quinta-feira, 19 de novembro de 2009

40 anos do milésimo gol de Pelé

Em 19 de novembro de 1969, Edison Arantes do Nascimento, o Pelé, marcava o seu milésimo gol.

40 anos atrás o rei do futebol marcou num pênalti contra o Vasco o gol histórico de sua carreira de mais jovem campeão mundial de futebol (aos 17 anos), maior artilheiro do campeonato paulista (por 11 temporadas, 588 gols), 1.355 jogos (104 pela seleção brasileira) e um total de 1.282 gols marcados, sendo 95 defendendo a camisa do Brasil.

A bola que Pelé marcou seu milésimo gol foi leiloada por R$ 120 mil. Seu milésimo gol foi dedicado ao cuidado para com as crianças brasileiras. Saiba mais aqui sobre o milésimo gol de Pelé.

Nova enquete
Aproveitando a deixa, mudamos a enquete do Ecos. Na sua opinião, quem será o vencedor do campeonato brasileiro de futebol? Flamengo ou São Paulo.

Deixe sua opinião. Os dois times foram colocados na enquete após a trágica atuação do Palmeiras contra o Grêmio, na noite de ontem, em Porto Alegre, dando adeus ao título do Brasileirão.

Em tempo: na última enquete, sobre os candidatos ficha suja, 76% opinaram que não deveriam poder se candidatar, reforçando assim a posição do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral, contra 23% que acharam o contrário.

Moções condenam censura do clã Sarney ao Estado de São Paulo

Pipocam país afora - e Maranhão a dentro - as moções que repudiam a censura do empresário Fernando Sarney (proprietário do Sistema Mirante de Comunicação) ao jornal O Estado de São Paulo, por conta das matérias publicadas pelo periódico paulista sobre a operação "Barrica", da Polícia Federal.

Uma moção de repúdio foi aprovada no poder legislativo municipal da capital paulista.

É de se perguntar se na Câmara de Vereadores de São Luís não tem nenhum vereador disposto a propor idêntica moção. Bem como se não caberia aos deputados Marcelo Tavares (PSB), Valdinar Barros (PT), Rubens Pereira Júnior (PCdoB) e Edivaldo Holanda (PTC) fazerem o mesmo na Assembleia Legislativa maranhense...

Vereadores de São Paulo
Por unanimidade a Câmara de Municipal de Vereadores de São Paulo aprovou Moção de Repúdio à censura ao Estadão, impedido há mais de 100 dias de publicar qualquer matéria sobre a operação Barrica.

A moção foi apresentada pelo vereador Carlos Apolinário (DEM) e aprovada por unanimidade por todos os partidos. A moção foi encaminhada aos presidente da República, Lula da Silva; do Senado, José Sarney; da Câmara dos Deputados, Michel Temer; e do STF, Gilmar Mendes.

Conferência de Comunicação do Maranhão
Além de não conseguir boicotar a Conferência de Comunicação do Maranhão, o Governo do Estado ainda viu ser aprovada, entre as deliberações da conferência, uma Moção de Repúdio à Censura ao jornal Estado de São Paulo.

Apresentada pela professora Amarilis Cardoso (UFMA), integrante da ONG Travessia, e por Neuton César, presidente da rádio comunitária Conquista FM, e por vários signatários, a moção foi aprovada pela sessão final da conferência. Abaixo, a íntegra do texto.

Moçao de Repúdio à Censura ao jornal O Estado de São Paulo

A Conferência Estadual de Comunicação do Maranhão, realizada nos dias 17 e 18 de novembro, vem a público repudiar a censura ao jornal O Estado de São Paulo para evitar a publicação de matérias referentes à operação "Barrica" da Polícia Federal, imposta pelo empresário Fernando Sarney, proprietário do Sistema Mirante de Comunicação.

Pela liberdade de imprensa e de expressão, não à Censura do clã Sarney ao Estadão.

São Luís (MA), 18 de novembro de 2009.

Conferência Estadual de Comunicação do Maranhão

Poesia de Quinta - Número 52

Por Deíla Maia (originalmente em 08.10.2009)

Pessoal,

Hoje resolvi escolher um lado não muito conhecido de um poeta bastante famoso, que é o Vinícius de Moraes.

Gosto desta poesia, de tom bem enigmático, reflexivo, para ler e ficar pensando, matutando, lendo, relendo ...

Espero que gostem também.
Beijos misteriosos,
Deíla


ACONTECIMENTO
Vinícius de Moraes




Haverá na face de todos um profundo assombro
na face de alguns risos sutis cheios de reserva
Muitos se reunirão em lugares desertos
E falarão em voz baixa em novos possíveis milagres
Como se o milagre tivesse realmente se realizado
Muitos sentirão alegria
Porque deles é o primeiro milagre
E darão o óbolo do fariseu com ares humildes
Muitos não compreenderão
Porque suas inteligências vão somente até os processos
E já existem nos processos tantas dificuldades...
Alguns verão e julgarão com a alma
Outros verão e julgarão com a alma que eles não têm
Ouvirão apenas dizer...
Será belo e será ridículo
Haverá quem mude como os ventos
E haverá quem permaneça na pureza dos rochedos
No meio de todos eu ouvirei calado e atento, comovido e risonho
Escutando verdades e mentiras
Mas não dizendo nada
Só a alegria de alguns compreenderem bastará
Porque tudo aconteceu para que eles compreendessem
Que as águas mais turvas contêm ás vezes as pérolas mais belas

Brasil entre os piores no combate à corrupção

Pesquisa da Transparência Internacional junto a 180 países tornou público o novo ranking mundial da percepção do combate à corrupção.

Mesmo com todos os avanços da Controladoria Geral da União (CGU) e das operações da Polícia Federal, a percepção registrada é a de que o país é tolerante com a corrupção. O Brasil ficou na posição 75 (estava no ranking anterior, ocupava a posição de número 80), entre as 180 nações avaliadas.

Nova Zelândia, Dinamarca e Cingapura lideram o ranking. A Somália é o país mais corrupto, ocupando o último lugar. Na América do Sul, destaca para a Venezuela, de Hugo Chaves. Está entre os melhores no combate à corrupção.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Conferência Estadual de Comunicação deu certo, apesar da tentativa de boicote do Governo Roseana

Terminou hoje a Conferência Estadual de Comunicação, sob coordenação da Secretaria de Comunicação do Governo do Maranhão (SECOM) e um conjunto de organizações da sociedade civil e de representação empresarial.

Como de esperar, o Governo biônico de tudo fez para inviabilizar a conferência:

1. limitou o que pôde o orçamento para a realização da conferência (comprometendo a mobilização pelas diversas regiões do estado e o não-financiamento das passagens de deslocamento dos participantes do interior do estado);

2. arrastou-se nos prazos de publicação do edital de convocação da conferência;

3. manipulou a composição da comissão organizadora, desrespeitando acordo com as entidades das organizaçoes da sociedade civil, impondo três entidades (ACLEM, Sindicato dos Radialistas e Sindicato dos Jornalistas) e duas representações dos empresários (ABERT e AMART) à cota das organizações da sociedade civil;

4. definiu o
mauzoléu de Sarney para sediar a conferência (é como se dissesse: aqui é nosso Convento das Mercês; nele e na mídia maranhense, quem manda é o Sarney);

5. abriu as inscrições às vésperas da conferência, dificultando o processo de participação;

6. Bloqueou os painéis e mesas de discussão em torno da temática regional, priorizando somente a temática nacional;

7. Não viabilizou qualquer divulgação em rádios e TV que convocassem os interessados para a conferência.

Deu com os burros n´água, ante a forte determinação de organizações como Matraca, Intervozes-MA, Abraço-MA, Rádio Conquista, CUT, Departamento de Comunicação da UFMA, ONG Formação, Laboratório de Internacional de Mídia Livre, dentre outros, empenhados em realizar a Conferência Estadual.

Como ficaria feio não fazer e ver acontecer a Conferência à revelia do Governo Estadual, convocada e bancada pela Comissão Nacional (a exemplo do que ocorreu em dois outros estados), a SECOM reavaliou e decidiu convocar a Conferência. Assim, disputando-a por dentro.

A Conferência é um marco histórico. Convocada pelo Governo Federal, pretende ser um passo rumo à construção de políticas democratizantes para as políticas de comunicação no País. Boicotada por empresários e pelo próprio ministro das Comunicações, Hélio Costa (dono de emissoras de TV Globo em Minas Gerais), coube ao ministro Secretário Geral da Presidência, Luiz Dulci, e a Franklin Martins, ministro da SECOM, bancar o processo de realização da conferência nacional.

A etapa nacional será nos dias 17 e 18 de dezembro. Abaixo, confira vídeo "Levante a sua voz", de Pedro Ekman, produzido pelo Intervozes, que mostra como esse é um debate prioritário para os que pretende fazer valer o Direito Humano à Comunicação.

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Começa a saga de "Lula - filho do Brasil"

Com a pré-estreia hoje, no Festival de cinema de Brasília (oficialmente só chega às telas em janeiro do próximo ano), começa a "saga" do filme de Fábio Barreto sobre parte da vida do presidente Lula.

O filme retrata a trajetória do nascimento de Lula até a sua ascensão como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, no ABC paulista.

É o Lula filho do Brasil que encantou sindicalistas, intelectuais, católicos das CEB´s, ex-guerilheiros, juventude estudantil, militantes da esquerda democrática e da luta contra o Golpe (cívico) Militar de 1964.

Já odiado pelos conservadores (basta ler as críticas da grande mídia), o filme pode ser um momento de despertar da consciência de classe em amplos segmentos populares. Ou não. Que, em seguida, pode (ou não) ter consequências como: o voto (ou não) em Dilma; aumento ou nenhum engajamento em organizações populares, estudantis ou sindicais; disputar o Oscar ou ser apenas mais um filme biográfico...

O que apavora a direita é a simples possibilidade do filme, retratando o Lula que ela não domesticou, ser um instrumento da remota primeira possibilidade, da mensagem aos que vivem-do-trabalho que, para alcançar algo, eles precisam se organizar e lutar muito.

Abaixo, o trailer oficial do filme.


domingo, 15 de novembro de 2009

1989: há 20 anos no Maranhão era assim...



15 de novembro de 1989. Há 20 anos o Brasil elegeu, pelo voto direto, o primeiro presidente da República após a Ditadura Militar.

No plano nacional muito mudou em relação aos personagens que disputaram aquela eleição. É o que lembra o repórter Fernando Rodrigues, na Folha de São Paulo deste domingo:


"Eleição de 89 foi "ensaio geral" democrático. Partidos e imprensa estavam desacostumados a evento de tal magnitude, após 29 anos sem voto direto para presidente. Campanha lançou bases da política de hoje, com uso de siglas nanicas para engordar tempo de TV e a ausência de projeto nacional do PMDB" (leia aqui, só para assinantes)

E anotam os repórteres Rodrigo Vizeu e João Paulo Godim:

"Passados exatos 20 anos do primeiro turno da eleição presidencial de 1989, a trajetória de alguns dos principais personagens mostra o que mudou no cenário político brasileiro.

Fernando Collor, então no PRN, foi ao segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem derrotou em 17 de dezembro numa disputa que teve lances de golpe baixo.

Collor chegou a exibir na TV Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, dizendo que o petista lhe ofereceu dinheiro para abortar. Hoje senador pelo PTB, Collor é da base da apoio do presidente Lula.

"Três personagens importantes continuam em cena: Lula, Collor e [o então presidente José] Sarney. Lula era contra os outros dois e os dois candidatos eram contra Sarney. Hoje os três estão juntos", resume Fernando Gabeira (PV-RJ), também candidato em 1989.

O empresariado, que hoje tem boa relação com o presidente, temia o radicalismo petista e preferia a plataforma liberal de Collor e Guilherme Afif Domingos (PL). "Com sua barba comprida à la Fidel, Lula inspirava medo", diz Paulo Maluf (PP-SP).

O marketing político engatinhava. Affonso Camargo, então no PTB, usava o humorista Tião Macalé no horário eleitoral.

A desorganização das campanhas também existia na legislação eleitoral. Temido pelos líderes nas pesquisas por sua popularidade, o apresentador Silvio Santos entrou na disputa a 15 dias da votação. Ele criou uma versão eleitoral da música "Silvio Santos vem aí". A candidatura foi impugnada às vésperas da eleição." (leia mais aqui)

Nestes 20 anos alguns que estavam no centro dessa história já se foram, a exemplo de Ulisses Guimarães (candidato do PMDB), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB) e Aureliano Chaves (PFL).

E NO MARANHÂO?
Por aqui também houve mudanças nas trajetórias de alguns políticos em relação a 1989. Vejamos:

1. Collor foi no primeiro e no segundo turno apoiado por João Castelo (ambos PRN). Collor (PTB)virou aliado de Lula, Castelo no PSDB trabalha para derrotar o PT em 2010, com Serra;

2. Lula desde o primeiro turno já recebera um apoio velado dos Sarneys (distribuídos entre PMDB e PFL) - cristianizando tanto Ulisses quanto Aureliano. Nenhuma declaração ou aparição pública de quaisquer do clã. Também não convinha a ambas as partes. Mas as bases sarneizistas do interior do estado foram em massa para Collor. Passados 20 anos, Lula e Sarneys andam em lua de mel. Sonham em ter PT e PMDB juntos em 2010 no Maranhão.

O PT maranhense, em sua maioria, resiste e se mantém anti-sarneyzista. Neste período, o PT perdeu militância para o PSTU (a então tendência Convergência Socialista sairia e levaria, dentre outros, Marcos Silva e Noleto) e para ao PSol (onde militantes com Paulo Rios, Valdeny Barros e Saulo Arcangeli deixariam o partido);

3. O PDT de Jackson Lago fez uma grande campanha para Brizola. No segundo turno, foi de Lula. 20 anos depois Jackson é o principal candidato da oposição a Roseana Sarney para 2010;

4. O PMDB de Haroldo Saboia segurou e foi até o fim na campanha de Ulisses Guimarães no primeiro turno. No segundo, apoiaria Lula. O PMDB acabou tomado pela oligarquia. Haroldo Saboia posiciona-se no PDT, após passagem pelo PT nos anos 1990;

5. O PL de Sérgio Tamer defendeu a candidatura de Afif Domingos. No segunto turno, foi de Collor. Desapareceu enquanto partido e suas lideranças se realinharam ao grupo oligárquico, onde tiveram origem;

6. Roberto Freire contou com o apoio da única vereadora do PCB na capital, Simone Macieira. No segundo turno, também foi de Lula. 20 anos depois, o PCB ressurgiu no Maranhão, após a divisão que originou o PPS. Simone abandonou a política e o PCB manteve-se na oposição. O PPS surgido vai de acordo com o vento...

7. PV de Gabeira não existia politicamente no Maranhão. Hoje, está sob comando do deputado federal Zequinha Sarney.

E assim caminhou a política maranhense nos últimos 20 anos.

Poesia de Quinta - Número 51

Por Deíla Maia (originalmente em 01.10.2009)

Pessoal,

Não podia nem imaginar o tanto de gente que, assim como eu, tinha vontade de fazer rappel!!!!! Foi uma graça, várias pessoas perguntando quando foi, onde foi, como, datas futuras etc. Que legal ver a repercussão de uma poesia (e aventura) minha assim com tantas pessoas. Fiquei super feliz com os retornos de vocês.

Final de semana passado estive em Belém e ganhei um CD de poesias LINDO!!!!! ("lhindo", como falam por lá). Além das poesias serem bonitas, a pessoa declama muito bem e a música de fundo toca o coração... Pena que vocês não podem compartilhar esta sinestesia toda, mas, de qualquer forma, vou transcrever pelo menos uma poesia deste CD, que se chama "Águas", da poetisa Nazilda Corrêa. Esta poesia tem tudo a ver com o que eu estou vivendo no momento.

O Poesia de Quinta de hoje vai especialmente dedicado às minhas tias de Belém (Ody, Ormé, Iricina e Terezinha), que sempre me acolhem de maneira maravilhosa e moram no meu coração!!!!
Beijos.

Deíla



FASE ALADA
Nazilda Corrêa



Vôo
que esta é minha fase alada!
o tempo que dura
uma fase
dessa mutação
fase alada
de cupiim,
dura toda a chuva
de formiga
que quer se perder
de lagarta colada na folha
fazendo dela o alimento
Vôo
que esta é minha fase alada
de besouro
perseguindo a flor
libélula!
de íris
voando no arco
fechando quatro cantos de céu
de ícaro
queimando-se no sol
de verão ainda por ver
num porvir

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PARA ONDE FOMOS?

Por Haroldo Saboia

O sociólogo Fernando Henrique Cardoso coloca em artigo publicado em vários jornais do país, com a autoridade de ex-presidente da República, eleito e reeleito pelo voto popular, a questão PARA ONDE VAMOS?

“Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino...” (O Estado de São Paulo, 01/11/2009)

Para aqueles que se opuseram aos governos marcadamente neoliberais de FHC, em dois sucessivos mandatos e por oito longos anos, tais afirmações soam desafinadas e como que descoladas do tempo, anacrônicas, e deslocadas do espaço-histórico, do território e da realidade em que vivemos.

FHC elenca os elementos que constituem o que denomina “o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições”. O presidente Luis Inácio Lula da Silva, ao fim e ao cabo de oito anos como presidente, por acaso não terá governado exatamente com esse cenário, ou bloco como prefere FHC? Por que tal bloco esperaria pela vitória do PT nas próximas eleições para só então constituir-se com base de sustentação do “subperonismo lulista”?

Iniciei pelas conclusões de FHC expostas no último parágrafo do “Para onde vamos?” exatamente para ressaltar a fragilidade de toda sua exposição. O ex-presidente remete para o futuro a configuração do cenário (partidos fracos/sindicatos fortes/fundos de pensão) com o objetivo de escamotear o fato de que tal “bloco” não apenas já está consolidado como teve pleno desenvolvimento e influência desde seu primeiro governo FHC e por todos os anos Lula.

Não seria de todo descabido se Lula, ao ler o artigo de seu antecessor, cantarolasse os versos de Chico Buarque, em “Apesar de Você”: Você que inventou esse Estado/ ...Ora tenha a fineza/ de “desinventar”.

PARTIDOS FRACOS: historicamente a questão partidária expressa a fragilidade das instituições republicanas no Brasil, debilitadas por todo o século XX, pelos longos ciclos ditatoriais que intercalaram nossas experiências democráticas.

Nesse ponto, FHC não tem autoridade para criticar Luis Inácio Lula da Silva. Ambos conceberam, articularam, participaram da fundação, foram as maiores lideranças e igualmente eleitos para a Presidência da República por dois mandatos pelos partidos que animaram: o PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, e o PT, o Partido dos Trabalhadores. E – a história confirmará – que um e outro, Fernando Henrique Cardoso e Lula, uma vez eleitos pelo voto popular, foram, cada a um a seu estilo, reduzindo a presença de seus partidos na definição das políticas de governo. E acabaram por exercer de forma imperial a Presidência da República.

SINDICATOS FORTES: a referência à força dos sindicatos não deixa de conter um travo de ironia e maledicência do auto-proclamado “príncipe dos sociólogos” brasileiros, FHC. Ele tem plena consciência das contradições do sindicalismo brasileiro, particularmente pós-Lula. Assegurada a plena liberdade de organização sindical; mantida a unicidade sindical na base; a legislação e o Estado facilitaram o surgimento de centrais sindicais. Estas, embora concorrentes, constituem na prática uma pequena constelação em torno da estrela maior, a CUT. Todos contemplados pelo imposto sindical antes tão combatido.

Chegamos a uma situação paradoxal: quanto mais fortes a liderança, o carisma de Lula e as estruturas dos sindicatos e das centrais, mais débil o movimento sindical devido à reestruturação produtiva do capitalismo.

FUNDOS DE PENSÃO: o terceiro ponto do tripé concebido por FHC para tentar criticar o governo Lula. Diz FHC: “...os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas”.

E daí ? por acaso deseja o professor FHC confiscar o patrimônio dos trabalhadores aplicados em fundo de pensão? Reclama que os petistas, detentores da maioria dos representantes dos empregados nesses fundos, pudessem agora indicar também os do governo. Seria razoável e plausível que qualquer governo cedesse à oposição o direito de indicar os membros dos fundos de pensão?

O viés conservador de FHC o impediu de apontar os erros, que não são poucos, do governo petista e do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Generoso para com o sistema financeiro: “nunca como antes na história deste país os banqueiros tiveram lucros tão fabulosos”.

Magnânimo em relação ao poder local: as prefeituras detêm o monopólio da intermediação entre o Presidente da República e a população na execução das políticas públicas (como o Bolsa-Família), o que enfraquece e debilita as organizações e os movimentos populares.

Cúmplice das oligaquias e do fisiologismo: são os oligarcas do PMDB, os velhos coronéis como José Sarney e Jader Barbalho, e figuras como Collor de Mello, que dão as cartas nas políticas de saúde, de energia, de transporte e tantas outras através da ocupação dos cargos públicos.

PSDB com o PFL, atual DEM; PT com o PMDB. As paralelas, FHC e Lula, acabam por se encontrar no infinito do fisiologismo e da impunidade.

Só poderemos saber para onde vamos, se tivermos consciência do “PARA ONDE FOMOS?” levados por FHC e Lula.

Nota: se tivermos a sabedoria de não amaldiçoar a escuridão, talvez os apagões (ontem com FHC, hoje com Lobão/Sarney/LULA) possam iluminar os nossos caminhos futuros.

Poesia de Quinta - número 50

Por Deíla Maia (originalmente em 24.09.2009)

Pessoal,

No último domingo, vivi uma experiência muito diferente, marcante, inesquecível: RAPPEL!!!

Recebi o convite inusitado, de forma bem casual, inesperada. E o desejo de ir superou tudo... Mesmo bastante ocupada, dei um jeito de ter tempo de vivenciar isso...

E não me arrependi. Afinal, são as emoções que fazem a vida valer a pena.

Ofereço a Poesia de Quinta de hoje à minha amiga Andressa, com quem tenho "identificação de alma" e que me acompanhou nesta insólita aventura.

Beijos.

Deíla



RAPPEL
Deíla Barbosa Maia - São Luís, 20/09/2009



Atirar-me no vazio, no nada...
Sair da minha “zona de conforto”
Abandonar a solidez e as “certezas”...
Para levitar na fluidez, no desconhecido
Exige muita ousadia e coragem,
Capacidade de superação,
Possibilidade de romper os próprios limites
E aceitar o convite para conhecer o novo,
O incerto... O fugaz!

Senti um medo ENORME ao me aproximar
Da fronteira entre o conhecido e o desconhecido
Confiar, deixar para trás minhas barreiras
E mergulhar no insólito
Não foi nada fácil!!!

E, de repente, eu me vi presa por uma corda
Livre no vazio, solta, leve, feliz
E percebi que o rappel é como a vida
Em que controlamos nossas escolhas,
Descendo mais rápido, mais devagar, parando...
Sem nunca poder voltar
Porque, como dizia Cazuza,
“O tempo não pára”
E a vida não volta
Cada momento é único, mágico, precioso.

Eu me dei conta igualmente
Que não estamos sozinhos nesta vida
Há sempre pessoas acima e abaixo,
Ao lado também,
Que nos ajudam, orientam, estimulam, amparam
Só que é a gente que escolhe o destino.
E a velocidade da “descida”
Está literalmente em nossas mãos.
Se vamos viver “com emoção” ou “sem emoção”
De frente, de costas ou mesmo de cabeça para baixo
A decisão é nossa!

Escolhi sentir a adrenalina
Experimentar uma emoção diferente
Que tomou conta de todo o meu corpo,
Minha mente e me deu novas idéias.
O sentimento é indescritível em palavras
Assim como a vida...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Centrais sindicais levam 50 mil trabalhadores a Brasília

A Marcha da Classe Trabalhadora, realizada hoje em Brasília, dentre outros pontos, levanta como bandeira a aprovação da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. O projeto aguarda votação no Congresso Nacional, tal como a PEC contra o trabalho escravo (também bandeira da marcha).

A redução da jornada de trabalho divide classistamente o Parlamento. Empresários e seus parlamentares, contra; trabalhadores e deputados progressistas, à favor. O governo não se mete nessa bola dividida, muito menos na da PEC contra o trabalho escravo.

Vale, então, a capacidade de mobilização dos movimentos sociais para fazer o Brasil avançar nessa questão. Noutros países da Europa, o movimento sindical já batalha é pela redução da jornada para 36 horas.

O fato é que, no presente estágio do capitalismo, a velha (e atual) mais-valia de Marx mantém-se de pé para a compreensão da economia mundial.

A mais-valia é o conceito pelo qual o autor d´O Capital explica como o empresário se apropria da diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador. Divide-se em mais-valia absoluta (maior jornada de trabalho; mesmo salário) e mais-valia relativa (mesma jornada, mesmo salário, contudo maior ritmo do trabalho/intensidade para maior produtividade, sobretudo pela mecanização). Entenda mais aqui.

O que está em jogo, nessa evidente luta de classes, é a luta da classe trabalhadora - em essência - pela redução da mais-valia absoluta, da exploração mais imediata. O que já é algo "atrasado" em relação à revolução tecno-científica e da informática que atravessa o mundo. Ou seja, o empresariado brasileiro mantém o ritmo da barbárie na defesa da jornada de 44h de trabalho, mas eleva o número de desempregados alegando as novas tecnologias, a exemplo de bancários e trabalhadores rurais, ante a mecanização no campo. Um bom texto para refletir é o do filósofo alemão Robert Kurz (leia aqui).

Portanto, a Marcha das centrais sindicais está no rumo certo. Tanto pela geração de empregos que a redução da jornada de trabalho traz consigo, quanto pelo embate de classes que ela coloca na arena pública de debates.

Abaixo, matéria do saite da CUT.

Centrais sindicais levam 50 mil trabalhadores a Brasília e fazem a maior das seis Marchas. CUT encerra mobilização em protesto diante do STF

A CUT e as demais centrais sindicais do País se uniram na manhã desta quarta-feira (11) para promover a tradicional Marcha Nacional da Classe Trabalhadora.

A sexta edição da manifestação, fundamental para implementar uma política de valorização do salário mínimo no Brasil, contou com 50 mil trabalhadores que deixaram o estacionamento do estádio Mane Garrincha, na região central de Brasília, às 9h30, e caminharam rumo ao Congresso Nacional.

Neste ano, as centrais definiram seis eixos unificados: votação do PL 01/07 que efetiva a política de valorização do salário mínimo; novo marco regulatório para o pré-sal, atualização dos índices de produtividade da terra e aprovação da PEC 438/01 contra o trabalho escravo; ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT; aprovação do PL sobre a regulamentação da terceirização e combate à precarização nas relações de trabalho e, principalmente, redução da jornada sem redução do salário. (leia mais aqui)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Coluna Haroldo Saboia (Jornal Pequeno - 09 de novembro de 2009)

Além dos artigos semanais, Ecos passa a postar também a Coluna Haroldo Saboia, publicada às segundas-feiras pelo Jornal Pequeno. Mais uma contribuição do colaborador ao blogue.

Boa leitura.


Coluna Haroldo Saboia
AINDA HÁ TEMPO: NÃO ÀS JOBINETAS!


A aprovação, na Câmara Federal, em primeiro turno do projeto de emenda constitucional (PEC N° 351/2009) não tranqüilizou seus maiores arquitetos: os grandes partidos PT, PSDB, PMDB e DEM.

É que o resultado da votação foi muito apertado. Uma emenda constitucional para ser aprovada precisa de 308 votos favoráveis. Nesta primeira votação, a PEC do Calote recebeu o voto SIM de 328 deputados, apenas 20 além do mínimo.

Votaram contra 76 deputados, quatro se abstiveram e houve uma abstenção. Como são 513 parlamentares (e apenas 409 presentes ) aqueles 104 ausentes, na prática, se posicionaram ,por omissão,igualmente contrários ao Calote.

Precatórios são dívidas públicas com empresas e particulares reconhecidas em sentenças judiciais de “última instância”. O que faz a PEC do Calote? Estende o prazo ( para o mínimo de 15anos) para o pagamento de precatórios devidos mas não pagos pelos Estados e municípios.Também ,entre outras aberrações,quebra o principio constitucional de respeito à ordem cronológica.

Como? Pela introdução de mercado no cumprimento de decisões judiciais incontroversas. A PEC estabelece que, anualmente, 50 por cento dos precatórios não pagos poderão ir a leilão, em “câmara de conciliação”, verdadeira arena onde leões vorazes ( os senhores governadores e prefeitos) estarão negociando com seus esquálidos e famintos credores.

O Estado de São Paulo desta sexta, em editorial, explica: “aqueles que aceitem, como último recurso, receber apenas uma fração do que lhes cabe, para não esperar uma eternidade pelos valores a que têm direito líquido e certo”, - estes serão os tristes contemplados por tão bizarros leilões.

É possível que nesta semana a proposta volte ao plenário da Câmara para a votação em segundo turno. Bem provável que, com a forte repulsa da opinião pública, da OAB e do judiciário, seja estancada, no nascedouro, este conluio de interesses do maior partido do governo,o PT,com a maior legenda de oposição o PSDB .Trama elaborada ,às escâncaras,pelo ministro Nelson Jobim ainda - pasmem – quando no presidência do Supremo Tribunal Federal.

Há tempo para evitar a transformação de precatórios em jobinetas, a mais nova versão das conhecidas moedas podres, sempre à mercê de ágios e deságios, numa verdadeira mercantilização de decisões judiciais.

Como votou a bancada maranhense

São 18 os deputados que compõem a bancada maranhense na Câmara Federal.

Votaram SIM, favoravelmente, à PEC dos Precatórios os parlamentares: Benê Camacho(suplente-PTB); Carlos Brandão (PSDB); David Alves Silva Júnior (PR); Nice Lobão (DEM); Pedro Fernandes (PTB); Pedro Novaes (PMDB); Professor Sétimo (PMDB); Ribamar Alves (PSB); Roberto Rocha (PSDB); Sarney Filho (PV); e José Vieira (PR). TOTAL: 11(onze) votos favoráveis a PEC dos Precatórios.

Votaram NÃO, contra a proposta: Cleber Verde (PRB); Clóvis Fecury (DEM) e o deputado Julião Amim (PDT). TOTAL: 3 (três) votos contrários à PEC do Calote.

AUSENTES: Domingos Dutra (PT), Flávio Dino (PCdoB), Pinto Itamaraty (PSDB); Washington Luis (PT). TOTAL : 4 (quatro) parlamentares ausentes da votação.


1968: O BRASIL SOB A CHIBATA DOS MILITARES

“Às onze e meia da noite de ontem, o elenco da peça Roda Viva, no Galpão do Teatro Ruth Escobar, em São Paulo.... já estava nos camarins.(...) quando ouviram os primeiros gritos e o grande barulho que vinha da platéia. Ninguém sabia o que estava acontecendo.

Muita gente ainda... nas cadeiras, quando mais de vinte rapazes, armados de cassetetes e revólveres, deram um grito, e começaram a depredar tudo dentro do Teatro galpão. Não deu tempo para nada.

Enquanto isso, os homens que quebraram tudo começavam a sair lá de dentro, correndo. Ninguém sabia quem tinha atacado o teatro e quem tentava fugir dos agressores.”

"O teatro todo destruído a pauladas" (Jornal da Tarde - 19/07/68). Reportagem que relata a invasão do Teatro Ruth Escobar por membros do CCC, dito Comando de Caça ao Comunistas, por ocasião da apresentação da peça RODA VIVA, de Chico Buarque de Holanda.




2009: O MARANHÃO DE VOLTA AO CHICOTE DA OLIGARQUIA SARNEY

“O lançamento em São Luís do livro “Honoráveis Bandidos”, que narra escândalos e falcatruas da família Sarney, foi marcado por tumulto, quebra-quebra, socos e pontapés ontem à noite, na sede do Sindicato dos Bancários, na Rua do Sol. (...)

Enfurecidos, os manifestantes jogaram ovos em direção de Palmério Dória, que se encontrava ao lado dos jornalistas Mylton Severiano e Marcos Nogueira. (...)

Alarmado com a violência que marcou a sua noite de autógrafos, o jornalista Palmério Dória protestou, declarando que “não somos nós que estamos aterrorizados, na verdade é o grupo Sarney que está acuado. Eles é que estão com medo....”

Baderna criminosa no lançamento do livro 'Honoráveis Bandidos'. Tumulto e quebra-quebra marcam lançamento de livro sobre Sarney. Por Manoel Santos Neto (Jornal Pequeno, São Luis-MA,05/11/2009)

Poesia de Quinta - Número 49

Por Deíla Maia (originalmente em 17.09.2009)

Pessoal,

Mais uma vez, vou usar meu poeta predileto para fazer uma reflexão importante sobre as amizades...

Os "irmãos" que escolhemos ter, os companheiros para todas as horas, para falar bobagens, para desabafar, rir, chorar, sonhar...

Um beijo ENORME a todos os meus amigos, próximos, distantes, mas sempre no meu coração.

Beijos.

Deíla



SAUDADES...
Fernando Pessoa



"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar quem sabe...

Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens... Aí os dias vão passar, meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro.

Vamos nos perder no tempo... Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão?
Quem são aquelas pessoas? Diremos... Que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto.. . nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos.

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.

E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades seja a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Artigo definido: Jhonatan Almada

Jhonatan Almada destacou-se na equipe do Prof. Raimundo Palhano quando na presidência do IMESC, no governo Jackson Lago. Como técnico, participou da elaboração do Plano Plurianual (PPA) e de outras ações que o instituto traçava para redimensionar o planejamento do Estado.

No seu blogue, tem se dedicado a acompanhar os programas "lançados" pelo governo biônico de Roseana Sarney. Mostra como muitos dos "Vivas" - sem esse verniz marquetológico - já estavam traçados pela gestão anterior. Esse talvez tenha sido um dos erros da gestão, deixar para o segundo biênio do mandato o que já podia ter sido feito antes.

Jhonatan cumpre o papel que legitimamento deveria ser dos ex-secretários. Os próprios gestores anteriores desmontando os factóides atuais da oligarquia. Mas parece que boa parte (e aqui tomo o cuidado para não generalizar a todos) só faz política quando da montagem da equipe de governo.

Abaixo, dois dos artigos de Jhonatan Almada. Um revela o engodo do "Viva Infra-estrutura" e outro questiona o conceito de cidadania do "Viva Cidadão". Abaixo:

47,46% de verdade sobre a infra-estrutura

“Viva Infra-estrutura alcança 47,46% de recuperação das MAs” (Jornal Estado do Maranhão-EMA, 8/11/09, p. 6, Caderno Cidades)

(...) Quando vi essa notícia hoje, achei que já tinha não só lido como participado do processo de planejamento dessas obras, há dois anos e três meses, no Governo Jackson Lago.
Como minha memória ainda funciona bem, abri o documento “Agenda 2010 – Maranhão Democrático e Solidário”, lançado publicamente pela Secretaria de Planejamento do Governo Jackson Lago, em março de 2009, acessível na internet, basta pesquisar no Google. (...) Qual a diferença entre uma lista e outra? (leia o artigo completo aqui)



No Maranhão a cidada nia ainda é de papel

Apesar de todas essas análises, em 8 de novembro de 2009, o principal programa anunciado pelo Governo Roseana Sarney

Reproduzo a matéria: “A população terá acesso a diversos serviços, tais como emissão de Carteira de Identidade, antecedentes criminais, Carteira de Trabalho, alistamento militar, CPF, telecentros (espaço para acesso à internet e impressão de documentos de pesquisa) e a atendimentos que serão prestados no local pela Secretaria de Estado da Fazenda, pelo Detran, Sebrae, Banco do Brasil e Banco Popular” (jornal O Estado do Maranhão, Caderno Cidades, Geral, p. 7, 8/11/09).

Mais estranho ainda é o trecho final da matéria “A expansão do Viva Cidadão integra as ações do Programa de Valorização do Servidor Público Estadual, lançado em julho pela governadora Roseana Sarney”.

Primeira das conclusões possíveis é que no Maranhão apenas quem é servidor público é cidadão; segunda, cidadania no Maranhão significa tirar documentos (pagando taxas salgadas para uma população com baixa renda) e acessar serviços públicos fundamentais como Detran (a maioria não possui veículo quanto mais carteira de motorista), Banco do Brasil (como se não existissem Agências), Banco Postal (como se não existissem os Correios) e Secretaria da Fazenda (como se houvesse economia local para arrecadar impostos); terceira, a discussão sobre cidadania que será debutante ano que vem é "desconhecida" pelo governo de Roseana Sarney. (leia mais aqui)

20 anos da queda do muro de Berlim

Neste 9 de novembro, há 20 anos caía o muro de Berlim, e com ele a bipolarização (capitalismo x socialismo) no mundo.

Nos jornais e matérias jornalísticas de tevê, o enfoque é totalmente conservador e liberal, como não poderia deixar de ser.

Da Folha de São Paulo, dois textos se salvam: "Transição à democracia tem muitos muros", de Claudia Antunes e "Muro interno", entrevista com Eric Hobsbawm. No primeiro, a autora enumera oito fatores que levaram à queda do muro. Dá uma dimensão mais ampla do processo. No segundo, Hobsbawm situa criticamente as consequências do fim da guerra fria.

Numa das partes mais interessantes da entrevista de Eric Hobsbawm, quando a Folha questiona se a queda do muro representou o colapso do pensamento de esquerda, o historiador britânico responde convicto:

"Ela simbolizou, mas não foi a causa, da crise do pensamento de esquerda, que já vinha desde os anos 1970. Estritamente falando, ela apenas demoliu a crença de que o socialismo de corte soviético (economia planificada comandada por um Estado centralizador que eliminou o mercado e a iniciativa privada) era uma forma factível de socialismo.

Na verdade, como foi a única tentativa de realizar o socialismo na prática, seu fracasso desencorajou os socialistas como um todo -embora a maior parte deles tenha sido crítica do sistema soviético.

Entretanto as raízes da crise da esquerda retrocedem ainda mais. Ela ainda não chegou ao fim, mas o colapso do capitalismo financeiro global em 2008-9 -que foi uma espécie de queda do Muro de Berlim para a ideologia neoliberal- oferece uma chance de reabrir as perspectivas para a esquerda. Mas, espera-se, em uma base mais realista do que no passado."

Ambos os textos da Folha estão acessíveis só para assinantes. Mas gratuitos e disponíveis para baixar estão seis artigos da Revista Espaço Acadêmico - no. 102, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) - no especial "Dossiê - Muro de Berlim 20 anos". Sao cientistas sociais refletindo sobre esse momento histórico abordando variados aspectos. Acesse aqui. E boa leitura.

domingo, 8 de novembro de 2009

Mais imagens da barbárie sarneyzista no lançamento de Honoráveis Bandidos


O Blog de Márcio Santos - Acorda Alice traz uma excelente contribuição para comprovar, por definitivo, o vínculo entre os "estudantes" que promoveram o quebra-quebra no lançamento do livro Honoráveis Bandidos e o grupo Sarney.

Márcio Santos publica as fotos dos dois principais "cabeças" do quebra-quebra ao lado de nada mais, nada menos, de Roseana Sarney e de José Sarney. Confira
aqui as fotos e o texto "O PMDB de Roseana Sarney foi o grande patrocinador da baixaria armada para impedir o lançamento do livro Honoráveis Bandidos em São Luís" de Acorda Alice.

Abaixo, novas imagens da barbárie sarneyzista.




DE VOLTA AO CHICOTE

Por Haroldo Saboia

Em vários artigos deste espaço semanal do JP, tenho tentado demonstrar o caráter verdadeiramente obsessivo de José Sarney em distorcer a história, falseá-la sempre na tentativa de fixar sua imagem como a de um político moderno, tolerante, magnânimo e, ao longo de sua vida, comprometido com os ideais democráticos.

Sarney tem plena consciência de sua mediocridade como poeta e literato. Sabe perfeitamente das vicissitudes e da verdadeira dimensão de sua carreira política. Aparentemente vitoriosa, sua trajetória não revela uma liderança popular, um líder carismático, um profissional liberal ou intelectual elevado à condição de homem público.

Não! Os momentos relevantes de seu percurso expõem as marcas da trapaça, da esperteza, dos golpes, das traições, do absoluto descompromisso com a História e a coisa pública. Vejamos:

- a fraude eleitoral da famosa 41ª. zona (“esta é do Zé, meu filho”) que lhe assegurou uma suplência de deputado federal;

- a mudança do PSD para a UDN que lhe permitiu em 1960 transitar livremente pelos setores mais conservadores da política nacional que apoiavam Jânio Quadros (com Carlos Lacerda, forte no Rio de Janeiro, Magalhães Pinto em Minas, e o próprio Jânio, majoritário em São Paulo) sem romper com o poder estadual vitorinista. Explico: Sarney em 1960 apoiou dois pólos partidários: no Maranhão, o PSD, com os vitorinistas e seu candidato ao Governo Newton Bello, franco favorito; nacionalmente, o outro lado, a UDN, que elegeu Jânio Quadros e abriu o caminho ao golpe militar de l964;

- Sarney foi, assim, um político de TRÊS VIAS: do poder local vitorinista e pessedista; do populismo conservador de Jânio Quadros e da UDN golpista, com suas vivandeiras que estimularam e deram sustentação civil ao golpe militar;

- político por natureza governista e fisiológico, Sarney nas TRÊS VIAS que circulava ia empregando parentes, amigos, aderentes e correligionários. Sempre com um olho nos quartéis, outro nos tribunais... ;

- em l965, enfim veio a coroação da tática das TRÊS VIAS: o general João Batista Figueiredo, chefe da Casa Militar do ditador-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, proibiu expressamente, em audiência pessoal com o governador Newton de Barros Bello, que o PSD apoiasse o candidato, até então favorito, Renato Archer Bayma da Silva, deputado federal contrário ao golpe militar. (Por favor, não relacione, o fato que acabo de narrar, com a vinda recente de José Dirceu a São Luis, os tempos e o regime são outros e as práticas, bem... discutiremos depois);

- Newton Belo cedeu e o velho PSD lançou o ex-prefeito nomeado de São Luis Costa Rodrigues. Com dois candidatos, Costa Rodrigues e Renato Archer, a estrutura de poder local se dividiu e Sarney, traindo suas origens, graças ao apoio dos militares do Planalto e toda sorte de pressão, ameaças, chantagens, fraudes de todo o tipo, consegue ser eleito governador: nascia a nova oligarquia;

- as lentes de Glauber Rocha (que enigmáticas, ainda estão, penso, à espera de várias e várias análises e interpretações) fixaram o início desse ciclo oligárquico que germinou no nascedouro do regime militar. Lembro, a propósito, dois importantes estudos que fazem referências à presença do cineasta em terras maranhenses, naquele momento. O primeiro, ”Formação Social do Maranhão: o presente de uma arqueologia”, - trabalho de mestrado de Rossini Correa, defendido em 1982 na Universidade Federal de Pernambuco, (em especial, o capítulo oitavo); e, o importante “Sob o signo da morte: o poder oligárquico de Victorino a Sarney”, dissertação de Mestrado obtido na Universidade de Campinas (Unicamp), em 2001, pelo professor Wagner Cabral da Costa.

Aqui estão elencadas passagens do início da construção oligárquica. Sequer abordamos (nem o espaço possibilitaria) seu desenvolvimento posterior até sua consolidação com a ascensão bacteriana do personagem à Presidência da República.

Só, assim, poderemos entender, minimamente, as cenas de terror orquestradas pelo atual presidente do Senado da República na tentativa de impedir o lançamento do livro “Honoráveis Bandidos: um retrato do Brasil na era Sarney”.

Entendi ser necessário recuar no tempo e pesquisar o ovo da serpente, as origens da barbárie tão viva e presente no auto-proclamado Oligarca da Liberdade.


Sim, o próprio José Sarney teve a audácia de publicar, em seu jornal “O Estado do Maranhão”, um artigo de página inteira, com o pseudônimo Gilberto Meneses, com o título “O OLIGARCA DA LIBERDADE”.

Sabem em que data? Curiosa e cruel coincidência: 4 de novembro de 1990. Após exatos 19 anos, o atentado no Sindicato dos Bancários!


Um pseudônimo como biombo, Sarney solta o verbo:

“Por uma disposição inexcedível de sua índole tolerante e perseverante na indulgência, Sarney nunca soube usar da crueldade na apreciação dessa matéria complexa, plena de ambivalências, sujeita a mutações tão imprevisíveis, que é a natureza humana.”

E prossegue Sarney em seu auto-elogio:

“Com a virtuosidade de todo verdadeira artista da política, Sarney prosseguiu em sua rota, sem se deixar abater pelas misérias e fraquezas dos homens, convicto de que na vida pública a mais ruinosa e nefasta das posturas é ser pequeno”.

Só alguém que tem a coragem de proclamar-se “oligarca da liberdade”, tolerante, perseverante na indulgência, incapaz de usar da crueldade... pode ter o refinamento, a meticulosidade de agir com a sutileza e a complexidade de Sarney ao construir tramas como a de Reis Pacheco, do processo-trapaça que cassou Jackson e, sua mais recente obra, o atentado à Palmério Dória e seus leitores.


“Com a virtuosidade de todo verdadeiro artista da política”, Sarney (que como Hitler pinta telas) armou o abortado ato terrorista da noite de autógrafos no Sindicato dos Bancários, utilizando jovens remunerados (pelo menos um deles comissionado pela cumplicidade do Prefeito Luis Fernando, de Ribamar). E muito provavelmente com a cobertura (os indícios são fortíssimos) de membros do Serviço Velado da Policia Militar, presentes no ato em manifesta postura de coordenadores.

O DNA de Sarney é visível na edição de quinta- feira de seu jornal O Estado do Maranhão e em comentários veiculados pelos blogues de dois repórteres de política de sua empresa.


Enquanto o jornal ignora o episódio, o blogue de um afirma que “na realidade o lançamento dos Honoráveis Bandidos em São Luis não passa de uma provocação”, enquanto outro acusa textualmente um Secretário de Estado do Governo Roseana Sarney de patrocinar e coordenar o atentado.

Coisas do Sarney! Para confundir, ora silencia (1), ora faz a defesa da “ação” (2), ora aponta um responsável como bode expiatório (3).

Em outras palavras: silenciosamente, atira a pedra e tenta esconder a mão!

Vale lembrar que no episódio da invasão pela Policia Federal do escritório da empresa Lunnus de propriedade de Roseana e Jorge Murad, Sarney também recorreu à violência e ao terrorismo.

Determinou que aliados seus tentassem dissolver com pedras e pauladas ato público na Praça Deodoro, no início de maio 2001, em que manifestantes exigiam rigorosa apuração do caso Lunnus. Verdadeiras hordas de vândalos, transportados por ônibus fretados, promoviam a baderna e a intimidação comandadas pessoalmente pelos deputados Max Barros e Telma Pinheiro, e ainda pelo falecido vereador Sebastião do Coroado.

Max, Telma e Sebastião juntos em um verdadeiro sincretismo de terror e violência ao sabor dos caprichos do velho oligarca Sarney, o poeta do chicote.

sábado, 7 de novembro de 2009

Vias de Fato e o (faro)Oeste maranhense

Já nas bancas a segunda edição do jornal Vias de Fato, sob coordenação editorial dos jornalistas César Teixeira e Emílio Azevedo e coordenação de Alice Pires e Altemar Moraes.

O periódico busca ser um canal de expressão das demandas sociais do movimento social maranhense. Nesta segunda tiragem, a matéria de capa é dedicada à situação das terras indígenas da região do Alto Turi. Assinado por César Teixeira, o texto é um excelente ponto de apoio para o debate sobre o que anda acontecendo no (faro)Oeste maranhense.

O Vias de Fato também está acessível na internet. Confira
aqui.



Até quando os invasores vão continuar ocupando a Terra Indígena Awá-Guajá?

Contrariando decisão da Justiça Federal no Maranhão, o TRF da 1ª Região (DF) suspendeu a retirada dos invasores que ocupam a Terra Indígena Awá-Guajá, no Oeste do Estado, e especialmente das instalações da Agropecuária Alto Turiaçu, empresa do grupo paulista Schahin. Entretanto, os recursos ainda vão ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal, podendo a sentença original ser mantida, se não houver nenhuma ingerência política, conforme observação do juiz federal José Carlos Madeira.

Por César Teixeira

O presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Jirair Aram Meguerian suspendeu a decisão judicial emitida pelo do juiz José Carlos Madeira, da 5ª Vara Cível da Justiça Federal no Maranhão, que obriga a empresa Agropecuária Alto Turiaçu Ltda, do Grupo Schahin – assim como todos os ocupantes não-índios –, a retirar-se da Terra Indígena Awá-Guajá.

A suspensão, ocorrida em 23 de outubro, atendeu pedido da Prefeitura Municipal de Zé Doca, alegando que a retirada iria prejudicar economicamente a região. Porém, o caso não termina assim, pois o Supremo Tribunal Federal ainda vai julgar os recursos sobre a decisão da Justiça Federal, e a partir daí os invasores terão um prazo de seis meses para sair da área.

Para Madeira, dificilmente o STF invalidará a sentença. “Diante das evidências apresentadas nos autos e do contundente laudo antropológico, não acredito que o Supremo irá se pronunciar voltando atrás na nossa decisão”, ressalta o juiz maranhense.

A Sentença - Em 30 de junho deste ano, o juiz federal José Carlos Madeira, acolhendo pedido formulado pelo Ministério Público, emitiu sentença judicial contra a União e outros, condenando os réus a demarcarem a Área Indígena Awá-Guajá, seguindo-se os atos de homologação e registro imobiliário. Também declarou extintos, “não produzindo efeitos jurídicos” (CF 231 § 6º), os atos que possibilitaram a ocupação, o domínio ou a posse de terras na área, “inclusive aqueles praticados pela empresa Agropecuária Alto do Turiaçu Ltda”.

O juiz impôs, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, depois de exaurido o prazo de 180 dias, a remoção de posseiros, madeireiros e outros do interior da Área Indígena; o desfazimento de cercas, estradas ou quaisquer obras incompatíveis com o modo de uso das terras pelos Guajá; a colocação de placas em todo o perímetro da área, que indiquem com clareza ter sido demarcada por determinação da Justiça Federal no Maranhão e proibindo o ingresso no local sem autorização da FUNAI, além da divulgação dos trabalhos de demarcação.

Entre os réus na sentença judicial (Processo nº. 2002.37.00.003918-2), além da União e da empresa Agropecuária Alto Turiaçu Ltda, figura a própria Fundação Nacional do Índio – FUNAI.
Grupo Schahin - A Terra Indígena Awá-Guajá, no Oeste do Maranhão, desde a década de 50 era invadida por posseiros, fazendeiros e madeireiras – época da construção da BR-322. Depois chegariam grupos empresariais ligados a interesses econômicos escusos. Foi o caso da Agropecuária Alto Turiaçu Ltda, pertencente ao Grupo Schahin, que se instalou na região em 1985, apossando-se de 37.980 hectares das terras indígenas.

Na verdade, o Grupo Schahin Cury (que mudou de nome com a saída da família Cury da sociedade) veio para o Maranhão em 1978, a partir da criação da Schahin Corretora de Valores Mobiliários, para investir nos setores agropecuário e madeireiro. Fundado em 1966, o grupo atua nos segmentos financeiro, engenharia, construção civil, incorporações imobiliárias, telecomunicações, concessões de linhas de transmissão de energia, petróleo e gás.

Sua chegada no território Awá-Guajá fomentou o surgimento de milícias armadas, o desmatamento, as carvoarias, a construção de estradas clandestinas, a extração ilegal de madeira e o progressivo extermínio do povo indígena nômade, cuja área, originalmente, deveria possuir 232 mil hectares, incrustados nos municípios de São João do Caru, Zé Doca e Newton Belo, adentrando a Reserva Biológica do Gurupi.

A Agropecuária alega ter adquirido a área em 1982 do Instituto de Terras do Maranhão (Iterma), embora fosse reconhecida desde 1961 como reserva florestal e, em 1985, identificada pela FUNAI como território Awá-Guajá. Quem administrava então a empresa, sediada em Zé Doca, era o ex-presidente da Associação dos Criadores de Gado do Maranhão, Cláudio Donisete Azevedo.

Ligado ao grupo político do senador José Sarney, que controla o Ministério de Minas e Energia, Cláudio Azevedo é presidente do Sindicato da Indústria de Ferro do Maranhão e, em junho deste ano, foi empossado na presidência da Associação das Siderúrgicas do Brasil (Asibras), entidade que representa as indústrias de ferro nos estados do Maranhão, Pará, Minas Gerais e Espírito Santo.

Coincidência ou não, no mesmo ano de 1985 a Companhia Vale do Rio Doce iniciou a construção da ferrovia Carajás, para o transporte de ferro e manganês da serra dos Carajás (PA) até São Luís (MA), atravessando territórios indígenas dos dois estados. Pelo termo de financiamento da obra, a empresa deveria bancar o processo de demarcação, o que não ocorreu no caso dos Awá-Guajá.

“Pouco foi feito para ordenar social e geograficamente a região, mesmo com os vultosos recursos recebidos: cerca de 900 milhões de dólares do Banco Mundial e da Comunidade Européia para a implantação do Projeto Carajás”, registra Rosana de Jesus Diniz, coordenadora regional do Conselho Indígena Missionário - CIMI/MA (Porantim, nº. 317 - ago. 2009).

Cobiça pela terra - Em 1999, a violência recrudesce quando o Grupo Schahin, é “escolhido” para as obras de construção civil e infra-estrutura do Projeto SIVAM (Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia), a cargo da Schahin Engenharia Ltda. O grupo paulista, controlado pelos irmãos Milton e Salim Taufic Schahin, passou a encabeçar as demandas de ações judiciais contra a demarcação da área indígena.

Pressões sobre a delimitação da TI Awá-Guajá ocorriam desde 1985, quando foi identificada com 232 mil hectares. Em setembro de 1988, a área indígena diminuiu para 65.700 ha, com a portaria interministerial nº 158, revogando a anterior (nº 76), que declarava posse permanente dos indígenas 147.500 ha. Finalmente, em 27/07/1992, a portaria nº 373, do ministro Celio Borja, estabeleceu 118.000 hectares.

Em outubro de 1992, a Agropecuária Alto Turiaçu obteve liminar favorável em Mandado de Segurança impetrado contra a Portaria nº 373, permanecendo na área. Quando foi iniciada a demarcação, em fins de 1994, com base na mesma portaria, a equipe técnica foi impedida por moradores da região de continuar o trabalho, suspenso por falta de segurança.

O juiz federal José Carlos Madeira, em agosto de 2002, determinou que os trabalhos de demarcação da Terra Indígena fossem reiniciados pela FUNAI, alvo desde 1992 de uma ação cautelar movida pela Agropecuária Alto Turiaçu, que reivindicava a posse de 37 980 hectares situados na terra Awá-Guajá, sem obter êxito.

Seguiram-se várias batalhas nos tribunais e reações da sociedade civil e do Ministério Público, enquanto durou a ocupação das terras pelo grupo paulista, até a Terra Indígena Awá-Guajá ser finalmente homologada pelo Presidente da República em 2005, com 116.582 hectares.

Ou seja, durante todos os processos judicial e administrativo, mais de 115 mil hectares foram subtraídos do território original do povo nômade Awá-Guajá.

Mobilização - Antes de emitir a atual sentença, o juiz federal visitou a Terra Indígena Awá-Guajá e saiu convencido de que a terra estava sendo esquartejada e os índios eram massacrados sob os olhos do Estado. “Trata-se de um verdadeiro genocídio”, ressalta o juiz, que considera este caso mais emblemático do que o de Raposa-Serra do Sol, em Roraima.

Madeira chegou a receber mais de dez mil mensagens por e-mail do Brasil e do exterior com congratulações pela sua atuação no litígio, que acumula ao todo 15 processos (veja quadro). Não obstante a legalização da Terra Indígena, diante da omissão do Estado brasileiro o meio ambiente na região continua ameaçado e o povo Awá-Guajá na mira dos invasores, correndo um sério risco de extinção.

Rosana Diniz enfatiza: “Está anunciado o extermínio de uma região impregnada com a vida e com a diversidade dos povos indígenas, fauna e flora, por meio das carvoarias, pastagens, roubo da madeira e abertura de mais estradas clandestinas. Tudo regado a sangue e morte”.

Mesmo acreditando que a suspensão do TRF/DF não vingará por muito tempo, e diante de uma possível decisão do Supremo favorável aos indígenas, o juiz José Carlos Madeira faz um alerta para que a sociedade civil se mobilize para evitar surpresas, se houver ingerência política em favor dos réus. “Já fiz a minha parte. Agora é a parte política, o povo tem que ir para as ruas”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Stédile politiza CPI do MST

Confira no vídeo abaixo a estratégia do MST para enfrentar a CPI instalada no Congresso Nacional contra o Movimento.

Poesia de Quinta - Número 48

Por Deíla Maia (originalmente em 10.09.2009)

Pessoal,

A Poesia de Quinta de hoje eu li na minha Revista Vida Simples, de setembro/2009, e traz o trabalho de um maranhense criado no Rio, RONALDO COSTA FERNANDES.

O autor nasceu em 1952, é doutor em literatura pela Universidade de Brasília (UnB) e é autor de diversos livros, dentre eles o seu mais recente: A Máquina das Mãos (Editora 7 Letras), de onde foi extraída esta poesia.

Ofereço a Poesia de Quinta de hoje para a minha querida Grace (ela bem sabe os motivos!!!).

Beijos descansados!!!!

Deíla


FÉRIAS
Ronaldo Costa Fernandes


Aqui, quieto em meu canto,
sem mexer-me, olhando a luz higiênica do sol,
penso na inutilidade cansativa de malas e hotéis
para divertir-me nas férias estrangeiras.
Não, só preciso da vontade,
nem sempre firme,
um vento estradeiro,
um alarde distante de pássaros
e nada além do meu corpo.

Em São Paulo, Brasília, Maranhão e no You Tube repercute o quebra-quebra em lançamento de Honoráveis Bandidos

Aos poucos, os quatro cantos do País vão tomando conhecimento da pancadaria ocorrida em São Luís. O tema é notícia em São Paulo, Brasília, nas ruas de São Luís e no mais acessado saite de vídeos da internet, o You Tube.

O jornal O Estado de São Paulo de hoje publica matéria onde aborda o quebra-quebra no lançamento do livro de Palmério Dória, em São Luís. Anuncia o jornal paulista: "Pancadaria no lançamento de livro em São Luís"(leia aqui).

O maior saite de notícias do país, o Universo On Line (UOL), também destaca o tema: "Acaba em pancadaria lançamento de 'Hornoráveis bandidos' em São Luís"(confira aqui).

Dutra na Câmara
No plenário da Câmara dos Deputados, o deputado Domingos Dutra abre o verbo: "Sarney faz terrorismo para tentar intimidar adversários no Maranhão". (aqui o discurso na íntegra).

José Reinaldo no JP
O ex-governador José Reinaldo Tavares também aborda o ato de vandalismo praticado pelos jovens sarneyzistas no Sindicato dos Bancários. E registra:

"Além da proibição para que as livrarias o vendessem, sob pena de perseguição fiscal, as empresas de publicidade que trabalham com outdoors, depois de serem contratadas e exibirem as peças que divulgavam o lançamento do livro, foram ameaçadas e preferiram romper os contratos, sumindo com a publicidade do título. Foram ameaçadas de perder o trabalho. Cederam com medo" (leia aqui o artigo).

Na internet, já está disponível a filmagem da pancadaria. Assista abaixo.


Alterado às 12h27 para acrescentar link das imagens na internet.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Maranhão não é prioridade para PMDB aliar-se a PT

O Estado de São Paulo de hoje revela detalhes da reunião acontecida entre a comissão de 10 lideranças do PMDB e 10 lideranças do PT para alinhavar a aliança nacional pró-Dilma para 2010.

A cúpula peemedebista jogou as cartas na mesa: só entrega o peixe vendido (aliança PT-PMDB), se houver a solução de pelo menos dois dos cinco estados que efetivamente pesam na convenção do partido: Rio de Janeiro (controla 78 convencionais), Minas Gerais (66 convencionais), Ceará (64), Pará (58) e Mato Grosso do Sul (52).

O Maranhão nem entrou na conversa. Sarney tem pífios 04 votos do PMDB do Amapá e algo em torno de uma dúzia do PMDB maranhense.

Ou seja, não há margem de intervenção, por conta de qualquer pressão motivada no acordo nacional PT-PMDB, no PT maranhense.

A questão é o PT. O problema, então, é interna corporis. Aí, são outros quinhentos...

Por essas e outras, prefiro CHICO a Caetano...

Caetano Veloso, n´O Estado de São Paulo de hoje, perdeu uma boa oportunidade de ficar calado.

Disse o cantor, declarando seu voto para 2010: "Marina não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro".

Não é destilando preconceituosos venenos, típicos da elite conservadora do País, que faremos a crítica correta ao que eu chamaria de "República da real politic" da era Lula.

Ao não fazer a reforma agrária, não enfrentar o monopólio das comunicações, ter uma tímida política ambiental, repactuar com antigos coronéis da política brasileira (Sarney, Collor, Renan, Jader etc), Lula opta por um bloco de poder em que ele não avança nessas políticas para conciliar com agronegócio, a Rede Globo, as grandes empreiteiras e o "centrão" da política brasileira.

Isso nada tem de analfabetismo. Se a elite continuar tão burra quanto procura, nestes termos, expressá-la Caetano, o processo democrático brasileiro em nada avançará. Por conta de um lado e do outro!

Se elaborasse por aí sua crítica, seria menos "grosseira, cafona" a fala de Caetano.

Desespero dos Sarneys: "honoráveis" baderneiros aprontam quebra-quebra em lançamento de livro de Palmério Dória



A tentativa de quebra-quebra realizada pela juventude do PMDB, no lançamento do livro "Honoráveis Bandidos", de Palmério Dória, foi frustrante aos sarneyzistas e só fez aumentar o sentimento de unidade das oposições.




Ao tentar acertar ovos no autor do livro e estragar a festa de lançamento, os jovens sarneizistas atiraram no próprio pé... mesmo com os danos causados à sede do Sindicato dos Bancários, a noite de autógrafos prosseguiu com sucesso, como reporta o jornalista Manoel Santos Neto (aqui).

A autoria da baderna não é acusação leviana dos oposicionistas, é atestada pelo blogueiro Marco D´Eça, do sistema Imirante (veja aqui), no post "As idiotices de Roberto Costa".



É a volta dos dos caceteiros, como lembra o professor Francisco Gonçalves:

"Nos velhos tempos da política brasileira e maranhense, os caceteiros, como define o senador José Sarney em artigo publicado na primeira página do jornal O Estado do Maranhão, em 9.10.94, 'eram aqueles que iam para as eleições convencer os eleitores na paulada'.
Na noite de 4.11.09, na sede do Sindicato dos Bancários, os caceteiros voltaram espetacularmente à cena política do Estado do Maranhão, tentando impedir com pedras e ovos o lançamento do livro “Honoráveis bandidos”, do jornalista Palmério Dória.
No artigo de 94, Sarney advogava a idéia que caceteiro e boqueiro eram a mesma coisa e que 'para termos uma democracia moderna, respeitável, não poderia ter boca-de-urna'.
Ocorre que o boqueiro procura convencer com as palavras e o caceteiro intimidar o outro na base da paulada e da pedrada.
Caceteiros são paus-mandado daqueles que menosprezam o livre debate e não hesitam em lançar de qualquer recurso, inclusive da força física, para manter privilégios e ocultar maracutaias.
Para os novos caceteiros, reunidos na UMES ou em qualquer outra organização sindical e política, a democracia é apenas o outro nome de Geni: 'joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni' (Chico Buarque)."

Como alerta o professor Wagner Cabral, a bomba suja explodiu:

"(...)explode mais uma vez a violência política em meio à crise intra-oligárquica.
Em pleno lançamento do livro do jornalista Palmério Doria (Honoráveis bandidos), com ácidas criticas à oligarquia Sarney, cerca de 15 "estudantes" arregimentados pela UMES, na verdade uma tropa de choque do sarneísmo, quiseram impedir a LIBERDADE DE EXPRESSÃO com ovos, tortas e pedras, provocando tumulto, pancadaria e confusão.
A sede do Sindicato dos Bancários foi depredada, a porta de vidro quebrada, cadeiras do auditório também... vandalismo político: bomba suja .
Pessoas saíram feridas, com as agressões iniciadas pelos "estudantes" (leia-se tropa de choque), gerando pancadaria e medo.
Como usual na estratégia da velha oligarquia Sarney, depois da confusão, os "estudantes" quiseram se passar por "vítimas"... coitadinhos...
Um blog da Mirante, inclusive, repercutiu a estória cerca de 30 minutos depois dos acontecimentos... os estudantes teriam sido agredidos .
Mais, expressão literal do blog: "No entanto, não deixa de ser uma provocação o lançamento do livro em São Luís".
Ter opinião e expressá-la, ou seja, a LIBERDADE DE EXPRESSÃO, se transformou em PROVOCAÇÃO na baixa linguagem do sarneísmo...
Eis em sua crueza límpida, a bomba suja, a violência política, tanto física quanto simbólica, da oligarquia Sarney
E a pergunta fica no ar? os "estudantes" agiram por conta própria? ou autorizados e açulados? por quem?
AÇULAR, em sentido literal, incitar (cão) para que morda, ataque ou se porte agressivamente (contra)...
Todos a postos! Os “cães de guerra” do sarneísmo foram soltos... muito mais virá...
"




Pode vir, mas a oposição não se intimidará... a noite de autógrafos levantou o moral do que defendem um Maranhão livre, justo e democrático. Como discursou Palmério Dória, "eles são burros, estão é morrendo de medo".


Com certeza, o auditório lotado, a cultura de resistência levantada na voz de César Teixeira e no teatro popular dos movimentos autenticamente de juventude "Xô, Rosengana" e "Fora Sarney" apenas preparam a reação não pela violência, mas pelo voto popular que os maranhenses vão dar em 2010 na velha oligarquia. Quem viver, verá!!


Confira mais a repercussão do lançamento:

Blog do Rovai - Grupo Sarney invade sindicato em lançamento de livro;

Jornal Pequeno -
Baderna criminosa no lançamento do livro Hororáveis Bandidos;

Central de Notícias -
Baderneiros promovem quebra-quebra durante lançamento de Honoráveis Bandidos;

Blog do Jonh Cutrim -
Assessora do prefeito Luis Fernando promove quebra-quebra durante lançamento do livro Honoráveis Bandidos;

Blog do Garrone -
Estudantes ligados a Roberto Costa invadem Sindicato dos Bancários e promovem confusão durante lançamento de Honoráveis Bandidos;

Blog do Robert Lobato -
Militantes da juventude do PMDB tentam agredir Jackson Lago durante lançamento de best-seller

Blog do Eri - As idiotices do grupo Sarney ou o tiro no pé .

As fotos são de Felipe Klamt.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Com ou sem música?

Coloquei uma lista de músicas de rock in roll no Ecos: Legião Urbana, Capital Inicial, Titãs, Rappa, Oaisis, Coldplay, R.E.M, Rolling Stones, Bob Dylan e Elves Presley.

A ideia é a cada período deixar uma lista de músicas por estilo. O que acha?

Você prefere o Ecos das Lutas com música ou sem música?

Poesia de Quinta - Número 47

Por Deíla Maia (originalmente em 03.09.2009)

Pessoal,

A Poesia de Quinta de hoje vai com uma reflexão bem humorada sobre ecologia, a sobrevivência do nosso planeta.

Esta poesia foi feita por Nayhara Costa, de Vila Velha no Espírito Santo, e pode ser adquirida também na forma de camiseta, no site www.redbug.com.br, onde também constam várias outras camisetas divertidas.

A poesia de hoje vai especialmente dedicada ao meu querido afilhado Ian, que representa esta futura geração que irá ter que gerenciar a atual situação do meio ambiente e inovar em busca de soluções criativas para que consigamos viver em um planeta melhor.


Beijos.

Deíla


PLANETA TERRA
Nayhara Costa


Perdido no espaço, como um pêndulo brilhoso
La vai nosso planetinha, tão vivo, tão cheio...
Abarrotado de gente e bicho e planta por todos os lados...
Não deveria estar indo para um caminho tão ruim.
Esta mesma gente que bebe a água, que usa a terra, que respira o ar
Tem negligenciado a vida por ganância e dinheiro,
Algo tão passageiro...
Teremos que ficar sem água pra descobrir a importância de preservar?
Esperaremos que tudo se acabe, sem planta, sem bicho, sem ar?
Repensaremos nossas atitudes agora ou só quando tudo acabar?
Resta ainda alguma esperança que não nos obrigue a
Abandonar....?

4 de novembro: 40 anos COM Marighella


Marighella é um exemplo de vida. Sua luta foi por um Brasil socialista, sem desigualdades, justo e soberano. Soube guiar-se pela medida certa da relação entre institucionalidade e movimento popular. Foi um dos mais bem votados deputados federais do PCB. Empurrado para a luta armada pela Ditadura, manteve-se firme até ser brutalmente assassinado.


Como li, não recordo bem onde, ninguém fala dos 40 anos de um ou outro milico que liderou a Ditadura Militar no País. Mas muitos relembram de Carlos Marighella. Eis a diferença do que fica para a História.


Na entrevista abaixo, da historiada Denise Rollemberg (no IHU on line), conheça mais essa figura histórica de nosso país que, neste 4 de novembro, saiu da vida e entrou para a História popular brasileira.


MARIGHELLA - 40 ANOS DEPOIS

“Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil”. Assim, a pesquisadora e historiadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Denise Rollemberg, define Carlos Marighella, político guerrilheiro brasileiro e um dos principais defensores da criação de um estado socialista no Brasil. Em entrevista concedida, por telefone, à IHU On-line, Denise apresenta o histórico de Marighella, apontando suas principais contribuições à história da luta armada no país. O cenário da ditadura militar e o isolamento da prática da luta armada, também foram temas abordados por Denise. “É importante perceber que a ditadura não foi militar, mas civil e militar. Isto deve ser pensado para compreender porque a luta armada ficou tão isolada. Foi porque a sociedade foi muito participante da ditadura”, revela.

Denise Rollemberg possui graduação, mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense, pós-doutorado em História pela Universidade de Paris X e em Sociologia pela Universidade de Campinas/Unicamp. Atualmente, é professora da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora do Núcleo de Estudos Contemporâneos/NEC-UFF.Confira a entrevista.


IHU On-Line – Quem foi Carlos Marighella e por que se transformou em um mito?
Denise Rollemberg – Carlos Marighella é uma figura antiga do Partido Comunista que tem todo um percurso que acompanha a própria história do PCB, e o que é interessante nele, assim como outros militantes do partido, é que ele radicalizou esse percurso. E mais ainda: ele fez uma ruptura. Ele foi um sujeito que entrou no partido muito cedo, com 17 anos, e, a partir de 1964, começou a questionar o papel desarticulado, pois a política do PCB é associada aos trabalhistas e teria então desmobilizado os movimentos sociais, no sentido de uma possibilidade de resistência ao golpe. A ruptura dele se dá mais adiante, mas ele ficou, a partir dali, pensando como outros segmentos das esquerdas na época, o que teria sido um papel nefasto do Partido Comunista, nesse momento.

Outras figuras do partido também fizeram um percurso semelhante, como Jacob Gorender e Mario Alves. O que ele vai radicalizar é o caminho que tomou em 1967. A radicalização dele tem a ver exatamente com o fato de ter organizado a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização de luta armada que foi uma das mais importantes do Brasil. Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil.

IHU On-Line – Dentre os grupos de esquerda organizada e que optaram pela luta armada nos anos 1960 pode-se dizer que Marighella desfrutava de reconhecimento e liderança?
Denise Rollemberg –
Sim. Havia muita disputa entre as organizações, embora elas tenham fragmentado bastante. Foram dezenas de organizações que disputaram a liderança na luta armada. Sem dúvida, Marighella é a figura mais expressiva, junto com Carlos Lamarca, dessa opção revolucionária da ação armada. São duas trajetórias muito diferentes, mas que se encontram em algum momento.

(...)
On-Line – Contextualizando historicamente a luta armada, quais foram os acertos e erros de Marighella?
Denise Rollemberg –
Acho que o grande acerto, se formos pensar dentro desta linha do que acertou e do que errou, foi lutar pela revolução, pela transformação da sociedade, contra um conformismo, contra a ditadura. Não só resistir à ditadura, mas ir além desta luta. Poderíamos dizer até mesmo que, antes mesmo de 1964, ele estava lutando contra o capitalismo, pelo socialismo. Esse inconformismo com o status quo, seja ele dentro de um regime democrático como era no regime pré-1964, ele lutava pela transformação do Brasil. Acho que se pensarmos dentro desta perspectiva, que não é a óptica do historiador, de acerto e erro, a grande importância é isso. Quem faz erra e acerta, quem não luta erra sempre. (leia mais aqui)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

NESTA QUARTA, "HONORÁVEIS BANDIDOS" DE PALMÉRIO DÓRIA SERÁ LANÇADO NO SINDICATO DOS BANCÁRIOS, A PARTIR DAS 19H

Márlon Reis na luta contra a corrupção eleitoral


Taí um juiz que não tem entre seus objetivos ficar rico com a magistratura, Márlon Reis.

Tive o prazer de militar no movimento estudantil junto com Márlon. É de fato uma pessoa que tem idéias e ideais, e o seu combate à corrupção eleitoral não é bandeira demagógica.

Nesta primeira postagem de retorno do Ecos das Lutas, a faço em homenagem ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, destaque em matéria de Ricardo Brandt, n´O Estado de São Paulo de hoje.

Também é sobre a bandeira levantada pelo MCCE o tema da enquete do blogue. Vote ao lado. Abaixo, confira a matéria.

ONGs anticorrupção se mobilizam para renovar 60% do Congresso
Objetivo da ofensiva é barrar eleição de candidatos com ficha suja e elevar qualidade da representação parlamentar

A meta é ambiciosa: conseguir a renovação de 60% dos deputados e senadores do Congresso Nacional nas eleições de 2010. A um ano do pleito, as principais entidades civis de combate à corrupção do País começaram a trabalhar para barrar o maior número de candidatos com problemas na vida pregressa e tentar coibir fraudes e desvios na campanha.

Entidades como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Transparência Brasil, Contas Abertas, Voto Consciente, Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo), entre outras, se organizam para entrar nas eleições de 2010 com uma campanha massiva na internet para elevar a qualidade da representação parlamentar do País. Os trabalhos vão desde a seleção dos nomes dos candidatos com ficha suja, que já está sendo preparada, aos relatórios de desempenho da atividade legislativa dos que já ocupam cargos no Congresso, tabelas de gastos com verba indenizatória, quadro de doadores de campanha, emendas apresentadas ao Orçamento entre outras.

Considerada pelas organizações não-governamentais a principal ferramenta para a conquista de uma renovação recorde no Congresso, a campanha da ficha limpa - que prega a rejeição de voto para os políticos com processos na Justiça - será usada pela primeira vez para a escolha dos 513 deputados e 54 dos 81 senadores no próximo ano. Nas últimas eleições, o índice de novos parlamentares eleitos do Congresso foi de 45% (em 2006) e de 41% (em 2002). Só em 1990 foi registrada renovação de 62%, mas apenas na Câmara.

A ideia é que, mesmo que não vire lei, a ficha suja sirva como filtro para escolha dos eleitos. "As pessoas acompanham tantos escândalos na política e às vezes ainda não sabem separar os bons dos ruins. Não achamos que todo político é desonesto. Mas sabemos que existe uma classe desqualificada e desonesta, e que as pessoas não querem mais votar nela. Há uma tendência de se votar em novos nomes", afirma Rosângela Giembinsky, uma das coordenadoras do Voto Consciente, uma ONG que, desde 1987, monitora e avalia o trabalhos dos parlamentares da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de São Paulo.

Atualmente, levantamento feito pelo projeto Excelências da Transparência Brasil mostra que, dos 513 deputados, 208 têm problemas com a Justiça ou com os tribunais de contas - 41%. No Senado, dos 81 parlamentares, são 29 - 36%.

"A grande novidade das eleições de 2010 vai ser uma sociedade desatrelada de partidos políticos e com os olhos voltados para a vida pregressa dos candidatos, para os casos de corrupção e compra de votos", diz o juiz eleitoral Marlon Reis, um dos fundadores do MCCE e presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais. (leia mais aqui)

Retorno do Ecos

Dando uma passada por aqui no Ecos (o que não fazia desde agosto), supreendi-me com frequência contínua de internautas ao blogue, mesmo nesse longo período sem atualização alguma. Animei-me a postar alguns textos, sem contudo dar a garantia de uma efetiva periodicidade.

Da parte dos nossos colaboradores - Deíla Maia e Haroldo Saboia - posso dar essa garantia. Não pararam de produzir nenhuma semana nesse período que estive ausente. Aos poucos vou atualizando o que eles foram me enviando em suas colaborações.

Explico aos amigos(as) que fiquei fora do ar por conta de uma enfermidade que me acometeu desde agosto. Na verdade, só após 40 dias de febre diária, sempre às 17h, e depois de passar por vários exames e especialistas, cheguei ao dignóstico de um Linfoma. Desde setembro estou em São Paulo, em tratamento. Daí que, nesse período, não tive condições de manter o Ecos das Lutas atualizado. Mas retornamos aos poucos, a partir de agora.