domingo, 5 de outubro de 2014

A LÓGICA DA REPRODUÇÃO DO PODER OLIGÁRQUICO NO MARANHÃO



Franklin Douglas (*) 

Neste domingo, 5 de outubro de 2014, Flávio Dino deve tornar-se o terceiro governador eleito pelas “oposições” no Maranhão, em quase meio século de pleitos ao Executivo Estadual. Tudo indica que ele repetirá o feito de José Sarney (1965) e o de Jackson Lago (2006).
Que diferenças e semelhanças há nos três casos?
Sarney, em 1965, nunca foi uma opção iniciada por fora do sistema: foi uma autêntica dissidência por dentro da classe dominante – no Maranhão, no Rio de Janeiro (sede do Governo Federal, à época), nos três poderes constituídos, no coronelismo dos rincões maranhenses.
De dissidência intraoligárquica, em substituição a Vitorino Freire (que o exercera antes por duas décadas), Sarney consolidou-se como dirigente do poder oligárquico no Maranhão, com o apoio dos generais, em seus 20 anos de Ditadura Militar, e sua adesão à Aliança Democrática de Tancredo Neves, cuja morte às vésperas da posse possibilitou ao sarneismo mais 20 anos de poder, a partir do exercício da Presidência da República (1985-1990), e cujos instrumentos lhe garantiram a cooptação da oposição do PMDB maranhense, via Epitácio Cafeteira (pleito de 1986), e, nos anos 2000, sua aliança com Lula da Silva, que lhe dá mais nove anos de sobrevida, com a cooptação do PT maranhense.
Jackson Lago, em 2006, venceu porque candidato do governo José Reinaldo, dissidente do sarneismo, mas logrou êxito enfrentando o poder central em Brasília, o mito Lula, e praticamente toda a estrutura oligárquica local, ainda que trazendo para si o apoio da oposição conservadora. Seu vínculo às lutas democráticas, ao brizolismo, às lutas populares maranhenses, sua primeira eleição de prefeito (1988), tornaram Jackson Lago uma opção por fora do poder oligárquico maranhense, embora só tenha vencido por conta do determinante apoio do Governo do Estado e dos setores da dissidência oligárquica.
Seu vacilo, no primeiro momento pós-eleito, em acenar para a oligarquia, o que lhe rendeu o famoso artigo “Velho Escroto”, de Edison Vidigal, e a tomada crescente de seu governo pelos aliados conservadores, isolando os setores ligados aos movimentos sociais e à militância petista que também lhe apoiaram, levou a seu ocaso via um golpe judiciário, no dia 16 de abril de 2009.
Embora até tentasse, Lago demorou a compreender que nunca seria uma opção da lógica do poder oligárquico. Fora uma opção aceita pela oposição conservadora, cujo líder de então, José Reinaldo, não acreditara na eleição do pedetista por fora da lógica do poder em Brasília e no Maranhão, de tal modo que fez de um ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – Edison Vidigal, o seu candidato preferencial ao governo, montando uma coligação lulista em seu apoio, reunindo PSB-PT-PCdoB.
Flávio Dino, em 2014, aproxima-se mais da experiência da chegada de Sarney ao Governo do que do exemplo de Jackson Lago. Embora gestado na oposição de esquerda (ex-PCdoB, ex-PT, novamente PCdoB), Dino galgou espaço nos poderes constituídos, iniciando pelo mais conservador deles, o Judiciário; seu mandato de deputado federal foi obtido sob a autêntica lógica do voto oligárquico: chefe orienta, coronel implementa, votos de cabresto multiplicam-se nas urnas.
A metamorfose dinista, entre 2006 e 2014, foi mais acelerada do que se supunha: (i) de oposição de esquerda (fora dele a invenção do discurso do “pós-Sarney”, em 2006, e do “enfrentamento às oligarquias Sarney e Lago”, em 2008) transitou aceleradamente para (ii) oposição consentida (em 2008, teve o voto de Roseana Sarney e Gastão Vieira, no segundo turno das eleições para prefeito de São Luís), saltando à  dissidência oligárquica, sob comando de José Reinaldo, Humberto Coutinho e Roberto Rocha, para incorporar a (iii) oposição conservadora, a partir do apoio que buscou e recebeu, de lideranças como José Vieira e os tucanos João Castelo e Sebastião Madeira; às vésperas da eleição, sua candidatura (ex-oposição de esquerda; ex-oposição consentida; ex-oposição conservadora) constitui-se (iv) a opção por dentro do próprio sistema oligárquico de poder, com a adesão, nada republicana, por exemplo, do grupo comandado pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Edmar Cutrim.
Percebe como a terceira “vitória da oposição” assemelha-se em muito com a primeira, caro(a) leitor(a)?
Rigorosamente, as três vitórias da oposição no Maranhão foram batalhas vencidas pelo poder oligárquico, que apenas alternou a personificação de seus líderes: sendo um por dentro da estrutura; um por fora, a qual engoliu e depois livrou-se dele; e um por dentro da estrutura cujo caráter do governo, se obedecida à lógica da construção da aliança, tende a retomar, mutatis mutandis, a experiência de 1965.
Isto porque, em suas quase cinco décadas de poder, o sarneismo usou e abusou da estrutura oligárquica que, para ter sobrevida, volta-se agora contra ele.
Em seus 18 anos de exercício direto do Governo Estadual (José Sarney – 1966 a 1970; Roseana Sarney –1995 a 1998; 1999 a 2002; 2009 a 2010; 2011 a 2014), e nos demais, exercidos por governadores eleitos pelo grupo como um todo, embora mantendo algum contencioso aqui e ali (Pedro Neiva de Santana - 1971 a 1974, Nunes Freire – 1975 a 1978, João Castelo – 1979 a 1982, Luís Rocha – 1983 a 1986, Epitácio Cafeteira – 1987 a 1990, Edison Lobão – 1991 a 1994, e José Reinaldo – 2003 a 2006), todos, absolutamente todos, utilizaram-se do apoio da estrutura do poder oligárquico para se eleger.
Basta ver com quem, hoje, vão às urnas grande parte dessa estrutura (bancada de deputados federais, do Legislativo estadual e das Câmaras Municipais), prefeituras municipais, detentores dos cargos federais no estado, agentes do TCE, do judiciário e do Ministério Público, a maioria das famílias e agrupamentos políticos em torno de ex-governadores do Estado. Ou seja, basta analisar para qual candidatura o o aparelho do Estado oligárquico se volta.
Candidato e candidatura são coisas radicalmente diferentes. Mas, geralmente, a segunda engole o primeiro, sobretudo em movimentos que vêm mais de acomodação do que de enfrentamento com a estrutura vigente.
Acontece neste 5 de outubro de 2014 o que ocorreu em 3 de outubro de 1965: a restauração da lógica do poder oligárquico.
Com Sarney, esse processo estendeu-se por 49 anos, para, ao final, derreter como um picolé sob um sol escaldante. A duração do ciclo dinista desse poder oligárquico, que se instaura a partir de agora, será diretamente proporcional à luta de classes que se resolverá no segundo turno das eleições presidenciais, à agenda dos movimentos sociais de resistência, no pós-eleição, e ao papel de intelectuais e partidos de esquerda que não silenciaram, não serviram de apoio ou aderiram à via, para chegar ao poder, pelo atalho fácil da aliança com a estrutura oligárquica.
E, sobretudo, em ter a convicção de que TUDO O QUE SÓLIDO SE DEMANCHA NO AR! Sejam velhas, sejam novas estruturas do poder oligárquico!!


(*) Franklin Douglas -  jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 5/10/2014, opinião

A LÓGICA (DA MANIPULAÇÃO) DAS PESQUISAS ELEITORAIS NO MARANHÃO



Franklin Douglas (*) 


Em setembro de 2006, no artigo “Quem inventa defunto para ganhar eleição não manipula pesquisa de opinião?” (Jornal Pequeno, 29/9/2006), alertávamos as oposições, naquele ano, sobre a prática da oligarquia com as pesquisas nas eleições de 1994. Para tanto, expúnhamos as palavras do próprio oligarca-mor sobre o tema:
“ ‘O maior eleitor das eleições é a pesquisa. Ela desperta a visão de qualidades dos concorrentes, provoca ondas de adesão e conduz o eleitorado indeciso a uma decisão que, pela dinâmica das coisas, tende para votar no vencedor’. Nestas palavras, José Sarney expressa claramente o entendimento que tem sobre as pesquisas eleitorais. Publicou esta opinião em seu jornal – O Estado do Maranhão, no dia 14 de agosto de 1994, na Coluna do Sarney.
Em seu artigo ‘O lado oculto das pesquisas’, Sarney revela a sua astúcia em ‘bem’ utilizar as pesquisas. Elas servem para legitimar a votação, mas também manipulações. No caso, bem orquestradas pela oligarquia maranhense. Essa ‘estratégia’ foi bastante usada em 1994”.
A lógica do uso e abuso das pesquisas é, dizíamos:
“Pesquisas que atribuem votos. Supostos votos que justificam liderança nas pesquisas. Liderança nas pesquisas que justificam mais votos. Mais votos que justificam crescimento e, por fim, vitória eleitoral...
Em 1994, o IBOPE se prestou a este serviço [...]. No primeiro turno daquelas eleições, o IBOPE realizou cinco sondagens [...], registradas nas capas d´O Estado do Maranhão:
1ª pesquisa – em 12 de agosto de 94: ‘Roseana dispara na corrida às urnas – IBOPE revela que a candidata da Frente Popular pode vencer no primeiro turno’. O IBOPE dava a Roseana 47% dos votos, contra 32% para Cafeteira e 10% para Jackson;
2ª pesquisa – em 26 de agosto de 94: ‘IBOPE: Roseana sobe, Cafeteira desaba’. O instituto de pesquisa projetava 50% dos votos para Roseana, contra 24% para Cafeteira e 11% para Jackson;
3ª pesquisa – em 09 de setembro de 94: ‘Roseana vence no primeiro turno, diz IBOPE’. Roseana obteria 50% dos votos. Cafeteira, 26%. Jackson, 9%;
4ª pesquisa – em 23 de setembro de 94: ‘IBOPE: dá Roseana no primeiro turno’. Roseana ficaria com 51%, enquanto Cafeteira com 26% e Jackson com 10%;
5ª pesquisa (a de boca-de-urna) – em 04 de outubro de 94: ‘IBOPE faz pesquisa de boca-de-urna e aponta vitória de Roseana Sarney’. Eleição decidida no primeiro turno ficando Roseana com 40% dos votos e Cafeteira com 22% e Jackson com 13%.
Não faltou, ainda, a Econométrica para apontar 57% dos votos para Roseana, às vésperas das eleições: ‘Econométrica dá vitória a Roseana’ (OEST-02/10/1994-capa).
Mas, qual foi o resultado mesmo do primeiro turno das eleições de 1994? Para desespero de Roseana (“ ‘Segundo turno não me perturba’, diz Roseana” – OEST-09/10/1994), o TRE totalizava os votos da eleição com um resultado que nenhuma pesquisa do IBOPE ou da Econométrica anteriormente divulgara: segundo turno!
Roseana teria que enfrentar Cafeteira, tendo contra si mais de 52% de votos: a soma dos votos dados a Cafeteira - 30,79%, Jackson - 20,79% (que nas pesquisas nunca superara os 11%!!) e Francisco das Chagas (PSTU) – 1,83%. Para ganhar a eleição, Roseana precisava de um milagre. Foi mais fácil para Sarney inventar um defunto...” (Jornal Pequeno, 29/9/2006)
Nesse contexto, o milagre de Sarney que deu a vitória a Roseana foi o defunto Reis Pacheco, um suposto assassinato de um ferroviário a mando de Cafeteira que, mesmo desmentido às vésperas do segundo turno, não foi suficientemente desmontado para evitar a derrota do candidato da oposição.
Em 2006, o mesmo método:
“Pesquisas confirmam a vitória de Roseana no primeiro turno” (O Estado do MA, 30/09/2006, p. 3), reportando às pesquisas que davam ampla vantagem a Roseana Sarney sobre as oposições: Econométrica – Roseana, 56,5% x Jackson, 30,4% x Vidigal, 11% x demais candidatos, 2,1%; Escutec - Roseana, 57,7% x Jackson, 26,3% x Vidigal, 11,1% x demais candidatos, 4,9%...
O resultado daquela eleição, no primeiro turno, foi: Roseana Sarney (PFL) – 47,20% dos votos, Jackson Lago (PDT) – 34,35%, Edson Vidigal (PSB) – 14,26%, Aderson Lago (PSDB) – 3,44%, demais candidatos (Antonio Aragão-PSDC, Carlos Saturnino-PSOL, João Bentivi-PRONA, Ribamar Pedrosa-PCO e Marcos Silva-PSTU) – menos de 1% dos votos.
No segundo turno, enquanto Ibope apontava o empate (Jackson, 50% x Roseana, 50%) e Brasmarket a vitória de Roseana (Roseana, 52,8% x Jackson, 47,2), o resultado foi a eleição de Jackson Lago com 51,81% dos votos, contra Roseana Sarney, com 48,18%.
 Jackson Lago, possivelmente venceu aquela eleição por diferença até maior. A madrugada do dia da eleição foi tensa, com a constatação de fraude eleitoral na própria urna eletrônica, como comprovara técnicos da oposição junto à justiça eleitoral. Alertado, às 3 da manhã, sobre o fato, o cálculo de Jackson Lago foi exato: não havia o que fazer. Não se tinha instrumentos para denunciar e muito menos desmobilizar o processo eleitoral àquela altura. Só restava aguardar. Mantenho minha avaliação da época: a oligarquia errou no cálculo da fraude! Fraudou menos votos do que supunha, por suas pesquisas reais, do que seria a diferença pró-Jackson.
De tão repetitiva em seus métodos, a oligarquia possibilitou também à oposição consentida aprender a manipular pesquisas. Com os seus institutos (Exata, Amostragem, DataM), ela também usa e abusa do mesmo método: pesquisas que atribuem votos; supostos votos que justificam liderança; liderança nas pesquisas que justificam mais votos; mais votos que justificam crescimento e, por fim, vitória eleitoral!
Tal como José Sarney, Flávio Dino também crê que o maior eleitor das eleições é a pesquisa. Eis aqui um viés pelo qual podemos demonstrar que, nesta reta final da eleição, a oposição consentida configura-se, concretamente, numa “nova” restauração do poder oligárquico no Maranhão.
Alerta, caro(a) (e)leitor(a)! Não se deixe enganar por pesquisas. Em eleição de dois turnos, no primeiro turno vota-se no candidato que o eleitor(a) acredita ser o melhor; no segundo, naquele que lhe resta como o menos pior. Não se submeta à lógica da manipulação de sua vontade: o que vale é sua consciência e o seu voto na urna!

(*) Franklin Douglas -  jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 21/9/2014, opinião


A LÓGICA DAS CAMPANHAS MILIONÁRIAS DO MARANHÃO



Franklin Douglas (*) 


Os ricos do Maranhão reúnem pouco mais de 5.700 famílias. Representam 2,9% do total de 6.851.000 (seis milhões oitocentos e cinquenta e um mil) maranhenses.
Das famílias multimilionárias do Maranhão, a mais conhecida é a Sarney, cuja fortuna visível já foi avaliada em 125 milhões de reais pela Revista Veja. A família Sarney, como as famílias Murad, Lobão, Fecury, Cutrim, Ribeiro, Castelo, Rocha, dentre outras, encontram-se no ponto mais alto do topo de pirâmide social do miserável estado do Maranhão.
Essa conformação social de altíssima concentração de renda se repete na configuração político-partidária. São variados os exemplos de candidatos a deputado cujo patrimônio pessoal é multimilionário. E cujas campanhas também estão orçadas em volumosos milhões de reais. O que leva à “naturalização” de uma ideia de que estes serão os eleitos. Regra instituída tanto nos partidos da oligarquia quanto nas agremiações da oposição consentida.
Participa, se candidata e ganha eleição quem tem milhões para gastar!
Estamos frente a mais gritante PLUTOCRACIA do país. Aqui, a DEMOCRACIA DOS RICOS, a plutocracia maranhense, não só concentra riqueza e poder como busca interditar qualquer alternativa que possa surgir fora desse nefasto eixo de financiamento de campanhas.
Financiamento este que, na prática, já é público, pois, o que não são os 70 MILHÕES DE REAIS, conforme o Diário Oficial do Estado de 2/7/2014, transferidos fundo a fundo do orçamento da Secretaria de Saúde do Estado para os municípios, que não o início do grande financiamento da fraude da vontade eleitoral do povo maranhense nestas eleições?
Nas campanhas ao Senado Federal, então, o escárnio plutocrático é mais evidente ainda.
Dos seis candidatos, dois deles estimam seus gastos de campanha em estratosféricos milhões de reais: Gastão Vieira – 20 MILHÕES DE REAIS, o equivalente a 49 vezes mais do que o seu patrimônio pessoal declarado à justiça eleitoral; e Roberto Rocha – 10 MILHÕES DE REAIS, 65 vezes mais que o patrimônio declarado ao Tribunal Regional Eleitoral. Por sinal, outra zombaria: como um dono de fazenda, emissoras de televisão, terrenos, cabeças de gado, filho de ex-governador, etc, possui apenas R$ 152 mil de patrimônio?
Caro (e)leitor, cara eleitor(a), você sabe quanto um candidato ao Senado em São Paulo pretende gastar na campanha eleitoral para conquistar o voto da maioria dos quase 32 milhões de eleitores paulistas?
Em São Paulo, o atual senador Eduardo Suplicy, para alcançar a reeleição, pretende gastar 15 milhões de reais. Seu principal adversário, José Serra, planeja gastar R$ 30 milhões. Isso, no Estado mais rico do país, cujo PIB (Produto Interno Bruto) é quase 30 vezes superior ao PIB maranhense e que possui o principal colégio eleitorado do país, sete vezes maior que o do Maranhão.
Gastão Vieira e Roberto Rocha, juntos, pretendem gastar o dobro que o senador da República por São Paulo estima para se reeleger. PENSEM EM CANDIDATURAS QUE NÃO TRAZEM MUDANÇA ALGUMA!
No Maranhão, o rompimento com essa lógica plutocrática de campanhas milionárias, especialmente ao Senado, vem sendo crescentemente assumida pelos cidadãos e cidadãs maranhenses:
a) Em 1998, o candidato petista Haroldo Saboia alcançou 390 mil votos (11,65% do eleitorado – para uma vaga em disputa);
b) Em 2002, o mesmo candidato somou 474 mil votos (23,3% do eleitorado – para duas vagas em disputa);
c) Em 2006, o petista Bira do Pindaré totalizou 557 mil votos (21,58% do eleitorado – para uma vaga);
Mesmo em 2010, quando inexistiu uma autêntica candidatura de esquerda ao Senado nas coligações oposicionistas (então divididas entre o ex-governador José Reinaldo Tavares (727.602 votos) e os tucanos Edison Vidigal (502.600 votos) e Roberto Rocha – 642.853 votos), por fora da lógica das campanhas milionárias e sem qualquer estrutura de campanha, o desconhecido professor Adonilson Lima somou 226 mil votos.
O que se vê, portanto, é que há espaço político e social para candidaturas que rompam com a lógica plutocrática. Para tanto, é preciso POLITIZAR O PROCESSO ELEITORAL, e não sucumbir à lógica das milionárias campanhas que anulam e silenciam a opção por uma nova política. Um de seus desafios nessas eleições de 2014, caro(a) (e)leitor(a)!


(*) Franklin Douglas -  jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 24/8/2014, opinião

sábado, 16 de agosto de 2014

Haroldo Saboia cresce. Rocha estaciona, Gastão e Marcos Silva caem na terceira pesquisa da TV Guará para Senador

PESQUISA TV GUARÁ -HAROLDO SABOIA (PSOL) É O ÚNICO QUE CRESCE:  Rocha não cresce, Gastão e Marcos Silva caem


Do Portal TV Guará-com edição

Na consulta sobre a disputa pelo senado, o único candidato que apresentou crescimento foi Haroldo Saboia (PSOL), que passou de 10% para 11% na preferência do eleitorado.

Roberto Rocha (PSB) se manteve com 28% das intenções de voto; Gastão Vieira (PMDB) caiu de 22% para 21% e Marcos Silva (PSTU) caiu de 9% para 7%.

O quadro está totalmente indefinido na disputa ao Senado. O ex-tucano Roberto Rocha não consegue 

A sondagem foi realizada entre os dias 8 e 12 de agosto, quando foram ouvidas 1.400 pessoas em 45 municípios maranhenses escolhidos aleatoriamente, mas contemplando as cinco regiões do estado e a ilha de São Luís. A margem de erro da pesquisa é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento que foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral com o protocolo MA – 00035/2014.

Confira a pesquisa aqui:

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O 11 DE AGOSTO E A LUTA PELA EDUCAÇÃO



Franklin Douglas (*) 


O 11 de agosto é uma data dedicada a duas categorias: embora mais conhecido como Dia do Estudante, ele também é o Dia do Advogado.
A coincidência das datas ocorre por conta da criação das primeiras escolas de Direito, na segunda década dos anos 1800 (1827-1828), com a fundação da Faculdade de Direito de São Paulo e da Faculdade de Direito de Olinda (PE), por decreto do imperador dom Pedro I. Antes, inexistia ensino superior no Brasil.
Para fazer um curso, o filho da elite brasileira tinha que ir para a Europa, geralmente Portugal e França. Passados 100 anos da criação dos primeiros cursos de Direito no país, em 1927 institui-se o 11 de agosto como o dia para se homenagear a todos os estudantes.
Outra coincidência que podemos dizer que une as duas categorias tem sido a histórica participação de estudantes e advogados na luta pela democracia brasileira: a bandeira abolicionista foi por eles desfraldada, nos anos 1800; assim como participaram da campanha do “Petróleo é nosso”, nos anos 1940; no enfrentamento à Ditadura Militar, nos anos 1960-1980; na campanha das “Diretas Já”, em 1985; na elaboração da Constituição brasileira via emendas populares, em 1988; no “Fora Collor”, em 1992.
A UNE (União Nacional dos Estudantes) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) foram entidades dirigentes que marcaram a participação dessas categorias nas lutas democráticas do país.
No Brasil da expansão privada da educação, nos últimos 10 anos, para cada uma faculdade pública instituída no país, tivemos a criação de 10 faculdades privadas. São 31.866 cursos oferecidos por 2.416 instituições de ensino superior. Isso resulta na existência de um contingente de 7.037.688 de estudantes universitários, dos quais, 5.140.312 matriculados em instituições privadas de ensino superior, 73% (INEP, 2013).
No âmbito dos cursos de Direito, temos o quadro de 451 escolas jurídicas, matriculando 737.271 alunos, majoritariamente no ensino noturno (e-MEC, 2014). Desse total que ingressa, 97.926 chegaram ao final do curso, em 2012, algo em torno de 13% apenas de concludentes – segundo dados do MEC (2013).
Em resumo, temos no país uma educação superior efetivamente privatizada e de qualidade cada vez mais questionável, quebrando, no cotidiano da experiência universitária, a lógica de sustentação da universidade que é o tripé ensino-pesquisa-extensão. Cada vez mais os cursos superiores transformam-se em escolas de terceiro grau, restritas a dois instrumentos de ensino: professor e quadro branco. Pouco ou nada de pesquisa, iniciação científica, extensão, laboratórios, etc.
Se antes estudantes e advogados envolveram-se fortemente nas lutas por causas que propunham o desenvolvimento do país, a atualidade da luta dessas duas categorias passa pela defesa da educação, pública, gratuita e de qualidade.
É de Cristovam Buarque a ideia de que não completamos nem a abolição nem a proclamação da República no país. A estudantes e demais categorias profissionais, cabe assumir para si novamente esse desafio histórico: o desafio de superar a realidade em que temos 22 mil escolas que não têm banheiro, 27 mil que não têm luz, professores mal remunerados, etc. Por isso a importância bandeiras como a federalização da profissão de professor, a equiparação dos salários dos docentes do ensino fundamental e médio com os do ensino superior, a necessidade de destinar 10% do PIB para a educação pública. Essa é a revolução educacional que precisamos colocar em movimento no Brasil.

Sem isso, o Dia do Estudante, ou o Dia do Advogado, será apenas um dia em que destacaremos uma categoria, das diversas outras, que passam 365 dias do ano sem direitos!

(*) Franklin Douglas -  jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 10/8/2014, opinião - p. 03


sábado, 19 de julho de 2014

Artigo Wagner Baldez: RETÓRICA DE FUMAÇA - para conhecimento da nova geração



Existem homens públicos que, no exercício de seus mandatos, cultivam a mórbida pretensão de enganar o povo; esforçando-se por fazer-nos acreditar na “pureza” de suas encenações artisticamente urdidas.
Apesar dos muitos comediantes que atuam nesse cenário, o que mais se identifica com aludido perfil é o senador José Sarney, devido à agravante de sua retórica produzir maior volume de fumaça do que propriamente o poder de fogo por ele supostamente imaginado.
Tudo que ele prega é produto de consumo pessoal, porque, na prática, age de forma diferente, não passando de um vezeiro queimador de eloquentes palavras.
Nos discursos produzidos no Parlamento Nacional, proclama-se democrata e progressista, no entanto, historicamente, não passa de um ardoroso defensor de ditadura, a exemplo do que aconteceu em 64; chegando inclusive à condição de presidente do partido dos militares (ARENA).
Com esta sigla, conviveu pacífica e comodamente, apoiando medidas arbitrárias. Quem, com maior empenho, na área civil, elogiou o AI-5? Ocasião em que acusou a oposição de simplista por haver esta se posicionado de forma contrária a tais irregularidades? O então governador Sarney!
Comporta neste espaço acrescentar a afirmação que fez da Tribuna do Senado, a respeito da nossa soberania, que segundo ele passava a ser exercida em toda a sua plenitude com o advento dos militares no poder, deixando, pois, de ser mero “slogan”!
Apesar de suas habituais mistificações, não consegue esconder as suas honoríficas qualidades de itinerante no campo político-ideológico: atitudes que lhe asseguram a titularidade de Trivial convolador!
Aferrado ao individualismo, preconceitos e superstições, o seu horizonte não passa da altura do seu umbigo.
Essas atrofias, sempre tendentes a evoluir, faz parte de sua gênesi política.
Caudatário das oligarquias transplantadas dos demais estados do Nordeste para nossa terra, através do Senador Vitorino, procurou de imediato aliançar-se com este, em favor do qual fazia exacerbada apologia, e ainda o tratando por chefe, com gestos bajulatórios...
Durante os 14 anos que se juntou com Vitorino, contribuiu substancialmente para transformar o Maranhão num celeiro de atraso e miséria! Isso acontecendo na primeira fase da sua já acidentada carreira política.
Inspirado no fisiologismo, comumente a presidir as suas ações, tão logo previra o declínio do império vitorinista, rompe com o mesmo, colocando seu apoio à disposição da facção que com tanta veemência combatera!
Note-se que, anos antes, objetivando à participação de seus mais fieis escudeiros no primeiro escalão do governo da época, simula desligamento com os detentores do poder, dizendo-se a favor da candidatura do deputado Millet à governança do estado. Porém, bastou o chefe do Executivo disponibilizar-lhe duas secretarias de Estado (Saúde e Agricultura), para que ele retornasse às suas raízes ou ao salutar convívio vitorinista. Consumara-se, dessa forma, mais uma vilania por parte da figura em foco!
O mais cômico acontece no momento em que, incorporando-se ao novo grupo, utiliza-se, sem o mínimo escrúpulo, de recursos espúrios para criticar os mesmos mandatários que o ajudara a eleger. O refrão por ele instrumentalizado baseava-se no atraso sofrido pelo Estado naqueles 20 anos de domínio vitorinista, como se o mesmo nunca participara desse vergonhoso e deprimente processo!
A realidade é que, estimulado pela volúpia do poder a lhe abastecer o ego, nunca soube ser oposição. Acostumou-se desde cedo a depender de governos. Agindo como experiente bailarino político, só dança mediante os acordes sublimados pelos orquestradores do poder. E como dança!...
Nos idos que antecederam sua candidatura à governança estadual, através do artigo de nossa autoria, publicado no Jornal Pequeno, intitulado a FALSA COMÉDIA, alertávamos o perigo que representava para o Maranhão o ainda jovem José Sarney!
Para não nos alongarmos, fiquemos só nesses detalhes, embora existam tantos outros.
Agora, fazemos um apelo à nova geração: que esta fixe na memória, se possível de forma didática, a máxima (já que esta tem a ver com a figura do político José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa, por cognome Sarney): PASSADO COMPROMETEDOR, FUTURO DUVIDOSO!

(*) Wagner Baldez - é Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do instituto Maria Aragão e integra a Executiva Estadual do PSOL/MA.

domingo, 13 de julho de 2014

SETE TESES EQUIVOCADAS SOBRE A COPA E A BOLA CHEIA DO BAIXINHO



Franklin Douglas (*) 


Estão por volta de sete as teses equivocadas que foram proliferadas sobre a Copa do Mundo no Brasil. As quais:
1ª tese equivocada – NÃO VAI TER COPA. Máxima autoritária e complemente distante da identificação do povo brasileiro com o futebol. Evidente que não ganharia as massas para colocá-las em movimento. Mesmo as palavras de ordem com elaboração mais realista (“Na Copa vai ter luta” e “Torcer pelo Brasil no campo e nas ruas”) foram incapazes de reacender o fogo das manifestações de Junho de 2013.
2ª tese equivocada – DILMA COMPROU A COPA. A derrota humilhante para a Alemanha deixou essa tese tão inacreditável quanto o chocolate de sete a um que a seleção tomou.
3ª tese equivocada – DILMA VENDEU A COPA. Se a tese anterior era absurda, aos autores dela não há limites, inventa-se o seu inverso, ainda que seja também tão absurda quanto. Afinal, o que ganharia a Dilma, às vésperas de uma eleição, para vender a Copa?
4ª tese equivocada – AS OBRAS SERÃO O LEGADO DA COPA. O torneio finda, mas as obras ficam... quais obras, cara pálida? O que ficam são estruturas superfaturadas e outras tantas inacabadas, cuja conclusão será devidamente “aditada” a fim de ser terminada, quiça, até as Olimpíadas de 2016, no Rio, pois nas demais cidades, elas se arrastarão indefinidamente e nada de metrô, viadutos, aeroportos, etc. Ou tudo isso, mas pela metade.
5ª tese equivocada – A COPA DA PÁTRIA DE CHUTEIRAS. A mais ilusória das teses. A Copa não é do governo, muito menos do país ou da pátria. A Copa pertence à FIFA, uma entidade privada, sem controle público algum e dirigida por cartolas que estão mais interessados nos negócios milionários gerados pelo evento do que na saúde dos atletas ou na qualidade do futebol.
6ª tese equivocada – A COPA DAS COPAS. Afora os jogos emocionantes e os resultados inacreditáveis em algumas das partidas, a Copa de 2014 não marcará o futebol mundial como a melhor da História. E ficará muito longe do cenário desenhado pelo ex-presidente Lula da Silva que disse que esta seria “uma copa para argentino nenhum botar defeito”... talvez, realmente, só os argentinos terão muito a agradecer por este mundial organizado para eles no Brasil.
7ª tese equivocada – SÓ TEM “COXINHA” NA TORCIDA DOS ESTÁDIOS. Eis o motivo da vaia à Dilma. Se é verdade que nas “arenas” não havia “povão”, também é verídico que lá estava, ainda que em menor quantidade, aquela “nova classe média” propagandeada pelo lulo-petismo. Que comprou seus ingressos a R$ 60,00, nos primeiros lotes colocados à venda, e passagens nas diversas promoções das companhias aéreas. E que também, em boa parte, vaiou sim a Dilma, mesmo que fazendo coro aos que lucram pesadamente com o governo do PT-PMDB, como atores globais e classe alta do país.
Essa é a lógica de sustentação do governo: uma demanda com significativo apoio na sociedade; forte financiamento com fundos públicos a um programa governamental voltado a essa demanda; acertos com o grande capital envolvido na execução do programa; um bem montado esquema subterrâneo de captação de financiamento “impróprio” ao partido à frente do ministério que executa o programa; e um pouco de participação, devidamente remunerada, de entidades sociais da base do governo para fazer o “controle social” do programa...
E, ainda assim, os setores abastados pelas benesses do governo vaia o governo que os financia, que ganha repercussão pela situação social gritante que passa o povo brasileiro, que já não tinha educação, saúde e transporte de qualidade, e agora ficou sem o reinado do futebol.
Mas deixo essas sete teses equivocadas proliferadas sobre a Copa para registrar a melhor das críticas sobre esta “Copa das Copas”. Com a palavra o tetracampeão Romário:
(...) Fora de campo, já perdemos a Copa de goleada!
Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!
Estou há quatro anos pregando no deserto sobre os problemas da Confederação Brasileira de Futebol, uma instituição corrupta gerindo um patrimônio de altíssimo valor de mercado, usando nosso hino, nossa bandeira, nossas cores e, o mais importante, nosso material humano, nossos jogadores. Porque não se iludam, futebol é negócio, business, entretenimento e move rios de dinheiro. Nunca tive o apoio da presidenta do País, Dilma Rousseff, ou do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Que todos saibam: já pedi várias vezes uma intervenção política do Governo Federal no nosso futebol.
Em 2012, eu apresentei um pedido de CPI da CBF, baseado em uma série de escândalos envolvendo a entidade, como o enriquecimento ilícito de dirigentes, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e desvio de verba do patrocínio da empresa área TAM. O pedido está parado em alguma gaveta em Brasília há dois anos.
A corrupção da CBF tem raízes em todos os clubes brasileiros, vale lembrar que são as federações e clubes que elegem há anos o mesmo grupo de cartolas, com os mesmos métodos de gestão arcaicos e corruptos implementados por João Havelange e Ricardo Teixeira e mantidos por Marin e Del Nero [Romário só esqueceu de citar o eterno vice-presidente da CBF, também integrante dessa máfia por ele denunciada: Fernando Sarney].
Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz.”
É ou não é um craque esse baixinho, caro leitor, cara leitora?

Mesmo fora do campo, Romário continua jogando uma verdadeira bola cheia. Valeu por essa, peixe!


(*) Franklin Douglas -  jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve ao Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente. Publicado na edição de 13/7/2014, opinião - p. 03


quarta-feira, 9 de julho de 2014

O "seis" promete empregos que o pai não trouxe... O "meia-dúzia" devia propor o menos promessas mirabolantes!

O Imparcial - edição de 9/7/2014 - p. 3



O "seis" promete gerar mais emprego... o pai, ministro das Minas e Energia, disse que a Refinaria Premium da Petrobras em Bacabeira seria o carro-chefe dessa geração de emprego... palavras ao vento!

O "meia-dúzia" promete Mais Médicos, Mais Bolsa Família (com um tal cartão de material escolar) e Água para todos... na cidade que ajudou o prefeito a ser eleito, a saúde é cada vez menos, as escolas estão paradas por conta de uma greve de professores e a "negociação firme com a CAEMA" não passou de marketing de campanha, tais como essas propagandas de Mais isso, Mais aquilo... devia propor o MENOS PROMESSAS MIRABOLANTES!

Você vai cair nessa enrolação de novo?
NemSeisNemMeiadúziaÉPedrosa50!!

| Combate à corrupção |
| Radicalizar na Educação |
| Fortalecimento do SUS |
| Devolução do Hospital do IPEM aos servidores |
| Auditoria do Programa Viva Saúde dos (inexistentes) 65 hospitais da oligarquia |
| MUDAR DE VERDADE A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DO MARANHÃO - Desenvolvimento rural conforme os eixos do Seminário Carajás e os elementos centrais do Grito da Terra Maranhão |
| Auditoria da Dívida do Estado |
| Participação Popular e Planejamento descentralizado |
| Tarifa Zero e transporte de qualidade nas principais cidades |
| Fortalecimentos dos Conselhos de Políticas Públicas e do Plano Estadual de Direitos Humanos |

OS SONHOS NÃO ENVELHECEM - Plínio de Arruda Sampaio (1930-2014), PRESENTE!

Com Plínio, aprendendo que os SONHOS NÃO ENVELHECEM!


Foto: Plinio de Arruda Sampaio morreu...
VIVA O PLÍNIO!!
Nas eleições de 2010: uma opção ao Brasil



Foto: Plinio estará sempre presente. Aqui recebendo, junto com Harodo Haroldo Saboia,  a medalha dos 25 anos da Constituição Cidadã.
Na Constituinte-1988:  a defesa da Reforma Agrária

terça-feira, 1 de julho de 2014

E sobre a apologia à exploração sexual infantil no eixo Maranhão-Ceará, o que têm a dizer Edinho e Flávio Dino? Gastão e Roberto Rocha?

Seis (Edinho) e Meia-dúzia (Dino):
Nada sobre a nota de PH...

O candidato do PSOL, Luís Antonio Pedrosa,  já se posicionou pela imediata investigação por parte do Ministério Público. Não só condenou a nota, como reafirmou seu compromisso com a política em defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes e contrário à exploração sexual e tráfico de pessoas, reforçando a denúncia feita pelo candidato do PSOL ao Senado, Haroldo Saboia (leia aqui e aqui).


Enquanto isso, nada se ouve do candidato da oligarquia, Lobão Filho (PMDB), e da oposição consentida, Flávio Dino (PCdoB). Nada dos candidatos ao Senado Gastão Vieira (PMDB), pela oligarquia, e Roberto Rocha (PSB), pela dissidência oligárquica.

O Senado Federal já foi protagonista de importante CPI sobre a exploração infantil, proposta pela, então, senadora cearense Patricia Gomes. Não é esse um tema para as candidaturas majoritárias (governador e senador) nas eleições maranhenses?


O debate já está além terras maranhenses. Repercute também no Ceará, através do artigo de Carolina Peters, na íntegra, abaixo:

OLIGARQUIA E PATRIARCADO

Diário Liberdade - Por Carolina Peters

Deu no O Estado do Maranhão, publicação ligada à família Sarney (foto).

sarna

Colunista do suplemento Revista PH publicou, em 29 de junho, a seguinte nota de canto de página:

"GAROTAS DE PROGRAMA – Um grupo de mulheres maranhenses, ainda cheirando a leite, encontra-se em Fortaleza desde o começo da Copa do Mundo. As jovens só voltarão a São Luís após o encerramento dos jogos e o retorno dos turistas aos lugares de origem. Notícias que chegam de Fortaleza dizem que elas estão super felizes com os dólares e euros amealhados em função da Copa."

Aos que estranham o léxico, "cheirando a leite" é isso mesmo que lembra: desmamadas. Em outras palavras, meninas. O Ceará é tragicamente um reconhecido destino de turismo sexual, no qual a exploração de menores tem notoriedade. Com o fluxo de turistas homens, brasileiros e estrangeiros, exacerbado pelo mundial de futebol; o fluxo de meninas e mulheres para suprir a demanda sexual (ou de poder sobre os corpos de outras?) destes também cresce. (E pensar que há quem defenda que o auxílio financeiro de terceiros para a locomoção de pessoas para o exercício da prostituição não tem nadica de nada a ver com o tráfico de pessoas e a exploração sexual, mas cada um que durma com sua fantasia acerca da liberdade que supostamente existe em trocar seu corpo por dinheiro para subsistir. Esse debate rende artigos a parte).

Um dos grandes livros da literatura portuguesa contemporânea, as Novas Cartas Portuguesas (1972), faz o resgate da quase mitológica soror Mariana Alcoforado, autora/protagonista das Cartas Portuguesas (séc. XVII), para discutir, no contexto do salazarismo, o papel da opressão às mulheres – em particular o cerceamento de sua sexualidade – na manutenção do regime autoritário e, no limite, da ordem capitalista que o viabilizou. Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa traçam com primor estético essa relação capitalismo-patriarcado, já estudada e teorizada por autoras de não-ficção, e a inevitabilidade da esquerda enfrentá-los de conjunto, caso realmente desejemos por fim ao capital.

Onde predomina um sistema de concentração do poder político e profunda desigualdade social, as mulheres são particularmente afetadas. Daí que um veiculo de comunicação a serviço da oligarquia local trate com tamanha naturalidade a exploração sexual de crianças e adolescentes. Dentro do coronelismo, o poder político se mantém com amparo do controle ideológico e econômico. Opera através da concentração da terra, da mídia, e do controle sobre o que está no âmbito do privado, das relações sociais que se sobrepõem às relações de trabalho, e controle também sobre a sexualidade das mulheres.

Este talvez seja um caso mais caricato, mas não foge ao que se expressa nos grandes centros. As meninas maranhenses a quem não se permite sonhar mais do que em ganhar dólares e, quem sabe, tirar a sorte grande e desposar um gringo, estão mais próximas das nossas meninas formadas pela Disney do que gostaria a classe média, embora distanciadas pelo abismo social que faz de umas princesas, outras putas. Em nossas metrópoles tão modernas, também a política é regida pelos interesses dos grandes grupos econômicos, a ver pela extensa lista de financiadores de campanhas recompensados com largas fatias do orçamento público. A grande mídia a serviço de grupos políticos e econômicos, que criminaliza os movimentos sociais e barra as opiniões divergentes é a mesma que representa as mulheres como objetos do desejo alheio, sem autonomia, e sem diversidade de cor, de credo, ou tipo físico.

A política não se faz somente no espaço público. Ela adentra nosso cotidiano e delimita em maior ou menor medida nossas possibilidades de ser para além dos rincões onde a literatura sociológica tipificou o Homem Cordial. Modificar profundamente o sistema político brasileiro, sem mexer na mídia monopolizada e estabelecer seu controle pela sociedade, é uma ilusão.

-----
Revisado às 12h34 de 2/7/2014.