
NOTA DE APOIO AOS COMPANHEIROS QUILOMBOLAS,INDÍGENAS E CAMPONESES QUE OCUPAM A
SEDE DO INCRA - MA
Nós,
estudantes organizados no Coletivo Mandacaru, nos solidarizamos profundamente com os companheiros quilombolas,
indígenas e camponeses, que ocupam a sede da Superintendência Estadual do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em São Luís, em
prol da efetivação de seus direitos territoriais, aos companheiros que
radicalizados, possuídos de indignação partiram para a ação direta e estão em
greve de fome desde o dia 09 de junho.
Os ocupantes representam mais de 1000
comunidades do estado do Maranhão que são violentados graças à morosidade das
ações do poder executivo representados sobretudo pelo INCRA e a Fundação
Cultural Palmares, órgãos centrais no processo de certificação e titulação dos
territórios em que vivem.
Mandacaru é nosso nome. E quem são vocês,
companheiros, se não mandacaru também? Esta planta teimosa do sertão, que
cresce e floresce no meio da aridez – mas como sinal evidente de que a chuva há
de vir?
Diversas denúncias são feitas constantemente em
relação à ameaças de morte e assassinatos de quilombolas, camponeses e
indígenas, no entanto o Governo Flávio Dino via Secretaria de Segurança nada
faz pela resolução desses ultrajes contra o povo do campo.
Colocamo-nos ao lado da agricultura camponesa,
respeitamos a contribuição da sabedoria indígena às nossas vidas em todos os
âmbitos, e para que ela se reproduza, a posse da terra é fundamental. Então,
que se faça cumprir o artigo 68 do Ato das Disposições transitórias da
Constituição Federal de 1988, que reconhece às comunidades quilombolas a
propriedade definitiva dos seus territórios, pela criação da Reserva
Extrativista Tauá-Mirim e o Decreto Federal 4.887 de 2003, que confere ao INCRA
a prerrogativa dos trabalhos de regularização fundiária de terras de quilombos
que lhes garante a propriedade definitiva da terra!
Porque compreendemos que a
lógica do latifúndio, do agronegócio - do capital - não pode prevalecer sob
restrição da liberdade de produção de vida de qualquer povo! Somos aqui todos
farinha do mesmo saco, ou melhor, flores do mesmo cacto. Todos aqui anunciamos
a chuva, defendemos a liberdade da vida. Compreendemos que a liberdade da vida
é a liberdade da terra. Porque é dela que retiram seu sustento diário, é nela
que criam seus filhos, produzem cultura e conhecimento.
“Se o campo não planta, a cidade
não janta.”
Não estamos ligando para os
números, para o lucros das empresas privadas e ao progresso econômico que elas
prometem ao nosso estado. Não nos importamos uma gota com este pseudo
progresso. Progresso é o que estamos fazendo neste momento: juntando nossas
forças, nossas vozes – nos expondo e nos impondo – diante desse estado tão rico
mas que tem os piores índices de desenvolvimento humano do país.
Responsabilizamos a Presidenta Dilma Rousseff (PT), governador Flávio Dino
(PCdoB) e o superintendente do INCRA - MA Jowberth Frank Alves da Silva que
qualquer dano físico ou uma possível fatalidade venha a ocorrer com um de
nossos irmãos que estão em greve de fome, essa tragédia vai entrar na conta dos
senhores!
"Muitos nunca vão entender
porque lutamos por esta causa e talvez alguns não devam ser condenados por
isso, pois em alguns casos é preciso viver para entender, para sentir e
compreender. E neste caso só os Quilombolas, índios, e as comunidades
tradicionais desse país sabem o que é ser vítima de um sistema que planeja seus
extermínio".
Com esse trecho do depoimento
dramático de Naildo Braga liderança quilombola do município de Santa Helena que
encontra-se em greve de fome a exatos 6 dias, nos coletivo estudantil e
estudantes que somos, cujo ofício principal é aprender gostaríamos de agradecer
aos companheiros pelo grande ensinamento que têm nos prestado nestes últimos
dias de como ser gente, de como ter força e persistência. A chuva há de vir...
Viva a Luta dos Quilombolas, Indígenas e Camponeses!
Viva a luta dos trabalhadores do campo!
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