
Nós, estudantes da pós-graduação em História Social da
Universidade Federal do Maranhão, manifestamos nosso apoio às reivindicações de
quilombolas, indígenas e camponeses acampados e em greve de fome no INCRA –
MA, ensejando a titulação de suas terras pelo órgão.
Como
profissionais e estudantes de História acreditamos ser imprescindível ao
historiador envolver-se nas questões de seu tempo e buscar interferir no
contexto que o cerca. Estudamos diversas questões societárias nas mais variadas
temporalidades, em tempos recuados ou no tempo presente, mas nenhum dos nossos
questionamentos partiu do zero, estando todos ancorados em inquietações
do agora.
Dessa
forma, nos sensibilizamos com as pessoas que estão lutando pelo direito de
viver nas terras que foram de seus pais e avós, que representam territórios de
luta e resistência, e que refletem a insistência do povo maranhense em
continuar vivo, ainda que lhe seja negado o direito de escolher seus próprios
caminhos.
No atual
contexto desenvolvimentista maranhense, espaços com lógicas próprias de
sociabilidade, modos de vida e expressões culturais como as comunidades
quilombolas, povos indígenas e populações tradicionais estão sendo suprimidos
para fins alheios às suas realidades, em prol de se implantar um modelo desenvolvimentista
que já nasceu velho, defasado e retrógrado, cuja maior expressão é o saque das
terras do povo e sua expulsão, provocando uma morte gradual das pessoas
deslocadas compulsoriamente de suas terras, sem direito de trabalhar naquilo
que aprenderam e sem possibilidade de ver seus filhos viverem em segurança, com
um futuro melhor.
Portanto,
para nós, a greve de fome de quilombolas, indígenas e camponeses acampados no
INCRA apenas demonstra a que ponto o povo maranhense precisa chegar para garantir
seus direitos. Não é a pretensa falta de antropólogos e nem de técnicos que não
permite que as terras dessas pessoas sejam tituladas. O que falta é o respeito
por parte de nossos governantes para com o povo maranhense, que nasce, cresce e
morre sem o direito de existir, vivendo uma vida de lutas, dificuldades e sem
acesso aos mecanismos de justiça, tendo que ameaçar a si mesmo com a violência
que é uma greve de fome.
Então,
nós, estudantes do mestrado em História Social da UFMA, manifestamos nosso
apoio a esta causa e exigimos, como cidadãos, resoluções imediatas a fim de que
as reivindicações do movimento sejam aceitas e não precisemos mais ver pessoas
de bem e trabalhadoras tendo que ameaçar à sua própria vida para obter seus
direitos.
Até quando o governo federal e o governo estadual vão negligenciar
estas vidas? Quantos precisarão morrer para que o povo viva?
São Luís, 17 de junho de 2015
Antônia de Castro Andrade
Claudia Silva Lima
Darlan Rodrigo Sbrana
Francisco das Chagas da Cruz Pereira
Isa Prazeres Pestana
João Otavio Malheiros
Kalil Kaba
Luciano Borges Barros
Marcos Fernandes Lima
Meriam da Silva Barros Saraiva
Tayanná Santos Conceição de Jesus
São Luís, 17 de junho de 2015
Antônia de Castro Andrade
Claudia Silva Lima
Darlan Rodrigo Sbrana
Francisco das Chagas da Cruz Pereira
Isa Prazeres Pestana
João Otavio Malheiros
Kalil Kaba
Luciano Borges Barros
Marcos Fernandes Lima
Meriam da Silva Barros Saraiva
Tayanná Santos Conceição de Jesus
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