política fisiológica de ambos transformou-os em líderes com doutrinas próprias que passaram a integrar o vocabulário político brasileiro: o "carlismo" e o "sarneysismo". Ainda em vida, ACM assistiu à lenta deterioração do carlismo, como Sarney experimenta agora em relação ao sarneysismo. O grupo carlista sobrevive à morte de ACM na Bahia, mas não dá mais as cartas do jogo político nem está na linha de frente da disputa pelo poder. Assim como os "sarneysistas" se escoram apenas na figura do patriarca e na posição institucional que Sarney ocupa no Congresso. Olhando o panorama nacional, a tendência é de declínio.

Depois de enfrentar a campanha do "Xô Sarney" em uma eleição difícil contra Cristina Almeida no Amapá, o senador acabou mostrando que a visão apurada da velha águia política, que lhe rendeu cálculos políticos precisos e o levou à Presidência da República -, começa a dar sinais de alguma miopia. Forçado a disputar a sucessão do Senado, calculou que poderia ser guindado à presidência sem disputa. Errou.

Contou com o apoio de Lula para influir a seu favor, mas não aconteceu bem assim. Cometeu novo equívoco quando supôs que seria fácil derrotar Viana. Quis vestir o figurino confortável de candidato da instituição, com o apoio da oposição, mas não teve os votos do PSDB que contava como certos. Mal assumiu a cadeira de presidente, teve de afastar seu amigo e compadre Agaciel Maia da diretoria-geral, algo que julgou ser possível evitar se derrotasse Tião Viana. Por fim, não teve a dimensão do escândalo que abalaria o Senado e achou possível evitá-lo com a mesma fórmula de 14 anos atrás, de contratar uma consultoria da Fundação Getúlio Vargas.

As feridas da disputa com o PT já tinham evoluído da fase da sangria para uma hemorragia política que transformou a FGV em ator figurante. Alimentada por setores do funcionalismo do Senado que sonhavam em tomar o poder com Tião Viana, a oposição a Sarney trouxe denúncias que lhe atingiram diretamente: um auxílio-moradia pessoal indevido e um neto exonerado por ato secreto, depois de flagrado em nepotismo explícito. A estratégia de transferir ao primeiro-secretário, Heráclito Fortes, o ônus das explicações sobre as denúncias contra o Senado não funcionou mais. Sarney se viu obrigado, ele mesmo, a dar declarações em defesa própria.

Nesse ponto, o fator cronológico passa a ter importância. Sarney já fez as contas e sabe que não terá mais tempo para recuperar o desgaste de imagem e renascer forte aos 81 anos, quando termina o mandato à frente do Senado. O clima já não lhe será tão favorável como parecia profetizar ao recusar-se a ir para o jardim da residência oficial da Câmara na noite da última segunda-feira: "Está muito frio lá fora."


Sarney usa ato secreto para criar cargo para sobrinha
Folha de São Paulo (14.06.09)


Da Folha de S.Paulo, em Brasília

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), utilizou um boletim secreto para nomear sua sobrinha Vera Portela Macieira Borges para um cargo na Casa, fora de Brasília.

Apesar de ser oficialmente funcionária da presidência, Vera está lotada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS), em Campo Grande. A assessoria do senador petista diz que ela exerce funções administrativas e afirma que desconhecia o fato de ela ser parente de Sarney.

Ainda segundo a assessoria de Delcídio Amaral, Vera foi trabalhar em seu gabinete por pedido do próprio presidente do Senado. Delcídio afirma que não manterá a funcionária agora que descobriu o parentesco.

O caso foi divulgado ontem pelo jornal "O Estado de S.Paulo", que revelou ainda o salário (R$ 4,6 mil) da sobrinha de Sarney. De acordo com a reportagem, funcionários de gabinete de Delcídio disseram não conhecer Vera Portela Macieira Borges.

Vera é filha de José Carlos de Pádua Macieira, irmão de Marly Sarney, mulher do presidente. Súmula do STF (Supremo Tribunal Federal) proíbe a nomeação de "parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau".

Sarney não foi localizado para comentar o caso. Sua assessoria confirmou os dados, mas alega que a nomeação reservada aconteceu "por um erro técnico". Disse ainda que Vera é, na verdade, funcionária de carreira do Ministério de Agricultura cedida para a presidência do Senado. Como em 2003 ela se mudou por razões pessoais para Campo Grande, foi cedida ao gabinete de Delcídio.

Sarney estava na presidência do Senado quando a sua sobrinha foi nomeada como assistente parlamentar.

O peemedebista também utilizou os atos secretos para nomear a mãe de um dos seus netos para trabalhar no gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Rosângela Terezinha Gonçalves foi contratada depois que seu filho, João Fernando Sarney, teve que ser exonerado após a edição da súmula do Supremo que proibiu o nepotismo nos Três Poderes. O pai de João é Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.

Na semana passada, quando foi tornada pública a existência dos atos secretos do Senado, o presidente da Casa, José Sarney, disse desconhecer tal prática.

Boletins de nomeações e de medidas administrativas são considerados secretos quando não são divulgados na intranet do Senado ou são divulgados meses e até anos depois de sua publicação.

Reportagem da Folha de ontem revelou que o Senado usou os atos secretos para criar 15 cargos em comissões, que beneficiaram Agaciel Maia, ex-diretor do Senado, e o funcionário Osvaldinho Gonçalves Brito, braço direito de Sarney há 40 anos.

Com a mesma técnica, o Senado tornou permanente adicionais salariais para um grupo seleto de servidores e reajustou o valor do auxílio-alimentação de forma retroativa.

Um dos atos secretos transformou comissões temporárias em permanentes. Dentro do Senado, a participação nessas comissões é muito disputada pelos servidores, porque seus integrantes ganham um adicional mensal de R$ 2.300 em seus salários.

Todos os atos desde 1995 até março deste ano estão sendo analisados. Uma comissão interna, criada há cerca de 15 dias, está estudando exatamente o período em que Agaciel Maia esteve à frente da Diretoria Geral. Em outra frente, o procurador do Ministério Público no Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, solicitou a abertura de processo sobre os atos secretos, a punição dos responsáveis pela medida e a devolução aos cofres públicos de todos os recursos públicos liberados por meio dos atos secretos.

Agaciel Maia alega que não existem atos secretos, mas sim erros de publicação, e se diz perseguido politicamente. Ele deixou o posto de diretor após a Folha revelar que possui uma casa avaliada em R$ 5 milhões não declarada à Justiça.

Segundo Agaciel Maia, ele não é responsável pelas decisões que visavam aumentar o número de cargos no Senado --nem pelo fato de os gabinetes preencherem essas vagas.

A informação sobre os atos secretos é mais um capítulo na crise por que passa o Senado desde o início da gestão Sarney. Ele assumiu o cargo em fevereiro deste ano, quando vieram à tona uma série de escândalos.


O MISTERIOSO VOO NA MAIONESE DE JOSÉ SARNEY
Por Marcelo Tas - Blog do TAZ/Programa CQC



A semana foi, novamente, um nocaute para José Sarney. Desta vez foi localizado um neto dele, contratado ilegalmente no Senado. O gajo foi imediatamente afastado. Com um detalhe nefasto: por um ato secreto, para que sociedade não fosse informada. E, como se a palhaçada não estivesse suficiente, no lugar do neto, foi contratada a mãe do mesmo!

Entenda a tramóia: Dona Rosângela Terezinha Gonçalves, casada com um filho de Sarney, foi contratada depois que João Fernando Sarney, seu filho, foi exonerado. O pai de João é Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.

Enquanto isso, como foi a semana de Sarney? Almoçou com Boni, ex-todo-poderoso da Globo, no Gero, restaurante dos Jardins em São Paulo, quando degustaram um Chateau Petrus, vinho que vale por baixo a bagatela U$ 5 mil a garrafa. Depois foi à festa de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor do Senado, pivô de todos os recentes escândalos, um autêntico "Papai Noel" dos congressistas, como aponta o jornalista Josias de Souza em seu blog.

Hoje (sexta, 12) para fechar a semana em grande estilo, Zé Sarney rabisca seu textinho semanal, publicado na Folha, com o seguinte título: "O mistério do AF 447". O beletrista cita Camões, Guimarães Rosa, mas não dá um pio sequer sobre o que todos nós queremos saber: o mistério da caixa preta do Senado.

Como se vê, Sarney não teme a opinião pública. Está rindo da minha, da sua, da nossa cara, nobre internauta. Como leitor do jornal, sinto minha inteligência e meu bolso sendo desrespeitados com a publicação dos devaneios desse senhor.


POR DEBAIXO DO PANO
Por Expedito Filho - Veja

A absoluta ausência de fiscalização, aliada ao apego de alguns políticos ao dinheiro público, não pára de produzir histórias espantosas no Congresso Nacional. A última delas: na direção-geral do Senado existia uma espécie de serviço paralelo de administração, responsável por contratações, aumentos de salário e distribuição de benefícios a um grupo restrito de parlamentares e servidores da casa. Tudo às escondidas, sem seguir os trâmites normais da burocracia, com o objetivo de permitir a execução de atos que deveriam ficar distantes dos olhos da opinião pública. Por essa janela secreta, senadores nomearam parentes para cargos de confiança, contrataram correligionários e concederam gratificações e aumentos de salário a funcionários escolhidos a dedo. Como vem acontecendo nos últimos casos de irregularidades, não se percebe muita disposição ou empenho em identificar e punir os responsáveis - e por razões compreensíveis.

Na relação dos beneficiados estão o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) e diretores que ocuparam até pouco tempo atrás altos postos na administração da casa. Apontado como o idealizador da repartição secreta, o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia negou qualquer irregularidade. Na quarta-feira passada, Agaciel, que foi afastado da direção por ocultar a posse de uma mansão milionária, promoveu a festa de casamento da filha, em que compareceram, entre outros, os três últimos presidentes do Senado - Renan Calheiros, Garibaldi Alves e José Sarney. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo afirma que entre os beneficiados dos atos secretos está João Fernando Michels Gonçalves Sarney, de 22 anos, neto do senador, que trabalhou por 18 meses no gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). O rapaz foi exonerado por causa da lei que proíbe o nepotismo. Para seu lugar - também por um ato secreto - foi nomeada a mãe dele, Rosângela Terezinha Michels Gonçalves.

"Não tenho compromisso com o erro. Qualquer irregularidade, eu tomarei providências. Garanto que não haverá mais atos secretos no Senado", diz o senador Heráclito Fortes, o responsável pela administração da casa. O problema é que a intenção do senador em não deixar nada sem apuração esbarra na leniência de seus colegas, alguns envolvidos nas irregularidades, e na própria burocracia do Senado, que há anos tira proveito do descontrole - e, com isso, os escândalos vão se sucedendo. "Só existe uma saída para normalizar as coisas no Congresso: transparência absoluta", diz Roberto Romano, professor de ética da Unicamp. A receita é simples.

sábado, 13 de junho de 2009

No Senado é assim... pra ser secretário particular, tem que ser neto do Sarney; pra ser assistente parlamentar, tem que ser sobrinha do Sarney...

Quase todo maranhense conhece a chacota divulgada pelo deputado Domingos Dutra, em seu livro sobre o Sarney - "O Camaleão" - que diz:

"No Maranhão é assim, pra nascer é Maternidade Marly Sarney, pra ir de táxi, é no Posto Kyola Sarney, pra estudar tem a escola José Sarney, pra ir de um lado a outro da ilha, tem a ponte José Sarney... Tem também o Fórum Desembargador Sarney, o Tribunal de Contas Roseana Sarney" e por ai vai...

Pelo visto, nova edição d' O Camaleão vai ter que acrescentar as nomeações nepotistas e "secretas" de Sarney:

"No Senado, é assim, No Senado é assim... pra ser secretário particular, tem que ser neto do Sarney; pra ser assistente parlamentar, tem que ser sobrinha do Sarney..."

Enquanto isso, no Senador nenhuma voz pede a cassação do mandato de Sarney na Comissão de Ética... argumentos não faltam. Cadê o PSol, o senador José Nery, o PT de Tião Viana, o PDT de Cristovam Buarque, o PSDB de Athur Virgílio???? Que falta faz um senador da oposição maranhense no Senado!






Ato secreto deu cargo no Senado a sobrinha de Sarney que mora em MS (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090613/not_imp386653,0.php)

Apesar dos 1.079 quilômetros que separam sua casa de Brasília, ela foi contratada para vaga de confiança

Por Rosa Costa, Rodrigo Rangel e Leandro Colon

Os boletins secretos que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirma desconhecer foram utilizados em maio de 2003 para nomear sua sobrinha Vera Portela Macieira Borges para um cargo na Casa. Apesar de morar em Campo Grande (MS), a 1.079 quilômetros de Brasília, ela foi contratada para exercer o cargo de confiança de assistente parlamentar, com salário de R$ 4,6 mil, originalmente na presidência do Senado. Sarney exercia, na ocasião, seu segundo mandato como presidente da Casa. Vera está na folha de pagamento do Senado até hoje.

Assinada pelo então diretor-geral Agaciel Maia, a primeira nomeação de Vera foi publicada, às claras, no dia 24 de março de 2003, mas ela não tomou posse. Um mês e meio depois, porém, Agaciel assinou duas outras medidas, mas com caráter de sigilo. Uma delas, só agora divulgada, tratava da nomeação da sobrinha do presidente do Senado.

Procurada ontem, a assessoria de Sarney confirmou o parentesco, a nomeação e informou que, na verdade, Vera dá expediente no escritório político do senador Delcídio Amaral (PT-MS), em Campo Grande. De acordo com os assessores de Sarney, ela é funcionária de carreira do Ministério da Agricultura e está "cedida" ao Senado, lotada na assessoria do parlamentar petista. No entanto, o Estado telefonou ontem para o escritório de Delcídio em Campo Grande e, lá, funcionários disseram - em entrevista gravada - não conhecer nenhuma Vera Macieira.

"Não tem ninguém aqui com esse nome. É estranho isso", disse um assessor do petista em Campo Grande. No gabinete do senador em Brasília, que faz contato diariamente com o escritório de Delcídio na capital sul-mato-grossense, Vera também é uma desconhecida, de acordo com outros assessores consultados pela reportagem.

O Estado falou com o próprio Delcídio, que afirmou ter Vera Macieira entre os funcionários de seu escritório em Campo Grande. "Ela trabalha comigo, sim, e dá expediente de segunda a sexta-feira", disse o senador. Delcídio, porém, não soube informar o nome completo da assessora nem precisar há quanto tempo trabalha em seu escritório. "Eu acho que tem quatro ou cinco anos. Ela veio do Ministério da Agricultura."

O senador disse que foi Sarney quem lhe pediu que acolhesse Vera em seu escritório. "Ele me solicitou, porque ela estava aqui, em Campo Grande, e eu atendi", disse. Delcídio afirmou ter "de cinco a seis" funcionários no escritório - o que diminuiu sensivelmente a possibilidade de não conhecerem a suposta colega. "Ela exerce funções administrativas no escritório e quem disse que ela não trabalha lá está sendo leviano."

O nome da servidora foi ignorado no ajuste feito pela Casa para se enquadrar à súmula antinepotismo do Supremo Tribunal Federal (STF). Vera é filha de José Carlos de Pádua Macieira, irmão de Marly Sarney, mulher do presidente do Senado. A súmula do STF proíbe "a nomeação de parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, da autoridade nomeante investido em cargo de direção".

A assessoria de Sarney atribuiu a "um erro técnico" o fato de a nomeação ter sido publicada reservadamente. Na quarta-feira, o Estado revelou que o Senado contratara João Fernando Sarney, de 22 anos, por um salário de R$ 7,6 mil. Ele é neto do presidente do Senado, que também tem outra sobrinha na Casa. É Maria do Carmo de Castro Macieira, filha de outro irmão de Marly, nomeada em ato público para o gabinete da ex-senadora Roseana Sarney - hoje governadora do Maranhão. Maria do Carmo mora e trabalha em São Luís, no escritório político de Roseana. Seu salário é de R$ 2,7 mil.

Por determinação de Sarney, os atos secretos - hoje publicados em meio aos demais, na data em que passaram a fazer efeito - serão divulgados separadamente. Para sua assessoria, a iniciativa é "demonstração de transparência e uma sinalização de que o senador não tentou ocultar nenhum fato".

Ontem, o procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União, entrou com pedido de abertura de investigação dos atos secretos.

A ‘farra em família’ do clã Sarney no Senado
Jornal Pequeno
Na quarta-feira, 10, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o Senado contratara o neto do presidente do Senado, João Fernando Michels Gonçalves Sarney, de 22 anos, por um salário de R$ 7,6 mil. Ele passou 18 meses pendurado na folha de pagamento do Senado como funcionário do gabinete de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), um senador amigo da família Sarney.

Na quinta-feira, 11, o jornal trouxe mais uma informação bombástica. Assim que João Fernando foi demitido, em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu o nepotismo no poder público, a mãe dele foi contratada - para o mesmo cargo, no mesmo gabinete, e com o mesmo salário (R$ 7,6 mil).

Trata-se de Rosângela Terezinha Michels Gonçalves, que foi candidata a Miss Brasília em 1976, 4ª colocada no Miss Brasília 1980 (representando o Grêmio Esportivo Brasiliense) e Miss Acre 1982.

João Fernando é filho de Fernando Sarney (superintendente do Sistema Mirante), que teve uma relação fora do casamento com a ex-miss. O nome de João Fernando aparece no inquérito da Polícia Federal que investigou seu pai Fernando Sarney. No inquérito (página 36), a PF informa que o jovem recebia dinheiro em espécie da São Luís Factoring - empresa do grupo Mirante apontada pela PF como suspeita de lavagem de dinheiro. João Fernando e outros integrantes da família Sarney tiveram sigilo fiscal e bancário quebrados pela Justiça Federal.

Outra sobrinha
Além de Vera Macieira, outra sobrinha de José Sarney é funcionária do Senado - Maria do Carmo de Castro Macieira, filha de outro irmão de Marly, nomeada em ato público para o gabinete da ex-senadora Roseana Sarney (hoje ocupante do governo do Maranhão). Maria do Carmo mora e trabalha em São Luís, no escritório político de Roseana, filha de José Sarney. Seu salário é de R$ 2,7 mil.

Por determinação de Sarney, os atos secretos - atualmente publicados em meio aos demais, na data em que passaram a fazer efeito - serão divulgados separadamente. Para sua assessoria, a iniciativa é "demonstração de transparência e uma sinalização de que o senador não tentou ocultar nenhum fato".

Na sexta-feira, o procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União, entrou com pedido de abertura de investigação dos atos secretos.

(Rosa Costa, Rodrigo Rangel e Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo, e Redação do JP)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Artigo definido: Katiuscia Pinheiro

Ecos abre espaço para os artigos de seus leitores e leitoras. Criamos, neste Dia dos Namorados, o espaço Artigo Definido. Nele, buscaremos manter a relação (de leitura) firme.

Iniciamos com a querida Katiúscia Pinheiro, artigo bem pertinente neste dia dos namorados. Atenção atacantes, nada de WO no dia de hoje! Leiam até o fim e entenderão a brincadeira.

E o FPM (Futebol Para as Mulheres), ó...



O país do futebol (?)
Katisucia Pinheiro


França, final da Copa do mundo de 1998. O Brasil inteiro, que aprendeu a se encantar com as fantásticas demonstrações de genialidade e arte com a bola empreendidas por Ronaldinho, alcunha o fenômeno, assistem perplexos a um espetáculo de inércia.

Depois de criar toda uma expectativa no país que mais ama o futebol no mundo, o craque, para espanto de todos, não mostrou a que veio. Tristeza e decepção, desânimo e principalmente frustração.

Talvez poucas circunstâncias se aproximem de descrever o sentimento de algumas mulheres hoje em dia em relação à (não) atuação de alguns homens como esse episódio. Explico melhor.
Em reuniões de amigas, em bate papo em banheiros femininos, nos salões de beleza, já é muito rotineiro chegar a meus ouvidos reclamações de amigas e conhecidas de que os homens, e aqui peço toda vênia possível, já não “fazem mais gols” como antigamente.

E pasmem, não se trata de “falhar” na hora “H”, acontecimento em que ainda dá pra esperar mais um pouco e rezar para que o gol aconteça no segundo tempo ou na prorrogação, mas se trata de coisa bem pior.

Trata-se mesmo da pior atuação que um “craque” pode (não) ter em campo: o WO. Para os/as menos entendidos de futebol (não que esta neófita escritora entenda mais do que alguém que tem um irmão e um pai flamenguista) o WO ocorre quando uma das equipes não comparece, ou seja, AMARELA.

Isso mesmo. Marca e, na hora do jogo, “gela”. Pensei estarem minhas amigas exagerando na reclamação quanto a esse “fenômeno”, mas as queixas foram se avolumando e já não dá mais para dizer que é uma coisa pontual.

Certamente não é com a maioria dos jogadores (sempre primei pelo otimismo), mas existem certas questões cuja seriedade é tanta que não precisa de 100% de ocorrência para se constituir numa quase calamidade pública.

Incitar a torcida a ver um prometido excelente espetáculo e não comparecer para efetivar sua tão alardeada habilidade com a (s) bola (s) não é coisa que se faça. Antes a reclamação ia no sentido da ausência do futebol arte, pedir demais para muitos jogadores que, comumente, mal dão um passe a contento. Ou então tinha a ver com a eterna briga para que eles jogassem com o “uniforme” adequado para sua própria proteção (e da torcida). Mas pelo menos o jogo acontecia e ainda se ouvia alguns foguetes no final da partida.

A situação está ficando tão grave que algumas torcedoras já estão até sentindo falta do futebolzinho técnico, pois, mesmo na retranca, o jogo acontecia e sempre havia a possibilidade de ocorrer algum gol. Havia pelo menos a esperança de “correr pra galera” no final. Com o WO não há nenhuma possibilidade de comemoração... A coisa está tão feia que algumas já até suspiram de saudade do Parreira...

Poderão os/as mais ponderados/as argumentar: talvez o “jogador”, no meio do caminho, teve de dar conta de outro “adversário”. Pois é, está aí outra coisa intrigante. Antes eles conseguiam jogar com vários times e até davam seu recado direitinho. Mas agora parece que só aguentam mesmo uma partida com UM time (de várzea?). Brasileirão e Copa do Brasil ao mesmo tempo, nem pensar.

Mas, como já diz a minha vó: “se não pode com o pote, não segura na rodilha”.

Os patrocinadores já não sabem o que fazer para cobrir o prejuízo por não contar mais com a audiência da torcida, que já não acredita quando um jogo é marcado e... não acontece!

Ai que saudade dos homens das cavernas, confessou-me uma amiga semana passada. Segundo ela, eles eram rudes (argh!), mas pelo menos não tinham preguiça de usar o tacape!

Esperançosas, muitas mulheres nunca deixarão de acreditar na potência de nosso futebol, mas por via das dúvidas, poderão sempre recorrer ao jogo “virtual”, meios para isso hoje é o que não falta.

Mas no fundo, no fundo, apesar do medo das faltas, o que a maioria das mulheres queriam mesmo era o que só esportes não individuais e de contato como o futebol podem proporcionar: o bom e velho corpo a corpo...

Fazer o quê...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Poesia de Quinta

Poesia de Quinta - Número 36
Por Deíla Maia

Poesia de Quinta de hoje é de uma autora norte-americana que viveu muitos anos na Índia, MAURA MOYHIHAN, pois era filha do embaixador americano em Nova Delhi.

Ela acabou se apaixonando pela cultura indiana e escreveu um livro de contos, que por sinal eu estou lendo agora. Chama-se "Hotel Yoga: histórias da India". Neste livro consta também esta poesia, na qual ela faz um paralelo interessante acerca do o paradoxo entre as duas culturas (ocidental x indiana). A poesia não tem título.

Esta poesia vai especialmente dedicada ao Sameer, um indiano que conheci há pouco tempo e que está atualmente morando no Brasil, experimentando um outro lado das diferenças culturais.
Namaste.
Deíla

Sou uma refugiada do novo mundo,
procurando asilo no velho mundo
de verdades imutáveis,
procurando girar a Roda do Dharma.

No novo mundo nos foi dito
que as máquinas nos libertariam da escravidão,
que esta nova ordem nos tornaria homens livres,
que conforme nos rendemos à servidão industrial,
tornamo-nos livres para saquear tudo o que há aqui,
livres para desperdiçar nossa liberdade numa falsa alegria.

A natureza é violada, deslocada,
e não somos mais sensíveis à Sua dor;
escolhemos a reprovação, a desgraça...

Aqui estamos, encharcados nesta noite chuvosa e,
ainda que em mundos distintos, somos iguais.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mais um escândalo com a família Sarney

O novo escândalo envolvendo o senador amapo-maranhense José Sarney está no Estado de São Paulo de hoje (10/6/09): http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090610/not_imp385164,0.php

Neto de Sarney foi beneficiado
Rapaz recebeu salário de secretário parlamentar durante 18 meses
Rodrigo Rangel - BRASÍLIA

João Fernando Michels Gonçalves Sarney é um jovem de 22 anos que está perto de terminar o curso de administração numa faculdade particular de Brasília. Apesar da pouca idade e de ainda não ter diploma, ele carrega no currículo, além do sobrenome de peso, um emprego de prestígio. Por um ano e oito meses, João ocupou formalmente um dos postos mais altos da estrutura funcional do Senado. Foi secretário parlamentar, função que dá direito a salário mensal de R$ 7,6 mil. A história agora se tornou conhecida graças à revelação dos atos secretos.

É o próprio João Fernando quem revela as credenciais que lhe garantiram o bom emprego. Procurado ontem pelo Estado, respondeu sem rodeios à pergunta sobre sua relação com o presidente do Senado. "Sou neto do senador Sarney, meu pai é o Fernando", disse. Ele se referia a Fernando José Macieira Sarney, filho mais velho do senador e encarregado de tocar os negócios da família. A mãe de João, Rosângela Terezinha Michels Gonçalves, candidata a Miss Brasília em 1980, é ex-namorada de Fernando.

O rapaz foi nomeado assessor do Senado em 1º de fevereiro de 2007. Quem assinou a nomeação foi o atual diretor-geral da casa, Alexandre Gazineo, na época adjunto do então todo-poderoso Agaciel Maia. João deveria trabalhar no gabinete do senador Epitácio Cafeteira, do PTB do Maranhão, terra dos Sarney. Esteve lotado no Senado até 3 de outubro do ano passado, quando um novo ato secreto, também assinado por Gazineo, formalizou sua saída.

Indagado sobre suas atividades no gabinete, João Fernando respondeu que "fazia de tudo um pouco". Antes, porém, perguntou: "Como você soube que eu trabalhava lá?" Ele garante que comparecia ao trabalho de segunda a sexta-feira. O Estado telefonou ontem para o gabinete de Cafeteira. A funcionária que atendeu a ligação disse não conhecer nenhum João Fernando que tenha trabalhado ali.

João Fernando diz que teve de deixar o emprego porque "estava sem tempo". Em seguida, completou: "Foi quando começou aquela decisão (sic) sobre nepotismo." A saída coincide com a crise instalada no Senado após o Supremo Tribunal Federal proibir a contratação de parentes nos três Poderes.

Sobre os atos secretos do Senado - ou seria ESCÂNDALOS "SECRETOS" ? -, confira no Estadão: SENADO ACUMULA MAIS DE 300 ATOS SECRETOS PARA CRIAR CARGOS.

O outro Jomar


Se tinha gente que confundia Jomar Moraes, o escritor, com Jomar Fernandes, o político, agora tem argumento para se justicar: Jomar Fernandes, o político, agora também se aventura pela literatura.

Ele lança, nesta quarta-feira (10/06/2009) em São Luís, o seu livro "A identidade Secreta de Maria Madalena: a exclusão do feminino na origem do cristianismo". Será às 19 h, no Palácio Cristo Rei, na Praça Gonçalves Dias. O livro já foi lançado em São Paulo e em Brasília.


Jomar entra no polêmico e subterrâneo universo do cristianismo. Dan Brown – de “O Código Da Vinci” que o diga! (foi proibido pelo Vaticano aos católicos). Resta saber se, com um livro tão melindroso (sobretudo a um estado de quase 90% de cristãos e 54% de analfabetos), Fernandes busca uma porta de saída da Academia da política para abrir a porta de outra Academia, onde vive o Moraes, a de Letras...


Genro-problema...

Êta, jantarzinho caro esse! Tá dando o que falar para além do Ecos das Lutas.

Veja a nota desta terça-feira (09/06/2009), no Painel da Folha. Sarney só falta dizer que o problema foi o genro. Parece aquele presidente americano que, perguntado se já havia fumado maconha, respondera: "fumei, mas não traguei!".

Tomou o vinho Sarney? Tomei, mas não sorvi!


"Sobremesa.
José Sarney diz que chegou só no final do almoço de sexta no Gero, do qual participaram seu genro, Jorge Murad, o médico Raul Cutait, o ex-senador Gilberto Miranda e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni"

sábado, 6 de junho de 2009

Um brinde a Roseana...


As notas abaixo estão publicadas na Folha de São Paulo de hoje (sábado-06/06/2009)... Como bebe e passa bem essa "nossa" elite!

"Brinde 1.
Com Roseana já fora da UTI do hospital Albert Einstein, seu pai, José Sarney, o marido, Jorge Murad, o médico Raul Cutait, o ex-senador Gilberto Miranda e o empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, dividiam mesa ontem no Gero, no bairro paulistano dos Jardins.

Brinde 2.
Pela mesa passaram uma garrafa de Château Latife, uma de Château Latour (preços entre R$ 1,9 mil e R$ 2,8 mil) e uma de Château Pétrus (um dos vinhos mais caros do mundo, cotado entre R$ 5 mil e R$ 40 mil, a depender da safra). Franceses da região de Bordeaux, foram todos levados pelos comensais. Não figuram na carta do restaurante da família Fasano."


Enquanto isso, no pobre Maranhão...

Lá no Hospital Socorrão, Luís e Álvaro, amigos de César, estão aliviados. Após, por sorte, encontrar um amigo da época de universidade (agora médico), conseguiram tirar César do "sorteio" do plantão. No Socorrão é assim: escolhe-se quem vai morrer ou viver. Não dá para operar a todos que sofrem na fila de espera da emergência!

O amigo dos dois, lá pelas duas da manhã, foi operado de apendicite. A situação estava complicada. Já tinha retornado duas vezes do hospital (era só uma inflamaçãozinha, lhe dizia a médica de plantões anteriores!). Salvou-se, graças à sorte de ser amigo de amigos que tinham um amigo médico no Socorrão. Luís e Álvaro atravessaram a avenida das Cajazeiras e, ali mesmo na Madredeus, tomaram umas catuabas. Pra aliviar e comemorar a vida do amigo!

(*) com a devida alteração dos nomes dos envolvidos, o fato acima não é mera ficção oposicionista...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A TERRA É AZUL!

Por Haroldo Saboia

“A terra é azul!”. Anunciou, em 12 de abril de 1961, Yuri Gagarin o primeiro astronauta, o primeiro homem a viajar pelo espaço. Seu feito segue uma longa trajetória da Humanidade desde os antigos gregos, com o mito de Ícaro, caído ao mar com suas asas de cera derretidas; aos projetos extraordinários de Leonardo Da Vinci, na Renascença; até o nosso Santos Dumont conseguir levantar do solo por segundos seu 14 Bis, no início do século XX.

A história da aviação sempre fascinou a todos. Quem não se lembra da comédia inglesa, de 1965, com o ator italiano Alberto Sordi, dirigida por Ken Annakin, “Esses Homens Maravilhosos e suas Máquinas Voadoras”?

Fascínio e tragédia. O homem cada vez mais em busca de construir aparelhos seguros, ora com sucessos fabulosos, ora com acidentes desoladores.

O desastre do avião Airbus Air France no domingo com mais duzentos e dezesseis passageiros e doze tripulantes a bordo comoveu o mundo inteiro. (O único acidente com um Air Bus 330 anterior a este foi em 1994, em fase de teste, sem passageiros, apenas com membros da equipe).

Passageiros e tripulantes de 32 nacionalidades: vítimas de todos os continentes, de todas as idades, das mais diversas atividades profissionais.

Juliana, 29 anos, formada em música pela UnB, trabalhando havia seis anos na Alemanha, de retorno após visitar a família em Brasília. Adriana, jornalista, funcionária da Petrobrás em viagem, a trabalho, à Coréia. Leonardo, 31 anos, brasileiro, oceanógrafo, residente na Holanda, que veio para sua festa de noivado. Ana Carolina e seu marido Gabriel, que trabalhavam na ONG Viva Rio no combate ao tráfico de armas e drogas. João Marques, pernambucano, operário de um estaleiro no Rio, e até um descendente de Dom Pedro II, Pedro Luis, 26 anos.

E muitos, muitos outros. Quantos sonhos, quantos desafios. Muitos, talvez a maioria, viajando a trabalho - ou melhor, dada a dimensão da crise econômica mundial - para não perder o emprego. Com certeza, para o maior número de passageiros Paris - a bela e luminosa Paris, em plena primavera - era mero ponto de conexão e não o destino final.

Algumas vezes, tive a oportunidade de observar, por exemplo, em voo de São Paulo para o aeroporto suíço de Zurich sempre uma grande quantidade de brasileiros descendentes de japoneses (fato não observado neste caso). Eram os decasséguis: brasileiros descendentes de terceira ou quarta gerações de japoneses que trabalham no Japão e constituem uma população, seguramente, superior a 600 mil.

E por que fazer o trajeto São Paulo-Tóquio via Europa? É que os EUA, a partir de Bush, exigem de todos os passageiros estrangeiros visto de entrada mesmo que seja para uma simples escala de duas ou três horas. Quanta estupidez!

Mas o que realça na lista dos passageiros deste voo da Air France é a multiplicidade de situações. Brasileiros que trabalham fora do país nas mais diversas, e qualificadas, atividades. Estrangeiros radicados em nosso país movidos pelo trabalho e/ou laços familiares.

Há um caso em que um suíço-alemão, nascido no Brasil, e adotado por um casal europeu veio visitar pela primeira vez sua terra natal. Outro, único membro estrangeiro da tripulação francesa do avião da Air France era brasileiro; são sessenta os brasileiros que trabalham na empresa, em Paris.

Comovente, igualmente, o episódio dos três italianos, Rino, Giovanni e Luigi, membros de uma associação de solidariedade, que vieram ao nosso país com recursos e donativos às vítimas das enchentes de novembro de 2008, em Santa Catarina.

Toca-me, de modo especial, o caso do casal de suecos que viajava sempre em voos diferentes. Neste caso, o pai seguiu antes com uma filha de três anos enquanto a esposa, Christine, de 34 anos, com o filho Philippe, de 5 anos, foram no voo da Air France. O encontro que teriam em Paris foi substituído pelo estupor da noticia...

Isto me faz lembrar a sábia decisão de meus pais, José e Iracema, que nunca viajavam na mesma aeronave: alguém teria que ficar para educar os filhos... Precaução maior só a do nosso estimado Oscar Niemeyer, saltitante às vésperas de completar seus 102 anos, sempre com os pés na terra; tomar um avião, nem pensar!

Para todos, seguidores de Niemeyer ou não, resta o sofrimento que uma tragédia desta impõe. Lembrar fatos que marcaram nossa cidade, nossas vidas, e que guardamos, ao longo do tempo, na memória. O mais antigo talvez seja a morte da jovem Maria de Lourdes Rezende, estudante do Colégio Santa Teresa, vítima de um acidente no Aeroporto de Recife procedente de Lisboa, provavelmente em 1961. O deputado Miguel Bahury, maranhense, em acidente na ponte aérea Rio-São Paulo poucos meses após sua esposa ser vítima de desastre, no mesmo trecho, praticamente nas mesmas circunstâncias. E o impacto causado pelo monomotor que, após estolar, explodiu na Ponta da Areia levando o meu amigo Miguel Damous. Ou a morte, em Santa Luzia, do estimado comandante Gaudêncio.

Também impossível esquecer os momentos que passei, em 1974 - logo depois da Revolução dos Cravos - quando na primeira fila de um velho Boeing, no trecho Paris-Porto, enfrentamos uma fortíssima turbulência já próximo à chegada.

Como não conseguia disfarçar o medo, que assumia ares de desespero, para logo evoluir ao pavor e pânico - o meu vizinho começa a entabular conversa, pergunta se eu estava sentindo algum mal-estar ou coisa que o valha. Respondi-lhe, com franqueza:

- Morro de medo de avião.

-Mas como? O avião é o meio de transporte mais seguro, retrucou.

- É por que o senhor não viu o que vi ano passado (1973), quando perdi um amigo no avião da Varig, em Orly.

- Como não? Não houve falha mecânica nem erro humano - asseverou. O que houve foi um incêndio provocado por um passageiro fumante no toalete.

- Certo, mas acrescentei: os passageiros morreram todos asfixiados, antes mesmo da aterrissagem, disse-lhe.

Consentiu para, em seguida, sem titubear:

- O senhor quer saber, meu nome é Gilberto Araujo. Estava no comando do avião de Orly. Foi um acidente terrível, lamentável, mas que não compromete a segurança da aviação.

Meio descrente, falei do meu amigo e das condições de reconhecimento dos objetos e pertences dos passageiros. Embora tivéssemos trocado cartões e endereços, não voltamos a nos encontrar.
O comandante Gilberto Araujo desapareceu no Pacífico em um cargueiro 707 da Varig, em 1979. Sem vestígios.

(P S: Yuri Gagarin, o astronauta russo do primeiro voo espacial em torno da Terra, por triste ironia do destino, morreu em 1968 igualmente vítima de acidente aéreo.)